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terça-feira, julho 03, 2012

Rapidinha com Marília Gabi Gabriela da minha imaginação

Quem te pariu?
Talvez as vozes...

Quem te criou?
Talvez as vozes...

Quem te matou?
Talvez as vozes...

As vozes de quem?
Talvez as de Deus...

As vozes de amém?
Talvez as do Estado...

As vozes da lei?
Talvez as da sociedade...

Quem dormiu com você?
Talvez as ditas preocupações para com a moral, o trabalho e a boa vizinhança.

O que se passa na sua cabeça?
O gozo
E na minha Clareza as idéias.

O que se passa?
Vidraça

O que se reza?
A ladainha e o berro do gado

O que se preza?
As vidas possíveis...

O que acomoda?
Nada. O peixe nada por não estar acomodado.

O que embola?
Baque virado.

Salta?
Açúcar!

Canta?
Arranco

Representa?
Crio.

Tormenta?
No cio!

Rebate?
Quem te pariu?

Talvez as vozes...

Eu que pergunto agora...

O que te desenvolve?

quarta-feira, junho 13, 2012

Corpo Na Moral

Então,
Não é que agiste mesmo
Na moral...
Igual, se essa quebrada se concerta
Deixa de ser errada e segue a seta.
Correto?
Mas e aí,
Quem diz qual o rumo que temos que seguir por certo?
Certo pra quem, seta de quem,
Hein?
Então,
Não é que agiste mesmo
Na moral e nem se deu conta...
Porque sou eu que presto contas
Eu, você, você e você.

terça-feira, maio 29, 2012

Coração é do corpo

Coração
Coração
Coração não é símbolo de amor
O coração não é símbolo
Coração é órgão, é pulso
É carne.

Coração rompido
Coração rompido não é símbolo de desamor
O coração não é símbolo
É infarto, disritmia,
Tecido adiposo, traído pelas gorduras do prazer, moral e anemia.

Arranco meu coração rock and roll
Entrego pro mundo dançar
E pisoteiam
Pisoteiam

Arranco meu coração Roberto Carlos
Entrego para o mundo amar
E chicoteiam
Chicoteiam

Lúpus silencioso
Parada cardíaca em câmera lenta
Gosto de sangue na boca
Gosma grossa correndo na veia.

Sangue de barata, raiva que não passa
E todo o resto
Todo o resto
É lama sutra, cama surda, decoro e modos.

Coração
Coração
Coração não é símbolo de amor
Coração não é símbolo
É corpo vil
Vital mecânica, funcional, objetivo mecanismo.

Coração
Coração partido não é símbolo de desamor
Coração partido não é símbolo
Partido é aquilo que foi embora.
Embora o que parta seja sinônimo de rompido.

Arranco meu coração bossa nova
Playboy carioca
E canto as belezas de Ipanema
Mas só da gangrena
Só da gangrena

Arranco meu coração em versos repentes
Solo meu sol nordestino
E o tiro é repentino
É repentino

Coração
Coração
Coração não é símbolo de amor
Coração não é símbolo.
É fio. O mundo hoje está por um triz
E no coração de todos as marcas da cicatriz.

segunda-feira, maio 14, 2012

Corpo para cima

Quais são as opções? Qualquer que seja a encruzilhada, sempre haverá os caminhos possíveis. Bem como a possibilidade de permanecer parado. Mas se busco o movimento, me parece o permanecer uma não opção. A não ser que tomasse meu olhar e verdade num sobressalto e investigasse se a partir de minha imobilidade pudesse, então, levitar e subverter a idéia de que todas as minhas escolhas de prosseguimento e procedimento estão pré-traçadas. Talvez assim fosse instaurado um jogo de pega-pega do qual não só a horizontalidade fosse meu chão da fuga, do drible e também da caça, mas também verticalidades e obliquoidades das quais não temos ainda alcance. Portanto, fico questionado em como acessar uma possibilidade da qual me parece de impossível realização. Meu corpo levitar? Isso sem considerar inconcebíveis atos como o teletransportar-se ou a transmutação. São outras relações de tempo e espaço a serem visitadas, aliás são outros ser e estar no mundo. Como? O campo da idéia hoje parece não bastar frente à velocidade com que o caminho da concepção ideal e sua materializacao é percorrido e cumprido. Portanto me parece sempre sofrível, hoje, quando um desejo, facilmente deixado apenas como um desejo em outrora, não for concretizado enquanto matéria palpável, em um hardware útil ao nosso cotidiano. O problema é que talvez não mais nos sobre desejos úteis, uma vez que inovações pensadas no passado, como carros voadores e autômatos realisticamente perfeitos, soam bregas e ultrapassados sem nem mesmo serem postos a venda. Esgotaram-se as verossimilhanças tecnologicas, qualquer criação ao nível do automóvel de Ford ou do computador da Apple deverão ser literalmente de outro mundo, pois o que vemos hoje são apenas desdobramentos de desdobramentos de desdobramentos. Tanto que a conectividade entre aparelhos de diferentes utilidades é o que tem salvado este tipo de indústria. Agregar valor sobre o já criado. Complemento e releitura. Criação sim, mas em que nível? Ou melhor, de qual natureza criativa? Há de fato espaço para descoberta?A questão é que o mercado não mais da conta de nossos desejos e, talvez por isso, tenta plantá-los em nós. Levitar não é um desejo de mercado, nem mesmo tem utilidade prática, nem mesmo aos ilusionistas - dá trabalho levitar! Assim como desaparecer e reaparecer exige um esforço pirotécnico, uma produção caríssima! Pois são estes os desejos que perpassam meu corpo. E agora tudo se mistura na paranormalidade de qualquer subjeto. Se passo a diluir a materialidade de meu corpo, idéia e ação não mais se apresentam como dicotomias em nossa concepção cartesiana de mundo. Se o nada levantar matéria e se a matéria se tornar um nada, tudo e nada poderão ser, então, verdades coexistentes, paradoxais verdades dúbias. E então a própria noção de verdade terá de ser reinventada, pois quando o impossível passa a ser 'possíveis' outras descobertas serão necessárias. E ao descobrir como descobrir, uma outra relação entre experiência de mundo concebida e possivelmente concebivel torna-se una no sentido de que tudo é possibilidade.

quarta-feira, maio 09, 2012

Corpo Frase

Toco tudo ao mesmo tempo
Tempo toca mesmo tudo ao
Mesmo tempo ao tudo toca
Tudo toco mesmo ao tempo
Mesmo tudo toca ao tempo
Todo tempo toca ao mesmo
Toque de todo tempo do mundo.
Molha a língua
Mingua a lua,
Sua, morena, sal!
Suor sereno
Veneno
Remo na úmida vaidade de seu ser
Certo é que todo me molho ao te ver.

domingo, abril 29, 2012

Sinceros Votos

Esse foi escrito há exatamente dez anos, para minha primeira oficina de teatro no projeto Amigos da Multidão... Sessão nostalgia. Obrigado Ângela por tantas vezes ser minha memória. Lamenta-se o Blues:

Meus sinceros votos de alegria
Às tristezas presentes na vida
São dados com a ira da ironia
Solta aos ventos da Cidade Prometida

Ao caos impera o "no time"
Solidão impera no tempo
O discurso de uma só voz
Cadê os meus companheiros?!

Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso

A emoção me rasga o peito
O sangue que jorra vermelho
Em vão cantei por perdão:
Condenado por perversão, seu cuzão

As cinzas, o caos
Os incêndios, normal
O olho que vê e não enxerga
Aceita as fatalidades

Por Deus eu imploro
Tio Sam, permissão
Pra rezar pelas almas penadas
Das crianças já condenadas

A dor da ilusão,
O futuro da nação
Aspirar o vazio, o nada
Rebelar-se de mãos atadas

Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso

Olho pra você
Zumbi da TV
No zap! A obsessão
Controle remoto da sua razão

Caminhe, faça, morra, coma,
Transe, cague e ande
Não, não vou chorar
Hipocrisia de pensamento

Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso

Piso na Cidade Prometida
Megalópole terceiro mundista,
O blues, a lamentação,
O caos, a população

"Superiores" estou aqui,
Não, não quero partir
A minha voz solitária
Vai cortar-vos feito navalha

Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso

Leandro Hoehne - 2002

terça-feira, abril 24, 2012

Eu não to ficando louco

- Mina, a gente tá perdendo o bonde!
-Podemos ser mais, logo,
Na maré que não é nossa,
Nosso barco só pode navegar fora.
O leme quer a contramão
Irmão
-Porque a minha infância foi no morro do CDM e minha juventude o não chorar de um pai morto
-Teme?
Treme... treme memo porque cada ruína é a sua própria história
-E a amizade não consegue saber o que quer porque é refém da própria introjeção da condição que quiseram pra ela.
-Os outros quiseram e querem sempre por você entende?
-Supera isso aí fiii
A gente não pode ter medo do dinheiro, ele é que tem que respeitar a gente.
-Podes crê amizade, podes crê.
-A roda não vai parar,
O bonde tá no trilho
E nossa sintonia se perdendo no ar.
Cê não vê que pode ser diferente?
Chega uma hora que a gente já aceita a miséria como nossa
A violência como nossa
A falta de dignidade como nossa
E a de liberdade também.
Ficar berrando aí, parado, berrando calado na tua vibe própria?
Ficar na fossa?
-Mina, a vida é nossa. Não interessa que você me traiu.
Amizade, a vida é bossa de ritmo falado. Não interessa que você me feriu.
Patrão, a vida é minha e temos o nosso trato. Não interessa o filé mignon no seu prato.
-Não?
-Meu rumo não ta feito. Nenhum bandeirante abriu minha trilha e se precisar subir, não vou de elevador.
-Cada cagada tem seu cheiro,
Cada apreço o seu preço,
Cada destino sua margem de erro
E cada erro tem seu troco.
-Aguarde. Eu não to ficando louco.



sexta-feira, abril 20, 2012

A larga medida entre o meu olhar e o seu beijo sem desejo explica o curta-metragem de nossa vida.

sexta-feira, abril 13, 2012

iPhone de Pandora - o poema

iPhone de Pandora
Pandora's mobile apps
Notes, remotes, facebook, iCloud
What's up
in New York?
E na Vila Nova Iorque
Tudo na mesma.
Everything is possible
on Pandora's iPhone...
Guarda infinitas surpresas.
Surprise!
E lá se vai
Também
The connection between our eyes?
Tantas besteiras poderiam ser evitadas
Enviadas
Via os bluetooths de nossa confiança, não é mesmo?
Mas os segredos, guardados na caixinha eletrônica, são como heras venenosas no prato que comeu.
Hoje é dia de selva bebê
E na selva eu te amo
E te respeito
Sou leão de juba raspada,
Nesse coliseum sou guerreiro.
E da caixinha de pandora tecnológica
Não tenho medo
Não tenho medo
iPhone de Pandora
Modern eletronic simulacrum of greek mythology.
iPhoda.

Jesus,
Desce cruz
Menino!

quarta-feira, abril 11, 2012

Em sua maioria
Minha família: mulheres
Meu trabalho: mulheres
Meus amigos: amigas
Vida boa essa minha

terça-feira, abril 10, 2012

Cada qual, cada um

Cada qual com sua reza
Cada um com sua pressa
Cada voz, seu palavrão
Cada limbo com sua escuridão

Cada mano com sua mina
Cada dor com sua penicilina
Cada amor com seu varal
Cada morada com o seu quintal

Cada mês com seu salário... Talvez
Cada escolha com sua altivez
Cada parcela, suas Casas Bahia
Cada baiana com sua mátria minha

Cada pai com sua morte
E cada arma com seu porte
Cada vida com seu norte
Cada tropeço com o seu capote

Cada rua, sua encruzilhada
Cada Oxossi, sua caçada
Cada filho sua pernada
Cada rumo sua calçada

Cada contexto, uma situação
Cada pretexto, algo malicioso
Cada lábia tem seu sexo
Cada homem tem o seu complexo

Cada perna tem sua sedução
Cada hormônio, lugar no tesão
Se for de corpo, cada alma conflito
Se for de cristo, pecado tá dito

Cada mulher, uma beleza própria
Cada razão com sua razão própria
Cada casal com sua fidelidade
Cada moral com sua idoneidade

Cada vontade, o mel da sua boca
A cada mel, uma vontade louca
Na poesia mais uma solidão
Em cada noite um gole de ilusão

Pra cada amor, uma dose a mais
Cada fulgor, abandonado ao cais
Mas a verdade é que a realidade volta
E por dinheiro, a luta é sem escolta

Cada playboy tem o seu nice boot
Cada perfil tem o seu facebook
Cada criança tem seu choro de fome
Seja feijão, ou do que não consome

Cada peão tem o seu trabalho
Cada patrão, à casa do caralho
Eu só não sei se cada qual tem vez
Em ser na vida o ser humano do mês

O ser humano do mês
O ser humano do mês
O ser humano do mês

--

Cada Grécia com sua Tróia
Cada favela tem a nossa nóia.

sábado, abril 07, 2012

quinta-feira, abril 05, 2012

Corpomano

Hoje em dia
É bonito dizer que veio de baixo
É bonito
É bonito
É bonito quando o discurso é operário
É bonito
É bonito
É bonito circular pela periferia
É bonito
É bonito
Bancar de mano e falar na gíria
Se liga
Se liga
Que tem gente querendo saltar no bonde da quebrada nossa
Embassa
Amassa
A massa
A
Massa
Inda vai comprar com a grana o lugar da janelinha
Alinha
A linha
Cerol e rabiola
Bola, embola, embolada
Que nada
Que nada
Roubada
Roubam nosso ouro
E escondem na toca
Se toca
Se toca
No túnel da moral que vem do capital
Assoite
A noite
Fumam nosso verbo
Cheiram nosso senso
Astral
Neural
Brutal
Brisam em nossa cara e gozam no nosso quintal.

Eu tinha que falar
Foi mal

Vendem-se ao político da situação
Resolvem com o Diabo como ficar bem na fita,
Porque em seus caminhos faltam atitudes
Em nossa encruzilhada exu abre caminho e manda bem na rima.

Então passa pra lá e vê se toma jeito
Que é feio
É feio
É feio
Mamãe não te ensinou a ter vida própria
Se importa?
Se importa
De assistir de fora e esperar o apito?

Porque aqui só joga bola quem circula nas vielas convicto.

terça-feira, abril 03, 2012

Corpo Também

Gosto do também
Abre mais que uma possibilidade
Revela a verdade de que nada pertence exclusivamente a nada
De que ninguém é de ninguém e de que qualquer coisa pode ser daquilo que se tem ou não se tem
Também
Há o que há e o que não há
Tambéns ancestrais, astrológicos, astronômicos, míticos, científicos, analíticos, estatísticos, políticos, módicos, lógicos, agnósticos.
O também desmistifica a ciência,
Serve às poesias do mistério
Reage às estratificações do sentido
Perverte a simbologia, inverte o exclusivismo.
Também, não poderia ser diferente, num universo tão cheio de possibilidades
Qualquer desconsideração de que o correto também pode estar errado
De que o aberto também pode estar cerrado
O concreto, abstrato,
O contemporâneo, ultrapassado
De que morto também vive em outro estado,
Serve ao simples fato de que tudo é múltiplo e sempre poderá ser multiplicado.
O também me tira da zona de conforto
Me lança no abismo da incerteza
Me revela ambientes incomuns, paisagens amorfas.
Fortalece o contexto porque dá poder ao depende.
Assim nada será só branco ou só preto,
Só pulga ou percevejo
Depende
Só soldado ou cangaceiro
Viajante ou hospedeiro.
Depende
Também depende de onde me posiciono
Por qual fechadura espia meu olho
Qual envergadura do meu campo de visão proponho,
A qual distância experimento meu olhar.
E, para além da vista,
Enfim,
Ou seja
Também depende,
Assim,
Se estou afim
De encarar a metafísica.

sábado, março 31, 2012

TNT

Ninguém aqui é pedra
Certo?
Então mexa-se.

Ninguém aqui é ponto de buzão
Certo?
Então mova-se.

Ninguém aqui é poste
Certo?
Então desloque-se.

Agora

Se um branquinho como eu ficar aqui te dando ordem,
Evoque Zumbi
Martin Lutter King
Pule os muros de Berlim
Risque o fósforo da desordem e

Quem sabe

Seja o caso de replantar sua raiz e resistir, resistir, resistir, resistir

Resistir, resistir, resistir, resistir...
E explodir, explodir, explodir, explodir

Explodir, explodir, explodir, explodir
Com tudo isso que tá aí

Poste, ponto, muro, encosto...
Arme-se de um aposto,
Sujeito, objeto, período composto, predicados verbais,
Metáforas
Mas nada de pleonasmo ou eufemismo.

Monte kits com refrões de rebeldia.
Arme o trinitrotolueno e exploda em poesia, poesia, poesia, poesia...

domingo, março 25, 2012

Corpo Paisagem

Vista daqui,
Belas sombras
Belas luzes

Avista belo monte de curvas sem veias centelhas vermelhas aos meios seios as costas a mostra

Pavíos partidos oferecem menos fogo.

E um Domingo assim, morno...? Cabe à reza dominical descarregar o cansaço da semana e já sofrer com as batalhas que virão.

Dessas paragens quero criar vida boa
Vida que é mais vida
Vida que é mais a toa
Toada de um fôlego só!
Parar de ver prazer só quando existir miragem

Então

Deixe-me olhar mais um pouco a paisagem...


terça-feira, março 20, 2012

Fulano Corpo

Fulano refletia no horizonte o pôr do sol,
Nos olhos um mel de saudade
Saudade doce e caldalosa
Que só depura em momentos bons.
Fulano sentia no horizonte um cobre brilhante.
No peito um vício de sol,
Sol que não se sabe se é de fora ou se é de dentro,
Solo de guitarra ou rebento.
Fulano sentia no horizonte uma brisa febril.
No sexo o própolis da abelha rainha,
Fel cicatrizante, curativo sumo, eficaz
Reverso veneno.
Fulano sentia a cabeça pesar
Pender para baixo, sobre as pestanas sombrias de um olhar esquecido, longe.
O horizonte não parece ser mais horizonte
A beleza do infinito, agora púrpura cor, caía abaixo da noite de seus joelhos,
Finas canelas e frágeis tornozelos...
Do corpo
Todo...
Corpo, todo
Fulano corpo,
só não sentia os pés,
Que flutuavam na vasta e intensa
Solidão.

sexta-feira, março 16, 2012

Samba Quadrado

Ando meio mal dos humores
Insatisfeito com os rumores
Descrente dos senhores
E senhoras que me vêem.
Se minha vida fosse mais de boemia
De esculachos, meias lidas,
Meios fios e meias medidas
De uma dose a mais de amor...
Se da metade não entende nem um terço
Podes crer que eu não mereço
O julgamento que me tens.

E na favela o sol nasce atrasado
Nego já tá no trabalho antes do galo cantar
Quem dera eu ter ficado com a morena
Nua, tem pele serena e suspira quando chego.
Alço vôo, sigo em dia, e sem consolo,
Ao patrão mais um esfolo, um pedaço do meu couro, sem acrescer nem um vintém.

Como um canto sem seu coro,
Uma sina sem penar,
Como um santo em oratório sem uma reza a iluminar,
Segue a vida com dois pesos, dois salários e respeitos,
Há mais deveres que direitos
Mais discurso que viver.

Porque é que a vida, delicada como donzela,
Prefere outra aquarela, outra sequência de cores?
Mesmo se cinza, prata, chumbo, é a cor dela
Fica desejando aquela que é mais a cara aos amores.

E colorida menos fica a sequência,
Marcada a cumprir sentença
Por causa de um mal entendido qualquer.
Quem foi que disse que o sofrimento é que é a regra
Pro peão que, aflito, espera
O pagamento do mês?

E o sol desce muito antes do horário,
Nego nem voltou do trabalho
Tanto mais viu a mulher.
Se há partida, tem de haver a despedida,
No boteco ao fim do dia
Samba um choro quadrado.
Quando às cartas vira a mesa
Aposta tudo o sonhador
Se o jogo é com a vida
O destino é o ganhador.

Ando meio mal dos humores
Insatisfeito com os rumores
Descrente dos senhores
E senhoras que me vêem.
Se minha vida fosse mais de boemia,
De esculacho, meias lidas,
Meios fios e meias medidas
De uma dose a mais de amor...
Se da metade não entende nem um terço
Podes crer que eu não mereço
O julgamento que me quer.

domingo, março 11, 2012

Sono em Clara em Neve


Se bato o sono em clara em neve
A cara fica fofa,
Pesa a pestana e o olhar não estabiliza o giro.
Então
Me dou conta que pro sonho só vai gema e
A clara, que pena,
Só gera suspiro.

sexta-feira, março 09, 2012

Magrela

Saí eu e a magrela
Somente eu e ela
Lá no céu a lua cheia
Aqui no chão volta e meia
Pedalo
Na favela, pagode na viela.
Alguns com baseado outros Inconformados guardando suas preces em garagens de amém
Tem também a gostosinha dos mano,
As piriguete rebolando, ô se tem.
Vai e vem
Sobe morro, desce morro
Não sei se morro
Puxo o fôlego
Vem cigarro, vem esgoto, vem cheiro de jasmim do perfume da...
Sei lá, deve se chamar Iasmin.
Subo mais um morro, desço mais um morro.
Já contei onze só até a Praça Onze,
Não sei se pedalo ou se corro.
Calma mano, que isso aqui não é coito.
Respiro a valsa da quebrada... Me sinto completamente em casa.
A lua lá no céu
A luta cá na terra
Jorge me olha curioso e não dou a mínima pro dragão.
Até porque eu sou timão...
A lua hoje é bela, tranquilo sigo pedalando na favela
Vou em frente
Porque sei

Sei que tem também
Por aqui
Gente de bem.

Corpo Móvel

A mobilidade se mede no direito de ir e vir. As idéias vem e vão. Os prazeres também são passageiros, muitas vezes mais do que queremos. Andar por aí fotografando pelas retinas do celular, quase que formado por células humanas. Quase tão inteligente, também quase tão carente. A mobilidade, que tanto tem a ver com liberdade e que por sua vez tanto tem a ver com vida, é hoje fabricada e aprimorada em aplicativos, pads, pods, tablets, smarts, pode? Posso seguir adiante? Esse transitar enquanto estou empacado no trânsito e o comunicar mudo enquanto penso lendo-me em voz alta no pensamento sem saber o que realmente pensa o outro a alguns impulsos elétricos de distância, são mais das belezas paradoxais contemporâneas. Aquele meu nomadismo cigano permanece, porém esta condenado a ser traduzido nas letras deste alfabeto virtual. Um movimento sem movimento, um adiante aqui plantado num banco do metrô. Onde chega esse meu móvel pensamento? De qualquer maneira, são só pensamentos... Permitidos de serem publicados enquanto pago a operadora de celular, ao mesmo tempo em que duram enquanto há bateria de lítio. Defenderei a mobilidade até o fim, mas preciso entender que não depende de mim o tanto que para além do celular quão móvel o resto do mundo deseja a vida.

domingo, agosto 16, 2009

Depois da bela ilha

Por todas aquelas paisagens, do que mais gozava era o tempo e n�o uma beleza visual dessas que nos enchem de suspiro remetendo ao para�so. H� muitos para�sos, mas arrisco dizer que aquilo que os faz comuns entre si � esse tempo que n�o passa, ou que passa brando, leve, sem ansiedade de ser tempo. Isso � maior que qualquer recorte de costa, areia de conchas, rio de �gua transparente, pedras esculpidas pelo mar. Poder aproveitar desse n�o ligar se demoro ou se corro, se vivo ou se morro, numa boa sombra dando um passo adiante ao sol e outro passo adiante ao mar, isso sim � que faz de uma boa paisagem um canto de �den.

Sei ser necess�rio esse tr�nsito entre produzir na megal�pole - trabalhar, se sentir preenchido com projetos, j� que fomos criados para ser assim e agora n�o h� mais o que mude isso, porque isso somos n�s, isso sou eu - e respirar ar de montanha e refrescar-se numa quebra de onda. Mas tamb�m gostaria de viajar sem estar viajando e sentir que fa�o parte da natureza, que desse tempo largo � feito meu metabolismo, meu pensamento, minha criatividade. Voltei remexido, e quero juntar as coisas, n�o precisar mais do tr�nsito, ser tudo isso inteiro sempre. Daqui por diante s� quero pensar em projetos que dar�o certo, e o certo agora � considerar que n�o h� mais distin��o entre mim e o mundo.

domingo, março 29, 2009

A Nobreza

De toco de bambú nasceu saci. Queria ter vindo de qualquer miolo de flor, de um cogumelo, do capim cidreira que dá no quintal, algo assim que venha mais vegetal. Mesmo que do repolho apareça o mito pra amenizar que o Homem mesmo vem do sexo, não vejo alguma clorofila correndo em mim. Sangrar verde seria sangrar diferente. E quem sabe sangrar verde não seja a revolução necessária?

sábado, março 14, 2009

Internet

Ele só sabe viver assim, autodidata. É um vício. Reconhece que esse seja mesmo o melhor jeito.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

O Oco

É melhor encarar o fato,
Se dá preguiça
É pedra no sapato.

Foi não. Ficou mais pra lá do que pra cá, bufou alto, bocejou pra dentro e preferiu ficar em casa lendo a Bíblia. É de mais serventia, é fato. É tato de intuição, coisa rara de se ter, por isso muito valiosa. Mas desse, o contrário é que inverte uma verdade em outra, dela muitos não tem justamente por nela não considerar dar valor. Foi não. Já disse. Tendo outras coisas a pensar, analisar, refletir. Se bem que quem reflete é espelho e ele mesmo não tem lá muita identidade se não a identidade de muitas caras. Por isso que quando muitos param pra ter reflexo achando encontrar alguma eureka, ficam apenas citando ciências e referências acadêmicas, como se tivessem feito um download sócio-economico-filosofico-psiquiátrico-manicômico-punhetal enciclopédico. Parece que não se pode viver da própria experiência. Esquisito né? É, por isso que quando olho pra um espelho é por solidariedade de emprestar meu rosto pra ele. Quase nunca a gente se vê por fora. Foi não. Você não acerta uma mesmo. Não tem nada com isso. Ouvi que o ego é burguês. Desde quando eu sou burguês? Desde quando voltei a falar disso? Desde quando deixei de fazer poesia, acho. Nem lembrava desse tal vício de vocabulário universitário intelectual. Não foi. É que a gente não se percebe mesmo do que tá impregnado. Quase nunca a gente se vê por fora. Fico imaginando que quando isso acontecer irá ser iluminado. Não foi. O que eu penso é que a ignorância as vezes é estratégia de sobrevivência, mas temos de considerar que se é estratégia, então é conhecimento, então é preciso conhecer a ignorância para usá-la estratégicamente. Portanto é preciso o conhecimento da ignorância! Pronto, já estou formulando teorias e não é disso que se trata mais. O mundo saturou de teorias. Não foi. Se se arrasta alguma coisa é porque tem que arrastar. Nunca viu jacaré correr no barro? Se ele cansa de arrastar a pança ele vai nadar. É simples. Coisa estranha é quando se faz disso um gosto de arrastar a pele até sangrar. Mas não conheço dessas patologias, disso só doutor e eu sou somente algum toca-discos de sí mesmo. Aliás faz um tempo que a agulha quebrou e o disco anda tocando meio riscado. Foi não. Foi só uma tensão desnecessária mesmo. Ando preferindo assim, porque sabe como é, agulha quebrada, disco riscado, tudo isso chia né? Toca meia música depois volta e toca a mesma melodia, quando muito pula e, aí, depois do estranhamento, a gente vê que nem era necessário mesmo. A gente nem era necessário mesmo. Foi não. Essa vida é que toca muito vazia. Ou será que é o vazio que toca na gente?



Hai Cai Microscópico

Veja bem,
Aquilo que não se vê
Só se mata com Veja.

domingo, fevereiro 01, 2009

Morada

Um céu azul saudável
Um mel assim doçura
Com leite moça o pudim
Com azedume lima limão
Cai uma noite em cama de rede
Vai buscar cheiro jasmim
Quero o sertão corrido descalço
Me confundir com a areia
Marrom pele morena

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Loja

Uma dessas, por favor!
Como se escolhesse numa vitrine
Alguma escolha que me define.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

O "s"

O "s" do meu teclado está apagado.
Isso me traz um problema plural:
Não sei se caso ou compro uma bicicleta.

Vôo

Sobrevoar o mar
Queria isso multiplicado ao infinito
E só.
Infinitamente só.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Rio raso, rio manso

Quarto arrumado. Acho umas coisas. Dentre:

Sol nasce
Amanheço o mundo e corrijo o tempo
Quando anoiteço
Vem sono profundo e me entrego ao sempre.
Nessa hora cresço.
Espicho em silêncio nessa hora de paz
Mas ninguém sabe o que passa dentro
Ninguém sabe o que passa dentro.
Rio raso, rio manso
E é o rio que molha o sol ou sol que seca o rio?
Só nasce e só corre.
Não vejo o fundo das águas pra observar seus pés
Água barrenta, água benta. Fico querendo
Mas
Hoje amanheço mais
Amanheço mais

sábado, janeiro 10, 2009

1+1

Algum leve impulso
Nem isso
Nem um passo pro lado
Nem isso
Algum breve recurso
Nem isso
Nem um largo abraço
Nem isso
Algum suspiro curto
Nem isso
Nem um respiro fundo
Nem isso

Algum ousado prato, de culinária oriental, com temperos indianos e requinte de capricho exótico
Quanto mais isso
Tanto quanto suaves pétalas ou macias gotas
Sabão nas costas ou oleosas mãos de moça
Quanto, enquanto, quero.
Ah. A...

lgum dobrar de costas
Nem isso
Nem um quero-quero
Nem isso
Algum gemer na proa
Nem isso
Nem deslizar na boa
Nem isso

Algum mal que se preze
Pecado que se reze
Falo desse, da pele.
Algum murmúrio safado
Recado não falado
Comunicação breve, entre-peles

E já me viro suado de agonia
Nem isso
Reviro desistindo da teimosia

Algum, algo ao menos, algo
Tem disso...
Fogo?
Que vá então pro Alasca
Socorro!

Algum site de pornografia
Nem isso
Nem jogo de amarelinha
Nem isso.

Grafo então na esfinge meu desejo rupestre:

Só penso nisso?
1+1=2, afinal,
É normal.




quarta-feira, janeiro 07, 2009

Em frente

Pra 2009 ascendi uma vela e pedi alguns pecados. Não sei, mas nos anos terminados em 9 pareço estar mais entregue aos demônios. Gosto... e estremeço.
E é exatamente nessa hora que torno a gostar, denovo.
E logo estremeço quando gosto.
Estou vendo, 2009 será um ano de arrepios.

Enfrento.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Aplico-me

Não sei falar de nada além de mim mesmo
e isso me encomoda
As referências são somente as minhas próprias. Os autores que cito não passam dos desdobramentos de minha própria consciência.
Mas não acho que isso é a ostentação do ego. Talvez apenas antiacadêmico, pseudo-ciêntifico, se constatar-se impossível a ciência de si mesmo, uma vez que a percepção é sempre subjetiva. Mas a contradição é que estou ciente de mim se levarmos em conta o aspecto mais viceral da percepção, porque, afinal de contas, o que é a realidade senão um ponto de vista? Meu mestrado talvez fosse somente a declaração de minha experiência e os pressupostos do que julgaria ser a razão da minha existência. Mesmo que, nestes meus 24 anos, faça juízo de que de muito novo acumulo coisas que nem gostaria que fossem verdade.
Portanto, aplico-me como método.
O fato é que isso não se aceita
e isso me encomoda
O que se aceita é somente aquele gesto do mundo, sem me considerar um crivo do mundo. Já escrevi alguma vez que o tempo atravessa meus ossos nesse percurso, algo fica.
O fato é que me entrego a alguma razão intuitiva de ser o todo e não as partes
e nessa me escapam nomes, momentos, particularidades
As notas de rodapé viram pés e tudo acaba sendo a base de mim mesmo, consciente de que sou, também, o (in)consciente coletivo que me lança à maré.
Não sei falar
e isso me encomoda, porque dizer é fazer ciência e fazer-se ciente é postar-se reconhecido
O fato é que na ação das horas é que me resolvo
e dos meus gestos dou conta e só...
Afinal, não gesticulo pelos outros.

Deixe-me ir

Deixe-me ir no baixo, lento, com algumas distorções. Sem muita força.
Encher as costelas antes de pressionar os dedos, num mole caminhar por teclas, sem tônus, atonal. Meu corpo acompanha esse estado que vem do meu corpo feito som muscular.
Apita agora um ré oitavado, em intervalos de emergência chamando atenção. Um ré de timbre mestre, que vem trazendo tônus aos poucos, me enchendo de sol. Mas ainda é nublado o céu que me cobre. A escala é menor e me tranca num espaço mínimo de movimento.
Um botão! E um forte som baixo sai do meu lado esquerdo. O tônus me toma e é impossível ficar sentado, simplesmente ouvindo. Os dedos pressionam mais forte e tudo vai clareando. Deixe-me ir numa melodia clara, limpa, parece que tudo se resolve. E mais botões entram e explodem em sons que diminuem seus baixo de meio em meio tom, até retornar num Ré dominante e repousar em meus ouvidos, macio, sem distorção.
Mas e essa necessidade que tenho de me torcer o tempo todo? Todo! Traz em súbito meu dedo mindinho buscando alguma voz que me enlouqueça... só pra que eu possa repousar de novo, ovo macio, ouço um Ré belo de Cartola. Mesmo assim não deixa de ser triste a melodia, não deixa de ser triste meu caminho, não deixa de ser triste a minha trajetória.
E essa tristeza que aumenta intercalando massas sonoras com delírios de solidão, num solo de dedos que correm não mais moles, mas loucos, pressionando, numa lógica que só a beleza da loucura é capaz de proporcionar, até encontrar mais baixos e tudo romper a vastidão sonora de um abismo.
Deixe-me ir, preciso andar nessas teclas, encontrar uma saída pra que as coisas não acabem assim tão esvanecidas numa melodia triste de pé no chão e cartola. E é aí, quando, por fim, meu mindinho reverbera no dedo mediano e do ré menor eu salto pra um amor ensolarado.
É preciso renovar!
E esse acorde que me toma, faz dançar meus dedos de ambas as mãos, trazendo uma melodia que me enche as faces, me torna alegre, sintetiza o tempo, muda a estação! Minhas costelas não mais enchem lentas nem trazem o vigor do alerta, simplesmente pulsam, enchem e esvaziam numa alegria de baião.
Agora é dança, é festa, o mundo mudou, não é mesmo? Está tudo melhorado! Está tudo, assim, renovado! Sorrir!
Mas não sei porque vai me dando um frenesi nervoso. Um teleco-teco fora de compasso. Um encher e esvaziar de costelas que fica curto e não descansa nunca, e não pára nunca, e não repousa nunca! Ai que desespero desses acordes alegres que não me deixam respirar! Sorrir! Sorrir! Preciso sorrir! Sorrir pra não chorar...
Que medo do silêncio! Silêncio. Deixe-me ir baixo, lento. Mas dessa vez é rápido. E não quero mais sons que me encham, algum. Deixo o fole das minhas costelas simplesmente esvaziar, pra se encher num respiro profundo e, por vez, por fim, até, acabar.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Inferno Astral

Escrevo minhas sinceras Cartas ao Corpo. E por um tanto de tempo, depois de um inferno astral de mal tempo, ou mau estado de humor, nesses dias, não foi por minha própria vontade que pensei pela segunda vez, desde que escrevo, em não mais entregar às teclas meus pesamentos de corpo inteiro. Sinceridade também mata e devia estar no rol de doenças contemporâneas de alto risco, de auto risco.

Pois essa atividade publica me deixa as vezes pensando que não há mais espaço pro que talvez seja o coletivo verdadeiro, que parta do indivíduo corajoso, que mostra a identidade e prepara o cerco confiante de que não está sozinho, com mais indivíduos confiantes de sua identidade, corajosos verdadeiros, preparados no coletivo... mas está sozinho. Pensei que não estava. Mas estou. Quem dá a cara a tapa, apanha. E só isso.

Pois é essa a atividade pubica, que me vira o pubis ao avesso e toda hora me pego por dentro e me perco, me cerco, me aperto e volto jogando merda na pólis. Querendo esfregar meu cheiro nas esquinas, pestiar as vistas, imprimir as fezes - a obra.

Não, não há que, se, merece, aceitar o carma que gregos são diferentes de troianos. E não sou tão puta dolor a ponto de estar dentro do cavalo discursando pra ambos.

Pois é essa, a atividade discursiva, que interrompe a ação. E é a ação, por ela própria, que se baseará minha estratégia.

Que me ilumine, então, poesias alienadas, pseudo-míticas, pseudo-críticas, pseudo-éticas, neste purgatório terreno em que resolvo me entregar às serenatas de beira-rio enquanto o mundo explode. Que seja esse meu disfarce e que conversemos mais tarde debaixo da terra ou acima da Lua, em algum próximo inferno astral, para os resultados em que a humanidade se coloca.

Quem que me cruze, que desloque.
Quem desloca, que me cruze.
Se agarrar, não me solte. Não,
não solto se me toca.
Não me toque se não peço.
E não peça pra eu sair da toca.

sexta-feira, novembro 07, 2008

A sina do circo

Vagar é preciso. Tá na hora de levantar a lona e mudar de praça. Já passou da hora. Já chegou.... já chega...

sábado, novembro 01, 2008

Corpo de Estações

Ah essas mudanças de estação me dão frenesis! Arrepios a cada volta da Terra. O fato é que todo dia agora é dia de mudança e as primaveras andam vizinhas demais de outonos, invernos e verões. Estação é manhã tarde e noite, muitas vezes divididas ainda por horas, minutos ou segundos de frios ou calores. Ao mesmo tempo que colho uma flor vejo uma árvore nua com melancolia outona, corro da chuva de pingo grosso e rasgo pra casa namorar em manto quente. Ah que sempre nessa primavera me apaixono mas logo entristeço e me tranco num inverno e, quando anoiteço, saio a voar com vagalumes de verão. As andorinhas por aqui nem vem mais que é pra não perder viagem. Esse aquecimento global que tanto me esfrega, me esfria, me põe em queda e me arrepia. Ah, essas mudanças de estação me dão frenesis! Ando agora todo dia frenético.

terça-feira, outubro 14, 2008

sexta-feira, agosto 29, 2008

Notas Sobre o Corpo

Breves em performance, postas pós experiências corporais em work(sem shop) com Eleonora Fabião.

Processos. Respostas daqui pro diante, só com retiscências...

Pergunta: O que é corpo?

... : Corpo é... conexão. Ponte, transversalidade, que enraiza a terra e infinita ao céu. Corpo é soma, mas também é uno, total sem partes, corpo. è processador ao mesmo tempo armazenador. Não como um computador numa ação de armazenar e separar em separado, mas sim uma ação fluida ininterrupta de armazenar o que se processa e processar o que se armazena. Corpo é cérebro e é cú, corpo é membros e é centro, é moral e é vontade... e também é o único capaz de transpor tudo isso...

... Corpo é baba, é unha fedida, é pêlo, cabelo, caralho. Corpo é algo mágico, porém real. O mágico sem mistério, enigma, mágica natural, da natureza que é feiticeira. Corpo também é aquilo que eu permetir que ele seja...

... Corpo é linha pra frente da vida. Não volta, não pára, não deixa de ser movimento. O que te barra, te cruza, não deixa de ser somente uma outra vida que também não pode deixar de ser esse contínuo movimento e, quando assim acontecer, que se dê a volta e descubra outro caminho. Que se atravesse, atravez de, caminhos, esse, longe, até, não sei quando, não sei onde...

... Dia 1, Dia 2 e Dia 3, respectivamente, até que chegue outra vez...

sábado, agosto 23, 2008

.

Arrisca,
Petisco de ostras podem trazer vento de pum

(Aqui é tudo muito belo e profundo)

Que se caia então à besteira
e
Viva a poesia do ridículo
e
Que nos valha os palhaçaria brasileira

terça-feira, agosto 12, 2008

Outra

Se um dia eu vencer a cidade e me entregar ao pulso de viver no mato, vou me ensaboar com sabugo de milho e me cobrir com manta de capim sidreira. E vou dormir cedo e vou acordar cedo. A noitada só será dos grilos, porque de manhã vou ganhar o sol de presente, embrulhado pra bom dia. Mas se um dia quiser escapar e ter a lua pra uma noite minha, peço com jeitinho, que é pro verde silênciar os bichos e as estrelas só se satisfazerem num voyerismo galático. Alí abraço a redonda prata que é pra amanhecer com preguiça do sol e fingir que a fadiga é saudade de alguma cidade perdida.

terça-feira, julho 29, 2008

Sem(sen)tido

Sabores
São as vezes odores. Me confundo nos sentidos... assim como vezes olho pra escutar e enxergo ondas sonoras. Sem novidades à física...

Simples é o tato. É o toque que desvenda o meio
Dos inícios e fins duvidosos. E há de ter recheio essa vida besta.
Se não sabe ainda pra que veio, dê um abraço demorado e espera reverberar...
Só depois do laço é que vem os cheiros... bufares íntimos. Daí pros gostos,
Olhos outros e mais temperos
Bastam mais abraços longos... e, ah! se demorar demais, é quase entregar a alma pra diabo alheio.

Da carne ao pensamento só há diferença de gênero.

Acordo roçando no lençol e descubro um desconforto. Um frio que sobe das canelas pra cima e um quente que só habita meus pés; da pele ao sonho, há de se fazer sonho com pele e pêlos sintonizados em sonâmbula estrada.
O caminho da cidade espera meus pés no dia seguinte e meus olhos esperam saudade...
Me descubro por inteiro que é pra perceber qual a temperatura da imensidão.

Uma camiseta basta. Mochila nas costas, pro trem! Fone de ouvido com RadioHead sem deprimidas razões; tenho a energia do dia. Trabalho pro pão, trabalho... vezes o sabor do pão é o cheiro, mas antes quero a massa, amassa, massagem...

domingo, junho 15, 2008

A vontade

Cores azuladas e azulejos
O meu advento é céu lilás.
Pela auto-estrada um fusca atento e o meu novo invento é de paz.
No muro de casa, encantamento, e numa almofada
Babo meus sonhos.
Assim, fico à vontade.
Rezo sem palavras, sem pretexto.
Não repito trechos. Nada mais
É moda e nem modelo
Nem Deus e nem meu pai.
Assim, fico à vontade.
Repaginei e imaginei aquela saudade
Do sonho, do sonho, do sonho
Achei que desencontro fosse o tempo
Em adiamento do encontrar
Risca madrugada e faça assento pra babar meus sonhos
Assim, fico à vontade.





Por enquanto estou meu próprio centro

Faz tempo que não componho... mas nunca estive tão musical. O que me escorre por dentro são algumas melodias interrompidas, as esqueço assim que me vem. Fogem ligeiras das minhas pregas envergonhadas, vocais. Só canto por dentro, desinfeto o recheio. As aqueço num atrito cortante, mas que não rompe a casca, não rompe a casa. Queria cantar sozinho num cais deserto, sem público, sem críticos, sem falsos ouvintes, falsos poetas, falos que se erguem no discurso e amolecem na prática. Regada a cerveja, não quero a criatividade de motor a álcool, barata, que não trabalha no frio. Quero a força motriz de minhas pernas que pedalam pelas curvas de uma serra virgem, amoral, se derramando, verde, me envolvendo no prazer do não tempo, em águas de lindo litoral.

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Tenho tido uma vergonha que há tempos não me compunha... mas nunca estive tão cara-de-pau. O que me ocorre é que o processo está querendo alterar a curva. Devo esperar incondicional, pronto, pra próxima candidatura de ator do ano, intelectual do ano, músico do ano, poeta do ano, gostoso do ano, circense do ano, aluno do ano, filho do ano, namorado do ano, modelo do ano, bailarino do ano, distraído do ano, bom menino do ano, maluco do ano. Do que será que me chamarão agora? Qual será minha etiqueta, de algo que ainda não sei que sou, agora? Porque me dizem sempre o que sou, se me sendo eu ainda nem me sei? Só sei que sei que me estou por dentro, morando um pouco no escuro do meu estar. Por enquanto, estou meu próprio centro...

quinta-feira, abril 03, 2008

Receitas Contemporânias Para Manter o Corpo Saudável -1


Vá até o supermercado e compre um pacote de bolacha Passa-tempo, da astronômica Nestlé. Vá para casa, ligue a TV e abra o pacote. Retire 6 pares de bolachas com o delicioso recheio de chocolate alpino e coloque de lado. Pegue par por par, abra as bolachas e desgrude o recheio delas. Coma as bolachas mas não os recheios, que devem ser empilhados um a um no dedo indicador da mão esquerda, caso seja destro, ou no dedo indicador da mão direita, caso seja canhoto. Ao final da degustação de doze bolachas Passa-Tempo, você terá em seu dedo indicador seis recheios de chocolate alpino empilhados, abra bem a boca e coloque a montanha doce marrom sobre a lingua e deixe derreter vagarosamente pela ação da saliva.

Dica: após comer as bolachas, beba meio copo d'água para lavar as papilas gustativas, para que o chocolate venha com mais sabor.

Depois deite de barriga para cima para assistir ao fantástico show da vida... não deixe de mudar de canal nos intervalos, pois assim é evitado a tentação do consumo desenfreado e também há queima de calorias com o apertar de botões e readaptação nervosa à mudança de imagens.

sexta-feira, março 28, 2008

Abertura do Balaio

Brincadeira
Pé com pé de moleque
Menina
Uma pilha duracel
Dura cem
Dura mil horas a farra
A farça
A dança... as gargalhadas
Se anima, entra na roda
Girar mais que o céu...
Porque depois cresce.
Mas se já cresceu, recomece hoje
A viver da lembrança dos tempos em que era...
- Piá! Ei Piá, o dia tá só começando, vamo que o tempo tá sem chuva e amanhã só chega depois que der o ultimo suspiro da noite. Vamos entrar você, mais eu... eu e ti. Vamo!
Jabuti.

Ciranda do Balaio

Cirandar de dia, bom dia
Cirandar de tarde, boa tarde
Cirandar de noite, boa noite.

Na casa da tia, café da tarde
Na praça vazia, beijo a noite
Ao girar ciranda, bom dia.

Abra a roda, forma o balaio
Abra a roda, forma o balaio
Abra roda, aqui, tudo vai acontecer.

quarta-feira, março 05, 2008

Entrecorpo de sol e lua

Uma noite com sol
Madrugada ensolarada

A lua pegou pelo anzol esses raios violetas
Que vez em quando entram pela minha janela para invadir meu sono em preto e branco
Imagem parada, eu alí deitado. Me vendo por fora me reconheço.

Ultramarelentas as fotografias antigas
Um sephia assim de memória, mesmo se de outro dia bater a história.
Risadas ascendem, lágrimas molham
As duas juntas abrem o prisma do arco-íris.

A lua pescou o dia pra fazer companhia, um amanhecer mais cedo encerrando a boemia e compartilhando outros olhares. Meu olho fecha um pouco quando vem o sol e solta de volta um raio ofuscante pedindo pra enviar ao mundo.

Escrevo pro mundo e ninguém há de mudar minha ânsia de artista.
Tendo em vista que a globalização não é o meu negócio, não faço questão que entendam minha lingua, mas que minhas palavras lambam os corpos de continentes, povos, fronteiras. Que ultrapasse então minha saliva pra digerir os carboidratos da prepotência humana.

Mas não importa isso agora. Importar é trazer de fora, exportar é vomitar o de dentro. Quero flutuantes as minhas auroras.

O arco-íris vai se acabando em seu leque de cores. Pintei uma aquarela em meus olhos, bem encharcada, ensanguentada de vermelho guache, com leves tons de azul oceânico do meu mar sem fim. Vou dormir... e com viajem longa, esperando acordar no horizonte navegando num navio que flutua entre o sol e a lua, numa tarde fresca de luz amena. Apenas...


terça-feira, março 04, 2008

Visto o Corpo

Como falar da minha vida sem falar dela ao certo? Metáforas... me responderiam os poetas. Performances... me diriam os interpretes. Mentiras... me diriam os amigos. Ilusões me diriam os esquizofrênicos. Como não transparecer assim, barato? Como confeccionar a roupa do rei que só os inteligentes podem ver? (visto o corpo como vestiria minha bandeira.) Tais Inteligências são de outra ordem... mais cabíveis ao todo do todo e não ao todo das partes. Essa é minha voyage solitária.

A coletiva é a celebração. Bons os momentos de alegria conjunta. Depois recolho no canto minha soledade melancólica, séria por ser serena e não por ser careta. Muito estranha uma felicidade do sozinho, do estar alí somente com motivos de memória para rir sem parar. É possível, mas não é a minha. Só é estar comigo sem meus botões. Só eu e eu somente pensando enquanto existo, existindo e sendo enquanto estou pensando e agindo... tudo junto, assim. A alegria é pra dividir, não combina com sorrisos solitários, gargalhadas malucas sem ninguém em volta... é triste. A alegria sozinha fica triste.

Minha tristeza é inteligente. Eu sou inteligente e posso ver roupas infindáveis, das mais coloridas, dos mais gerais cortes, das mais variadas origens de todo canto do mundo, gente e bicho, cada qual com sua cara, cada um com sua marca... veste, porém, todos com sua veste. Ninguém nú, ninguém de corpo em pêlo. Vejo roupas feitas sob medida, que cobrem, encobertam, escondem os suores, os odores, as cicatrizes, os desejos proibidos, o primitivo e o instinto, o intuitivo e o espiritual... ritual. Prendem o corpo e por isso também prendem o espírito.

A celebração deve ser despida. A soledade deve ser despida. As roupas são artifícios de forjamento social.

Não sou naturalista, tampouco pervertido. Observo nessa moda ver nos outros o que me mostram, além mar, além terra, além céu, além fatos, além tramas. Tirá-los a roupa é tirar seu repertório... e isso lhes tira o chão. O poço é fundo, acabou-se, e tudo será diferente então...

Disso tudo o engraçado é que a minha eu não vejo. O espelho não me mostra nem no mais privativo silêncio de horas de sozinho. Deve ser porque de algum canto sou assistido, de algum olho me pegam no vão. Minha roupa é minha pele. Não sei se porque já não tenho sobre mim os panos ou se ela própria, a roupa, não quer que a enxergue.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Sô Nô

Sô No sense

Sô Circense

Mas não sou herói

Não me destrói porque dói

Faça o censo

Quem não diz da altura que despenca,

O arremesso,

Quem não meça o verbo que dispara... Porra!

Viva em cada tempo

Na literatura o sadomasoquismo fez suas vestes

Há quem não confesse

Chicoteia a merda no ventilador e arremessa o cavalo pra fazer vento

Sô No sense

Sô Circense

Mas não sou herói

Não me destrói porque dói

Abafa o caso

Senão pega mal pra cacete

Dizer que anda rolando porrete pra todo lado

E ao lado

Toda vida se diz perfeita até abrir a geladeira

E achar o que está fedendo

A borra do café me disse que seria assim mesmo

Tudo superaquecendo e o mundo declinando, que tudo mina

Mas isso é desculpa de precoce

Que não sente que tudo acaba só quando termina

Sô No sense

Sô Circense

Mas não sou herói

Não me destrói porque dói

Cantar de galo

Acordar desafinado

Despertador João Gilberto pra mostrar um dia incerto

Será que vale a pena?

Há mais muito do que tudo que a gente imagina

Macunaíma,

Quem diria que existiria?

Agora o anti-herói será você, improvisa...

terça-feira, fevereiro 12, 2008

O Pulso Ainda... despulsa, varia... varia, expulsa

As horas podem bater num pulso diferente. Quem disse que o tic tac é sempre equivalente? Minha música não precisa de tempo, dou a ela e dão a ela qual quiserem... As notas podem bater num pulso diferente. Assim a melodia de horas no meu dia ficam prum sentimento que me envolva, na velocidade de segundos, mesmo que os segundos durem horas. Tranportar pro tédio a vagarosidade... porque não pro prazer do brisa? Mas se tão boa também é a ventania transmitir pro ócio a pressa produtiva. Tudo é válido se for validado. Tudo é validável se tiver um olhar livre. No caso o olho fica virado pra dentro e falo do meu ouvido e dos meus dedos sem pulso musical, porque neles correm um sangue em velocidade desigual. Faço do despulso minha linguagem, expulso o que me cabe ocidental, também não me cabe oriental. Deste tictac bipolar do mundo o cosmo é que pulsa sua caocidade transcendental.

Vale citar aqui Willy Correa e John Cage

Tempo

Contra Tempo

Contra o tempo

A tempo

De dizer ao tempo

Seja diferente

Atonal

A tempo atemporal

sábado, fevereiro 09, 2008

Abril

Abriu
Janelas, portas, portões, fendas, veredas
Entrou, chorou, partiu, rachou, cortou, trilhou, ou...
Será que vai? Será que dá? Mais um abril despedaçado
Um samba assim assado
Até...
Sou um pouco de favela na maré
Revolto nas águas de março
Adiantado em fevereiro...
Abriu?
O cadeado, o fosso, o céu, o horizonte
Pisei na poça até a canela e afundei o pé na lama
Reclama, reclama... estou sozinho em casa denovo e te escrevo por telepatia
Proclama, proclama... a independência é uma questão de grito, rio e espada em riste
Pau na mão Ipiranga.
Qual meu córrego? Me encha março, pra derramar abril nas margens e abrir em maio algo maior que Juno
Em junho: vamos dançar quadrilha...

sábado, janeiro 26, 2008

Encorpar

Um certo momento de ar. Um respiro fundo, pro fundo, lá em baixo, d'onde brota os nutrientes da terra. Suspender o tédio e sustentar a euforia, precisa de sustança, precisa. E quem avisa amigo é: coma brócolis e durma bem, pra ver o dia nascer diferente.

Uma nau veio me buscar, voar pra longe do labirinto. Um certo Ícaros sem a fatalidade da morte. Vôo de trapézio com lonja no lugar certo. O risco é o que sustenta o circo e o circo o que sustenta... me sustenta.

Não ter medo do vôo não ter medo
Cedo
Acorda só de meio olho, deixar o outro
Sonho. Ando e não acaba a areia. Suspender o quente e sustentar o deserto, pra trazer o novo perto, fresco, com muito ar. Encorpar a sede pra ir fundo na vontade, continuar.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Não deu samba

Um bamba correto, quadrado, singelo, quatro tempos no bumbo, dobrado na caixa, desclaço o reco-reco, cuíca de sapato sem sola, guardada. Sexta-feira sem festa, sem parte alguma que presta, capenga, de cabeça cheia. Eu não bebo, não saio pra jogar bola, não sei da galera do bairro, de vez em quando pego na viola e já cansa. Descanso e rodo na varanda, abro a geladeira só por abrir sem saber se quero nada ou alguma coisa gelada que molhe a garganta, congele o cérebro, derreta em meus pés algo maior que a piscina de Ramos, a poça da chuva de hoje ou a chuva da próxima temporada. Lua chata que fica escondida sem pressa e nem vê que o sol já adianta o dia e o despertador - as horas da noite passam mais depressa. As do recreio também. O difícil é vencer o tédio, vender a fossa e alugar a poesia num mundo onde só querem prosa. E o enredo é sempre igual... Não deu samba, a mulata torceu o pé e caiu do salto, o Rei Mômo ficou magro e na avenida, pedágio. Vou ver se entro na bateria e agito o chocalho pra melhorar o programa de índio. Mestre da harmonia, é disso que a escola precisa...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

estético Corpo ético

No meu texto, em
plural
, aural, neural-físico, entorpe e sente o início de outra necessidade
singular
No meio do meu texto, pouco
namoro entre as palavras
o amor também enrouquece a fala
Agora muda tudo
Claro, fica claro, e a composição falará um pouco mais sobre a natureza, a estética e a ética sob a copa de árvores e seivas de bares.
Minha vida aqui, só
Sem personificações ou referências
Há coisas mais importantes do que as adolescências pueris de um qualquer escritor de páginas binárias de um sistema intermundial.
Quem disse que quero falar pro mundo?
Falarei pra sorte
pro tempo, pro peito
O mundo é estar somente.

Detalhes, falarei de detalhes
Ignorantes
Mas que em minhas mãos se farão belos
Estéticamente éticos
Éticamente estéticos
Neuróticos enquanto sílabas ácidas
Esquizofrênicos enquanto imagens plácidas.
Esse sonho que nunca chega e fica paralizada outra realidade
Menos direta, mais cheia de charme.

Não quero desse espaço confidência,
Fique aqui com meu olhar-te como olham os olhos da frase: sujeito e predicado
Que não se saia então ninguém, por bem,
prejudicado

H

OHO
MEM

ou um hai cai apenas...
...menino.

domingo, janeiro 06, 2008

Corpos

Minha vida alí, deitada ao contrário, pegando a coberta de lado, emburrada, madrugada, nem se meche. Um bruços fechado sem papo nem toque, sem baque ou ibope, nem truque, nem saque um carinho que não adianta. Nem cheiro de bom humor... minha vida alí, uma juventude de arrastão, inquieta, arredia ao mesmo tempo que seresteira. Uma discussão besta, uma noite perdida de um dia esquisito. Madruga emburrada a dentro e só um daqueles momentos em que o sono não vem. Fugir um tapa... dá vontade de tomar loucura pra ter porre de liberdade. Minha vida alí bufando a agonia e resmungando a má educação, só geme se tiver alforria e só goza se achar que vale o disperdício de energia, pena
não ter um travesseiro pra cobrir o desgosto, apagar o rosto e tampar a respiração. Durmo sem, prefiro a coluna reta no colchão de mola, lançando sonhos em saltos ao alto, lá batem no teto e matam pernilongos. Voltam me dando um sono tranquilo. Minha vida alí e minha noite em algum outro lugar lá fora. Minha vida alí na cama, deixando com o peso a forma, com o suor o cheiro, com a baba a digestão destes tempos sem sono.
Minha morte... distante. Tenho o prazer da sorte.
Me vale seus olhos, não me deixe dormir sem seus olhos, não durma, não suma, não voe sem que me olhes com estes olhos que por enquanto...
Minha vida alí a sete braços cruzados, coração fechado, deitada de costas, pernas no peito, guardada em caramujo, "não me toque, não me alcance, não me acorde". Assisto de fora no escuro, madrugada emburrada. Que amanheça o dia, que chegue outra espera
esperança...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Corparto

Criar assim é parir um filho, solitário, nas virtudes e virtualidades que me enchem a cara de luz, da tela, do quarto, da janela. Me enche essa lua lá fora com chuva. Meu fusca na garagem e minha moça na rua. Me ofusca uma solidão assim internética. Voltei da praia, voltei de férias. Depois de um tempo largo, a vida continua nessa cidade veloz, tão, tão, tão menos rápida quanto a minha voltade de partir pra qualquer buraco de mato novamente. Parto, corpo, corparto, parindo e fugindo. Crio em mim essa semelhança imagem sombra que vem com o sol nascendo e vai no poente, permance só se há luz ambiente. Na escuridão me anulo sombra e permaneço só calor. Há nesses momentos quem me beije. Ar-dor.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Sonho com um corpo

Sonho com um colégio
Sonho com um grupo
De gente
Colégio com sonho, um grupo
Corpo
Gente,
Com um sonho, um colégio com gente!
Grupo de sonhos
Corpo de sonhos com órgãos
Um corpo sem órgãos
Artaud crú!
Sonho crú com um corpo de Artauds
Gente crua e uma antropofágica pantomima
Sonho com um cabaré de palhaços
Um corpo de palha! Colégio de espantalhos.
Corpalhaços
Saltos
Cambalhotas
Bravo, bravo!
Felizmente
Meu corpo é o que tenho de mais...

Sonho um corpo

Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez

...

Um sonho é um sonho, não deve acabar nunca
Senão a sobremesa acaba por virar um qualquer
Mamão-com-açúcar

quarta-feira, novembro 21, 2007

Corpo Feriado
















Algumas tantas toneladas de areia deixadas para trás
Fofas
Duras
Finas
Com conchas
Alguns muitos litros de água salgada
Do mar
Do rio - vermelho iodo, salobra gelada vinda do mangue
Do céu, um sol violeta
Ultravessado na pele
No fim do dia o pouso alegre em cama esquentada em horas
Tragávamos o corpo, um ao outro.
Depois, acabava em sono,
Acordar cedo e recomeçar de novo.
Há o mesmo sol esperando lá fora
E o mesmo ímpeto cá dentro.
Foram estes alguns dias de todo tempo
Do mundo.
Sinto que amei, ali, me achei
Em ti.

domingo, novembro 04, 2007

Em vista de
Bom
Por observar que
Bem
Veja bem
Por enquanto é
Quem sabe
Olhe
Pois então
Assim
Isso

Não dá
Quiçá
Sendo assim
Isso
Não dá

Talvez melhor que fique
Talvez
Se
E se
Não, e se
Calma
Vou recomeçar
Parágrafo, dois dedos
E um gole
Vírgula
Vou partir com vírgula
O sujeito fugiu
O verbo fingiu estar
Melancolia
Pré-di-cá
Do
De lá
Sí, Dó ré mi
Faça a luz e a chame de dia
Faça a hora do café e a chame de tarde
A noite é o nome do que é há de mais íntimo
Se dorme, se sonha...
Estrelas cadentes polvilham minha face e nasce
A poesia
Bem
Assim
Fim.

sábado, novembro 03, 2007

sexta-feira, outubro 26, 2007

Corpo Carteiro

Il Postino me trouxe uma carta
Pode ser de agradecimento
Pode ser de saudades.
Ser de mulher, pode
Pode ser de amizade
Por dias de sóis em postais
Ou de retratos de chuva.
Sozinho ou acompanhado
Os dois, pode.
Pode ser algum dinheiro, carta
Inteira ou pela metade
Suja de lágrima ou suja de beijo
Em batom bem vermelho
Pode
Telegrama ou um texto inteiro
Em francês ou italiano
Peut!
Uma carta me mandaram, resgatada de uma garrafa
Navegante no Atlântico
Dizem vir do poeta.
Neruda me acuda.
Pode ser de amor
De ódio também pode
Pode vir com cheiro, maresia, ou ser de má caligrafia
Mas se for história minha
Entendo.
Pode.
Pode ser de fé, pode vir, até, e voltar pra de onde veio
Quem sabe já não mudei de endereço?
Il postino
Me deixa na espera de receber a resposta que nunca recebo
Agora queria estar no mediterrâneo e enviar uma carta pra mim mesmo.
Quanto tempo demoraria pra chegar ao vento?
Um sopro ou um vácuo...
Ora, vejo que chegou.
Pode ser de perto
Pode ser de longe
Pode ser de agora
Pode ser de antes
Pode ser, somente
Sendo
Um eterno gerúndio da vida
Pode ser boas-vindas
Pode ser de despedida
Não sei,
Não abri ainda.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Hoje sonhei que morria
Pra falar da vida.
Hoje conversei da vida com quem morreu,
Apareceu em sonho
Me deu um arrepio
Parecia que ele era eu.

Hoje acordei e me senti meio leso
Deslocado no tempo das coisas
Discordante das minhas escolhas
Repensando tudo.

Hoje me parecia um ontem continuado
Nas horas largas de um segundo alongado...
Tempos,
Cheio de tempos o meu dia.

E uma saudade de tudo que me leva
E uma raiva de tudo que me leva
E uma ansiedade calma
Por tudo que me leva

E atropela.

Quem sou eu nisso tudo?
Vagabundo
Pelo vagar...
Vagaroso.
Vago a luz
Piscando a bunda por aí.

Agora tenho medo de dormir
E evocar meus sonhos
Cair em mais penhascos e encontrar meu pai.
Ai
Mais medo tenho se, arregalados,
Meus olhos sem sono
Encontrarem-no acordados
E num arrepio falo "oi"
Sem saber se foi ele mesmo que apareceu ou
Se dele
O que tiro é a somente imagem d'eu.
Se parar de escrever
Passo pro outro lado.
Morro de tédio
E faço do inferno
A casa da palavra.

sábado, outubro 20, 2007

Corpo de Histórias

Queria contar a história de um menino. Era uma vez. Várias vezes. A ultima vez que se tinha esperanças demais. A idade dele era como se fosse a jovialidade de mil anos. Era um jovem velho, sábio fresco, de brilho nos olhos. Entendia da vida como a intuição sugeria e ele acreditava. Tinha o corpo aberto e conversava com todos os orixás, todos os santos, demônios, anjos, monstros mitológicos, extraterrenos e infantis. Sabia de histórias. Só não gostava de contá-las, se confundia, muitas imagens, muitas sequências de acontecimentos - era chato. Chato. Por isso ficava quieto imaginando a própria. Tinha esperanças. Imaginava a vida colorida e, além da imaginação do que acontecia, chegava ao ponto de prever a lembrança do dia seguinte - tinha esperança até ao criar o passado no futuro. Estava sempre a espera do grande acontecimento. Por vezes se pegava na frente de batalha entre o Reino Próximo e o Reino Distante e queria a esperança dalí a criação do Reino Médio, num papo regado a suco de laranja. Outras mais, se metia a falar pro padre as proezas do pai de santo e pro pai de santo as proezas do pajé e acabava por religar na terra o que eles tanto queriam do céu. Também, ao ver que o mundo girava, pediu numa conversa mansa, que girasse um diazinho só mais devagar, com a promessa de trocar uma palavra com o Sr Tempo Tempo Tempo Tempo que aproveitasse suas horas vagas pra conhecer outros universos e ver que podia ser menos rude com a Terra. Estava sempre a espera do grande acontecimento. Por isso tinha mil celulares nos bolsos grandes de palhaço e seu cérebro era conectado à internet, com capacidade de acesso ao seus milhares de e-mails pessoais a todo minuto. Um dia a notícia chegaria de Tudo Irá Mudar. Não viria pelo céu e nem pelo mar. Viria das telecomunicações, via satélite, mandado de algum canto da esfera interestelar, cuspido pra fora de algum buraco negro, anunciando o alinhamento das dimensões, onde perto e distante poderiam se encontrar. Será que está lá? Tinha esperanças que sim... (continua...)

terça-feira, outubro 16, 2007

Corpo da Volta

Como não resolvo a sola do que me angustía, risco o disco e repito minhas palavras julinas, em alto e bom som, mas pequeno o suficiente pra não sair de mim. Leia em silêncio. Repito: leia em silêncio.

"Deixem o silêncio dos gestos se colocarem perenes. São as peles, e não as cabeças, quem realmente se entendem."

Ah... entender do tato... conversa de luxo.
Luxúria, é o pecado que falta
Permanecer correto.

sábado, outubro 13, 2007

Corpo de Tio

Troco qualquer espetáculo, de qualquer país, seja qual for o dia, seja qual for a hora, seja qual for a importância, pra ver e ouvir

óia titio a "íafa"! É linda... linda titio... linda.

Palavras vindas de quem olha com olhos sábios de criança que descobre algo do mundo. A emoção do novo, do que se torna presente em tamanho real, cheiro, cor e som que não há em livros e em enfeites da sala. Não podia não estar lá pra ver. Não podia não estar lá pra... estar, simplesmente.

Meu corpo de tio dispensa grandes produções.
Fui ao zoológico com Sofia...

quarta-feira, outubro 10, 2007

Pra afastar apatia.
Chegam de banda em banda,
A avenida assistia,
Toda frente felicidade
E o cortejo que encanta
A chegada do artista

A saída era a praça e o caminho era a rua
Caminhava fanfarra
Cornetas e trambones
Malabarista de facas
Contorcionistas de massas
Sem ossos
É a tristeza que passa
É o pique que fica

Mambembeando
Anda
Apressa
Que o espetáculo começa
Essa
História
Tó, ria
E se entrega
Se entrega e...
Me empresta sua alegria.

terça-feira, outubro 09, 2007

Quando eu era moleque saía da escola direto pra bola. Jogava na rua porque o campo era pra marmanjo. Subia no morro e dava na favela, amigos do Verônia, maconheiros de fazer da vida flanela sem muita importância. Nunca fui um deles, por opção, mesmo indo pra PUC, muito mais tarde, e ter amigos maconheiros de vida boa com dinheiro. Ainda assim, vida de flanela. De um lado a imagem de miséria e do outro a intelectual descolada não sou careta, uso drogas. Eu sou eu, não uso, mas também não sou careta... sou palhaço, minha viagem é outra. E meu corpo gingando do sub ao up, do mundo ao mundo, diferente, diferente. Com dez, namorava na praça e aos quatorze já gostava de pornografia. Conheci aos dezessete uma pequena linda e me apaixonei. Até hoje. Até hoje, acredita? Hoje, vinte e três, quase. Saio do trampo e vou pro trampo, outro. Em casa, trampo. Até dormir e sair novo pro trampo, do, pro, denovo pra, pro, do, pro, trampo. Ser adulto estraga. E meu corpo gingando na memória do tempo em que o tempo exitia. Hoje ainda gosto disso tudo - bola, escola, rua, morro, favela, praça, pornografia - a diferença é que o contínuo tempo, tempo, tempo, tempo, não permite o degustar das memórias, da... criançada. Ser adulto estraga. Ser adulto é ter agenda e hora marcada. Economizo uma grana pra ver se um dia caso, viajo e compro uma bicicleta, pra descer alguma ladeira com vento forte na cara e sentir na pele bater o tempo da vida.
O que me encanta
É ver a dança
De anônimos

...

Um
Do
Trê

sábado, setembro 29, 2007

Vou fazer um pedido a sua estrela cadente
Pedir que...
Pedido não se conta
Senão não
Acontece
Acontece
Acontece
Pronto,
Pedi três vezes a mesma coisa
Que é pra ver a certeza de que
Se tem o que se merece.
As coisas
O que são coisas?
Poderiam acabar em suspenso.
Um tempo sem ir nem vir
Só um ar
Um suspiro eterno
Um susto sobressalto e parava o tempo
Ninguém mais não sabe o que virá
Nem ninguém mais não sabe o que passou
Só aquele eterno presente
De descanso pro mundo.
Mas e se
Antes disso
Escolhessemos da Terra mais um giro
Mais um dia
Antes do presente eterno
O que pediria à vida?

Um colar de pérolas
Um colar de lábios
Uma reza
Um sono tranquilo
A volta de uma saudade
Um pára-quedas e um salto?

E, enquanto fosse parando o globo,
Do ultimo segundo ao pra sempre
Onde estaria eternamente?

Não há tempo para não-sei
Pisque
E ficará de olhos vendados.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Depois de Hoje

Não sei mais o que me atinge
Se pedra, flecha, ou um suave vapor.
Da bailarina, foi-se o giro, o vento tonteante.
Minhas mãos de boneco largariam o trapézio pro penhasco
Se dela viesse o afirmativo sim do olhar.
E mais um giro me aproxima
E mais um salto me larga,
No piscar de olhos volto eu marionete,
E mais um giro me aproxima
E mais um salto me larga,
No dobrar de ossos de madeira volto eu
Nos fios e dedos do Mago
Destino o qual, não quero, parece, me controla.
Um beijo da bailarina,
Cego amor,
Um salto pra ignorância.
Largo o trapézio e caio no mundo
Penhasco a baixo tenho alguns milésimos de segundo pra pensar
O que eu quero-ia da vida.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Repense se
sim
Ou não p(r)az-er
Depois dete ano, só quero vestir branco
Em ano-no-voa, voa, voa, voa...

sábado, setembro 22, 2007

quarta-feira, setembro 19, 2007

Transeunte
Viajante de ônibus e de trem
Sou mais que um turista da periferia
Não sou apenas mais um turista da periferia
Me reconheço nas paisagens Guaianases vistas de dentro
Curuçá
Tantos índios.
Zona-leste imensa
Intencionalmente
Intensa

No bafo do sol a arte arde em outras terras.
Por essas ruas que me perdem,
Pedem,
O fôlego,
Uma chance:
Olhar mais longe essa metrópole com horta e carro-de-boi.
Verso nessas favelas de onde o metrô não parte e nem chega.
Passa prata longe cortando,
Esbanjando ares de velocidade.
Trilhos em mármore rosa, estações palácios de nobre concreto
Passa rápido com medo do tempo
Metido a semi-Deus do acesso.

terça-feira, setembro 18, 2007

Poesia Vegetariana

Chuchú!
Chuchú!
Chuchú chuchú chuchú!
Oh Chuchú dos meus suspiros
Dos ais soltados ao ver
Em formatos de mamão
Um verde-claro
Antemão
Cada chuchú traz ao poeta
o que melhor quiser.
Metáfora, minha, melhor não há
De que, melhor, chuchú de trepadeira
É aquele que começa em broto indefeso,
Desponta folha do avesso,
Ao fim, para, me acaba enroscado
Em suas tramas leoninas de agosto
E ainda dizem qe chuchú não tem gosto.

sábado, setembro 08, 2007

salsalivasem-satosimseisomarsono e solidão
Tequila na língua
Azedácido limão

quinta-feira, agosto 23, 2007

Não vai comer Leandro?
Vou mãe!
...Assim que o projeto estiver pronto
E o trabalho finalizado
A cabeça intranquila.

Por outro lado
Sem vida corrida:
Apatia.
Nasci assim acelerado!

Alguém que me acalme
Me baixe o velocímetro
E Me leve pra... Amapá.
Nadar no rio e caçar piranha:
Ao menos um pouco de aventura,
Façanha.

Arranha-me, aranha
Arranha.

sexta-feira, agosto 17, 2007

No olho, olho e mais olho e mais olho e mais um...
O
Olho no olho
Olho
Outro olho
A boca se meche e chama atenção
Fico no lábio
No queixo de covinhas
Os dentes dançam uma música frenética,
Na boca dá beijo.
No olho, olhar.
Teia de cilhos competem a rima.
Olhofilia, se é que existe.
A clorofila que buscam minhas retinas.
Ainda assim o molhe molhado dos lábios
Atraem minha sede de movimento.
Dos olhares que me saem ao mundo
Buscando o momento
De quando a boca, a sua, fará em mim a dádiva
Saliva
Momento em que os olhos ficam em pálpebras repousados
Viram-se para dentro
E vibram ao todo do corpo.
Em síntese
Olho
No olho, olho e mais olho e mais olho e mais um...
O
Olho no olho
Olho
Pra ver a carne do avesso.
Sirvo?
Sim Sir,
ir-vos...
Faltas-me meu amor

Performance
Perfume
Fragance
Amanse
a forma
Per fora
For man
To you
To me
To be
Be cool

Tu me manque mon'amour

domingo, agosto 12, 2007

Corpo Assim: em arena

Jorge partindo de Capadócia
Capa dócio seu martírio
Esquece que pra significar-se São, precisa de cristo.
Jorge se descobre Jorge
Ele, assim, ele
Tribuno militar,
Cavalheiro romano,
Guerreiro das areias vastas.
Jorge na mata não mata
Precisa do bege areial manchado de sangue:
Rubro rumo de sua sede.
Jorge matou dragão na areia.
Nos circulares,
Espiralado destino,
Alcança portais de luta,
Maré baixa:
Bancos de mulheres de atenas,
Morenas sereias.
Há o que há de melhor
Numa só, encantadora de serpentes,
Me cerca em amores e preciso de mim cuspir fogo
Soltar pelas ventanias do corpo
Arder de modo todo, completo,
A primordial fonte voraz, vigorosa:
Espada na mão rasgando carne úmida
Um, ida... e vinda
Apenas delicadezas, toques de pena...
Jorge então
Vira dragão na arena.

quarta-feira, agosto 08, 2007

De que me acerta esperar se dá espera contar só os tempos perdidos? Desgarrei varrido nesse vento sul. Na friagem polar me solto dos galhos pra ver se a tempestade me leva algum litoral quentinho embrulhado pra presente. Com um cartão animado embalado em Bossa-Nova e, nova, endossa a alegria de maré tranquila. A lua que se aproxima vagarosamente. E do vento só a brisa no ouvido. Um bafo quente na nuca e uma vontade "nunca" de sair daquela areia massagista. E a quem me permita ser eu... resolvo fica alí a esmo, nu...nuuuuuma praia semi-deserta, pensando no que me diz direito: o errado não é só o que parace avesso, tão pouco o é, é só o que de acerto comum não é feito. O estranho do "é" é o que define o contrário "não é"... mas assim... ah... assim, quem sabe o que vem a ser, sou eu mesmo... seguro da minha aprendiz sabedoria.

quinta-feira, julho 19, 2007

"Que vida é essa?

Quanta conversa

Estou com fome,

ela me mata e tem pressa (4x)"
D'arc
Dá aqui
Joana
Subida
Dançando na lua
Sumida...
*música

Mês

a mês
Meus
de meus
Ais
de ais
Pais
Cadê
Paz

Viajou
Partiu do cais
Sumiu
Atras
Do mar
Ví Iemanjá
Sereia
Janaína
Sereia
Jorge são
Mata o dragão
Na areia

Mês
ameis
Meus
adeus
Ais-
-deais
Paz
Brota no cais

Saiu
Ao caso.
Acaso partiu
Serena?
Atol
das broncas
Baleias

Sou um pouco de favela
Na maré.
Magoa
Lagoa
Gota a gota
Uma a uma
Perdura
Pendura-me
enquanto flutua
Sereia
Jorge são
Virou dragão na arena.

quarta-feira, julho 18, 2007

Corpo Assim: assim

"Nos temos a noite"
Ato falho,
Freud diria
Porém o que digo
É que piada parecia...

Dadas as circunstâncias

Dar por dar ninguém dá nada.
Minha tranquilidade estoura
Limites
E refico turbulento
Returbulo lento
Este tempo largo
Enquanto me atrevo ao avesso
Pra ver se acerto ao menos uma vez.
Dar por dar ninguém quer, nada...
Seria um descomprometimento
Triste...
de tez se entendem as almas
Corpalma
Palmas:
Uma salva!
Pra quem conseguiu pôr a urucubaca

Vou correndo ver
Alguém que possa me benzer
Destas incompreensíveis fardas.

Tinha me posto em silêncio tibetano
Mas o corpo fala
Tagarela por demais
Ara!
Riscar o vocabulário
Fazer cinema mudo
Teatro Nô
Ou o quanto mais absurdo
Nó!
Partituras brancas
Velhas, se amareladas
Mas uma única nota de silêncio eterno
Preenchendo os ares
Musicares
Circulares ocos
D'oco se faz uma percussão
Corporal...:
Do peito bato e retumba o grave do coração.

Coragem
Pra agir vermelho de raiva
Ou cego de paixão

Tenho vontade imensa de cumprir o que me proponho. Se aquiete Le Andro, O Homem latim. Não late, morde. Não avise, surpreenda. Não recomece, comece denovo por ter ido até o fim. Não diga não se de não vivem os sins e de sins irão os nãos pra voltar novamente como sinos anunciando um talvez da incerteza. "Ir também é voltar". Disso deixe somente a certeza de que se há dúvida é porque não há a inteireza de decisão: muitas vezes fala a cabeça e longe passa as palpitações do coração. Hoje me disseram pra fazer somente o que tenho vontade... será? Mesmo... assim... quer? Me entregar às vontades seria o de certo mais agradável...? dessas brincadeiras já não vejo graça. Atingi a graça de entender o que cabe ao certo, mesmo se errado, a mente inquieta a espinha éter-eta e o coração: transpiro - para ir além da loucura.

Ô tubulação!
Turbulência de cano
Dá essa impressão
Tremi e vazei
Escoei pra algum rio sem fim mar
Firmar a
Maturar a
Respirar a
Vid-r-a-ça

Sou transparente
Aça-í
Assa
Me queimo em minhas confissões
Mas e daí?
O que perco?
Perdendo me acho
Capacho
Tapetinho de jardim
Perto da grama
Reclama
Os pisões
Me acho
esculacho
Minhas razões por estar
Assim.

quarta-feira, julho 11, 2007

Corpo em Silêncio

Devo aquietar. O silêncio me diz pra deixá-lo estar. Assim vou bem a mim e encontro um certo ar que respiro limpo, solto, completo. Respirar o corpo é mais que puxar e cuspir vento, mecanicamente, me alimentando de um oxigênio cinza de cidade. Se espera que defina o que, então, o é... esqueça, não sei colocar em "é" o que somente percebo. Pro discurso da vez me calo, nem converso. Nem verso... escrevo em prosa pra ficar clara a minha intenção poética de dizer que de silêncio duram minhas horas: mesmo quando escrevo. Escrevo quieto pra que leia quieto e grite só por dentro, se assim quiseres. Experimento esse meu sossego. Um pouco mais largo tudo o que me interfere a percepção do tempo. Deculpe Drumond, mas tenho de descordar de seu poema que diz das fatias de horas a industrialização do tempo. Não são elas que geram a esperança do recomeçar, mas somos nós mesmos! A hora é consequência da organização natural da vida. O sol nasce, se põe, a lua anda no céu e vai pro outro lado do mundo, incansavelmente. O inverno vai e a primavera chega... e isso não é industrialização da natureza. O recomeçar dos anos vem das colheitas, e as colheitas vêm dos ciclos de plantio, que obedecem o andar das horas naturais do planeta. Se encerramos o nosso ciclo ao fim de um ano é porque nós industrializamos nós mesmos e, assim, a percepção que temos do mundo. Mas as horas... ah... as horas não tem culpa de serem elas mesmas, nos regrando nos segundos de sua beleza. Meus seilêncios têm durado horas! Ao fim delas existe algum acorde, geralmente dissonânte, me dizendo já ser tempo de outro silêncio de horas! Portanto, acorde! Acorde! Desse sono embriagado, parecendo viciado em alguma droga. Enfrente a abstinência em silêncio, consigo, sozinho, mesmo se acompanhado. Arrume outros assuntos, fale do que além disso te importe. Resolva o resto só, pra sentir que continuar sem, também pode. Dos outros faça bem o estar. Não fale, só faça carinho, basta, resolve. Conversa demais também atrapalha. Aliás, quando muito precisa falar, é porque de menos se entende no corpo. Deixem o silêncio dos gestos se colocarem perenes. São as peles, e não as cabeças, quem realmente se entendem.

Corpo Assim: dilatado

Dilatar o corpo
Atingir o Outro
Não há Outro significado
Dilatar o corpo
Partir de sí pro Outro
Não há Outro significado
Dilatar o corpo
Tomar em sí o Outro
Não há Outro significado
Dilatar o corpo
Intensificar-se ao Outro
Não há Outro significado

Se não há signos, portanto
no Outro
Adquire-se no contato
Do momento
Exato
No olho da cena
Do instante teatro

Dilatar o corpo
Dar significados ao Outro
Não há outro significado.

terça-feira, julho 10, 2007

Quero falar do mundo.
Por onde anda tudo
Que vá além de mim?

__________________

A cesta de vime
Guarda
O que não me deprime

___________________

Repórter vida
Sumida
Maria Cristina

____________________

Tapa de sobrinha: criança
Chacoalhar de vez
Pra pôr fim à esperança

_____________________

Desintegro meu umbigo
Fale Nietzsche, vale
Me fortaleço no inimigo

______________________

Muitas vezes tudo,
Vezes, muitos nadas,
Mudo, cantarei alto às fadas
Notas de veludo,
Escalas desasossegadas.
Mudo a região das portas
Encanto outras entradas
Arre, salve guerreiro Jorge
Guerreiro Jorge, ave!

______________________

Jorge da Capadócia sentou praça
Cabeça na lua
Armadura de prata

______________________

Acabo agora de escrever
Levo as palavras pra cama
Me ama é o verbo
E quem me chama
É poesia noturna
Ninando menino
Medroso
De escuro que ao sonho
Reclama

sábado, julho 07, 2007

Soneto do Não Quero Mais Não Poder Querer

Soneto

Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer,

Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer...

Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer?

Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer!