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domingo, junho 15, 2008

Por enquanto estou meu próprio centro

Faz tempo que não componho... mas nunca estive tão musical. O que me escorre por dentro são algumas melodias interrompidas, as esqueço assim que me vem. Fogem ligeiras das minhas pregas envergonhadas, vocais. Só canto por dentro, desinfeto o recheio. As aqueço num atrito cortante, mas que não rompe a casca, não rompe a casa. Queria cantar sozinho num cais deserto, sem público, sem críticos, sem falsos ouvintes, falsos poetas, falos que se erguem no discurso e amolecem na prática. Regada a cerveja, não quero a criatividade de motor a álcool, barata, que não trabalha no frio. Quero a força motriz de minhas pernas que pedalam pelas curvas de uma serra virgem, amoral, se derramando, verde, me envolvendo no prazer do não tempo, em águas de lindo litoral.

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Tenho tido uma vergonha que há tempos não me compunha... mas nunca estive tão cara-de-pau. O que me ocorre é que o processo está querendo alterar a curva. Devo esperar incondicional, pronto, pra próxima candidatura de ator do ano, intelectual do ano, músico do ano, poeta do ano, gostoso do ano, circense do ano, aluno do ano, filho do ano, namorado do ano, modelo do ano, bailarino do ano, distraído do ano, bom menino do ano, maluco do ano. Do que será que me chamarão agora? Qual será minha etiqueta, de algo que ainda não sei que sou, agora? Porque me dizem sempre o que sou, se me sendo eu ainda nem me sei? Só sei que sei que me estou por dentro, morando um pouco no escuro do meu estar. Por enquanto, estou meu próprio centro...

Um comentário:

caihlin disse...

Andamos pelo mundo (que gira ao nosso redor), e não importa por onde caminhamos, nossos passos serão sempre o que resta para uma definição nossa, para o mundo.

E de que adianta sabermos quem somos, se mudamos sempre? E de que vale dizer aos outros quem somos, se isso tira o livre arbítrio do próximo? E qual graça teria, se todos soubessem da verdade de cada um? Será que a imaginação correria por nossas veias? Será que a expectativa ainda exitiria pra nos mover?

Se os caminhos estão feitos, me parece que a vida perde o motivo de ser.