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terça-feira, dezembro 11, 2007

Sonho com um corpo

Sonho com um colégio
Sonho com um grupo
De gente
Colégio com sonho, um grupo
Corpo
Gente,
Com um sonho, um colégio com gente!
Grupo de sonhos
Corpo de sonhos com órgãos
Um corpo sem órgãos
Artaud crú!
Sonho crú com um corpo de Artauds
Gente crua e uma antropofágica pantomima
Sonho com um cabaré de palhaços
Um corpo de palha! Colégio de espantalhos.
Corpalhaços
Saltos
Cambalhotas
Bravo, bravo!
Felizmente
Meu corpo é o que tenho de mais...

Sonho um corpo

Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez

...

Um sonho é um sonho, não deve acabar nunca
Senão a sobremesa acaba por virar um qualquer
Mamão-com-açúcar

quarta-feira, novembro 21, 2007

Corpo Feriado
















Algumas tantas toneladas de areia deixadas para trás
Fofas
Duras
Finas
Com conchas
Alguns muitos litros de água salgada
Do mar
Do rio - vermelho iodo, salobra gelada vinda do mangue
Do céu, um sol violeta
Ultravessado na pele
No fim do dia o pouso alegre em cama esquentada em horas
Tragávamos o corpo, um ao outro.
Depois, acabava em sono,
Acordar cedo e recomeçar de novo.
Há o mesmo sol esperando lá fora
E o mesmo ímpeto cá dentro.
Foram estes alguns dias de todo tempo
Do mundo.
Sinto que amei, ali, me achei
Em ti.

domingo, novembro 04, 2007

Em vista de
Bom
Por observar que
Bem
Veja bem
Por enquanto é
Quem sabe
Olhe
Pois então
Assim
Isso

Não dá
Quiçá
Sendo assim
Isso
Não dá

Talvez melhor que fique
Talvez
Se
E se
Não, e se
Calma
Vou recomeçar
Parágrafo, dois dedos
E um gole
Vírgula
Vou partir com vírgula
O sujeito fugiu
O verbo fingiu estar
Melancolia
Pré-di-cá
Do
De lá
Sí, Dó ré mi
Faça a luz e a chame de dia
Faça a hora do café e a chame de tarde
A noite é o nome do que é há de mais íntimo
Se dorme, se sonha...
Estrelas cadentes polvilham minha face e nasce
A poesia
Bem
Assim
Fim.

sábado, novembro 03, 2007

sexta-feira, outubro 26, 2007

Corpo Carteiro

Il Postino me trouxe uma carta
Pode ser de agradecimento
Pode ser de saudades.
Ser de mulher, pode
Pode ser de amizade
Por dias de sóis em postais
Ou de retratos de chuva.
Sozinho ou acompanhado
Os dois, pode.
Pode ser algum dinheiro, carta
Inteira ou pela metade
Suja de lágrima ou suja de beijo
Em batom bem vermelho
Pode
Telegrama ou um texto inteiro
Em francês ou italiano
Peut!
Uma carta me mandaram, resgatada de uma garrafa
Navegante no Atlântico
Dizem vir do poeta.
Neruda me acuda.
Pode ser de amor
De ódio também pode
Pode vir com cheiro, maresia, ou ser de má caligrafia
Mas se for história minha
Entendo.
Pode.
Pode ser de fé, pode vir, até, e voltar pra de onde veio
Quem sabe já não mudei de endereço?
Il postino
Me deixa na espera de receber a resposta que nunca recebo
Agora queria estar no mediterrâneo e enviar uma carta pra mim mesmo.
Quanto tempo demoraria pra chegar ao vento?
Um sopro ou um vácuo...
Ora, vejo que chegou.
Pode ser de perto
Pode ser de longe
Pode ser de agora
Pode ser de antes
Pode ser, somente
Sendo
Um eterno gerúndio da vida
Pode ser boas-vindas
Pode ser de despedida
Não sei,
Não abri ainda.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Hoje sonhei que morria
Pra falar da vida.
Hoje conversei da vida com quem morreu,
Apareceu em sonho
Me deu um arrepio
Parecia que ele era eu.

Hoje acordei e me senti meio leso
Deslocado no tempo das coisas
Discordante das minhas escolhas
Repensando tudo.

Hoje me parecia um ontem continuado
Nas horas largas de um segundo alongado...
Tempos,
Cheio de tempos o meu dia.

E uma saudade de tudo que me leva
E uma raiva de tudo que me leva
E uma ansiedade calma
Por tudo que me leva

E atropela.

Quem sou eu nisso tudo?
Vagabundo
Pelo vagar...
Vagaroso.
Vago a luz
Piscando a bunda por aí.

Agora tenho medo de dormir
E evocar meus sonhos
Cair em mais penhascos e encontrar meu pai.
Ai
Mais medo tenho se, arregalados,
Meus olhos sem sono
Encontrarem-no acordados
E num arrepio falo "oi"
Sem saber se foi ele mesmo que apareceu ou
Se dele
O que tiro é a somente imagem d'eu.
Se parar de escrever
Passo pro outro lado.
Morro de tédio
E faço do inferno
A casa da palavra.

sábado, outubro 20, 2007

Corpo de Histórias

Queria contar a história de um menino. Era uma vez. Várias vezes. A ultima vez que se tinha esperanças demais. A idade dele era como se fosse a jovialidade de mil anos. Era um jovem velho, sábio fresco, de brilho nos olhos. Entendia da vida como a intuição sugeria e ele acreditava. Tinha o corpo aberto e conversava com todos os orixás, todos os santos, demônios, anjos, monstros mitológicos, extraterrenos e infantis. Sabia de histórias. Só não gostava de contá-las, se confundia, muitas imagens, muitas sequências de acontecimentos - era chato. Chato. Por isso ficava quieto imaginando a própria. Tinha esperanças. Imaginava a vida colorida e, além da imaginação do que acontecia, chegava ao ponto de prever a lembrança do dia seguinte - tinha esperança até ao criar o passado no futuro. Estava sempre a espera do grande acontecimento. Por vezes se pegava na frente de batalha entre o Reino Próximo e o Reino Distante e queria a esperança dalí a criação do Reino Médio, num papo regado a suco de laranja. Outras mais, se metia a falar pro padre as proezas do pai de santo e pro pai de santo as proezas do pajé e acabava por religar na terra o que eles tanto queriam do céu. Também, ao ver que o mundo girava, pediu numa conversa mansa, que girasse um diazinho só mais devagar, com a promessa de trocar uma palavra com o Sr Tempo Tempo Tempo Tempo que aproveitasse suas horas vagas pra conhecer outros universos e ver que podia ser menos rude com a Terra. Estava sempre a espera do grande acontecimento. Por isso tinha mil celulares nos bolsos grandes de palhaço e seu cérebro era conectado à internet, com capacidade de acesso ao seus milhares de e-mails pessoais a todo minuto. Um dia a notícia chegaria de Tudo Irá Mudar. Não viria pelo céu e nem pelo mar. Viria das telecomunicações, via satélite, mandado de algum canto da esfera interestelar, cuspido pra fora de algum buraco negro, anunciando o alinhamento das dimensões, onde perto e distante poderiam se encontrar. Será que está lá? Tinha esperanças que sim... (continua...)

terça-feira, outubro 16, 2007

Corpo da Volta

Como não resolvo a sola do que me angustía, risco o disco e repito minhas palavras julinas, em alto e bom som, mas pequeno o suficiente pra não sair de mim. Leia em silêncio. Repito: leia em silêncio.

"Deixem o silêncio dos gestos se colocarem perenes. São as peles, e não as cabeças, quem realmente se entendem."

Ah... entender do tato... conversa de luxo.
Luxúria, é o pecado que falta
Permanecer correto.

sábado, outubro 13, 2007

Corpo de Tio

Troco qualquer espetáculo, de qualquer país, seja qual for o dia, seja qual for a hora, seja qual for a importância, pra ver e ouvir

óia titio a "íafa"! É linda... linda titio... linda.

Palavras vindas de quem olha com olhos sábios de criança que descobre algo do mundo. A emoção do novo, do que se torna presente em tamanho real, cheiro, cor e som que não há em livros e em enfeites da sala. Não podia não estar lá pra ver. Não podia não estar lá pra... estar, simplesmente.

Meu corpo de tio dispensa grandes produções.
Fui ao zoológico com Sofia...

quarta-feira, outubro 10, 2007

Pra afastar apatia.
Chegam de banda em banda,
A avenida assistia,
Toda frente felicidade
E o cortejo que encanta
A chegada do artista

A saída era a praça e o caminho era a rua
Caminhava fanfarra
Cornetas e trambones
Malabarista de facas
Contorcionistas de massas
Sem ossos
É a tristeza que passa
É o pique que fica

Mambembeando
Anda
Apressa
Que o espetáculo começa
Essa
História
Tó, ria
E se entrega
Se entrega e...
Me empresta sua alegria.

terça-feira, outubro 09, 2007

Quando eu era moleque saía da escola direto pra bola. Jogava na rua porque o campo era pra marmanjo. Subia no morro e dava na favela, amigos do Verônia, maconheiros de fazer da vida flanela sem muita importância. Nunca fui um deles, por opção, mesmo indo pra PUC, muito mais tarde, e ter amigos maconheiros de vida boa com dinheiro. Ainda assim, vida de flanela. De um lado a imagem de miséria e do outro a intelectual descolada não sou careta, uso drogas. Eu sou eu, não uso, mas também não sou careta... sou palhaço, minha viagem é outra. E meu corpo gingando do sub ao up, do mundo ao mundo, diferente, diferente. Com dez, namorava na praça e aos quatorze já gostava de pornografia. Conheci aos dezessete uma pequena linda e me apaixonei. Até hoje. Até hoje, acredita? Hoje, vinte e três, quase. Saio do trampo e vou pro trampo, outro. Em casa, trampo. Até dormir e sair novo pro trampo, do, pro, denovo pra, pro, do, pro, trampo. Ser adulto estraga. E meu corpo gingando na memória do tempo em que o tempo exitia. Hoje ainda gosto disso tudo - bola, escola, rua, morro, favela, praça, pornografia - a diferença é que o contínuo tempo, tempo, tempo, tempo, não permite o degustar das memórias, da... criançada. Ser adulto estraga. Ser adulto é ter agenda e hora marcada. Economizo uma grana pra ver se um dia caso, viajo e compro uma bicicleta, pra descer alguma ladeira com vento forte na cara e sentir na pele bater o tempo da vida.
O que me encanta
É ver a dança
De anônimos

...

Um
Do
Trê

sábado, setembro 29, 2007

Vou fazer um pedido a sua estrela cadente
Pedir que...
Pedido não se conta
Senão não
Acontece
Acontece
Acontece
Pronto,
Pedi três vezes a mesma coisa
Que é pra ver a certeza de que
Se tem o que se merece.
As coisas
O que são coisas?
Poderiam acabar em suspenso.
Um tempo sem ir nem vir
Só um ar
Um suspiro eterno
Um susto sobressalto e parava o tempo
Ninguém mais não sabe o que virá
Nem ninguém mais não sabe o que passou
Só aquele eterno presente
De descanso pro mundo.
Mas e se
Antes disso
Escolhessemos da Terra mais um giro
Mais um dia
Antes do presente eterno
O que pediria à vida?

Um colar de pérolas
Um colar de lábios
Uma reza
Um sono tranquilo
A volta de uma saudade
Um pára-quedas e um salto?

E, enquanto fosse parando o globo,
Do ultimo segundo ao pra sempre
Onde estaria eternamente?

Não há tempo para não-sei
Pisque
E ficará de olhos vendados.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Depois de Hoje

Não sei mais o que me atinge
Se pedra, flecha, ou um suave vapor.
Da bailarina, foi-se o giro, o vento tonteante.
Minhas mãos de boneco largariam o trapézio pro penhasco
Se dela viesse o afirmativo sim do olhar.
E mais um giro me aproxima
E mais um salto me larga,
No piscar de olhos volto eu marionete,
E mais um giro me aproxima
E mais um salto me larga,
No dobrar de ossos de madeira volto eu
Nos fios e dedos do Mago
Destino o qual, não quero, parece, me controla.
Um beijo da bailarina,
Cego amor,
Um salto pra ignorância.
Largo o trapézio e caio no mundo
Penhasco a baixo tenho alguns milésimos de segundo pra pensar
O que eu quero-ia da vida.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Repense se
sim
Ou não p(r)az-er
Depois dete ano, só quero vestir branco
Em ano-no-voa, voa, voa, voa...

sábado, setembro 22, 2007

quarta-feira, setembro 19, 2007

Transeunte
Viajante de ônibus e de trem
Sou mais que um turista da periferia
Não sou apenas mais um turista da periferia
Me reconheço nas paisagens Guaianases vistas de dentro
Curuçá
Tantos índios.
Zona-leste imensa
Intencionalmente
Intensa

No bafo do sol a arte arde em outras terras.
Por essas ruas que me perdem,
Pedem,
O fôlego,
Uma chance:
Olhar mais longe essa metrópole com horta e carro-de-boi.
Verso nessas favelas de onde o metrô não parte e nem chega.
Passa prata longe cortando,
Esbanjando ares de velocidade.
Trilhos em mármore rosa, estações palácios de nobre concreto
Passa rápido com medo do tempo
Metido a semi-Deus do acesso.

terça-feira, setembro 18, 2007

Poesia Vegetariana

Chuchú!
Chuchú!
Chuchú chuchú chuchú!
Oh Chuchú dos meus suspiros
Dos ais soltados ao ver
Em formatos de mamão
Um verde-claro
Antemão
Cada chuchú traz ao poeta
o que melhor quiser.
Metáfora, minha, melhor não há
De que, melhor, chuchú de trepadeira
É aquele que começa em broto indefeso,
Desponta folha do avesso,
Ao fim, para, me acaba enroscado
Em suas tramas leoninas de agosto
E ainda dizem qe chuchú não tem gosto.

sábado, setembro 08, 2007

salsalivasem-satosimseisomarsono e solidão
Tequila na língua
Azedácido limão

quinta-feira, agosto 23, 2007

Não vai comer Leandro?
Vou mãe!
...Assim que o projeto estiver pronto
E o trabalho finalizado
A cabeça intranquila.

Por outro lado
Sem vida corrida:
Apatia.
Nasci assim acelerado!

Alguém que me acalme
Me baixe o velocímetro
E Me leve pra... Amapá.
Nadar no rio e caçar piranha:
Ao menos um pouco de aventura,
Façanha.

Arranha-me, aranha
Arranha.

sexta-feira, agosto 17, 2007

No olho, olho e mais olho e mais olho e mais um...
O
Olho no olho
Olho
Outro olho
A boca se meche e chama atenção
Fico no lábio
No queixo de covinhas
Os dentes dançam uma música frenética,
Na boca dá beijo.
No olho, olhar.
Teia de cilhos competem a rima.
Olhofilia, se é que existe.
A clorofila que buscam minhas retinas.
Ainda assim o molhe molhado dos lábios
Atraem minha sede de movimento.
Dos olhares que me saem ao mundo
Buscando o momento
De quando a boca, a sua, fará em mim a dádiva
Saliva
Momento em que os olhos ficam em pálpebras repousados
Viram-se para dentro
E vibram ao todo do corpo.
Em síntese
Olho
No olho, olho e mais olho e mais olho e mais um...
O
Olho no olho
Olho
Pra ver a carne do avesso.
Sirvo?
Sim Sir,
ir-vos...
Faltas-me meu amor

Performance
Perfume
Fragance
Amanse
a forma
Per fora
For man
To you
To me
To be
Be cool

Tu me manque mon'amour

domingo, agosto 12, 2007

Corpo Assim: em arena

Jorge partindo de Capadócia
Capa dócio seu martírio
Esquece que pra significar-se São, precisa de cristo.
Jorge se descobre Jorge
Ele, assim, ele
Tribuno militar,
Cavalheiro romano,
Guerreiro das areias vastas.
Jorge na mata não mata
Precisa do bege areial manchado de sangue:
Rubro rumo de sua sede.
Jorge matou dragão na areia.
Nos circulares,
Espiralado destino,
Alcança portais de luta,
Maré baixa:
Bancos de mulheres de atenas,
Morenas sereias.
Há o que há de melhor
Numa só, encantadora de serpentes,
Me cerca em amores e preciso de mim cuspir fogo
Soltar pelas ventanias do corpo
Arder de modo todo, completo,
A primordial fonte voraz, vigorosa:
Espada na mão rasgando carne úmida
Um, ida... e vinda
Apenas delicadezas, toques de pena...
Jorge então
Vira dragão na arena.

quarta-feira, agosto 08, 2007

De que me acerta esperar se dá espera contar só os tempos perdidos? Desgarrei varrido nesse vento sul. Na friagem polar me solto dos galhos pra ver se a tempestade me leva algum litoral quentinho embrulhado pra presente. Com um cartão animado embalado em Bossa-Nova e, nova, endossa a alegria de maré tranquila. A lua que se aproxima vagarosamente. E do vento só a brisa no ouvido. Um bafo quente na nuca e uma vontade "nunca" de sair daquela areia massagista. E a quem me permita ser eu... resolvo fica alí a esmo, nu...nuuuuuma praia semi-deserta, pensando no que me diz direito: o errado não é só o que parace avesso, tão pouco o é, é só o que de acerto comum não é feito. O estranho do "é" é o que define o contrário "não é"... mas assim... ah... assim, quem sabe o que vem a ser, sou eu mesmo... seguro da minha aprendiz sabedoria.

quinta-feira, julho 19, 2007

"Que vida é essa?

Quanta conversa

Estou com fome,

ela me mata e tem pressa (4x)"
D'arc
Dá aqui
Joana
Subida
Dançando na lua
Sumida...
*música

Mês

a mês
Meus
de meus
Ais
de ais
Pais
Cadê
Paz

Viajou
Partiu do cais
Sumiu
Atras
Do mar
Ví Iemanjá
Sereia
Janaína
Sereia
Jorge são
Mata o dragão
Na areia

Mês
ameis
Meus
adeus
Ais-
-deais
Paz
Brota no cais

Saiu
Ao caso.
Acaso partiu
Serena?
Atol
das broncas
Baleias

Sou um pouco de favela
Na maré.
Magoa
Lagoa
Gota a gota
Uma a uma
Perdura
Pendura-me
enquanto flutua
Sereia
Jorge são
Virou dragão na arena.

quarta-feira, julho 18, 2007

Corpo Assim: assim

"Nos temos a noite"
Ato falho,
Freud diria
Porém o que digo
É que piada parecia...

Dadas as circunstâncias

Dar por dar ninguém dá nada.
Minha tranquilidade estoura
Limites
E refico turbulento
Returbulo lento
Este tempo largo
Enquanto me atrevo ao avesso
Pra ver se acerto ao menos uma vez.
Dar por dar ninguém quer, nada...
Seria um descomprometimento
Triste...
de tez se entendem as almas
Corpalma
Palmas:
Uma salva!
Pra quem conseguiu pôr a urucubaca

Vou correndo ver
Alguém que possa me benzer
Destas incompreensíveis fardas.

Tinha me posto em silêncio tibetano
Mas o corpo fala
Tagarela por demais
Ara!
Riscar o vocabulário
Fazer cinema mudo
Teatro Nô
Ou o quanto mais absurdo
Nó!
Partituras brancas
Velhas, se amareladas
Mas uma única nota de silêncio eterno
Preenchendo os ares
Musicares
Circulares ocos
D'oco se faz uma percussão
Corporal...:
Do peito bato e retumba o grave do coração.

Coragem
Pra agir vermelho de raiva
Ou cego de paixão

Tenho vontade imensa de cumprir o que me proponho. Se aquiete Le Andro, O Homem latim. Não late, morde. Não avise, surpreenda. Não recomece, comece denovo por ter ido até o fim. Não diga não se de não vivem os sins e de sins irão os nãos pra voltar novamente como sinos anunciando um talvez da incerteza. "Ir também é voltar". Disso deixe somente a certeza de que se há dúvida é porque não há a inteireza de decisão: muitas vezes fala a cabeça e longe passa as palpitações do coração. Hoje me disseram pra fazer somente o que tenho vontade... será? Mesmo... assim... quer? Me entregar às vontades seria o de certo mais agradável...? dessas brincadeiras já não vejo graça. Atingi a graça de entender o que cabe ao certo, mesmo se errado, a mente inquieta a espinha éter-eta e o coração: transpiro - para ir além da loucura.

Ô tubulação!
Turbulência de cano
Dá essa impressão
Tremi e vazei
Escoei pra algum rio sem fim mar
Firmar a
Maturar a
Respirar a
Vid-r-a-ça

Sou transparente
Aça-í
Assa
Me queimo em minhas confissões
Mas e daí?
O que perco?
Perdendo me acho
Capacho
Tapetinho de jardim
Perto da grama
Reclama
Os pisões
Me acho
esculacho
Minhas razões por estar
Assim.

quarta-feira, julho 11, 2007

Corpo em Silêncio

Devo aquietar. O silêncio me diz pra deixá-lo estar. Assim vou bem a mim e encontro um certo ar que respiro limpo, solto, completo. Respirar o corpo é mais que puxar e cuspir vento, mecanicamente, me alimentando de um oxigênio cinza de cidade. Se espera que defina o que, então, o é... esqueça, não sei colocar em "é" o que somente percebo. Pro discurso da vez me calo, nem converso. Nem verso... escrevo em prosa pra ficar clara a minha intenção poética de dizer que de silêncio duram minhas horas: mesmo quando escrevo. Escrevo quieto pra que leia quieto e grite só por dentro, se assim quiseres. Experimento esse meu sossego. Um pouco mais largo tudo o que me interfere a percepção do tempo. Deculpe Drumond, mas tenho de descordar de seu poema que diz das fatias de horas a industrialização do tempo. Não são elas que geram a esperança do recomeçar, mas somos nós mesmos! A hora é consequência da organização natural da vida. O sol nasce, se põe, a lua anda no céu e vai pro outro lado do mundo, incansavelmente. O inverno vai e a primavera chega... e isso não é industrialização da natureza. O recomeçar dos anos vem das colheitas, e as colheitas vêm dos ciclos de plantio, que obedecem o andar das horas naturais do planeta. Se encerramos o nosso ciclo ao fim de um ano é porque nós industrializamos nós mesmos e, assim, a percepção que temos do mundo. Mas as horas... ah... as horas não tem culpa de serem elas mesmas, nos regrando nos segundos de sua beleza. Meus seilêncios têm durado horas! Ao fim delas existe algum acorde, geralmente dissonânte, me dizendo já ser tempo de outro silêncio de horas! Portanto, acorde! Acorde! Desse sono embriagado, parecendo viciado em alguma droga. Enfrente a abstinência em silêncio, consigo, sozinho, mesmo se acompanhado. Arrume outros assuntos, fale do que além disso te importe. Resolva o resto só, pra sentir que continuar sem, também pode. Dos outros faça bem o estar. Não fale, só faça carinho, basta, resolve. Conversa demais também atrapalha. Aliás, quando muito precisa falar, é porque de menos se entende no corpo. Deixem o silêncio dos gestos se colocarem perenes. São as peles, e não as cabeças, quem realmente se entendem.

Corpo Assim: dilatado

Dilatar o corpo
Atingir o Outro
Não há Outro significado
Dilatar o corpo
Partir de sí pro Outro
Não há Outro significado
Dilatar o corpo
Tomar em sí o Outro
Não há Outro significado
Dilatar o corpo
Intensificar-se ao Outro
Não há Outro significado

Se não há signos, portanto
no Outro
Adquire-se no contato
Do momento
Exato
No olho da cena
Do instante teatro

Dilatar o corpo
Dar significados ao Outro
Não há outro significado.

terça-feira, julho 10, 2007

Quero falar do mundo.
Por onde anda tudo
Que vá além de mim?

__________________

A cesta de vime
Guarda
O que não me deprime

___________________

Repórter vida
Sumida
Maria Cristina

____________________

Tapa de sobrinha: criança
Chacoalhar de vez
Pra pôr fim à esperança

_____________________

Desintegro meu umbigo
Fale Nietzsche, vale
Me fortaleço no inimigo

______________________

Muitas vezes tudo,
Vezes, muitos nadas,
Mudo, cantarei alto às fadas
Notas de veludo,
Escalas desasossegadas.
Mudo a região das portas
Encanto outras entradas
Arre, salve guerreiro Jorge
Guerreiro Jorge, ave!

______________________

Jorge da Capadócia sentou praça
Cabeça na lua
Armadura de prata

______________________

Acabo agora de escrever
Levo as palavras pra cama
Me ama é o verbo
E quem me chama
É poesia noturna
Ninando menino
Medroso
De escuro que ao sonho
Reclama

sábado, julho 07, 2007

Soneto do Não Quero Mais Não Poder Querer

Soneto

Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer,

Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer...

Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer?

Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer e
Não quero mais não poder querer!

terça-feira, julho 03, 2007

Corpo Assim: em tempo simultâneo...

O que será que acontece agora no momento em que escrevo? Escuto Danilo Monteiro, tendo ficado ainda em memória o Naimã que ouvi outra hora. Minha mãe vê repórter e minha irmã toma banho. A Penélope lambe o pelo e o cachorro ladra a noite ao ladrão. A cobra dá o bote e a aranha pede mais. Milhões de scraps no orkut e poemas em blogs. Concepções de filhos nas favelas, tiros ao alto e autotiros suicidas em meio ao desespero dos corpos. Corpos que vão, corpos que caem, corpos que passam, corpos qu voltam, corpos que rezam, corpos que transam, corpos que mentem, corpos que pecam, corpos dementes, corpos que corrompem, corpos que criam. O rio continua correndo, a torneira pingando, o biscoito molhando, o leite acabando e a padaria fechando. Nos shoppings somente as ultimas sessões de cinema em fim de choros, ou de medos, ou de risos, ou de nojos, depende do gênero... e das circunstâncias. Alguns beijos, muitos. Alguns peitos doídos, muitos. Alguns outros sangrando vermelho de verdade. Casamentos e luas-de-mel acontecem ao mesmo tempo que velórios. Nascimentos completos e outros em germinação. Cartas são escritas, músicas são compostas, sorrisos são deixados de lado e choros a beira do mar de lágrimas são saciados. Sobremesas são saboreadas e muita fome há no mundo. Putas nas esquinas, crentes pecando ao escuro da fé, maridos fugindo a medida que em suas camas há algum outro marido... e assim sucessivamente. Um Leminski para amizade e um Neruda pra namoro, lidos a luz das vinte e três horas. Vinte e Três, número: 23:23, agora. O que será que acontece agora no momento em que escrevo? Alguma cama de motel invadida por corpos flutuantes de paixão... talvez sim, talvez não. Minha vó fazendo palavras cruzadas, vendo TV e dormindo ao mesmo tempo. Minha tia está ao telefone e minha irmã cuidando da minha sobrinha enquanto meu cunhado faz a janta. O Lula deve estar de cuecas e a Mariza fazendo massagem em seus pés... eles transam? Transar a vida é ir além do ar: vácuo. Silêncios, alguns muitos em horas vazias. E eu escrevo numa semi-apatia. Ainda escuto Danilo Monteiro e não sei o que acontece por aí, ainda. Ficam réstias Naimãnicas de memórias musicais que me dizem muito "fulinaimicamente". Joana D'arc canta no ensaio, ou talvez já esteja em algum caderno escrevendo como Carmem, amando seus cachorros e outros cães. São Jorge olha da lua e compactua com o dragão as mazelas do mundo, assim como suas belezas. Eu não sei, quais são os maus e quais são os bens. O que será que acontece agora? No fundo eu sei... no fundo eu imagino o quê sei... no fundo eu desejo o quê sei e fosse comigo também. Agora acontece que me chegou uma mensagem no celular: Carmem está sem chave... minhas portas estão abertas! Danilo ainda toca e o Naimã, por hora, parece foi embora. O que será que acontece agora? Heita pecado bom esse da luxúria que traz a gula e a preguiça na promoção. Pecado triplo não podia ser pecado, devia ser excomungação! Comungar com a ex... faz parte do processo. O que será que acontece agora? A ex comunga com outro... talvez sim, talvez não... faz parte do processo. Paiurá paiurá pá paiurá, canta Danilo e geme em seguida, como esse CD é bom! Simultaneamente há um movimento terrestre em volta do sol e outro em volta de sí. Uma estrela explode e outra cai. Supernova essa minha vida... "nada está em seu lugar" canta agora Danilo... no Japão já é quase hora do almoço. E as formigas se revezam pra levar terra pro formigueiro. Os pássaros dormem, e os morcegos voam. Alguns passam frio. Alguns estão tomando pinga. Alguns conversam um papo bom. Alguns estão entre outros em alguma festa. O que será que acontece agora? Talvez no fim das horas... o metrô parte por ultimo a meia-noite, é preciso voltar pra casa. Minha irmã diz querer dormir e eu vou para o violão. O sono... sono é pra vir por ultimo nessa vida, tenho tanto o que agir. "E assim se fez o poema" diz Danilo agora. Deixo a siultâneidade das horas em ações não menos importantes. Parto pras minhas músicas... ressoa... que são mais minhas do que de qualquer outra pessoa.

Corpo Assim: em língua do P

Puxa!
Poxa...
Pixa-in aí e
Pensa:
Pá-lá-de-carapicuíba!
Pare,
Pense...
Pica a mula!
Porra...
Pura.
Pulo
Pôr no,
Pinto,
Penso,
Parafraseio,
Parar...
Paro.
Pelos
Pingos
Pod(e)res:
Pulsão
Pulmão.
Poema
Piaimãnesco, de
Pedra e

Pra cavocar
A Terra.

Corpo Assim: em dores...

Dor de Cotovelo
(Caetano Veloso, mas em voz de Elza Soares)

O ciúme dói nos cotovelos
Na raiz dos cabelos
Gela a sola dos pés
Faz os músculos ficarem moles
E o estômago vão e sem fome
Dói da flor da pele ao pó do osso
Rói do cóccix até o pescoço
Acende uma luz branca em seu umbigo
Você ama o inimigo
E se torna inimigo do amor
O ciúme dói do leito à margem
Dói pra fora na paisagem
Arde ao sol do fim do dia
Corre pelas veias na ramagem
Atravessa a voz e a melodia


Para ouvir a música, clique aqui

quarta-feira, junho 27, 2007

Corpo na contramão das horas

Na hora da fome o que dói é o estômago certo de ter em hora de almoço o almoço. Na hora do cansaço o que dói é o olho certo de ter em hora de sono o sono. Na hora da alegria o que dói é bochecha certa de ter em hora de tristeza a tristeza. Na hora da tristeza o que dói é o peito certo de ter em hora de aconchego o aconchego. Na hora da festa o que dói são as pernas certas de ter em hora de fim-de-festa o fim-de-festa. Na hora da labuta o que dói é a cabeça certa de ter em hora de almoço o descanço. Na hora do descanço o que dói é a vontade de ter em hora de descanço o descanço. Na hora do almoço o que dói é o cansaço de ter em hora de trabalho o sono. Na hora do sono o que dói é a tristeza de ter em hora de alegria o fim-de-festa. Na hora do fim-de-festa o que dói é o peito de ter em hora tristeza a tristeza. Na hora da tristeza o que dói é o olho de ter em hora de festa o choro. Na hora do choro o que dói é a alegria de ter em hora de aconchego o trampo. Na hora da hora ser hora certa, errada cabe no estômago, no peito, no olho. Ao contrário das horas quero, então, assim. Requero invertido. Na hora do estômago o que dói é o almoço certo de ter em hora de fome o almoço. Na hora do olho o que dói é o sono certo de ter em hora de cansaço o sono. Na hora de bochecha o que dói é a tristeza certa de ter em hora de tristeza a alegria. Na hora de tudo o que dói é o nada, certo de ter em hora certa de tudo a certeza nenhuma de que não há certezas de nada.
Não sou de ninguém
Não sou de todo mundo
E todo mundo não é meu também

sexta-feira, junho 22, 2007

Corpo Esguio de S

Curva do S de
Solidão

Sim
Sem
Sal
Sapo
Sapato
Saber
Siricutico
Simbiose
Simples
Sincero
Solstício
Sombreamento
Som
Saco
Sonsso
Saiba
Sexo
Sartre
Sarro
Se
Sentimento
Sede
Sabão
Serviço
Ser
Assim em curvas
Na surpresa da esquina
em Ésses
Esses sim
São
Nossos tristes caminhos
ou Nossos alegres dizeres.

Sopro, quente, na nuca,
de Sopa
Sobra o soco
Sorva o
Sazonal...
Solto pra sintetizar o S
Sei
Sabor de que te quero.
Sei que te quero em Sabores de S.

Corpo astral acessado pela internet

Pra quem quiser, eis meu mapa astral...

by Cigano.net

- Este é um Mapa Astrológico Interpretado por computador e não possui a pretensão de ser conclusivo.
- Os cálculos apresentados são exatos para os dados informados.
- Não estão interpretados os Planetas nas Casas nem o Ascendente e o Meio do Céu.
- Apenas um bom Astrólogo numa consulta pessoal pode fornecer indicações completas.

- Mapa Astral para Leandro
- Nascido em Guarulhos às 05:30 do dia 25/11/1984
- Longitude: 46W32 Latitude: 23S28 Fuso: 3
- Não foi informado Horário de Verão
- Verifique se os dados acima estão corretos antes de ler seu Mapa Astral Interpretado
Planeta Longitude Em que signo?



Sol
03 SAG 16

Sagitário
Lua
04 CAP 42

Capricórnio
Mercurio
24 SAG 58

Sagitário
Venus
13 CAP 39

Capricórnio
Marte
07 AQU 13

Aquario
Jupiter
13 CAP 23

Capricórnio
Saturno
20 ESC 44

Escorpião
Urano
13 SAG 12

Sagitário
Netuno
00 CAP 10

Capricórnio
Plutao
03 ESC 17

Escorpião
Quiron
06 GEM 33

Gêmeos
Nodo Lunar
27 TAU 30

Touro
Ascendente
07 SAG 06

Sagitário
Meio Ceu
23 LEO 06

Leão
Vertex
29 ARI 49

Aries
Capítulo 1 - DESCRIÇÃO GERAL
Por temperamento você é pessoa ambiciosa, reservada, prudente, austéra, trabalhadora, mas calculista, pois almeja alcançar uma posição de destaque social. Oscila entre a economia e a avareza. Os sentimentos e as emoções dos outros não lhe comovem.

Capítulo 2 - TEMPERAMENTO E EMOTIVIDADE
Você é jovial, simpático, cordial, entusiasmado, franco, filosófico e paternal. Gosta de viajar, conhecer pessoas e lugares e adora sua liberdade. Contudo, tende a precipitar-se em suas conclusões e fica deprimido quando está ansioso.

Capítulo 3 - MENTE E COMUNICAÇÃO
Sua mente é filosófica, independente e liberal, interessada em conceitos amplos nas áreas de educação, política e filosofia, direito ou religião, embora muito ligada a moralidade em voga. Apesar de seus conceitos avançados nem sempre é o dono da verdade.

Capítulo 4 - SENSIBILIDADE E AFETOS
Sua sensibilidade é bastante limitada, fazendo com que seja controlado, reservado e formal em questões sentimentais. Na juventude prefere namorar com pessoa mais velha e, se casar tarde. É leal e constante para com seu amôr.

Capítulo 5 - ATIVIDADE E CONQUISTA
Você gosta de participar ativamente de um negócio, clube ou organização e costuma encorajar para cada um cumprir sua parte no esforço do grupo. Você é pessoa progressista e dinâmica e tem sucesso no mundo dos negócios.

Capítulo 6 - SENTIMENTO E ÊXITO
Você prefere o trabalho profissional, não se incomoda com suas formalidades e gosta de ocupar uma posição de influencia, já que para você é importante fazer parte das altas rodas. Pode ter êxito nos negócios, função publica, educação e política.

Capítulo 7 - ESFORÇOS E LIMITAÇÕES
Você é pessoa bastante reservada a respeito do que verdadeiramente acha e sente e tem dificuldade para manifestar-se abertamente. Você costuma lutar contra seu próprio subconsciente e ter problemas de comunicação com as pessoas mais chegadas.

Capítulo 8 - ORIGINALIDADE E INDEPENDÊNCIA
A liberdade de expressão em qualquer campo é extremamente importante. Adota prontamente os novos conceitos religiosos e tende fortemente para a parapsicologia e metafísica. É compassivo, otimista e liberal, tem senso de humor e gosta de viajar.

Capítulo 9 - IMAGINAÇÃO E PSIQUISMO
Apesar de interessar-se pela meditação e ensinamentos antigos, tende a evitar o misticismo metafísico e as manifestações psíquicas. Você esta mais voltado para aplicar as descobertas, invenções e sua natureza espiritual para melhorar a vida diária.

Capítulo 10 - TRANSFORMAÇÃO E DESTINO
Sua intensidade emocional, sensibilidade em relação ao meio-ambiente e curiosidade por tudo que ainda não foi revelado, impulsionam-no a penetrar, profunda e, ás vezes, implacavelmente nos mistérios da vida.

Os pontos mais relevantes de seu Mapa Astral
- Você é muito carente emocional e sentimentalmente. Sua melancolia e pessimismo fazem com que os outros acabem por evitar-lhe. Sua timidez e falta de confiança em si mesmo, dificultam suas relações intimas com as pessoas do sexo oposto. Ë preciso corrigir esta tendência através de exercícios que aumentem a confiança e a auto-estima.


- Você consegue expressar os seus sentimentos em toda sua extensão e é capaz de fazer com que os outros também cheguem a desabafar. Está muito interessado na psicologia profunda e nutre sentimento a respeito de maternidade e família.


- Sua disposição alegre, otimista, cordial, sociável e generosa atrai a boa sorte e companhia. A prosperidade é muito importante para si e você pode alcança-la através de seu talento artístico natural.



Assim me lê? Me leia Lê, somente... experimente...

quinta-feira, junho 21, 2007

Desde sempre sou menino
Homem
Prematuro
Pra não dizer precoce
E ativar um trauma de libido
Limbo
Da pedra que escorrega
O discurso da ação
Escorregadio é o que prestamos
e Emprestamos
De serviços
Um corpo, um papo, um chamego sem sapato?

Deve ser coisa de sagitariano
Com ascendente em sagitário
Queda em escorpião
E lua em capricórnio...

Procuro ainda meu sol

Desde sempre sou Homem
Menino
Me nino em cafuné
Como uma punheta de carinho
Me faço próprio dormido
Nos roncos encaminho sonhos
Advertivos
Que não lembro depois
Me nino sem boi da cara preta
Os muitos são de quando acordo
E viro a corda
E ouço a música
E vejo o mundo

Deve ser coisa de sagitariano
Com ascendente em sagitário
Queda em escorpião
E lua em capricórnio...

Pelos tempestivos ares de seu
Ir além da pele é transpelar
a Epiderme
Pelar a frigideira e fritar essa moral
Que nos repele
Doer
De vez
Pelo não doer aos poucos
Ansioso?

Deve ser coisa de sagitariano
Com ascendente em sagitário
Queda em escorpião
E lua em capricórnio...

Como do centro saiu o caroço
Do meu estômago reparo o osso
Duro de roer
Ao que proponho é a não mesmisse das coisas
Revertidas em outras situações
A sua própria natureza
Percebo do mesmo um novo endereço
E só
E o nó?
Ai que dó se for assim mesmo
Me digam errado, se de acertos é feito o mundo
O empreendimento perfeito de Deus
Em seus planos de negócio
O humano é ócio

Deve ser coisa de sagitariano
Com ascendente em sagitário
Queda em escorpião
E lua em capricórnio...

Será?
E se nasci no dia errado?
Ou assim me registraram
Programando-me aos impulsos zodiacais
Zoodiacais
Sei que sou mesmo um animal

Deve ser coisa de homem-cavalo
Com ascendente em homem-cavalo
Queda em escorpião
E lua em um bode chifrudo que só
Pasta,
Pasta...
Pasta.
Para ir além da loucura
Transpiração

segunda-feira, junho 18, 2007

Corpo Além Trans

Para ir além da forma
Transformação,
Ir além do verso
Transverso,
Ir além da pedra
Transita,
Ir além da aparência
Transparência,
Ir além da ação
Transação,
Ir além do "a"
Transa,
Ir além do "e"
Transe,
Ir além do soco
Transpunho.
Mas o certo seria "ponho"
Então,
Para ir além do colóquio
Transponho,
Ir além da ferida
Transpus
Ir além do padrão
Transviado,
Ir além do caminho
Transmissão,
Ir além da arma
Transporte,
Ir além da estrada
Transposto,
Ir além do ego
Transmitido,
Mesmo se metido
Renego
Ir além do que afirmo.
Transfiro o fino,
Engrosso o nexo
Para ir além do sexo:
Transex
Mas só quero ir além do ar
Transar,
Transar...
Transar.

segunda-feira, junho 11, 2007

As vezes ao que pressinto gostaria que não fosse verdade, só meia dela, que, num dado momento, enxergasse que a meia mentira, outra metade, se revelasse como um devaneio dessa mente perigosa. Mas penso com o corpo, talvez por isso as verdades me cheguem assim inteiras. Leio o todo, as pernas, as mãos, os olhos... muito pouco as palavras: elas só dizem conceitos, só sai delas pensamento. Intuí, algo estava por vir... e veio. E tudo sempre vem, porquê? Verdades inteiras, sem chá de cogumelo. Chegam num bloco sem trégua e sem tempo de organizar essa minha confusão toda, fico. Mesmo que o gostoso da confusão seja ela. Fico. Estou fincado num circo de quatro mastros, não tem mais volta, porque não quero... A verdade de tudo são as contradições. Até que ponto elas acontecem sem virar incoerência? A incoerência é propriedade privada... contradiz o coletivo de sensações. Por, tanto, fico sem dizer e sinto-te à vez de que percebo em versos moles uma inconstância gelatinosa: que balança, mas não cai, no máximo derrete, vira outra coisa. Virando e revirando vamos nesse desespero do improvável, nos revelando ao mesmo tempo que nos construímos proibidos. Até o dia em que tudo será repermitido, como antes de Adão, Eva e os contos de fada disneylandinos...

sábado, junho 09, 2007

Corpo Lança

Arre São Jorge
A viagem recomeça
Retire os vanguardeiros e siga-me
Em promessas e destrezas
Numa reza
Derradeiro é o não-se-encerra
Sim a derrama pro semeio
Desta terra nasce o pão
Se são manifesta
O caminho que faremos

Arre São Jorge
O boi tá encabeçado
A viagem recomeça
Idade Média baixa
Dos vinte e poucos
Nasce a festa
E chega o gozo
São Jorge
Numa reza evoco a lança
Pra despontar este falo sobre os meus monstros

Arre São Jorge
Cheio de força
Da mãe lua quero o prata
E do prata quero o ouro
Dou-o depois
Aos montes e às serras
Pra viver das serestas
E te pedir, só, em reza um dragão pra matar de novo

Arre São Jorge
Me manda dragão
Arre São Jorge
Me manda dragão
De dia guerreiro
A noite amante
De dia e de noite
Guerreiro-amante
Com lança na mão
Resolvo tudo de corpo inteiro
Avante guerreiro
Avante guerreiro

Rogier van der Weyden - Saint George and The Dragon - 1432/1435

quarta-feira, junho 06, 2007

Corpo Inconstância

Uma vez me perguntaram se seria galã de novela. Respondi que galo de briga não nega, mas depende das cinrcunstâncias.
Uma vez me perguntaram se estava de bem com a vida. Respondi que da vida entendo pouco e a conheço mais aos poucos ainda, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se ficaria mais uns dias. Respondi que a volta pede viagem e a saudade chama estrada, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se a chuva é que resfria. Respondi que o sol é que traz chuva, de seu calor surge a nuvem e da massa de ar é que vem gotas grossas ou finas, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se eu era burro. Respondi nada não, fiquei bravo só, mas, pensando agora, se dele tenho ao menos as orelhas, depende das circunstâncias.
Uma vez perguntaram se eu era bom aluno. Respondi que levo a sério o que me proponho, o único problema é se, no meio da aula, me proponho outra coisa, depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se o sol nasce no leste e se põe no oeste. Respondi que sim, sempre, mas se convencionarmos que o leste chama oeste e o oeste chama leste, o sol nasce na Lapa e morre na Penha, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se sou engraçadinho. Respondi que sou sério, tímido, não bebo, não fumo e nem faço karatê, pinto, bordo e faço crochê, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram
E perguntei de volta
Será que tudo assim é tão verdadeiramente verdadeiro?
Me responderam:
Depende das circunstâncias
Repliquei
Então continuarei minhas andanças
Por aí
E aí,
Uma vez me prguntaram se eu era desse planeta. Respondi que sim, planeta guerra, planeta...

terça-feira, junho 05, 2007

Corpo Tetra-Pak

"TetraPak, protege o que é bom"

Não lembro do professor ter dito esses slogan lá no Teia de Pensamentos, mas ví numa propaganda deles hoje e achei interessante... pelas circunstâncias claro. Esse pacote, embalagem, herméticamente fechada, impede que o produto se estrague, protegendo-o do calor, luz e umidade, uma redoma feita de papel, alumínio e plástico.

As vezes me sinto dentro de uma embalagem Tetra-Pak, sendo protegido, pasteurizado pelos valores da sociedade, aguardando para ser consumido puro e sem conservantes, limpo de moral e cheio das propriedades dos bons costumes, dos bons modos. Branquinho como leite, desnatado, sem gordurinhas, sem formar nata, vendido no Pão de Açúcar dos Jardins, ou do Leblon, pra agradar aos cariocas. Quem me compra são dondocas e quem me serve são as empregadas. O consumo se dá rápido, e o Tetra, depois pode ser reciclado. O que estava dentro, no cu do homem, vira merda.

Artaud tem uma frase interessante, que tive de decorar (não só a frase, mas um texto inteiro) para um espetáculo: Tudo que cheira a ser, cheira a merda.

Tetra - quatro, em grego. E os gregos... tão antigo tudo isso... não se faziam de rogados e mandavam ver nas "imoralidades" até que foram cristianizados....

Pak - embalagem em inglês. E os americanos... tão novo tudo isso... sempre se fizeram de rogados, mas no fundo são uns safados...

Tetra-Pak - Grego-"Americano" - Quatro Safados? talvez... seria essa a versão brasileira?

Brincadeiras a parte... brincadeiras.

domingo, maio 13, 2007

Corpo-espaço-tempo

Tem momentos na vida que são decisivos e marcam uma virada sem volta. Nada mais será como era antes, nada, um vazio pra peenchermos com coisas novas. Não tem, não tem mesmo volta. Adiante é o caminho da gente... até, como diria Guimarães, começarmos a trafegar pra cima. Pras estrelas. Por enquanto nos resta vagar pro desconhecido e esperarmos a certeza, única, que nos resta. Enquanto não vem essa visita do fim, preservo o cultivo da sabedoria, do acúmulo de experiências no dia-a-dia, o real proveito que elas me trazem. Quero ser um dia um velho sábio. Assim sinto que vivo, triste, por hora, é verdade, mas vivo. Mais transparente pra tudo, sincero, sempre, pra não enganar a mim mesmo. Aos outros me construo e me reflito, nessas atitudes. Talvez por isso tanto me confiam... e agradeço.

Talvez fique sem escrever por um tempo. Pelo menos por aqui... volto quando meu corpo sentir que é hora. Por enquanto escreverei por aí e ouvirá quem por hora estiver no lugar certo e na hora certa. Escrever com o corpo no espaço, improvisar, ensaiar, criar minha Carta ao Corpo pra preencher cantos vivos, em matéria palpável, em aglomerados de gente que te vêem e te tocam. O fato é que quero troca, sincera, sincera troca presente ligada no momento faiscante emocionante política sensata entre dois seres entre o mundo pro cosmos

!

Assim, fico assim. Escrevendo minha carta. Cento e poucos textos por aí, na internet, aqui e em comentários de outros blogs. Agora me ache se me perseguir nas veredas que frequento. Em corpalma de baixo de um teto ou numa arena a céu aberto, a descobrir na ação do texto o que aqui construí em pensamento

E poesia.

Deito e espero um deleite
Criativo
A cabeça revira enquanto inquieto
Escuto quieto o meu quê hiperativo
Tremo e sorrio
Arrepio
De repente um frio e vejo
Estou suspenso
Suando fino
É o começo do que percebo
Ser o momento primeiro de quando crio.


Nos vemos em corpespaçotempo.

quinta-feira, maio 10, 2007

Parafraseando Leminski

"nisso eu sou primário
amor pra mim
vem do caralho"

Não só pra mim... basta mudar as desinências de gênero e substantivos do sexo. Como não percebi isso antes? Até mesmo nos anjos, percebe? Ah esses corpos que me enganam... e me enganaram tanto tempo... tisc tisc... romantismo é esconder o amor humano, que vem da carne, é eufemizar a visceralidade. Pois assim, amor do ventre, não é mais belo? Bom, em três linhas Leminski já disse tudo. Paro por aqui...

quarta-feira, maio 09, 2007

Corpo Pragmático: da utilidade prática do corpo.

I-

Bem,
Me quer?
Mal
Me quer
Se quiser mal, bem...
Bem mal será o que quer.
Praga!
Pragmatismos...

II-

"Segredos de liquidificador"
no ouvido?
no pé, perdeu
nó... ó: resolveu?
Confuso esse capítulo
Cazuza, licença à sua música
(Cantando) "Segredos de liquidificador"
nó: ó... entendeu?
Não pense, que esquenta.
Experimenta
Pragmatismos...

III-

Gostoso
Corpo
Doce
Gelado
com quente
Contente
Namorado
Chefe de Cozinha
Passa a faca
E serve à mesa
O próprio corpo cozinhado.
Um bom vinho
Boca boa e bom bocado
Um bom queijo...
Um bom beijo...
Pragmatismos...

Bon'Apetit Bon Voyage

terça-feira, maio 08, 2007

Um mais um nem sempre é dois
Felizes casais
Esperto demais se voltar atrás
Nessa bobagem
De querer a eternidade adiante no cais
Nas juras de paz
Há tristeza demais nessa miragem

Pelo ar, distante aberto,
Viajar no mar deserto
De vontades
Distoa do que o outro quer
Não mais estar
Por perto, ficar
Sem mais me beijar
O sonho não é mais concreto

Desatar o ego
E seguir no enlace
Cortando o nó cego
Se quero repego
Eu passo e me esfrego
Sem dar
Pinta de solitário
Está bem, tudo bem
Eu fico assim sem
Compromisso sério

Essa visão de se
Contradizer
É o que me faz viver
Volto pra cama
Espero, me chama
Numa chama acesa
De mulher em lar
Alguém pra amar
No fundo falta mais
Um travesseiro.

Volto pra cama
Espero, me chama
Numa chama acesa
De mulher em lar
Alguém pra amar
No fundo falta mais
Um travesseiro.

segunda-feira, maio 07, 2007

Solto Corpo

Da tristeza ficam as horas seguidas de felicidade. É esse movimento indovindo das horas preenchido de acontecimentos com sutilezas que dão real importância. Não quero essa alegria eterna, porque não quero uma alegira monótona. Variar nas sensações, reações, conversivas, dispersivas, diversas adversas, é trazer pra si conhecimento, e saber reconhecer-se nas diferentes posições de estado de espírito. Assim sabemos melhor do nosso corpo, de cada póro. Assim sabemos melhor. No final, na velhice, quando damos conta da não eternidade junto à eminência direta da morte, olhamos pra trás e fechamos a conta pra balanço. E ficam as lembranças sem julgamento, as imagens e as sensações. Felizes ou tristes? Bem ou mal? Bembem, malmal, malbem, bemmal... não importam as deduções superficiais dicotômicas. Tudo será encarado com sabedoria. Enquanto, por, deguste o momento e aja no instinto do prazer ou sofrimento. Aprenda consigo, temos muito mais a nos ensinar. Um novo amor, o velho renovado, um sentimento alastrado de solidão, ou o cultivo de uma amizade, mesmo, ser sexual, a família e os animais, a natureza e a tecnologia, a ciência, a religião, a arte e a filosofia, serão um corpo além do conceitual. Esponjamos enquanto andamos por aí. Se me Lê, me leia assim esponja. E solteiro. Solto, solto. Agarrado só se for ao vento. As vezes jogado contra uma vidraça, as vezes trepado num galho de trepadeira. As vezes no pico da montanha, as vezes num varal com roupa de cama. Vezes como folha, vezes como pássaro. Certeiro no vagar-voar por aí. Triste ou feliz, vagueio. Avôo solitário. Sol-teiro, Sol-itário. Sempre há luz do sol. Sol-inteiro, Sol-otário. As variações são muitas.

Sol-teiro
Sol-itário
Sol-inteiro
Sol-otário
Hélio
Lélio
Lêlio
Lê, lí-o
Assim em textos sorrateiros.

Por mais assunto sem encerro. Escrevendo, menos tagarelo. Embora seja o início do discurso. Por isso não leio em voz alta. Talvez um dia interprete no corpo, em cena. Aí a arte floreia e aberto ao tempo tudo fica. Não cuspo moral e crio possibilidades. Introjete-me em seu meio. Conectamo-nos numa mesma esfera culturaverbsexual.

quinta-feira, maio 03, 2007

Corpo sem menino

Passa boi
Passa boiada
Passa trem
Passa passarada
Passa o que não fica e só fica o que não larga
Dessa vez desmistifica essa vida que não pára
É só para ver se fica pra uma próxima parada.

Desce longe essa montanha
Deslizando no meu corpo
Entendendo o que me resta
Nesses pêlos de enrosco cachos
Acho o que me acerta
Tateio ainda o que me resta
Revirando uma fresta, respirando o outro
Olho

Ai, o que não quero é essa vida de menino
Essa vida de moleque esperantudo do divino

Ribanceira se esgueia e me cobre a cachoeira
Veste um véu sem mais floreias
Intenções de casamento não existe mas atento
Pros perfumes desse vento
Vindo longe d'outra serra
Outras flores
Outras velas

O que não quero é essa vida de menino

Revirando do avesso puxo o que não vi direito
Rasgo trago do umbigo e me acho tão tranquilo
Enganado na cabeça abro aquela gaveta
E descubro um consciente coletivo escondido

Essa vida de moleque esperantudo do divino

Passa boi
Passa boiada
Passa sol
Passa invernada
Passa a alvorada que deixou a nova luz
Celebrando um novo tronco
Novos órgãos e sistemas
Me alinham n'outro tema
O que é novo me conduz

Ai o que eu não quero é essa vida de menino
Essa vida de moleque esperantudo do divino

Obscuro que vagueia
Óbvio que me clareia
E me cega
Claridade de lanterna na cara
Perco
E perdendo só fica o que passa
Atravessa
Se despessa
O meu corpo não é mais morada d'alma
É a própria reorganizada

Ai o que eu não quero é essa vida de menino
Essa vida de moleque esperantudo do divino

segunda-feira, abril 30, 2007

O tao do valor de mercado. Corpo em baixa

Idolatrar a virtude do valor
Que se dane
O melhor são as contradições
Zen noções

Partindo do aperto
Reparo e pergunto
Qual o valor da virtude?

Partindo do largo me refiro
Processo de mesma atitude
Não conter o desejo?
Rabicho do que não reparo
Me ensinam quando nasço e aceito pro vasto da sorte

Mina,
Mina água dessa pedra e leite dessa santa de tetas grandes
Madona mia: miau
Gata selvagem de sete eternas vidas
Mina sede dessa garganta e mina berro dessa vagina
Ó pátria amanda minhas esquemias carnais
Corpo, porco, alguma dessas escatologias
Sei que te encomoda esse quê sadista
Libertina paradoxia.
O melhor são as contradições

Salamandra só malandra
Chega, pega, amaça e tal
E o tao, não conta?
Conta até o que deserta
Acerta?
Mina,
Talvez não vire, e aí como fica essa desinência social?

Fica no ar
Ou fica no ir?
Posso não esperar e decidir partir.
Aí como fica essa desinência de verba social?

Se tiver grana e tiver boa cama
Se tiver saco sentado em carro importado
Se tiver toda semana um dia de motel
Te cantar em well num inglês
Salamandro, só malandro pra saber ganhar no léro-léro
Papo de sapo brejeiro te fazendo pastar e afundar a canela na lama
Sem querer tirar o pé do fresco.

E que fresquinho, não?
Um vaidoso
Manhoso
Gostoso?
Aí como fica essa relação de ego metrosexual?

Esse papo já tá qualquer coisa e você já tá pra lá de Carapicuíba

Por isso repergunto pro eco:
Qual a virtude do valor?
É diferente do valor da virtude.
Qual o calor que procura?
Qual a moral? Carnal, transcendental?
Já se perguntou isso hoje?
E o que é que fica?
As memórias e as saudades...
É pouca maravilha
Tem que ficar mais

Mas
Sabe do que mais? Chega de preocupações em exageros
Viver nesses temperos é que é se descobrir no turbilhão
Que achamos se chamar paz.

sábado, abril 28, 2007

Corpo de Dolores e de Prazeres

Numa casa assobradada reconheço minha gente. Fico à noite numa saudade de menino pela namorada, ouvindo as músicas que fizeram parte de nossa história, numa época em que não pensava em mudar nada. Músicas de amigos, poemas, são meu ídolos tolos, pq assim bobo, de brincadeira, é que os admiro. Embalado nessa espontânia alegria dos que vagam de "faminto a fomento", uma sala preenchida de sorrisos e sofrimentos foi o X da pressão, a questão que quase me fez sair correndo. Ficava alí vendo Renato, Luciano, Nandão, rodopios de Érica, vozes de Tati, viola de Amanda, pandeiro de Fernando, piadas de Xandi, cabelos loiros rastafaris de Jhaíra, risadas de Vivi, ou saía voando numa estrela Gama pra nunca mais? Foi bom... e foi ruim... e por isso tão vivo. Porra Renatão, a brincadeira da língua presa foi uma homenagem, desculpe qualquer desconforto. Não estava assim maroto... embora tenha me emperequetado todo pra ver no que ia dar. Deu que não deu em nada. Mas sobrou muita risada, abraço torto, carona atrapalhada e amanhecendo cheguei em casa. E não é que acordei de mal humor? Mas foram horas realmente mágicas. Um caldo vegetariano gostoso, um pão com queijo e o samba roque rolando solto. Depois um sertanejo e combinamos nos encontrar pra rever estes conceitos de viola e violeiro. Vem chegando a gente toda pra fazer roda e ouvir as coisas boas de Dolores, sem dores, ou com algumas em alguns momentos, sentia tudo me atravessando e me grudando ao chão, querendo sempre estar alí. Renato então me passa o violão, não dava pra recusar, peguei e quase sem pensar mandei uma. Primeira vez que canto em publico algo que escrevi, que "melodiei", que arranjei e que só quem ouvia era um anjo cada vez mais sem asas pra mim. Ele tava alí, mas expandi minha voz e cantei pra todos e não mais somente a quem era a minha preferida... Era. Brinquei com a língua presa do Renato e quis voar em sua estrela Gama, ficar mais perto da sua inteligência, pra nunca mais. Voltei, aproveitei, depois me chateei, não dava mais. Chega uma hora que a gente enfraquece, tudo que ganhamos, em minutos, parece, se perde. Hora de ir pra outra casa, a minha, por enquanto solitária, por enquanto de família, mas a queria assim como aquela casa, coletiva pros acordes, pros versos, pra manifestações de cena naturalmente ensaiadas com o coração. Deixar de gostar do que gosto, abandonar esse gosto por imposição da vida, é uma luta comigo mesmo, mas ví onde me reconheço e onde me escancaro, vou dosando as duas coisas e deixo cuidar o tempo. Enquanto isso me aproximo de quem vale a pena, dessa gente que não é nada pequena, que não precisa voar e cair na rede, saltar mortais e exibir-se ao publico. Viajo agora mais na outra idéia, das palavras bem utilizadas em corpo, dos versos bem construídos, das habilidades que ultrapassam a sobre-humanidade do circo. Ao contrário, abrem ao que há de mais humano. Em misérias e virtudes, denunciam a humanidade. O que ví ontem foi um turbilhão de conhecimento. Esse sim é meu recomeço, de tudo.

sexta-feira, abril 27, 2007

Corpo Tranquilo

Sem
Apuro
Suspiro
Mais puro consigo
Mesmo
Em surtos de desespero
Reverto
Inverto a corrente
E melhoro
Tranquilo

Cem
Vontades a espera
Muda
Direção a quem
Se volte a paquera
Requeira o que queira
Cem momentos zens
Pulsam soltos num corpo
Disponivelmente lascivo
Tranquilo

Vem
E me deleite
Me respeite
Me aquece
Esse ventre desapetrechado de qualquer vaidade
Vale a vontade
Vale o risco de pensar em outra coisa que não mais os aperreios
Rascunho rabisco corpo
Nas lágrimas nado dormidas
Acordo
Decoro Tranquilo


Zen
Arqueiros
Cem
harpejos
Vem desejos
Sem
Agonias

Cant'outra melodia
Que faísca no ar
Luminosa maravilha
Chega
Saco-cheio cheio de bufares
Me reconheço
Zen
Assim me Lê, sim, em linhas?
Um re-corpo tranquilo.

quarta-feira, abril 25, 2007

Perdeu

Em minhas músicas outros temas
Em meus poemas outras pessoas
Estou entendendo o esquema
Mudar o fonema pra descobrir outra gramática.
Descobrir outra lingua
Que me pegue de jeito.

terça-feira, abril 24, 2007

Sei sou

Aposto que
dará se
tiver me
Provado de-
finitivamente

Pelado
Tomate
No molho é mais gostoso

Queijo ralado

O presente é pra fluir
Ficar estancado
Enrola o enrolado

Sarado?
Escreve erraaaaado...

Poeta torto soul
Eu sei, sou
De versos
Equivocados:
Não concordo.
Em viva sorte:
Mais azar.
Tirar proveito:
Tento.
Seguinte mar:
Ajeito
Pra encontrar.
Cd-RW:
Pra regravar o regravável

A cada página uma lambida e um beijo na boca?

Tá ficando louca...

A cada verso estou inteiro. A cada página um orgasmo, só se for. De Corpo e corpo.
Não sou bala perdida de tiroteio
Esgueiro certo pr'um outro peito
Que me queira dentro
Espero.

Corpo Solto

Diga:
Ema
Ema
Ema

"Ema
Ema
Ema"

Qual o nome da clara do ovo?

Ai!
Aaaaiiii!!
Aaaaaaiiiiii!!!

segunda-feira, abril 23, 2007

Corpo Mudo, mudando quieto.

O tempo muda
Fica quieto o tempo
Não fala nada e age certeiro
Na virada que nos espera quieta
Muda
Mudamos com o tempo

Reescrevo as linhas que escrevemos
E as músicas que cantamos
Soam notas dissonantes
Aos ouvidos de quem chega
Aos ouvidos de quem vai

Os vindos se acostumam até reouvirem torto
E tudo se desarruma
A cama
A trama
A chama
Muda tudo de novo

O momento em que tudo flutua
Bóia num tempo largo em que nada se resolve e tudo vira espera
Passa boi, passa boiada, passa trem
Passa criança, passa trepada, passa alvorada
E volta nóis traveis

Que coisa engraçada essa graça
Que coisa engraçada rir das desgraças
É necessário

Um dia me disseram que ainda ia ver o tempo passar tão rápido que nem ia ver; o tempo passa tarde demais, tarde demais, tarde demais...

Tarde demais

Em frente, nunca pra trás. Se voltar é porque é velho futuro e não saudoso retrocesso
Me despeço assim tranquilo
Fiz o que fiz
Passo o que faço
E continuo fazendo
Tropeço, acerto, gozo, choro
Rio tropeçando, acertando, gozando dou risada
Rio chorando um fluxo d'água
Rio de água salgada
Rio baldio

O tempo sempre me acerta
E me despenca

Retomando meus textos
Cento e poucos
Nesses anos todos
Dois

Ví no que fui certo
Percorri o meu caminho
Construí o meu corpo

O fluxo é interminável
Robusto me arrasta na correnteza sem palavras

Mudo, quieto
Mudo, mudando
Corpo silencioso
Alarma o que quero
E o que não deixo de não querer


Corpo mudo
Corpo mudando
Corpo Lê o que escrevo
Corpo sendo
Mancebo
Corpo quieto aconchega pra sorte

Recorte o meu corpo e junte-se ao pedaço. Verá que de mim o que fica é uma parte. Escolhida a dedo pra compor seu desejo de ter em você algo de diferente. Me leia pra me ter assim recortado, por inteiro não fico nem a mim mesmo. Pro mundo e pra arte talvez completo me recebam. Dssas causas não pessoais e cosmogônicas, filosóficas em sua ontologia. Pras coisas fico íntegro e me dou. Não mais pras juras, pros aconchegos. Pulo virando no ar cambalhotas e disperso meu cheiro. Capte-o e me venha se quiser comigo atrás seguir a maravilha descoberta dessa nova melodia.

domingo, abril 22, 2007

Corpo que me queira

Quero quem me queira
Você me quer?

Rabisco a vida inteira
Também quer?

Corto trepadeira
E saio andando
Vem me amando?

Fico na geladeira
enquanto você esquenta a frigideira
Posso continuar falando?

Salto do prédio
Você cai do trapézio
Alguém ficou paraplégico?

Procuro na agenda um consolo
Quem me consola?

Gasto sola e gasto o choro
Quem me acompanha?

Apanha
Apanha

Ligo e fico sem resposta
Pra onde vai o esporro?

Esporra
Esporra

Chamo pra um amaço
E recebo o abraço
Pra onde vai o ventre?

Fica afastado

Eu falo que o Falo não fala, se manifesta mudo
Mas você sente.

Quero quem me experimente
Quem me dismistifica?

Corpo que me queira me faça contente

Solto, solto
Solteiro
Agora posso ser Ribeiro, Pinheiro, Oliveira, Silva, Pereira, Silveira, Siqueira, Garcia
Podia

Sou do mundo vagabundo
Vaga
Anda
Corre
Socorre
Me
Alguém?

Salada de frutas proibidas
É o que me ocorre

Sacode e me mostre o charme
Entusiasta
Agito o que me comove
Prove?

Tem jabuticaba madura no pé
Livre de dono
Cheia de abandono

Quero quem me queira

Quer me levar pra casa?
Vamos morar em Paranapiacaba?
Quem me consome?

A vida
A maravilha
A sapatilha de bailarina
A simpatia feminina
A inteligência sem apatia
Ou um belo par de peitos
??????

Um belo par de bundas
Quem me quer?
Aceito duas

Precavio o precário
Sou mais inteligente
Só aceito bom papo

E bom cheiro
E bom recheio
E bom amaço
E bom bocado de tempero
Doce e delicado
Quero quem me respeite

Quem pode ser essa maravilha?
Quem me quer?
Quem me quer?
Quem quer?

Rasgar a seda
Gastar a sede
Ceder na rede
Prender na parede
Emendar no chão
E subir na cama
Dizer que me ama
Gemendo me chama
Rasga a seda
Gasta a sede
Cede na rede
Prender na parede
Se jogar no colchão
Rasgar a seda
Beber a sede
Cantar na rede
Desnuda o corpo
Violão no chão
Violar o corpo
Ponto de fusão

E tudo evapora no fogo

Logo, transformação

Rogo
Quero quem me queira
Você me quer?

Pau pra toda obra

Prova pra todo aluno da vida
Recuperação

Pego a professora
Pego a cdf
Pego a redentora
Pego a mequetrefe
Pego a cantora
Pego a dançarina
Pego a pobrinha
Pego a mordomia
Pego a apatia
Pego a solidão
Pego a alegria
Volta a saudade
Pego por brincadeira
Volta seriedade
Pego por pegar
Solto por não suportar
Pego porque agarro
Machuco porque forço
Porque pego sem querer pegar
Me engano

Pego por ter-me sentido querido
Vacilo
Não nego

E tudo vira bossa depois da fossa

Para tanto me preservo e digo a Deus
Adeus
A quem me dispensa
Digo sabe o que perdes
A quem me convença eternidade
Digo não digas o que não sabes
A quem me prometa devoção
Digo não abras mão da sinceridade
A quem me detém companheirismo
Arrisco não dizer nada e pago a primeira lágrima
Derramada por saber que não existe

Avoar
Avoo
Sinto o ar nos meus cabelos
Da minha pele exala o cheiro
Atrai
Com meus olhos aproveito a paisagem
Escolho
Meus ouvidos são todo ouvido
Pra qualquer tipo de barbaridade
Plano nas nuvens acima da humanidade perto dos Deuses perto dos mortos
Desço na terra e ando
Andando sinto o mundo no tato dos pés
Revés moribundo
Com flores pra entregar

Quem as quer? São rosas, orquídeas, tulipas
As minhas preferidas
Não quero mais andar com margaridas
Quem as quer?

Quero quem me queira
Você me quer?
Você me quer?
Você me quer?

Você
Me quer?

terça-feira, abril 17, 2007

Corpo Vinte e Poucos

Pelas minhas jovens pernas que caminham pelas estradas cantadas, atuadas, escritas em poesias e em saltos soltos de acrobacia percorrida
Reconheço meu território além do corpo
O espaço que fabrica meus calos de pé e de coração
O campo que acelera o embrutecimento e nos torna mais adultos.

Ana é criança
E tem na vida a ciranda. Se sempre Ana for colorida
Verei no brilho da sua retina a alegria de Aninha
Cheia de graça. Eterna cunhada. Passaremos a passear.
Sofia é criança
Das mais ainda pequeninas
Que nem sabe se dança, se canta, mas alí sempre brinca
Sem querer cria à sua semelhança a vida de esperança.
Sabe de nascença o que é sabedoria.
Maria Júlia é criança
Mesmo sendo Júlia, a frente sempre é Maria. Como todo dia é dia de Maria
Júlia embirra mas logo faz graça e engrossa a maravilha
Simpatia
Sincera, por ser sincera simpatia.
Mariana é criança.
Tem em sí Maria e Ana embutidas
No tamanho esbanja amor e delicadeza de menina moça
Mas mais ainda é uma menina
Chora junto quando choro
Lava junto sua agonia.

Pelas minhas jovens pernas o caminho se faz rápido e curto
Corro
E quase não vejo passar o tempo.
Vagueio
E quase não vejo passar o passado
Amo
E quase não percebo o suave passeio pelas histórias a quem me proponho
Um livro de mil palavras e mil abraços
Rasgando em versos que viram músicas se misturados ao vento
Som sibilante de pássaros e gotas-de-chuva
Mínima música, mínimos os gestos
No cabelo uma luva de aguadas notas musicais que grudam nos emaranhados cachos uniformente tecidos pra prender amor.

Cabelo liso, agarro firme
E perco a força, seguro
Amor de artista pela luta, seguro

E nem te percebo. Ou te percebo se me larga
Te percebo porque me esculacho
Percebo-te em rabiscos fortes

Riacho de sorte ou luta de uma só dor


Pareço o que sou?
Pareço o que pareço e sou o que me vêem

Soou ao vento notas molhadas na chuva musical

Apareceu na janela
Recebeu minha serenata
O que canto não vela
A morte.
Espera
Una ultima suspirata

De morango com chocolates

E muita festa e muita festa
E muita festa, tão pouco choro

Por dias inteiros o sol
varanda e quintal
Nenhum futebol

Una sonata

Só esperava ela. Caminhando ao tempo largo.
Pelas minhas jovens pernas começa a me olhar de baixo pra cima
Vê as coxas, o sexo e a barriga
Vê o peito, os braços, o pescoço e minhas narinas
Não vê meus olhos
Minha janela esconderijo
Onde a criança perdura.

Corpo Lê aprendendo a andar com suas próprias pernas

Onde a criança perdura.

Corpo Anjo aprendendo a voar com suas próprias asas

Onde a criança perdura.

Olha pra mim
Sou o que era?
Espia pela janela
E me faz um arrepio.

Olha pra mim
Meu corpo espirra de frio.

terça-feira, abril 10, 2007

Rebostagem

Posto novamente um texto adolescente

Branco do branco


Me disseram que um dia ainda ia ver o tempo passar tão rápido que não ia ver. Me disseram que um dia ainda ia prever o futuro de segundos pra acontecer. Um novo mundo logo de tão logo louco submundo mundo de tão mundocão de dia tarde demais tarde demais tarde demais. Tempo tempo tempo do tempo tempero amargo do tempo que passa além do tempo de tempero amargo. Um repente de repentino fim. Fim. Ah meu fim, ó meu fim. Frente trás lado vem dançando a valsa do amor. Um do tre. Hum. Menos que hum... milésimos de hum passando por aí. Me disseram pra um dia ainda eu cuidar de descuidar de cuidar da vida o tempo passa tarde demais tarde demais tarde demais. Um olhar não consegue mais provar qualé nuance, qualé a sentença. As cores passam rápido e tudo vira branco. Qual é a nuance? Qual é a sentença? Tudo fica branco, tudo fica sem. Tudo está mais morto. Me disseram que um dia ainda ia prever o futuro de segundos pra acontecer um dia aconteceu de tudo ficar brando, de tudo ficar branco, de tudo tudo sem nada só tudo ficar só branco do branco.

Outro Goya

Um Goya

Corpo Nó

Aquela moça
Encerra
O que não despedaço

A hora é dela e não mais giramos no mesmo relógio.
Meu corpo é posto em vazio de abraço e permeia a busca de um novo campo
Sideral
Vácuo
Saudade fátua
Me leve a mal pra ver se te reconheço

Antes eramos um moço de peitos e uma senhorita de barba
Misturávamos nos nossos anseios de jovens
Nossas visões de identidade

Tudo, como mas, um dia foi.
Ao de ser "nosso" prevaleceu a necessidade do "meu"
Eu, eu, eu, há de ser ego
Cego
Ao corpo un-ido só resta agora em dividendos indivíduos.
Corpo nó, vira laço solto
Sou só
Na feliz cidade encerrada em tristeza catártica.

segunda-feira, abril 02, 2007

Corpo que fica

Sentado em frente ao quadro o homem velho fumava seu charuto e observava num sono acordado aquela janela flutuante. A fumaça cobria a vista de uma névoa cinza fedida, transformando as cores num pastel padrão de cidade, podrão ar de subúrbio de megalópole, megalomaníaca e não tão menos megapsicótica. O homem era um cosmopólita consumidor assíduo do que as galerias vendiam como boa arte. O som era de silêncio de uma vitrola quebrada. Antes tocava algum jazz típico dos holywoodianos cinquentões ou quem sabe um clássico rotulado como clássico dos clássicos. Havia alí o que de bom se dizia nas bocas dos outros. A poltrona era feito um gato inflado com espinhos nas costas, ou um porco-espinho caduco, calvo, de espinhos moles. Nem oito nem oitenta, um meio-termo tedioso, acadêmico, político, sobre muro. Foram horas. O charuto queimava em ponta, dedo, punho, braço e cotovelos, aos minutos que se seguiam o homem se fumava e se fedia a fumaça de sua própria carcaça, duma fumaça que reproduzia e invadia a casa. O quadro permaneceu flutuando em arte abstrata de mínima tinta. Um vazio nem muito amarelo, nem muito vermelho, um alaranjado parecendo suco de laranja aguado ou um ovo de pinto mal chocado. A casa talvez fosse a galinha. Em outros tempos um bom vinho seria tragado como se tragam os fumos. O homem velho era só um velho homem com seus vícios de homem velho. Pensava. Imóvel. Reconhecia no quadro a distancia entre ambos. Trajava um bom terno da época que se vestia o verão à caráter da neve européia, com um chique conjunto de significados sociais em cada dobra , abotoamento, e direção do chapéu. Uma época em que os gestos traziam os sinais da gentileza e finura necessários pra se conquistar uma linda mulher. Aquele quadro era um autêntico mister contemporâneo disforme abstrato, descompromissado com a forma, feio e deselegante. Limpo ao ponto de ser clean, mínimo em suas palavras de linhas e manchas, metricamente menor que o Hai Kai e simbólicamente maior que o oceano. Aquelas gerações de obra e espectador permaneciam sendo fumadas alí naquela sala intoxicada de fumaça humana. O homem velho ia sublimando ao ponto que só existia da cabeça pra cima que, arregaladamente, continuava observando, espremendo a tinta entre as molduras. A tinta derretia e escorria pela parede cinza escura, criando formas no incêndio, além de sombras e fumaça. Ia embora a casa, tomada pelo charuto. O telhado e as paredes iam pra outro plano, em gases iam olhar de cima a cabeça e a tinta, intactas feito bruxaria. A cabeça do homem velho rolou, a tinta escorreu, e se encontraram na linha do assoalho onde ficava a porta. E alí ficaram se namorando, nunca tão supreendentemente próximas.

sábado, março 31, 2007

Corpo orelha de burro cabeça de ET

A burrice é síntese. Sim. Simbiose da ignorância. Burrice não é ignorância? Pareço ter orelhas de burro... parece que sim. Idiotisse é síntese? Por tudo que fazemos, ao todo do ser, e do tempo, podemos, talvez, por assim dizer, em resposta a uma ação, ou a uma não-ação, por distração, ou por desespero de chegar logo, atender ao choro, concertar o erro, saio vivendo e vivo correndo, sem pé no freio do fusca, ofusca a vista e chego sem gasolina, nem pega no tranco, se pega sai em solavanco e morre afinal, posso assim ser chamado de burro? Preciso de tranco? Arranco, dou marcha-ré e apresso. Tudo nessa vida está errado. Essa ordem do acerto é que é. Certo e errado. Burro e inteligente. Certeiro e inconveniente. Sonhador... posso viver assim dos contrários? Viver um e n'outro de repente. Irritar os outros de inocente e brilhar aos olhos n'outr'hora quase sem-querer? Qual a minha intenção nas coisas? Quais as minhas escolhas? Pra que sirvo afinal? Pro circo ou pro teatro? Pra literatura ou pra música? Pra feirante ou pra banqueiro? Pra pai-de-santo ou pra acadêmico? Pra todo mundo ou pra mim mesmo? Essa idéia de lutar pelo coletivo ande me cansando. Já é muito difícil se aguentar sozinho. Queria começar a pensar pequeno porque assim realmente somos. Já viu o tamanho do mundo? Não dá pra voltear com um tanque cheio de gasolina. Dá no máximo até a esquina. Tenho que sacar até onde posso ir. Até onde sou capaz... Avançar um passo por vez e sempre com muito cuidado. Ou se jogar de vez do penhasco e na queda viver tudo de uma só vez. Burrice é fato?

sexta-feira, março 23, 2007

Só digo que sei

Já vi esse papo outras vezes. Já ouvi esse filme outras tantas. É uma impressão do que é, e não é bem no fundo. Do que se fala mas não se mostra do que não fala. Da sombra preferir deixar assim à falta de luz. Dizer meias-verdades e dar meios-suspiros achando que o outro é sempre um meio-entendido, meio-cego, meio-besta, meio-bosta, meio-sabido. Mas é sabido se fazer de meio, no manso dos miúdos captar o captável além do aparente notável. Entrar no inverso, nas meias-palavras, nos meios-versos, nas palavras de costume ditas pela metade, nas ausências do inteiro se percebe a ponta do trágico. O canto do bode chega com a gota, é fruto da falta de espaço causado pela chegada do insuportável. O meio não se sustenta, o ser quer ser completo, sempre. E na explosão da completude rompem-se as estruturas da carcaça e a tragédia se instaura na magnitude do acontecimento. Nada mais pode ser escondido ao bolso para ser acessado ao deleite da necessidade casual, no conforto da escolha da hora, na loucura do desligar de enterruptores dos valores éticos que beiram a liberdade de um lado e a mágoa do outro, o prazer de um lado e a dolorida indiferença para o outro, a vida em um aspecto no momento um e a outra vida no momento dois. O bolso fura, a moeda cai virada com a cara pra cima, te olhando, te dizendo que não há mais jeito de esconder nada porque já se sabe faz tempo: os outros olhos enxergam por inteiro, se fazem de caolho mas são duas retinas que brilham à luz da vida. Os fatores se alinham ao acaso certeiro, confirmam a intuição treinada por uma observação não convencional, longe de ser científica, muito mais melodramática, mas nunca menos inteligente. A verdade deve então ser revelada: a tragédia é a síntese do surto reprimido da verdade explodindo em revelações que não eram vistas, mas sabidas. A gente sempre sabe da tragédia. Vem nos poros arrepiados a imagem que dá sentido a tudo, que traz à tona na memória um passado que não gostaria que fosse futuro e agora é presente contínuo. Uma onda de gerúndios aflitivos, determinados em ser infinito presente. Como um trapézio em balanço, uma lonja que te segura firme e você não cai, somente, cai ao infinito presente segurado à eternidade. E o buraco não tem fim no fundo porque volta pelo céu a queda em rodamundo. Talvez haja assim uma diferença de vontades. Fixo meus pés no chão e o balanço é um vai e vem da batida do pulso, um tum-tum que me tira dos eixos das pernas, coluna, pescoço e me faz girar alí parado, de olhos fechados sem a noção de largura. O mundo é o escuro da gente, brilhando imagens ora aqui, ora acolá. É o suficiente. Miúdo, sozinho, eu. Com a vontade do coletivo, que é mais que o coletivo conglomerado de gente em si. Minha turma é todo mundo e ninguém. Eu, meio-eu, eu e meio quero sim. Acontecendo por aí do meu jeito. Só não quero engano empurrado pela garganta, à força, mudando a percepção do mundo do meu olhar viajante, confuso de idéias, inexpressivo na lógica, rico no caos, inteiro, sobretudo. As meias-coisas já não cabem no meu pé. O que sei é o que sei. O que não sei é só o que não atentei ainda. Pesco a volta e a volta em mim quem dá é a órbita de tudo. Só digo que sei.

terça-feira, março 13, 2007

Ao Fomento

I-
Se fala de periferia
Se cala na casa da tia
A tia avó do teatro

II-
Se voga o verbo correto
Entorta a fibra do belo
Tudo vira hipercrisia

III-
Faz uma lipo na crise
Verá que de volta
O que fala
É a fala do que põe em crise

quinta-feira, março 08, 2007

Reação Criativa

Nem sei qual a razão exata de escrever pro nada. Será um virtuosismo feito pra vangloriar a minha pele no virtual? O meu corpo na rede não é o meu corpo no mundo. Nem meu corpo no tempo. Nem meu corpo não há. Não há sem a matéria memória de Bergson, do corpo enquanto balaio receptivo de imagens e produtor de ações. Meu corpo é como o dele, como o de todos talvez, um centro de respostas a imagens, um centro de ação e não de representação. Querer colocar a minha ação nesse espaço de imagens é querer transferir para ela o caminho que seria o contrário. O corpo é parte do mundo material e não o mundo material é parte do corpo (lembrando que matéria e energia são indissociáveis, portanto quando falo de matéria existe alí a energia inerente a ela), ao mesmo tempo que as imagens existem nesse mesmo mundo, o fato delas existirem na gente não passa de pura semelhança entre fatores: imagem e corpo existem no mundo independentemente, se um morre o outro continua vivo, se separam e se juntam como matéria, como se juntam os átomos de dois elementos químicos compatíveis um ao outro. O ponto que deve ser visto, então, não está na simples existência de um ou de outro, por conseguinte, mas na intersecção entre eles, no momento do cruzamento entre canais perceptivos do corpo e estímulos externos, as imagens (considerando o pressuposto de Bergson de que imagem é um conjunto de matérias). Nesse momento de faísca entre a matéria externa e a matéria corporal dotada de esponjas de imagens, os sentidos, acontece o que chamo de reação criativa, ou seja, o corpo percebe aquela imagem e a recria de acordo com seus aspectos físicos (formas, cor, volume, temperatura, cheiro) e culturais (o julgamento moral, o despertar de lembranças, o despertar de emoções presentes na memória histórica do ser). Sendo assim há o momento de identificação material da imagem/objeto e de reflexão psicológica. Não separadamente, mas de maneira cruzada, cheio de intersecções e sobrepassos entre ambas reações criativas, que podem ou não corresponder a realidade, mas sempre a põe em dúvida, a partir do conceito de que o que é real já parte dessa percepção duvidosa do mundo, a realidade é sempre um ponto de vista da reação, que já é um ponto de vista intuitivo do homem a respeito do mundo em que vive. Por isso critico a perfeição da ciência e os dogmas da religião, e os dogmas artísticos de vanguarda. Por isso não gosto dos denominamentos acompanhados da palvra "novo". Por isso não gosto das supremacias de grupos propondo estéticas ao mundo condizentes à verdade absoluta. Essa verdade parte do pressuposto da sua reação criativa ao seu própio mundo, cheio de intersecções do tocável calculável e do psicológico subjetivo. Portanto, voltando à questão inicial e negando a afirmação em sequência, não escrevo para o nada, escrevo para o mundo, para o cosmo. O mundo me enche de imagens e eu as troco com o mundo, a partir das minhas reações criativas, produtoras de ação. Transfiro, ou até mesmo transcrevo, essas reações às palavras organizadas em texto, numa dramaturgia verbal ou não verbal, cênica ou literária, ou seja, crio memória fora de mim. Pra quem? Não importa, pra algo que é real, que é o virtual. O virtual também é algo do mundo, também é matéria e energia atravessando entre si. Também é imagem. A produção de conhecimento hoje em dia parece estar em crise de conceito de publico, que fica cada vez mais restrito às especificidades da área, uma vez que cada vez mais artistas estão produzindo para artistas, cientistas para cientistas e religiosos para religiosos em suas quase, ou totalmente, seitas. O conceito de massa, de povo, acaba abarganhando um grande grau de entretenimento vazio, de jornalismo sensaciolnalista vazio, de imagens divinas vazias e generalizadoras do bem e do mal. Enquanto o meu alcance for o do espaço virtual específico, acessado através do endereço eletrônico, esperando que algum corpo transfira sua curiosidade para sinais binários em busca de uma Carta ao Corpo, escrevo ao virtual como possibilidade reduzida, mas útil, de comunicação. O meu intuito de artista é poder que minhas reações criativas causem outras em outros e para isso ela precisa estar jogada ao mundo, transformada em imagem. Já é o começo da mais babaca fórmula de comunicação: existe o emissor, a informação, falta o receptor. Esse texto é matéria, energia e movimento E=mc(ao quadrado), são diretamente proporcionais entre si, são imagem. Porque então estaria inversamente proporcional ao mundo? Pra estar de acordo ao cosmos escrevo pra ninguém, que já um alguém: eu mesmo.

segunda-feira, março 05, 2007

Escrita Sensorial - Exp. II - Pé frio

Experiência de escrita sensorial 2 - tatopode (na sola do pé)
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos táteis provocados por duas bolsas térmicas Termo Gel, de tamanho médio, recém retiradas do congelador, localizadas uma em cada sola do meu pé.

Observação 1: Calço 43. A bolsa não pega o pé todo uniformemente, os dedos ficam pra fora.
Observação 2: Como não existe silêncio absoluto no mundo, os sons predominantes são as vozes, ora altas, ora baixas, oraexaltadas, ora tranquilas, dos vizinhos arrumando o quintal.

Segunda. Semana. do mês, qual mês? Dramaturgia de Saramago. Dramaturgia é a liturgia do drama ou o drama é a reza... ou é ora, ora se é hora nem sempre dá pé no alicerce do tempo. Mas tempo é música e dança é espaço e teatro é palavra. Não é nada disso. Não tem nada haver. Não existe é. E pronto. Surgiu um dia, na casa da tia de São Tomé, na vila de leopoldina, no alto sape da periferia. Importa não, o que importa é o pé. O pé da lógica e não se a lógica dá pé. É o início da cabeça quente. Cachaça também da aquela fervura, mas de quentura mesmo, não de imaginação que sai do dedão do pé e segue em corpo ambulante transeunte errante por aí. Quero falar de início. O céu do chapadão, ou o xampu de ponta-cabeça, ou índio pelado, ou a cobra comprida, ou o cumprimento apertado, ou o acerto de contas, a calculadora, ou a justiça de justiceiro com armas. O início da guerra, da festa, da laia, da praia, da vaia, da saia, da raia, do nadador. Do moço, do fosso, da frestra, do trosso, da lasca, do sono, da bosta, do presidente, do brasil de brasa, do brasil de gente. Da vida, da seresta, da música sertaneja, do luar do sertão, do Dominguinhos, do Domingão, de quem pariu o Faustão. Da ditadura, do globo, da rede, do torto, da letra, da barba, do véu, da cachoeira, da noiva, dos deuses, dos rebeldes, do Deleuze. Da política, da prosa e da poesia e da poesia e da poesia. Da filosofia, da arte de contar mentira, da seca, de Amelie Poulein Du Soleil. Do palhaço, do porta-retrato, dos cachorros, dos aniversários de cachorros, do ridículo, do violão. Queria falar de fim... mas fica pra outro dia. De mim fica assim mesmo de nós. De dois meus pés em fria relaxa e relaxa nessa dramaturgia do sangue que sobe e que desce e que bate no centro e que desce e que sobe e pisca meu olhos, arroxeia meus lábios, me nutre e me dá fome e por fim esquenta a minha pele. Queria falar desse fim só: quente.

sexta-feira, março 02, 2007

Pra fora

O ator e o acrobata são da mesma espécie de extraterrenos. O ator voa nas imagens do palco e o acrobata voa com as pernas pra perto da lona, pra longe do picadeiro. Pro ar vão ambos. Pra terra se afastam pra mais nela estar, na platéia. O ator, o acrobata e o ar são as pontes básicas da minha arte coletiva, de músculos firmes e imaginação de criança, um ar leve que iça da lona pra dentro do corpo de quem está no lugar-de-onde-se-vê theatrum. Di circolo... então vai e voa pra fora do planeta.

domingo, fevereiro 18, 2007

Escrita Sensorial - Exp. I

Experiência de escrita sensorial 1 - musical
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos musicais com as composições de Philip Glass

Uma caixa de retalhos de imagens, um progresso de meias metades e quartos inteiros de mínima música. Entrar num espaço sonoro com notas flutuando pelos campos minados de compassos aveludados e um tapete de três-por-quatro afiados em pontas de faca navalhando os músculos da mente. O meu corpo treme e só o que um se pensa. Os músculos da mente são o pensamento da cerne. Essa é a imagem que tenho em meu dedão do pé. olha para o seu lado oposto E aquela caixinha de música girando com a bailarina triste em cima... tempo Quer dançar? tempo Está tão calada. sorri Você é danada, me deixa aqui falando sozinho com minhas partes. tempo. baixa os olhos. sorri Não, não choro não. A vida é muito solitária mas não carece de pingar lágrimas. olha em volta Isso te inspira? Essas coisas em volta, essa foto de praia deserta na parede, esse livro do Deleuze na cabeceira, essa caixinha de música que você não pára de abrir e fechar só pra ver se um dia a menininha cai de tonta. Isso te cansa? Ficar aqui falando das minhas impressões enquanto você nem se mexe. tempo tempo É, não deve mesmo ser muito agradável. muito tempo Vou embora então. levanta, gira pelos cantos. diz Sabe qual a imagem que tenho no meu dedão do pé agora? É de uma bailarina, pode ser Isadora Duncan, girando numa praia, o vento batendo um perfume suave vindo de algum barco no mar. Lá eu te espero com um punhado de flores cheirosas, de cores vivas, sem espinhos, aveludadas como as notas musicais de uma minúscula música. Um minimalismo alí, o barco eu e as rosas. Você a areia e o mar. O Deleuze embala nossas teorias só. Talvez ele seja o mar que nos distancia. espera uma reação Que te faz girar com o vento e me faz ficar aqui ao alento e esperar. tempo Meu barco tá sem remo. Na verdade o barco tá sem mar e você é só um boneco de areia que se desmancha com o movimento do ventoar. não espera mais É engraçado como te vejo: um parado em movimento. sorri com um pingo de lágrima Já pensou em se mudar? pensa "talvez" Eu já, mas não sozinho. Essa vida mesmo com gente é muito solitária. Sem gente ela fica sem opção de solitude. A velha regra dos contrários. Um precisa do outro pra existir enquanto tal. Qualquer criança sabe disso, não preciso te convencer... percebe e não quer falar como o Deleuze eu aqui falando pra alimentar sua companhia e preencher a minha solidão... e você querendo ficar sozinha... entendi. A tagarelice toda... a praia, o mar, a música e o silêncio. chora com uma pontinha de sorriso A imagem que tenho agora em meu dedão do pé é a de amor constando com raiva, que eu mesmo precisava. tempo entre-dentes. choro pouco assumido Desses contrários Deleuze não disse não é mesmo? Da memória constando com aminésia, e a da vivice constando com a mortandade. volta pro começo. sempre acontece Uma caixa de retalhos de imagens é o que tenho em cada poro. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou grito esse tempo todo pra mim mesmo? olha embaçado Porque você não me responde? E essa música alta? E esse livro do Deleuze? Porque você não abre e procura alguma coisa relacionada a vida que levamos? Larga o travesseiro! Larga de se remexer pro umbigo. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou tudo isso eu falo pra mim mesmo? Você está aí? Quem está aqui? Bate no peito A moça... a moça... a sala com notas aveludadas voando e voando em compassos. Isso é música, esse espaço sonoro... isso é. Uma janela de sonhos balançando numa cortina leve. Logo eles se soltam! Me ajude a segurar! Sai daí! Pára de se remexer pro umbigo! desarruma uma cama vazia, só lençõis Cadê você? Cadê? Estava aqui agora mesmo... estava! estava! chora assumido. pega o livro do Deleuze e joga pela janela como um sonho que voa em páginas abertas lançando suas palavras para alguém perto ou longe pegar. deixa escapar da sala as notas musicais aveludadas transformando aquele espaço sonoro num súbito silêncio. enche as nunvens de compassos que pesam em chuva derramando as notas líquidas preenchendo os rios, os vales, as vias, os mares o solo e os cabelos molhados de mínima música. encostado num canto olha firme o seu dedão do pé e vê que ali, agora, estava apagado.