Experiência de escrita sensorial 2 - tatopode (na sola do pé)
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos táteis provocados por duas bolsas térmicas Termo Gel, de tamanho médio, recém retiradas do congelador, localizadas uma em cada sola do meu pé.
Observação 1: Calço 43. A bolsa não pega o pé todo uniformemente, os dedos ficam pra fora.
Observação 2: Como não existe silêncio absoluto no mundo, os sons predominantes são as vozes, ora altas, ora baixas, oraexaltadas, ora tranquilas, dos vizinhos arrumando o quintal.
Segunda. Semana. do mês, qual mês? Dramaturgia de Saramago. Dramaturgia é a liturgia do drama ou o drama é a reza... ou é ora, ora se é hora nem sempre dá pé no alicerce do tempo. Mas tempo é música e dança é espaço e teatro é palavra. Não é nada disso. Não tem nada haver. Não existe é. E pronto. Surgiu um dia, na casa da tia de São Tomé, na vila de leopoldina, no alto sape da periferia. Importa não, o que importa é o pé. O pé da lógica e não se a lógica dá pé. É o início da cabeça quente. Cachaça também da aquela fervura, mas de quentura mesmo, não de imaginação que sai do dedão do pé e segue em corpo ambulante transeunte errante por aí. Quero falar de início. O céu do chapadão, ou o xampu de ponta-cabeça, ou índio pelado, ou a cobra comprida, ou o cumprimento apertado, ou o acerto de contas, a calculadora, ou a justiça de justiceiro com armas. O início da guerra, da festa, da laia, da praia, da vaia, da saia, da raia, do nadador. Do moço, do fosso, da frestra, do trosso, da lasca, do sono, da bosta, do presidente, do brasil de brasa, do brasil de gente. Da vida, da seresta, da música sertaneja, do luar do sertão, do Dominguinhos, do Domingão, de quem pariu o Faustão. Da ditadura, do globo, da rede, do torto, da letra, da barba, do véu, da cachoeira, da noiva, dos deuses, dos rebeldes, do Deleuze. Da política, da prosa e da poesia e da poesia e da poesia. Da filosofia, da arte de contar mentira, da seca, de Amelie Poulein Du Soleil. Do palhaço, do porta-retrato, dos cachorros, dos aniversários de cachorros, do ridículo, do violão. Queria falar de fim... mas fica pra outro dia. De mim fica assim mesmo de nós. De dois meus pés em fria relaxa e relaxa nessa dramaturgia do sangue que sobe e que desce e que bate no centro e que desce e que sobe e pisca meu olhos, arroxeia meus lábios, me nutre e me dá fome e por fim esquenta a minha pele. Queria falar desse fim só: quente.
Das mudanças do corpo cabem as circunstâncias da vida. Cresço e, ao que amadureço, me escancaro. Aqui há minha porta aberta, onde parte o prolongamento de meus braços e pernas além do meu ego de ator e força circense. Partem minhas palavras em corpo, em carta, em viva poesia, mesmo se em prosa vier a narrativa. Sei que espiam e não deixam pistas, mas, se puderem, comentem... e deixem um pouco da sua carne poética em minha cerne criativa. Experimentem...
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segunda-feira, março 05, 2007
sexta-feira, março 02, 2007
Pra fora
O ator e o acrobata são da mesma espécie de extraterrenos. O ator voa nas imagens do palco e o acrobata voa com as pernas pra perto da lona, pra longe do picadeiro. Pro ar vão ambos. Pra terra se afastam pra mais nela estar, na platéia. O ator, o acrobata e o ar são as pontes básicas da minha arte coletiva, de músculos firmes e imaginação de criança, um ar leve que iça da lona pra dentro do corpo de quem está no lugar-de-onde-se-vê theatrum. Di circolo... então vai e voa pra fora do planeta.
domingo, fevereiro 18, 2007
Escrita Sensorial - Exp. I
Experiência de escrita sensorial 1 - musical
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos musicais com as composições de Philip Glass
Uma caixa de retalhos de imagens, um progresso de meias metades e quartos inteiros de mínima música. Entrar num espaço sonoro com notas flutuando pelos campos minados de compassos aveludados e um tapete de três-por-quatro afiados em pontas de faca navalhando os músculos da mente. O meu corpo treme e só o que um se pensa. Os músculos da mente são o pensamento da cerne. Essa é a imagem que tenho em meu dedão do pé. olha para o seu lado oposto E aquela caixinha de música girando com a bailarina triste em cima... tempo Quer dançar? tempo Está tão calada. sorri Você é danada, me deixa aqui falando sozinho com minhas partes. tempo. baixa os olhos. sorri Não, não choro não. A vida é muito solitária mas não carece de pingar lágrimas. olha em volta Isso te inspira? Essas coisas em volta, essa foto de praia deserta na parede, esse livro do Deleuze na cabeceira, essa caixinha de música que você não pára de abrir e fechar só pra ver se um dia a menininha cai de tonta. Isso te cansa? Ficar aqui falando das minhas impressões enquanto você nem se mexe. tempo tempo É, não deve mesmo ser muito agradável. muito tempo Vou embora então. levanta, gira pelos cantos. diz Sabe qual a imagem que tenho no meu dedão do pé agora? É de uma bailarina, pode ser Isadora Duncan, girando numa praia, o vento batendo um perfume suave vindo de algum barco no mar. Lá eu te espero com um punhado de flores cheirosas, de cores vivas, sem espinhos, aveludadas como as notas musicais de uma minúscula música. Um minimalismo alí, o barco eu e as rosas. Você a areia e o mar. O Deleuze embala nossas teorias só. Talvez ele seja o mar que nos distancia. espera uma reação Que te faz girar com o vento e me faz ficar aqui ao alento e esperar. tempo Meu barco tá sem remo. Na verdade o barco tá sem mar e você é só um boneco de areia que se desmancha com o movimento do ventoar. não espera mais É engraçado como te vejo: um parado em movimento. sorri com um pingo de lágrima Já pensou em se mudar? pensa "talvez" Eu já, mas não sozinho. Essa vida mesmo com gente é muito solitária. Sem gente ela fica sem opção de solitude. A velha regra dos contrários. Um precisa do outro pra existir enquanto tal. Qualquer criança sabe disso, não preciso te convencer... percebe e não quer falar como o Deleuze eu aqui falando pra alimentar sua companhia e preencher a minha solidão... e você querendo ficar sozinha... entendi. A tagarelice toda... a praia, o mar, a música e o silêncio. chora com uma pontinha de sorriso A imagem que tenho agora em meu dedão do pé é a de amor constando com raiva, que eu mesmo precisava. tempo entre-dentes. choro pouco assumido Desses contrários Deleuze não disse não é mesmo? Da memória constando com aminésia, e a da vivice constando com a mortandade. volta pro começo. sempre acontece Uma caixa de retalhos de imagens é o que tenho em cada poro. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou grito esse tempo todo pra mim mesmo? olha embaçado Porque você não me responde? E essa música alta? E esse livro do Deleuze? Porque você não abre e procura alguma coisa relacionada a vida que levamos? Larga o travesseiro! Larga de se remexer pro umbigo. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou tudo isso eu falo pra mim mesmo? Você está aí? Quem está aqui? Bate no peito A moça... a moça... a sala com notas aveludadas voando e voando em compassos. Isso é música, esse espaço sonoro... isso é. Uma janela de sonhos balançando numa cortina leve. Logo eles se soltam! Me ajude a segurar! Sai daí! Pára de se remexer pro umbigo! desarruma uma cama vazia, só lençõis Cadê você? Cadê? Estava aqui agora mesmo... estava! estava! chora assumido. pega o livro do Deleuze e joga pela janela como um sonho que voa em páginas abertas lançando suas palavras para alguém perto ou longe pegar. deixa escapar da sala as notas musicais aveludadas transformando aquele espaço sonoro num súbito silêncio. enche as nunvens de compassos que pesam em chuva derramando as notas líquidas preenchendo os rios, os vales, as vias, os mares o solo e os cabelos molhados de mínima música. encostado num canto olha firme o seu dedão do pé e vê que ali, agora, estava apagado.
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos musicais com as composições de Philip Glass
Uma caixa de retalhos de imagens, um progresso de meias metades e quartos inteiros de mínima música. Entrar num espaço sonoro com notas flutuando pelos campos minados de compassos aveludados e um tapete de três-por-quatro afiados em pontas de faca navalhando os músculos da mente. O meu corpo treme e só o que um se pensa. Os músculos da mente são o pensamento da cerne. Essa é a imagem que tenho em meu dedão do pé. olha para o seu lado oposto E aquela caixinha de música girando com a bailarina triste em cima... tempo Quer dançar? tempo Está tão calada. sorri Você é danada, me deixa aqui falando sozinho com minhas partes. tempo. baixa os olhos. sorri Não, não choro não. A vida é muito solitária mas não carece de pingar lágrimas. olha em volta Isso te inspira? Essas coisas em volta, essa foto de praia deserta na parede, esse livro do Deleuze na cabeceira, essa caixinha de música que você não pára de abrir e fechar só pra ver se um dia a menininha cai de tonta. Isso te cansa? Ficar aqui falando das minhas impressões enquanto você nem se mexe. tempo tempo É, não deve mesmo ser muito agradável. muito tempo Vou embora então. levanta, gira pelos cantos. diz Sabe qual a imagem que tenho no meu dedão do pé agora? É de uma bailarina, pode ser Isadora Duncan, girando numa praia, o vento batendo um perfume suave vindo de algum barco no mar. Lá eu te espero com um punhado de flores cheirosas, de cores vivas, sem espinhos, aveludadas como as notas musicais de uma minúscula música. Um minimalismo alí, o barco eu e as rosas. Você a areia e o mar. O Deleuze embala nossas teorias só. Talvez ele seja o mar que nos distancia. espera uma reação Que te faz girar com o vento e me faz ficar aqui ao alento e esperar. tempo Meu barco tá sem remo. Na verdade o barco tá sem mar e você é só um boneco de areia que se desmancha com o movimento do ventoar. não espera mais É engraçado como te vejo: um parado em movimento. sorri com um pingo de lágrima Já pensou em se mudar? pensa "talvez" Eu já, mas não sozinho. Essa vida mesmo com gente é muito solitária. Sem gente ela fica sem opção de solitude. A velha regra dos contrários. Um precisa do outro pra existir enquanto tal. Qualquer criança sabe disso, não preciso te convencer... percebe e não quer falar como o Deleuze eu aqui falando pra alimentar sua companhia e preencher a minha solidão... e você querendo ficar sozinha... entendi. A tagarelice toda... a praia, o mar, a música e o silêncio. chora com uma pontinha de sorriso A imagem que tenho agora em meu dedão do pé é a de amor constando com raiva, que eu mesmo precisava. tempo entre-dentes. choro pouco assumido Desses contrários Deleuze não disse não é mesmo? Da memória constando com aminésia, e a da vivice constando com a mortandade. volta pro começo. sempre acontece Uma caixa de retalhos de imagens é o que tenho em cada poro. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou grito esse tempo todo pra mim mesmo? olha embaçado Porque você não me responde? E essa música alta? E esse livro do Deleuze? Porque você não abre e procura alguma coisa relacionada a vida que levamos? Larga o travesseiro! Larga de se remexer pro umbigo. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou tudo isso eu falo pra mim mesmo? Você está aí? Quem está aqui? Bate no peito A moça... a moça... a sala com notas aveludadas voando e voando em compassos. Isso é música, esse espaço sonoro... isso é. Uma janela de sonhos balançando numa cortina leve. Logo eles se soltam! Me ajude a segurar! Sai daí! Pára de se remexer pro umbigo! desarruma uma cama vazia, só lençõis Cadê você? Cadê? Estava aqui agora mesmo... estava! estava! chora assumido. pega o livro do Deleuze e joga pela janela como um sonho que voa em páginas abertas lançando suas palavras para alguém perto ou longe pegar. deixa escapar da sala as notas musicais aveludadas transformando aquele espaço sonoro num súbito silêncio. enche as nunvens de compassos que pesam em chuva derramando as notas líquidas preenchendo os rios, os vales, as vias, os mares o solo e os cabelos molhados de mínima música. encostado num canto olha firme o seu dedão do pé e vê que ali, agora, estava apagado.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Era
Liso, os Sonossonoros, de cair de ponto em faca de cima da pedra. Susto! Os Sonossauros, os Dinoroncos das ondas sonoras adormecidas. Que fiaca que fica e fica e fica. Os Pterosonhos enchergam o longe e voam por dentro. E sou só passados dos que vêm por em frente. E tudo é só o caminho das coisas. Tudo é só e só é o caminho. Parada: cabana feita de troncos e palha no meio da trilha deserta na encosta do país tropicália, rebelália, pretelália, petelálias vermelhas e muitas frutas azedas e doces e amarrantes de beijos de moça. Parada pra sempre: o mesmo mais o beijo amarrado de moça sem soltar, cem vezes mangaba verde nos lábios. Muito nexo esvazia o turbilhão do caos. Cacos, cosca, se miúdas, cosquinhas, que me fazem rir. Assim, assim, quero assim aos poucos. Cacos me preenchendo às gotas. Parada: a trilha continua e o vento rebate pro sul. Parada pra sempre: o mesmo mais o vento volta mais tarde pra oeste trazendo o cheiro da moça. Se enrosca, bate em sempre um louvado suspiro de amém. Sonossonoros são aqueles que nos enchem de imagens e de minúscula música. Minimalismo nos sonhos animalismo nas rebarbas de textos. Caminho: de pedras. Recaminho: na boléia do caminhão. O circo lá longe está fora de mim. E rivalidade acaba com aproximação, acaba? Um bocejo alto e um "ao longe vês o horizonte?" me perguntou aquele amigo próximo. Vejo ele só... e a estrada. As coisas são outras de outras passagens históricas, momentos de outros tempos felizes. Primeiros primários e depois segundos secundários, mas que já viram terciários e quaternários em ordem de importância, porque o que vale a mesma pena é a pena das coisas levianas e o grau de amplitude das viscerais passagens de tempo, marcadas em passos do passo, longe do ponteiro. A cada entrepernas um segundo, ou vários, ou muitos infinitos na duração do passo. O resto é só o passado de um passo pra trás e o futuro do passo adiante. Repasso: o resto é só o passado de um passo pra trás e o futuro do passo adiante. Reprocesso: O vento volta do oeste trazendo a moça em nú branco e tudo é só um passado fantasma. Vibrações de Roncossauros no Parque das Velhas-Árvores, de longas raízes e alguns becos d'água d'onde se bebe a sede. Alguma vida, sim, alguma há intocável. Caminho: entre-vales. Recaminho: correndo-montanhas. Recaminho de volta: boleia de caminhão-de-circo, meio-caminhão-de-mudança. O Mané ascenou um tchau-oi ao longe de meus olhos... ao longe vejo o horizonte? O horizonte é infinito, não se vê ele, só a cor de sua linha, um assim efeito azulóptico. De longe, muito longe, tudo fica azul. De perto, muito perto tudo fica breu e não se vê a luz. Nem longe nem perto eu quero ver. Fiquem-me sempre a meia-distância. Assim, isso, assim há de haver ... uma boa fotografia. O sol na nunca arde as orelhas e esquenta o pulmão. O sol no sempre arde no ventre e esquenta o umbigo. Centro do mundo, centro do nosso, centro re-centro em si mesmo, se enfiando, ao avesso do avesso, se revoltando ao infinito ao íntimo. Sempre, prende-se em ti mesmo e não verás o fundo, só o rebulisso. O horizonte agora mais perto. O Pterosonho vem voando de um passado jurássico e a vida é só o passado do que vem adiante. E o adiante é só o passado do que vem depois. E o depois é só o futuro que vai ser passado do que vem lá pelo ano final. E o final é o único que não tem passado. Encerra alí, alí é o ponto do presente eterno. As coisas param de ir pra frente e começam a ir pra cima. O movimento vertical do fim se encerra. E sem parágrafo encerro o fim. Parada? caminhão quebrado: lona furada. O tempo não passa e tudo é só o presente dele mesmo, se esticando pro céu e o horizonte fica nas estrelas e depois delas ainda mais estrelas e o universo inteiro pra gente: um feixo de luz do cometa, um sonho sem tempo é o sonho do tempo sem mim e eu sem o tempo.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Acalanto para Jorge
De longe, longe. Por certo, perto. Caminha reto, de esperto torto, se dá correto. Por essas destas plenitudes, Deus assim se faz armado. Com armadura de Jorge, espada calibre 38. Sem mais Cosme, Damião ou aqueles infantis erêzinhos de Exú. Só o Dragão? Que veste algo à carater de merecer respeito. Algo adulto, sempre sério. Esticadinho, engomado liso. No lugar certo, na vida certa, sem dar passo ao lado e sair da risca. Porque Deus escreve certo por linhas trópicas. No calor do calor, quente no ventre da Virgem - lua nova, no escuro do céu? Lua cheia de quem pariu as regras... necessárias e exageradas. Jorge excomungado por ter matado o Dragão. Jorge excomungado por abrir caminhos em face de Ogum. Jorge são, não é doente. Vive no mundo da lua, olhando aqui pra gente. Salve Jorge da Capadócia, doce homem de espadas. O dragão é maior hojem dia. Comeu, cresceu, cobre o céu, sufoca a humanidade. Dorme ocê agora, num acalanto tranquilo:
Dorme, dorme Jorge
Que o Dragão doura as faces da Terra
Em guerra, descansas tu
Merece
Deixe os homens
Em ímpar assonância
Deflorarem os seios da mãe
Virem ruir seus reinos de fé.
Ficas aí no mundo da Lua
Assista do alto
O banquete
Não chores, fizeste o que fez, ó Ogun
Toque os tambores em trovões cá chegar
Há de um dia tudo criar festa.
Deixe na mão de Deus e dos homens. Eles arrumaram essa increnca.
Dorme, dorme Jorge
Que o Dragão doura as faces da Terra
Em guerra, descansas tu
Merece
Deixe os homens
Em ímpar assonância
Deflorarem os seios da mãe
Virem ruir seus reinos de fé.
Ficas aí no mundo da Lua
Assista do alto
O banquete
Não chores, fizeste o que fez, ó Ogun
Toque os tambores em trovões cá chegar
Há de um dia tudo criar festa.
Deixe na mão de Deus e dos homens. Eles arrumaram essa increnca.
terça-feira, outubro 03, 2006
domingo, setembro 24, 2006
Na contramão das coisas ficam voando os desgarrados de fé: acredito logo insisto.
Só não rezo ajoelhado, vou andando orando a pé. Quem quiser-me que-me acompanhe, porque não; pare se não me acompanha; não sou não; esperar só se for a hora do corte, da poda, da roda, do descanço; mas ainda assim baixo num e mando ver. Na gira ainda corre meu organismo. Na vida quero ficar; eterno eternizar as coisas pra quê vivo: a arte, a sorte e o amor. O resto vem na rasteira - levo nas costas, burro de carga que de burro não tem nada.
Só não rezo ajoelhado, vou andando orando a pé. Quem quiser-me que-me acompanhe, porque não; pare se não me acompanha; não sou não; esperar só se for a hora do corte, da poda, da roda, do descanço; mas ainda assim baixo num e mando ver. Na gira ainda corre meu organismo. Na vida quero ficar; eterno eternizar as coisas pra quê vivo: a arte, a sorte e o amor. O resto vem na rasteira - levo nas costas, burro de carga que de burro não tem nada.
terça-feira, setembro 19, 2006
Correção de antemão atrasada:
A sova era de fio - de ferro - de cobre. A bunda devia arder mais que a chapa que passava a roupa.
Memória de irmã que atira certeira... correção feita;
Mais poético... família moderna. Vara, mesmo, vem de outros tempos, tempo de cutucar onça com birra curta. Quando ainda tinha onça. Se já tinha o fio do ferro, pouco em pouquinho sumiu o lago, o mato, a várzea... os fios ficaram... e vão sumindo pra dar lugar ao infra-vermelho, à fibra-óptica...
Os lagos devem estar em algum lugar, a gente que não descobriu ainda.
A sova era de fio - de ferro - de cobre. A bunda devia arder mais que a chapa que passava a roupa.
Memória de irmã que atira certeira... correção feita;
Mais poético... família moderna. Vara, mesmo, vem de outros tempos, tempo de cutucar onça com birra curta. Quando ainda tinha onça. Se já tinha o fio do ferro, pouco em pouquinho sumiu o lago, o mato, a várzea... os fios ficaram... e vão sumindo pra dar lugar ao infra-vermelho, à fibra-óptica...
Os lagos devem estar em algum lugar, a gente que não descobriu ainda.
segunda-feira, setembro 18, 2006
Periferia Nordeste Paulistano - Ou o Corpo Retirante
Ali. Olhe na lista telefônica ou procure num maplink. Divisa com Guarulhos, pela Trabalhadores-Ayrton Sena, com um parque sujo, porém chamado Ecológico, cheio de Quatis e Macacos sacanas. Passa ali a linha do trem Calmon Viana, a famosa podreira sobre trilhos que vaga de extra-São Paulo a centro abandonado reduto de bolivianos costureiros e camelôs. A Estação Roosevelt, antiga e grande útero concebedor de nordestinos do Brasil e ruralistas da europa, interliga o Brás, do metrô; liga a classe-longe a classe-média, gratuitamente, com catraca liberada - que beleza! - faz a ponte ferroviária entre periferia nordeste paulistana e centro, espalhando às veredas corpos retirantes diários que abandonam em viagens suas casas e logo, mais a noite, retornam aos lares fazendo jornada de retorno ao seu meio-ambiente. Começa na Penha, mas ninguém assume direito. Ali ainda é meio centro, bairro histórico distante, mas com um falo gigante chamado Celso Garcia: caminho de comerciantes da São Paulo de chapéu, hoje abandonada pelo efeito Febem, no Tatuapé (centro-leste), bairro nobre do outro lado do trem e zona de guerra com moleques rebelados no telhado do orfanato, aquelas crianças sem pai e sem mãe fazem da antiga via um corredor de ônibus e reduto de putas entre Carrão e Brás. Nossa Senhora da Penha parece que olha pro outro lado. O sino bate pra Radial Leste, o padre no altar fica de costas pro nordeste onde começa mesmo, de maneira assumida, na ladeira de Cangaíba. Morro alto com vista linda, o Parque Ecologico, bem lá em baixo, fica lindo. O lago nem é imundo, é pintado de dourado, com o pôr do sol do outro lado da cidade, assistido em bairro nobre entre Vila Madelena e Pinheiros, na Praça do Pôr do Sol. Carro largado por desmanche é a cada esquina. O Correio-São Miguel Pta/ 1178, passa voando, faz da curva do "S" montanha russa da melhor qualidade. Nem se importam os passageiros: os sentados dormem, os de pé já estão acostumados. Até desenvolveram musculatura específica para curvas da Avenida Cangaíba. Ali há de um baixo-lado o Tiquatira e do outro a linha do trem, seguida pela Avenida Assis Ribeiro, antiga várzea, formadora de lagoas de atrair garça e moleque pra banhar em dia de sol; depois levar varetada na bunda e ficar de castigo, nadar era proibido, mãe não deixa. Era riscar a unha na perna, se ficasse marca de barro seco entrava na sova e não ia jogar bola. A várzea assentou. Passa carro agora. E trem também. Tem campo de treinamento do Corinthians e do Palmeiras, um do lado do outro. Faculdade publica e siderúrgica multinacional. Favela e favela, muita favela, fora do morro, no baixo, escondida. É o tal do Keralux, habitat dos antigos ribeirinhos, abandonados pelo Estado. Aquilo é terra de ninguém. Governo do Estado, prefeitura, Deus? Até hoje ninguém se pronunciou. A esquerda do Queroa lux! tem o São Francisco, quem conhece entra, quem não conhece, fica de preconceito. À direita segue até Ermelino, encontrando os Matarazzo e seu legado falido, terminando num grande Pantanal, de Ermelino Matarazzo, Guaianazes e São Miguel Paulista, terra de Ninguém Ninguém, mas que muitos Alguém resolveram por morar lá: - Mãe, eles moram em casa de madeira, e pisam na graminha. Quero morar lá também! - Filho, lé é a favela, olha o esgoto! Nesse caminho, passou Caixa D'água, Vila Cisper e Jd Danfer. Praça Onze e o futebol moleque dos Onze Meninos, sempre competindo em final de Primeiro de Maio com Jardim Verônia, vem na beirada. Parque Buturussu e Vila Paranaguá. A vila dos operários fica na Avenida Paranaguá, seguida pela praça sem nome, conhecida por Jd Matarazzo, por começar de frente pra fábrica e terminar no Largo Primeiro de Maio - terra de trabalho; avante São Paulo! Meu avô veio de Pirituba pra cá - corinthiano roxo. Paranguá, em Tupi Guarani, curiosamente quer dizer enseada, caminho para o mar. Sem saber disso ficava em casa, quando criança, esperando onda em pensamento, no final da avenida e começo dos meus sonhos. Achava que um dia alí no semáforo ia ter praia pra brincar. Nessa época pegava ônibus e ia estudar em São Miguel Paulista, seguia na Av. São Miguel, caminho de Dom Pedro pro Rio de Janeiro, passando por Itaquá, Atibaia e Santa Isabel. Avenida Imperador ou ainda Estrada Mogi das Cruzes, tão longe, mas tão perto, deixam no Arthur Alvim quem quer ir de metrô pro centro. Perto tem o só aterrado centro de treinamento do Corinthians, que, por isso, batizou por Corinthians Itaquera a mais lestiana estação, levando ao Palestra Itália quem corra a linha toda, descendo na Palmeiras-Barra Funda, pros verde-e-brancos chorões por quererem nome de estação - tão opostas futebolísticasocialmente falando. Cidade Tiradentes já é extremo-leste, nem é mais tanto essa periferia nordeste, onde o sol nasce primeiro sempre. Todo mundo acorda pra ver o trem correr, do lado de fora da porta, olhando pro chão e levando vento-frio-que-o-sol-ainda-não-esquentou. Esse corpo retirante que vai e reretira de volta de onde partiu, pra depois seguir novamente onde chegou, errante entre rios - Tietêquatiraricanduva - na saída da ponte do Imigrante Nordestino, a ultima (ou primeira) da marginal do Tietê de Margens Cinzas, ou na catraca da Roosevelt pro metrô do Quércia. Seguir pra qualquer outro destino seja pra metrô do Covas ou do Alckmin, pro minhocão do Maluf, ou túneis da Marta - há de dizer que a sexóloga parece entender de túnel. Esse rumo de retirante nordestino sigo toda santa hora em todo Dia de Maria. Com o corpo de quem não se acostuma direito à rotina, mas segue indo, em andamento, no pulso da cidade, no pico da psicologia frenética de metrópole que um dia te tem, um dia sempre. Te pega.
sexta-feira, setembro 01, 2006
Chove mesmo chove. Lava essa cidade em fluidas águas, molhadas de suor do trabalho. Paulistano arde, paulistanos da Bahia, de Sergipe, Paraíba, todos cabem nesse Brasil metrópole, brasil de economia. É só olhar o quê desce o morro. Barro, lixo, na enxurrada vem gente rústica, vem nessa acústica onda de certezas, de certas pobrezas com cara limpa, lindo aspecto e glórias incabidas. O recheio é oco e oco também é a barriga e a cabeça e a cabeça e a barriga, vento e saudade. Saúde? Nem tento, nem arrisco, se é saúde atestado médico e viver assim a sono e hora todo Dia de Maria. Brincadeira de escola é o qu'eu queria. A agonia é sem volta. Casa e romaria na favela, o cruza-cruza é todo beirando a rodovia. Métodos de vida. Ninguém escuta não, vive-se apenas. Nem se aprende, nem se ensina. Só recebe nas solas o fio da roca que nervosamente se fia. O ônibus vai gastando óleo diesel e estou certo de que essa é a minha anatomia, esse é o meu corpo, é o corpo que arrependia. Mas na volta não tem volta, a estrada é sempre outra a cada vez que se olha para trás. Os caminhos são tantos que das escolhas não fazemos conta, escolhemos e seguimos sempre, sem nem se ver nelas desenhado, nem em previsão de cores e formas. Quando me olho já me vejo vestido com roupa feita medida, cabível no corpo, grudada que não sai nem a ferro e fogo, tesoura e navalha. Feito roupa molhada de chuva lavada em cola sem saída. Ando e me grudo, me prendo sem nem ver, em esquinas, casas, praças, igrejas, prédios, ruas, viadutos, avenidas, lojas, árvores, postes, cães, gatos, trens, calçadas, rios, poluídas fachadas, pontos de ônibus, guardirreios, nem freia, nem pára, carrega a cidade inteira intalada na garganta, amarrada nas costas. Não importa pro lado que vire, pro rumo que siga ela vive ali sobre, fazendo careta por detras, zombando postera, querendo ir na contramão. Não me deixo assim por defeito com corcunda de chaminés e carros, soltando gases e sirenes a torto e a direita. Sigo indo carregando e indo enquanto sirvo de matéria prima pra metrópole, sou combustível rico em carbono, duradouro até a aposentadoria em cinzas fáceis de voar por esses ares carregados de maio-branco-meio-preto, sou carvão pra esse brasil de economia, vermelho de fé, de tanto andar a pé e de raiva.
sexta-feira, agosto 18, 2006
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Dizem que atrás da porta dos sonhos existe aquele serzinho de quem a gente sempre leva um susto. Quando tudo acorda no clarão do meio-dia e já passou almoço, hora e sobra a apatia. Dá aquela preguiça de tarde vazia, com vento vazio, luz do sol vazia, sorrisos vazios, horas vazias, horas e mais horas, sobras de sustos, meias-delongas e delongas inteiras vazias, televisão sem energia e livro sem palavreado algum na escrita. Fica tudo assim à cegueira de não querer enxergar nem preto nem branco, só de ver tudo transparente, através dos outros e da ida: e da volta vida. Nesses dias de sonho, sonhados em plena luz do dia, com cachorros e crianças na rua, pipa e correria no céu, aos poucos um sustinho sempre revela aquilo que sem sempre a gente quer ter - porque fica assim sem chão - o céu é de lilás, alilás, a rua só tem curva e o prédio te dá uma piscadela: e não é reto, é em rodela. Um homem de cuecas que passa voando e outro de gravata macaqueando pelos viadutos de cipó raiz e galhos. Passam os carros sem freio e sem matéria, não batem nunca, seguem toda vida lânguidos em ares e em mares de esgoto limpo e terra fria no lugar do asfalto quente. O sol toca macio com pontinhos de fervura pra cosquinha na gente dar. A chuva despeja mel e a abelha te convida para um chá. Dinheiro vem a granel, mas pra quê dinheiro se a troca se dá no buraco mais em baixo, onde eu canto uma canção e recebo um belo sapato? As roupas são de tecido fino e fresco, só para manter a higiene, e os pés... é os pés preferem estar descalços: "moço, poço trocar o sapato por um buquê de flores pra minha linda morena?" Existem trapézios de vôos em toda praça; e o circo do sol se apresenta de graça! Que maravilha de orquestração de passarinhos e risadas, e vozes, e poesias faladas, além das cantadas: alaúdes, tambores de pele de carneiro e flautas de bambus e madeiras esculpidas com detalhamento, todos acompanham o casamento. Fúnebre irônico e colorido, o palhaço faz o enterro final, o da própria morte, porque agora todos somos senhores de vida etéria... e sorrisos de olhos cansados, sonosos, soneiros, bocejeiros, uaaah...! Um espreguiçamento sem vez! Ufh! Mas o sustinho vem travêis: aquela porta não tinha visto mais, será que é de fazenda, de hospital ou de casa de oferenda? É tudo um grande transe ou levei pancada na cabeça? Reconheço e me reconheço. É local conhecido, de noites e de dias. É só manhã e da porta, saída do quarto, começa o corredor, que dá no banheiro, que dá na privada, aí dou aquela cagada e vou enfrentar a greve do metrô.
domingo, julho 23, 2006
Assim, tento assim, deixar adormecido... impossível. Mesmo porque sei que traz no peito uma saudadezinha que vem de longe, de janeiro, de rios, de praia e funk. Não sei se te completo. Mas sei o que me esforço e me peço pra ser mais diferente. Acontecer a maneira que me pede, num esforço físico capaz de mover montanhas mas que não é suficiente pra segurar o que me faz insuficientemente não seu. Mais, preciso de mais e não tenho mais. Sei que traz no peito uma saudadezinha que vem de longe, principalmente nesses momentos. Aí me rasgo inteiro e não entendo e do não entender fico quieto. Abandono as vozes de cumplicidade. Me arrependo da intimidade. Sumo presente por querer sumir de vergonha de vez. Mesmo porque sei que sempres vezes o janeiro bate volta nesse rio corrente, forte, cheio de carne, corpo, tempo, tempo, tempo, duradouro tempo, aproveitado tempo, tempo de liberdade ao som de muito funk e caraokê. E só a rede... nem só a rede. Queria te fazer tremer. Não abro mão de ti, mas me pego no apuros sempre, sempre nesse tempo curto de mal me perceber, te perceber, nos envolver. Não abro mão de ti, mas sempre me pego no apuros de não saber mais o pé das coisas e desesperar-se ao ver que frustra. Mesmo porque sei que traz no peito uma saudadezinha danada... queria te fazer tremer. Também queria ser mais violento. Me pego sempre no apuros de não saber fechar o punho quando é hora, de fechar o cú na hora certa, acirrar o ponta-pé e de fazer voltar a porra que sempre faz doer. Violento pra dar o murro na minha própria cara e ficar de olho roxo, cego, sem dente, de nariz quebrado. Me esmurrar por dentro, viver na cerne, acostumar na dor do sentimento... acostumar na dor pra dar prazer.
sábado, julho 22, 2006
Viver de pão e circo
Ai que dor nas costas dessa vida de levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. E aí só sobram as pernas pra correr no chão a pressa de chegar n'otra praça e voar pro próxim número, se desdobrar em três, fazer outra vez e outra vez e outra vez. Colocar o pé nas avessas, dobrar ao dobro as dobras. E lá vamos nós outra vez, levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. Ai que dor nas costas. Aí só sobram as pernas pra contar um, dois, três e fazer tudo outra vez. Fazer a troça, abrir a trouxa e apresentar o drama. O malabarismo, o trapézio, o vôo, o equilíbrio, o sorriso do palhaço, o avesso, o avesso contorcido, o avesso e o monociclo, fica na dor nas costas dessa vida de levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. Fica nessa mania de montar e desmontar a lona, de mudar de rumo toda vez que algum parece estar perdido. Fica pra outra praça porque nessa o publico ficou na validade vencido. E o circo teatro chegou com a Paixão de Cristo! E fico nesse sacrifício de ver assim, viver de dor nas costas, sem carroça, sem braço, sem perna, mas também sem dia perdido. Ah, ganhei meu dia desfazendo a troça, abrindo a trouxa pro rufar de tambores: o galã entrou pro drama! E a platéia chora, e o circo volta pro meu sonho adormecido. Levanto da cama fazendo meia-hora, vou pra rotina seis-horas-meia-noite com dor nas costas, dessa vida de levar tudo fora da carroça, erguida nos braços e arrastada na consciência. O que eu queria mesmo era viver de pão e circo, no melhor dos seus sentidos.
sexta-feira, julho 07, 2006
O Nome Que Quiser
Com, compre dom, mesmo, o que ais de ser as vidas de eu mesmo... mesmos... sempre sem. Caiu a mofeza das aquelas partes pares doentes das mesmas, som que ais de ser as cidras de eu mesmo... menos... sente e vem. Pus a menos, fundo de hora, me doa, trevo, bem. Berne de bezerro em pasto queimado. Só tem carcará e grito n'alto morro seco e cinza de fogo abafado, vermelho quente apaziguado pelo aboio dos ventos contrários, é acalanto.. tuuuu boi de um lado tuuu boi de outro. O fogo se queima e se mata. Rente rente passa perto frente sempre rente vente vente vente vente ventre cobra ventre cubra rente perto frente reto certo deserto morro... boi carcará e morro, morro de morte e de terra, de gases e de Deuses semi-homens. Morro de pedras. Passava ali rapaz de boa perna, corredeiro, andador de passos largos e olhar adiante. Seguindo as vozes de desfiladeiro de boi fugido, morrido da fuga, caído em penhasco. Homem perdido, bicho varrido, disfarçado em roupante de gente: já é outra coisa que não mais de banho, de unhas cortadas e de bom falar e sorriso cheio de dentes. É de um olhar que nem se entende, o olho daquela gente fala outra lingua que não mais essa comum de sentimentos cantados nas modas, nas festas, nos pagodes. Nem música tem mais não, tem só solidão de nota só nota de agarrar pra sobrevivência. Lá no pico, bem lá no pico. N'alto da serra misturava em cinza. Podia ser aquela relva queimada sem longe desfigurança, reconheceria, sim senhor, que aquilo era semelhança: o pó e a pessoa eram quase a mesma coisa, se não fosse por ter aquele um coração batente e uma cabeça de nosso modo demente, mas em modo de ser aquela espécie de ser coerente ao que necessitava pra se reconhecer. Fuçava nos bolsões de casulo, tôco e qualquer buraco escondido, atraz de bicho morto ou ainda semi-vivo. Boi não via mesmo não, só em saudade, com imagem na cabeça. Era rapaz de boa perna, corredeiro, andador de passos largos e olhar adiante. Era rapaz? Era rapaz. Por um repuxo de tiro de senhor pra acertar bucho de urubu roubador de área afetada, pra espantar aproveitador de terreno sem dono porque passou a dona queimada, faz fugir o cinza homem de medos d'antes de morrer, agora de viver assim a ferro, fogo e bala. Corre adiante, pula morro, rebola tôco desvia de armadilhas da sua própria mãe natureza que em seus causos vive pregando peças na gente. Modesto de calma pensa e repensa a sua valia. Valia a pena, valia. Seguiu pro próximo morro, pra próxima ponte, pra próxima angústia em canto de apartamento vazio. Cortou pé de cana, pediu sua esmola e ligou pro seu pscanalista. Desses homens iguais de sopro, pr'esses homens iguais de sopro, canto meu aboio, prece, sacro. Hum... que as vezes dessa santicidade os pilares caem, as cinzas choram e o mundo acaba em dó maior. Tudo é festa, tudo é o que resta e o que resta também não é tudo o que falta, por isso vamos acabar em seresta e descobrir a viola de acompanhamento - são dez cordas e não dez mandamentos.
Fico assim dê a isso o nome que quiser...
Fico assim dê a isso o nome que quiser...
sábado, junho 24, 2006
Corpo Jaburiticabeira
Buriti Jabuticaba Jaburiticabeira
Leio Sou Construo
Saio no escuroinhozinho sem saber do Pinhém, do São Paulo, do Urubu qua quá, me bem. Sei sempres vezes que sente as sedes da saúdadezinhainha de quem vem de longe. Te amo mesmo assim, saudosamente afim.
O Buriti de Guimarães é alto a Jabuticaba sou eu Jaburiticabeira é que peço, espere ser, pra me entender, nesse processo.
Leio Sou Construo
Saio no escuroinhozinho sem saber do Pinhém, do São Paulo, do Urubu qua quá, me bem. Sei sempres vezes que sente as sedes da saúdadezinhainha de quem vem de longe. Te amo mesmo assim, saudosamente afim.
O Buriti de Guimarães é alto a Jabuticaba sou eu Jaburiticabeira é que peço, espere ser, pra me entender, nesse processo.
quinta-feira, junho 15, 2006
terça-feira, junho 13, 2006
Sala das Mistas
Quero assim essa sala em vistas das minhas manhãs e tardes da noite e tardes depois do meio-dia. Quero assim sempre mista com habitantes de demoras senhoras e senhores no tempo largo de copa roda do mundo e a hora sempre volta a hora inteira anterior interior. E um trapézio pra balançar no meio com o trampolim pra saltar no seio das nuvens. Porque a sala é aberta mas não chove só respinga o sufciente pra refrescar a gente de dia e acolher no orvalho na noite o sono dormido de senhores e senhoras discutindo filosofia pelos sonhos. Valsas nos entretempos em contratempo no compasso três por quatro por cinco vezes ao mesmo volta-e-meia belo bonito lindo amável surpreendente pôr-do-sol-das-seis-da-tarde. Arde aquele beijo demorado sem hora de ser nem ter nem ver nem saber o quanto é o que vale o que parte o que cabe o que desacabe por fim de terminar. Perceber o círculo reinventar a roda sempre reinventar o circo sempre reinventar reinventar reinventar.
SSSSsssss
Não quero isso assim... repetir a história. Existe algo que está além do astral e preciso agarrar com as duas mãos. Quero um novo rumo. Paro, penso, re.re.re.re.re.re.re.re.repetindo tudo, não quero isso assim... repetir a memória. Quero criar nova. O quê que eu quero? Quero não sei não. O queê? Qué tb um ser assim o que é que é então? Num não, sei ai. Repetir Estável... instável demais pra ser assim. Vim protra coisa. Aprendi, agora chega: vamos lado-a-lado? Longe de estar em cá do po... povo? De ouro esse... meu balaio é outro. Não acho, não pesco. Um circo de idéias, angústias, inquietações na estrada. Não, sem estrada, só se for pra nunca mais. Cada um por si e todo mundo na lona? Tá cada vez mais down na highsociety... ai a classe, artistas. Popzeando à tona... a toa... na boa... avoa, é avoa. Por assim também não sei. Ai ai... aiSsim... sssss... sim. Só sei que sim. Sim pro que vier.
quinta-feira, junho 01, 2006
Me Deu na Cabaça
Rasgado no seio da santa lenda de Calcutá
Partido
Salvem ainda a sobra de boa vontade
Boa saudade daqueles que pensam em ajudar a salvar
Esse altruísmo de processos conglomerados. Podres ares de humanidades macaquianas que não sabem muito mais do que abrir um côco na pedra. Muitas vezes na cabeça.
Me deu na cabaça: escrever assim sem se ter sentido de ser
Partido
Salvem ainda a sobra de boa vontade
Boa saudade daqueles que pensam em ajudar a salvar
Esse altruísmo de processos conglomerados. Podres ares de humanidades macaquianas que não sabem muito mais do que abrir um côco na pedra. Muitas vezes na cabeça.
Me deu na cabaça: escrever assim sem se ter sentido de ser
terça-feira, maio 09, 2006
Boa vida e boa sorte
As vezes tenho vontade de desistir. De tudo. De todos. Sumir pra nunca mais. Mas é mais forte do que matar-se, isso é pros fracos. Sumir é desintegra-se, não ser mais nada, não estar mais em lugar nenhum, nem na memórias das pessoas. Como uma partícula sem prótons, elétrons e nêutrons. Desistir de ser átomo e virar nada absoluto. Fora do alcance das coisas. Fugidio das mãos que querem sempre me trazer de volta. Não sirvo pra elas. Não sirvo pra nada. Não sirvo. Só me sirvo de escolhas erradas. Não construo a história, não sou capaz de enlouquecer o sistema, não sou capaz de mudar as pessoas. Meus pensamentos são merdinhas flutuantes que jogam os outros contra mim mesmo. Pior, outros, os quais mais amo. Essa minha maneira idiota de pensar, muito bem definida por uma pessoa desses outros, é o que mais me traz à tona querer ser o nada. Porque de nada adianta ser alguma coisa. Se ser coisa é ser só mais um elemento da soma. Antes ser nada e não magoar ninguém, não confundir ninguém, não magoar a mim mesmo e aqueles de quem amo mais. Porque amor é aquilo que nada não é, mas também parece ser pequeno frente a ignorância dos homens. Os valores estão trocados, as importâncias estão deslocadas. E talvez só me reste ser nada, porque o nada cabe no mundo e não encomoda. Não dá porrada. E as vezes eu acho que nem a conversa e nem a porrada resolvem a desarmonia engruvinhada. O ser está encardido, sem vida, sem respeito, sem uma só réstia brilhosa de humanidade. Assim só me resta querer ser nada. Sem arte até. Pequena por não estar na consciência coletiva. Tudo parece estar mudado pra pior. Me dá um desespero me vendo escrever essas coisas num teclado de computador. Porque parece que nada já sou, que escrevo pro nada, que o espaço é um vazio-nada imenso e que os leitores são virtualidades, impalpáveis, insolúveis, imutáveis e que, mesmo assim, são uma meia-dúzia de conhecidos. Conhecidos? Que nada, não se pode dizer conhecer alguém. Eu nem me conheço. Se fosse nada me conheceria nada e pouco se fodia o que pensasse, o que quisesse, o que interessasse, o que excitasse, o que amasse, o que odiasse e, acima de tudo, o que fosse. Porque não seria, não existiria nem mesmo na memória das pessoas. Nem mesmo. Nem mesmo. Nem mesmo em qualquer conceito. Nem mesmo. Porque me perseguem as escolhas erradas. Nem mesmo. A mágoa daqueles próximos. Nem mesmo. A vontade de ser nada. Nem mesmo. Correr fora, correr. Nem mesmo. Não quero me matar, não quero ser trauma nas memórias dos próximos, e registro funerário e estatístico dessa cidade criada pelo diabo. Seria mais uma escolha errada. Mas um dia descubro uma maneira de ser nada. De desintegrar meus átomos, esticá-los a velocidade do som e depois da luz e depois do nada. Tão rápido que... sumi.
Explodam as faculdades de comunicação. Comunicar é inútil, o ser não quer mais ouvir e eu cansei de esgoelar por aí. Boa vida e boa sorte.
Explodam as faculdades de comunicação. Comunicar é inútil, o ser não quer mais ouvir e eu cansei de esgoelar por aí. Boa vida e boa sorte.
quinta-feira, abril 27, 2006
Dividia o pão quando espreitei de relance o que acontecia a minha esquerda. Sentados a mesa estávamos - eu e meus irmãos. Papai via tudo meio de cima, um olhar que talvez não fosse assim tão inocente, ele sabia. Minha mãe já compadecida esperava o acontecido e o acontecido era de que não se podia fazer mais nada. Mas fazia: continuava.
quarta-feira, abril 26, 2006
Eu, meu caramujo, minha casa
Uma dramaturgia das pequeninisses. Fragmentos de pessoas que se traduzem em falas, que são ações, que são falas que são ações ques ão falasqu es ãoa çõesques ãofa lasquesão. Ações... substantivo apluralado por pensamentos. E o meu corpo que é tudo isso. Minha casa, do dia inteiro, que dorme a noite e se autoreforma pro cotidiano, em ambulância, itinerante, nômade, locomotiva primária, seja de pé ou de quatro, pro fronte ou pra retaguarda, pra calma contemplativa de paisagens ou pro desespero. Espero... espero... espero... sou casa e caramujo... espero... espero... espero. Sou o teto e o quintal... espero... espero... espero... Sou o assoalho e o porão, muitas vezes sou só porão... só porão... só porão... e espero... espero... espero. Sou o meu sobrado aberto a sete chaves, sem muro e sem portas, pra vida e pro tempo, pra sorte e pra sociedade, pro mundo e pra deus! Pena não estar para estadia. Sou minha casa e nela todos cabem, mas morar, não por minha vontade mas por natureza, niguém mais fica que não seja eu. Mas dessa idéia não desgosto. Aproveito... como eu todo Outro tem sua casa e dela seus aspectos. Morar junto é juntá-las além do abrigo de matéria teto, matéria chão. Esse corpo, que é E=mc ao quadrado, se junta no cinetismo, no moviemento das coisas, e dois sobrados viram um casarão, na iminente presença do sexo. E dali a construção...
Um corpo é uma casa. O que tem na sua? Se contar conto o que tem na minha... aliás, talvez seja isso que esteja fazendo desde que comecei essas minhas... não sei.
Um corpo é uma casa. O que tem na sua? Se contar conto o que tem na minha... aliás, talvez seja isso que esteja fazendo desde que comecei essas minhas... não sei.
sábado, abril 08, 2006
o Corpo que teme
De tudo, te peço pra não ser rasa. Não fuja desta dor que o fundo reserva. O submundo te aguarda às pressas nas presas e nas garras. Amarra teu âmago e levanta teu véu. Mostre a cara pra quem deseja ver nela a face que não interrompe o processo do medo.
Que medo tenho eu senão o medo do próprio medo. Ele me trava, me parte ao meio e joga a vontade de cada metade pra lados opostos com polos iguais. Ficam as duas em positivo, se repelem e não se juntam nunca mais. Esse trauma do trauma é o fundo que tenho medo. O submundo me aguarda com as vestes de sombra e da escuridão já basta a falta de claridade. E da razão já basta querer só realidade. Meus sonhos são as brisas que levantam o tule do véu e me ventilam a cara interrompida, paralisada, pelo penoso processo do medo.
E a vida de Davi segue ávida... não vê? Salomão pode ser Salomé e aquilo que aprendemos já foi derrubado por uma teoria qualquer. Édipo cego pelos olhos da humanidade cega já nos milênios gregos de atrás. E nas entrelinhas da história o medo é segundo lugar, enquanto o heroísmo segue na ponta de virtude primária. A estória bem contada vale mais do que a foto estampada. Isso porque as palavras cobrem aquilo que mancha, que fede e que desagrada. Levante esse rosto e vire essa folha de paisagens. Esteja a frente daquilo que é visceral.
Mas o medo é víscera. É carne trêmula, é adrenalina. É corpo em hormônio. É suvaco fedido do nervoso, do iminente perigo. O medo é gambá e é humano! É se cagar, se mijar, sangrar e chorar esse sangue por dentro. É pregar na cruz o corpo pela maldade e pela redênção. Sinto medo porque existo em ser-humano. Sinto medo porque os sonhos são incertos e as virtudes desnecessárias. Não dissipo energia por esconder a face do medo. Reservo um pouco dela pra poder sorrir depois. Proponho um breve pausa.
Que silêncio.
É do silêncio que tenho medo, nele existe...
Exite o que?
O não dito... só pensado. Me deixe assim agora, sem mais saber
Quer o silêncio?
Quero o gosto desse temer.
Que medo tenho eu senão o medo do próprio medo. Ele me trava, me parte ao meio e joga a vontade de cada metade pra lados opostos com polos iguais. Ficam as duas em positivo, se repelem e não se juntam nunca mais. Esse trauma do trauma é o fundo que tenho medo. O submundo me aguarda com as vestes de sombra e da escuridão já basta a falta de claridade. E da razão já basta querer só realidade. Meus sonhos são as brisas que levantam o tule do véu e me ventilam a cara interrompida, paralisada, pelo penoso processo do medo.
E a vida de Davi segue ávida... não vê? Salomão pode ser Salomé e aquilo que aprendemos já foi derrubado por uma teoria qualquer. Édipo cego pelos olhos da humanidade cega já nos milênios gregos de atrás. E nas entrelinhas da história o medo é segundo lugar, enquanto o heroísmo segue na ponta de virtude primária. A estória bem contada vale mais do que a foto estampada. Isso porque as palavras cobrem aquilo que mancha, que fede e que desagrada. Levante esse rosto e vire essa folha de paisagens. Esteja a frente daquilo que é visceral.
Mas o medo é víscera. É carne trêmula, é adrenalina. É corpo em hormônio. É suvaco fedido do nervoso, do iminente perigo. O medo é gambá e é humano! É se cagar, se mijar, sangrar e chorar esse sangue por dentro. É pregar na cruz o corpo pela maldade e pela redênção. Sinto medo porque existo em ser-humano. Sinto medo porque os sonhos são incertos e as virtudes desnecessárias. Não dissipo energia por esconder a face do medo. Reservo um pouco dela pra poder sorrir depois. Proponho um breve pausa.
Que silêncio.
É do silêncio que tenho medo, nele existe...
Exite o que?
O não dito... só pensado. Me deixe assim agora, sem mais saber
Quer o silêncio?
Quero o gosto desse temer.
quinta-feira, abril 06, 2006
Quatro Paredes
As ruínas que guardam pessoas também desguardam sentimentos. Arrastam pra fora os ares e deixam por dentro o pó que salta dos cantos todo aos montes. E os monstros imaginados do lugar desabitado nada mais é do que os próprios monstros habitados por dentro de nós mesmos. Nos deixam com medo das paredes, das escadas, dos elevadores. E essa sensação de abandono que preenche o vazio com vazio, pó e nada de colorido. Esse gosto por desespero. Nada. Esse niilismo perverso necessário ao desenhar das primeiras linhas no espaço. Esse niilismo perverso desnecessário ao desdenhar o que acontece de fato.
As caminhadas vinham de cima. Dormiamos em silêncio de medo e de frio. Ninguém sabia o que era o que vinha. E todos fingiam dormir, com os olhos cerrados esperando o inesperado. A presença era nítida, algo existia ali dentro. Preenchia aquele espaço com uma energia estranha. Podia ver aquilo examinando tudo, se aproximando. Podia ver de olhos fechados a clareza daquela coisa que de coisa não passava, assim mesmo, ontológica em si e, por isso, tão assustadora. E do mesmo jeito que veio foi embora. E o dia amanheceu. E os trabalhadores operariavam. E os cachorros vadiavam. E o sol era exatamente o mesmo. As coisas permaneciam aos seus lugares. E os medos sumiam com a luz do dia. E o dia começava ao seu lugar. E aquela sensação permanecia dentro da gente. A caminhada, o frio, as coisas sendo examinadas por um corpo estranho. Os olhos que não abriram não podem nada confirmar. O que não é visto não é acreditado. Podia ser Nietzsche, Godot, o cachorro, ou o caseiro. Só não era Deus. Deus já me disse adeus pra mais de cem vezes. Talvez fosse a centésima primeira. Não sei, esse Deus se for ele o que habita dentro da gente, de dar jeito de estar na ruína do peito. Então pode ser esse deuzinho que me falar xau mais uma vez veio, me deixando as vendas das vistas pra não vista ser a experiência do medo entre as quatro paredes.
As caminhadas vinham de cima. Dormiamos em silêncio de medo e de frio. Ninguém sabia o que era o que vinha. E todos fingiam dormir, com os olhos cerrados esperando o inesperado. A presença era nítida, algo existia ali dentro. Preenchia aquele espaço com uma energia estranha. Podia ver aquilo examinando tudo, se aproximando. Podia ver de olhos fechados a clareza daquela coisa que de coisa não passava, assim mesmo, ontológica em si e, por isso, tão assustadora. E do mesmo jeito que veio foi embora. E o dia amanheceu. E os trabalhadores operariavam. E os cachorros vadiavam. E o sol era exatamente o mesmo. As coisas permaneciam aos seus lugares. E os medos sumiam com a luz do dia. E o dia começava ao seu lugar. E aquela sensação permanecia dentro da gente. A caminhada, o frio, as coisas sendo examinadas por um corpo estranho. Os olhos que não abriram não podem nada confirmar. O que não é visto não é acreditado. Podia ser Nietzsche, Godot, o cachorro, ou o caseiro. Só não era Deus. Deus já me disse adeus pra mais de cem vezes. Talvez fosse a centésima primeira. Não sei, esse Deus se for ele o que habita dentro da gente, de dar jeito de estar na ruína do peito. Então pode ser esse deuzinho que me falar xau mais uma vez veio, me deixando as vendas das vistas pra não vista ser a experiência do medo entre as quatro paredes.
quinta-feira, março 23, 2006
terça-feira, março 21, 2006
sexta-feira, março 10, 2006
Meu Corpo em Três Atos
Terceiro Ato - Do Centro o Quente ou Do Ventre ao Sequestro
Perdido na nua crua selva de pelos cura a dura serpente - elástico
Reservada a estrela serena de pele morena sereia que parte e eu não parto - sistema simpático
Preparado o chá o lar o mar o par o céu o réu e o orgasmo - sistema parasimpático
Paraninfo
Ninfo ninfa enfia enfia
Do centro o quente e de frente respiro no ventre
De costas só penso em sequestro
Meu ato ultimo
Meu ultimo salto
Sedento ao coito encerro meu corpo em três atos.
Em três vias que sempre terminam em sexo
De fato.
Perdido na nua crua selva de pelos cura a dura serpente - elástico
Reservada a estrela serena de pele morena sereia que parte e eu não parto - sistema simpático
Preparado o chá o lar o mar o par o céu o réu e o orgasmo - sistema parasimpático
Paraninfo
Ninfo ninfa enfia enfia
Do centro o quente e de frente respiro no ventre
De costas só penso em sequestro
Meu ato ultimo
Meu ultimo salto
Sedento ao coito encerro meu corpo em três atos.
Em três vias que sempre terminam em sexo
De fato.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Meu Corpo em Três Atos

Segundo Ato - Da Mão a Testa, Que Pensa Que Pensa
A fresta
Vivendo na confusa imagem que resta
Passada as estreitas pelo cabresto
Está feito
Pensado
Rasgada a imagem da festa
Que merda
Sofrendo na lei das virtudes e sabe
Vi direito
E por respeito
Fico quieto.
Da mão a testa
Do toque arrependo e a moral desconversa
Oral, anal, substâncial
O que vale a testa?
Será que tem fresta que arreganhe o valor? Deixa a festa
Encerra o ato que intermeia
Logo logo partem as meias
Horas
E entramos todos numa grande energia sexual.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Meu Corpo em Três Atos

Primeiro Ato - A Mão Que Toca o Instrumento
Pega a pele
Pega a gosma
Pega a sede
Pega a sola
E sola tudo numa suite Wagneriana
Pega o olho
O repolho
O zarolho
Finca
Planta o caroço
E nasce um trecho dissonante
No piano parecido com o de Mozart
Pega em cheio
Chuta o saco
Enche a tese
De certo
Disserta à ralé dicotomia
Anemia
Sub-revelia de paixões
De tensões
Distrações
Vencidas na partida de futebolimia
De simpatica rebeldia
Chuta o saco
Golpe baixo
Gospel rádio
E a moderna música brasileira de 1960
Tocada no séc 2001
Ufa!
Ato torto
Escoliose
Escolástico demais
Pega a nota "passe vasilina, enfie, soque e meta no tanque de gasolina"
Numa pré
Numa quase fé
Numa pré musicalogia
Num ato de um corpo
O primeiro
Em espelho me reflete
Numa pré
Só esquete
Numa breve passagem de Tom Zé.
Ô Tom Zé!
Meu Corpo em Três Artes
Sempre rabisco em mim o circo
E a música
O teatro é forma
É a folha em branco pronta pra ser escrita
Com rabisco
O circo e a música
O teatro é só amálgama
Juntar tudo em meu corpo que é a tela
Pro rabisco
O circo e a música
O teatro é estrutura
Pro rabisco
O circo e a múscia
Só de palhaços e dissonâncias
Respectivamente
O teatro... é amor, mesmo assim.
E a música
O teatro é forma
É a folha em branco pronta pra ser escrita
Com rabisco
O circo e a música
O teatro é só amálgama
Juntar tudo em meu corpo que é a tela
Pro rabisco
O circo e a música
O teatro é estrutura
Pro rabisco
O circo e a múscia
Só de palhaços e dissonâncias
Respectivamente
O teatro... é amor, mesmo assim.
sábado, fevereiro 04, 2006
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Quero deste espaço
A praça publica da internet
Onde putas fazem ponto
E estão longes os cdf's
Fazendo plantão de física
Descobrindo a bomba atômica
Colocando a mão na massa
Na desgraça quase tísica de chegar ao ponto
De não ver o ponto que se chega a praça humana
Perder a poesia e a grama, a árvore e a criança
Perder a boemia pros sites de jogos da vida
E enxergar a pornografia por trás de uma tela que faz mal a vista.
Quero deste espaço a visão que não queria.
A praça publica da internet
Onde putas fazem ponto
E estão longes os cdf's
Fazendo plantão de física
Descobrindo a bomba atômica
Colocando a mão na massa
Na desgraça quase tísica de chegar ao ponto
De não ver o ponto que se chega a praça humana
Perder a poesia e a grama, a árvore e a criança
Perder a boemia pros sites de jogos da vida
E enxergar a pornografia por trás de uma tela que faz mal a vista.
Quero deste espaço a visão que não queria.
terça-feira, janeiro 31, 2006
Corpo Circular
Segue o circo no seu rumo, quem quiser que vá atrás. Porque ele segue em frente sempre, depois volta. É circular. A caminho do circo eu vou, no balaio estou sempre a me perguntar: porque mesmo depois de tanta viajem o circo volta sempre ao mesmo lugar?
Respondo e volto sempre ao mesmo lugar
Pergunto a resposta e volto a perguntar
Retorno eterno nessa roda
Que embora sempre roda vale a redundância circular
Redunda
Redonda
Rede
Onda
nda
nada
rola
tudo roda
sempre a retornar.
rumo ao Circo do Balaio!
Respondo e volto sempre ao mesmo lugar
Pergunto a resposta e volto a perguntar
Retorno eterno nessa roda
Que embora sempre roda vale a redundância circular
Redunda
Redonda
Rede
Onda
nda
nada
rola
tudo roda
sempre a retornar.
rumo ao Circo do Balaio!
terça-feira, janeiro 24, 2006
O Corpo do Aperto do (r)Ego
Por perto, aperto
E resseguro o verbo
O Reto aperto
Seguro certo pra não entrar nem sair nada.
Que nada, o nada nada no mar sem fim
Nem começo
Nem nada
Só o tudo por completo
Tudo é tudo e nada mais
Redondo e imendado
Sem canto, sem teto
Até redondo é o reto
Querer estar por perto no redondo é sempre longe
Bom estar assim se por largo se faz estreito
E por distante se faz próximo
A fila anda e o mundo roda
O reto dilata e contrapõe
O movimento que expele a merda,
A arte
E a ferida.
E resseguro o verbo
O Reto aperto
Seguro certo pra não entrar nem sair nada.
Que nada, o nada nada no mar sem fim
Nem começo
Nem nada
Só o tudo por completo
Tudo é tudo e nada mais
Redondo e imendado
Sem canto, sem teto
Até redondo é o reto
Querer estar por perto no redondo é sempre longe
Bom estar assim se por largo se faz estreito
E por distante se faz próximo
A fila anda e o mundo roda
O reto dilata e contrapõe
O movimento que expele a merda,
A arte
E a ferida.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Carta ao Corpo de Pasárgada

Pasárgada à 6 Km
Me pego na fração do tempo e penso e repenso qual deve ser minha vocação. Gosto das artes, como gosto!
Toco violão
Brinco de percussão
Canto mal mas tenho o meu charme
Componho
Na composição escrevo e escrevendo faço poesia e filosofia
Estou longe de escrever bem
Dá pra enganar na cambalhota
Circo, me bota corpo bonito
Só
Por enquanto não vou muito além disso
Sou classe média
Fico no meio
No medíocre
No que é bom mas não é ótimo
No que me dizem ser bonito
Mas será que é autêntico?
Toco uma punheta
Brinco de ser xereta
Canto de sala com seu charme de bordel
Componho
Na transposição inverto e invertendo faço esteria e demagogia
Estou longe de falar bem
Dá pra enganar os idiotas
Circo, me bota um tanque no abdômem
Dó
No entanto, e o Homem, como fica tudo isso?
Pelo pelô pélo o pêlo no pelourinho. Chicotadas nos pormenores da vida, na bunda, na virilha. Nesta terra que tudo planta e tudo dá, só não dá pra ser artista. Numas e noutras penso em ir pra longe, lá pros interiores, viver de natureza, a verdadeira poesia que salta aos olhos, aos ouvidos e à pele. Reescrever Macunaímas e enlouquecer no colo da amada. Fundar comunidades e tentar uma nova sociedade. Plantar para comer, criar para viver e não pensar em sobreviver. Ô utopia! Sumir dessa selva de pedra que é um emaranhado de redes de pesca arrastando as tartarugas.
Não fujas
Não fujas
Fujas
Fujas
Fujas
Gosto das artes, como gosto! Mas aqui, nem assim me sinto bem. Ficam os amigos, fica a família, fica. Fica que eu vou. Se quiserem venham pra Pasárgada comigo. Venham que eu não fico, não fico porque vou. Vou encontrar os modernistas, Mário me espera ansioso. Estou saudoso. Lá não precisamos de dinheiro que aqui compra até felicidade. Lá está tudo mais ameno e aceitam bem as artes. Assim como aceitam os padeiros. Temos emprego e todos nos adoram. Nos têm como sociais. Em Pasárgada todos são amigos do rei. Lá o tempo pára pra romaria passar. O amor é mais amor, o sonho é mais sonho, o tesão é mais tesão. O choro é mais choro e a dor é mais dor. Não existe maquiagem, as máscaras caem e todo mundo fica nú! Vamos para lá encontrar Godot ao lado de Becket rindo das nossas caras que chegam com pavor. Cumprimentar São Jorge com seu cavalo de pau. E cuspir fogo no rabo do Rei. Lá todos são amigos do Rei. Lá todos podem ser autênticos gays. E os heteros serem caretas felizes, livres dos rótulos do modismo. Tudo é livre de qualquer machismo, feminismo, vanguardismo, cismos de ismos, rótulos e categorias que levam ao preconceito. Lá seremos perfeitos! Posso ficar debaixo da árvore, no pé da cachoeira, escrevendo Cartas aos Corpos e beijando a Ângela a vida inetira. Entender o que é intuição, distração e criação artística. Entender o que é tempo, espaço e metafísica. Entender o que é afeto, amor e tesão. Entender a morte e a vida. Os dualismos e os poliedros, polifaces, policorpos e políticas. Entender a dialética, o épico e a loucura. Entender a estrutura, a matéria, a base, o chão, o meio e céu. Entender a música e a emoção, o teatro e o pensamento, a poesia e a lírica humana. Entender a tentação do inferno e a religião. Entender o sagrado e o profano. Entender o milagre e encontrar Jesus Cristo Pop Star. Entender o que é e como funciona tudo isso. Como se dá no meu corpo. Entender os micropoderes e o sorriso da Monalisa. Entender a pulsão em Nietszche e a pulsão em mim. E desejar que tudo seja Eterno Retorno! Vou me embora pra Pasárgada porque lá posso viver o caminho, o processo, o fluxo do rio e o fluxo do tempo, os instantes presentes. Posso plantar pra nascer, a semente perfeita pra árvore perfeita de frutos perfeitos de sementes perfeitas. O ciclo, o círculo, o circo. O circo... o circo...
E eu num sonho
Não me acordem
Não me acordem
Me sacodem só quando terminar a viajem
Paiê, falta muito?
Meu pai? Já deve estar lá conversando com o Mário...
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sábado, janeiro 14, 2006
Um Corpo Só
Só de corpo vivo em meu mundo torto. Um corpo só de só um corpo. Um mundo torto que quer ser reto, ser letrado, ser esperto por ter estudado. Mas certo, certo, mesmo só de corpo faz-se a sabedoria. Experimentar o que vale a via, pra conhecer o que há de excesso. Em minha sabedoria colho do sentimento o fluido de um só corpo. Intuo o pró-corpo em processo de pró-ternura. Estar eterno e tenro e perceber o elo, o fluxo, o rio corrente em frente, o que liga o meu policorpo na unidade não federativa, mas livre, de prazeres, poderes e afazeres sociais, biológicos e testimoniais. Ao fim disso tudo serei só corpo, talvez erguido em jabuticabeira, com jabuticabas pingadas do pé. Mas por ser tão poli num só homem talvez encontre goiabas, laranjas, romãs e pitangas. Todos os pólens saindo de todas as flores, semeando em todos os frutos, a odorificar todos amores. Raízes de todas as árvores e terra de todas as nações. Sigo meu rumo nessa internet livre e que meus direitos autorais estejam por respeito num só corpo endireitado e que, por pró-consciencia, meu projeto de corpo seja uma tentativa letrada de dizer aos meus pelos e peles, sacos e pensamentos, estômagos e cardiovasculações a carta que os escrevo, a Carta ao Corpo em corpo(r)ações.
Obs: tudo que é "pró" lê-se a favor da correnteza do rio. O rio pode estar pro bem ou pro mal; também pode estar além do bem e do mal, o importante é que ele está indo a algum lugar. O fim? A mim interessa o caminho...
Obs: tudo que é "pró" lê-se a favor da correnteza do rio. O rio pode estar pro bem ou pro mal; também pode estar além do bem e do mal, o importante é que ele está indo a algum lugar. O fim? A mim interessa o caminho...
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Corpo do anjo.

Anjo,
Me anja
Me açucare com o seu manjar.
Meu anjo,
Me ângela
Me pele, me gele, me mostre como
desp
enc
ca
r
no seu arranjo de nuvem
Te levo, meu anjo, cachos de uvas
litros de vinho e licores do diabo
Pra sempre angelicar
Os pecados oferecidos como sacríficio
Da alma
E viva o corpo!
E viva o corpo!
E viva o corpo de anjo!
E viva os arranjos dos corpos
Os corpos sempre se arranjam
Viva o corpo de ângela?
Anja viva o seu corpo...
Criar Nova Postagem. Um novo corpo que se cria.
Crio minha nova cara
Minha nova era
Com minha antiga Eva
Que quero até a maçã ficar velha e enrugada;
Crio minha nova cara
Com felicidade de dentes
Brancos de neve e adormecidos
Belos ares de primavera batida atrasada no peito;
Com pressa deito pra sonhar
Com calma durmo pra não acordar
Num susto brando
Momento sensacional
Sensitório
Sensível
Fracionário susto no tempo do ronco
Um bú que me tirasse do tronco a percepção;
E perdesse tudo denovo
A eva, a velha, a cara nova de nova era
E visse então o amargo corpo de outrora sem as auroras
Da mudança de estação.
Minha nova era
Com minha antiga Eva
Que quero até a maçã ficar velha e enrugada;
Crio minha nova cara
Com felicidade de dentes
Brancos de neve e adormecidos
Belos ares de primavera batida atrasada no peito;
Com pressa deito pra sonhar
Com calma durmo pra não acordar
Num susto brando
Momento sensacional
Sensitório
Sensível
Fracionário susto no tempo do ronco
Um bú que me tirasse do tronco a percepção;
E perdesse tudo denovo
A eva, a velha, a cara nova de nova era
E visse então o amargo corpo de outrora sem as auroras
Da mudança de estação.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Corpo Tao

Tao
Tô espremido. Até o osso. Até o cabo. Até o caroço. Tô espremido de cólera. Até a cólera. Até a cólera me consome o caroço, o cabo, o osso. O meu pescoço arde. Tô espremido até o estômago. Meu intestino queima. E o meu pau amolece a cada... Até meu pau amolece. Até meu pau amolece. E fico assim inflamado de febre, com esperanças de tolo. Fico a esperar o milagre do santo. Posso eu fazer milagre oco? Posso ficar a mercê dos meus doídos espremidos calos do osso, do cabo, do caroço. E rezar pro santo do pau oco que me dê a benção pro pensamento do desejo alcançar o pau e deixar duro, deixar todo, maciço, até o osso, o cabo, o caroço. Até o pau ficar duro. Até o pau ficar duro. Inchado até ao menos parecer um esboço que deve ser o tao do pau.
domingo, janeiro 08, 2006
Chatterton

Serge Gainsburg
Chatterton
Original de Serge Gainsburg + Adaptação de Seu Jorge
Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Kurt Cobain, suicidou Hannibal suicidé
Vargas, suicidou Démosthène suicidé
Nietzsche Nietzsche
Enloqueceu Fou à lier
E eu, não vou nada bem Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien
Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Cléopatra, suicidou Cléopâtre suicidé
Sócrates, suicidou Isocrate suicidé
Goya Goya
Enloqueceu Fou à lier
E eu, não vou nada bem Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien
Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Marc-Antoine, suicidou Marc-Antoine suicidé
Van Gogh, suicidou Van Gogh suicidé
Schumann Schumann
Enloqueceu Fou à lier
E eu, puta que pariu, não vou nada nada bem
Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien
sábado, janeiro 07, 2006
Sigo meu rumo dois zero zero meia
Voltei de viajem. E voltei diferente. Voltei com saudade.
Voltei com ilusões de mais, talvez. Mas seja o que Deus quiser. Porque eu já não sei o que quero. Não sei o que espero se o que quero nem sempre é o que espero ver. "Pretinha, faço tudo pelo nosso amor, faço tudo pelo nosso bem, meu bem." São Jorge que anuncie minha sentença. Largo na mão do cosmos pra tentar viver na intuição... Bergson... porque controle das coisas racionais e lógicas parece ser ilógico pra mim.
Sabe tudo aquilo que combinamos? Que vá tudo à merda!
Ano novo e muita merda! Com cartão no topo do limite. Com o limite fora dos dez dias sem juros. E as juras, ah as juras, de amor longe de estarem por perto.
Voltar pra PUC em crise!
Por favor Brasil, seja hexa!
Porque o diabo, o capeta, o sem moral e sem vergonha daquele vendedor de colchões vai conseguir fazer de um inocente um ser ainda mais fudido frente aos cofres publicos... deixa pra lá, só quem sabe da história é que entende.
Voltei de viajem. Voltei diferente. Quero ter um cuidado pra isso não virar diário. No desespero é que vejo o quanto ainda falta pra eu ser artista. Escrevo tanta merda, falo tanta merda, componho tanta merda... e tanta merda! Merda, pelo menos é sorte no teatro. Quem sabe não seja um ano de merda nesses palcos, ruas, qualquer espaço, já que se faz em qualquer um hoje em dia?
Desejo a mim mesmo um ano amoral. Quem quiser-me que me queira. Jogo aos cosmos e que São Jorge me proteja.
Fico com
Nietzsche
Bergson
e Sade
Guimarães me acompanhe
Mario de Andrade vem chuva vai sol vem sol vai chuva está sempre grudado em meus calcanhares
Leminski tenho agora em meus espaços
e na cabeça Lenine canta enquanto encanto pelo ares
Sigo meu rumo dois zero zero meia
e os corpos de outrora se diluirão em temas de agora
Arre São Jorge que a viagem começa! O boi já sai encabeçado tirando vanguardeiros da frente. Corre mundo porque eu vôo enquanto tento ser poeta.
Sigo meu rumo dois zero zero meia. Quem quiser-me que me queira
Arre São Jorge! O boi tá encabeçado!
Corre mundo porque eu vou voando nas rédias de um cometa.
Meu convite tá feito. Os fatos, queimaram no crematório, consumados.
Voltei com ilusões de mais, talvez. Mas seja o que Deus quiser. Porque eu já não sei o que quero. Não sei o que espero se o que quero nem sempre é o que espero ver. "Pretinha, faço tudo pelo nosso amor, faço tudo pelo nosso bem, meu bem." São Jorge que anuncie minha sentença. Largo na mão do cosmos pra tentar viver na intuição... Bergson... porque controle das coisas racionais e lógicas parece ser ilógico pra mim.
Sabe tudo aquilo que combinamos? Que vá tudo à merda!
Ano novo e muita merda! Com cartão no topo do limite. Com o limite fora dos dez dias sem juros. E as juras, ah as juras, de amor longe de estarem por perto.
Voltar pra PUC em crise!
Por favor Brasil, seja hexa!
Porque o diabo, o capeta, o sem moral e sem vergonha daquele vendedor de colchões vai conseguir fazer de um inocente um ser ainda mais fudido frente aos cofres publicos... deixa pra lá, só quem sabe da história é que entende.
Voltei de viajem. Voltei diferente. Quero ter um cuidado pra isso não virar diário. No desespero é que vejo o quanto ainda falta pra eu ser artista. Escrevo tanta merda, falo tanta merda, componho tanta merda... e tanta merda! Merda, pelo menos é sorte no teatro. Quem sabe não seja um ano de merda nesses palcos, ruas, qualquer espaço, já que se faz em qualquer um hoje em dia?
Desejo a mim mesmo um ano amoral. Quem quiser-me que me queira. Jogo aos cosmos e que São Jorge me proteja.
Fico com
Nietzsche
Bergson
e Sade
Guimarães me acompanhe
Mario de Andrade vem chuva vai sol vem sol vai chuva está sempre grudado em meus calcanhares
Leminski tenho agora em meus espaços
e na cabeça Lenine canta enquanto encanto pelo ares
Sigo meu rumo dois zero zero meia
e os corpos de outrora se diluirão em temas de agora
Arre São Jorge que a viagem começa! O boi já sai encabeçado tirando vanguardeiros da frente. Corre mundo porque eu vôo enquanto tento ser poeta.
Sigo meu rumo dois zero zero meia. Quem quiser-me que me queira
Arre São Jorge! O boi tá encabeçado!
Corre mundo porque eu vou voando nas rédias de um cometa.
Meu convite tá feito. Os fatos, queimaram no crematório, consumados.
terça-feira, dezembro 20, 2005
Corpos que me vêem
Par em par mar em mar lar em lar dar por dar par em lar mar em par lar em dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar
ã? dar andar andar andar andar andar de lar em lar de par em par de mar em mar nunca dantes navegados
Sou angústia
Nunca sou suuuu(entoar sílaba para o agudo)ssegado
Sou fado
Não me enxerguem assim por estas vias do clichê.
ã? dar andar andar andar andar andar de lar em lar de par em par de mar em mar nunca dantes navegados
Sou angústia
Nunca sou suuuu(entoar sílaba para o agudo)ssegado
Sou fado
Não me enxerguem assim por estas vias do clichê.
sábado, dezembro 17, 2005
Corpo que me queiras
1962 - Monica Vitti e Alain DelonVivia a te buscar no além mar
Ora pois Camões não me trouxe
Ora cá me pões a traçar
Caminhos de jabuticabeiras
E jabuticabas engruvinhadas no caule do meu corpo
Sou suco
E sou morto
Sou parte
E sou todo
Sou memória, só memória
Por isso não me lembro das coisas
Sou a própria
Vivia a te buscar nas terras do Araçá
Real
Romã vermelho é certeiro amor
Sete sementes no reveillon
E sete suspiros debaixo dos lenções
Sou Hanói-Hanói
Por isso não me atenho mais nas coisas
Sou a própria
Vivia a te buscar nas terras dos sem fim
Nunca nas do Nunca
Te queria madura
Engruvinhada de jabuticabas no corpo
Que se fizesse suco e derramasse aos caminhos
Não sou tão menino
Vontade vã querer estar hoje Peter Pan
Você Sininho
Monica Vitti e Alain Delon
É mais a minha ansiedade
Sou imagem, só imagem
Por isso não me fixo no que vejo
Sou a própria.
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Corpo da Ponta do Dedão

Segue o círculo em sua aventura redonda, pelo mundo redondo, que nos circunda. Segue o eixo que nos ergue; giramos em sua cabeça ou é a sua cabeça que nos gira? Segue o círculo em sua alegoria de eterno retorno, de começo no fim e fim como recomeço. Segue o caminho que o meu olhar traça, transa do olhar sobre o seu jeito de me aceitar. Sigo enganando que sou de dança, que sou de circo, que sou músico, que sou performer, sigo enganando que sou multi. E por seguir enganando sou um bom ator. O que vale é ser bom artista. Também engano que sou poeta e que sou bom de cama. Engano que sou humano e que sou normal. Tenho minha digital no dedão, na íris e na arte. Ninguém faz da minha e não faço da de ninguém. Só me inspiro, tenho referências. Mas imprimo a minha identidade, o que me deixa estar bonito. Assim o círculo se amplia e se fecha em si mesmo.
Texto escrito na folha sacanneada acima a algumas angústias atrás...
Corpo Margarida
MargaridasQue flor será que você é? Adoro flores. Quer ganhar um sorriso besta, fácil fácil? Me dê uma flor. Não importa qual, gosto de todas. Pequenas, grandes, coloridas, classudas ou descontraídas, solitárias ou Marias-sem-vergonha. Todas, dêem-me qualquer uma que devolvo um abraço apertado e um sorriso gostoso. Que flor será que você é? Já ouvi dizer que sou um Gira-sol. Gostei... é grande, imponente, amarelo ouro, e gira (quer mais qualidade que girar com inteligência?) e sempre se renova, morre e renasce, como os grandes artistas. Sua semente dá bom oleo e suas pétalas são de veludo. Não tem cheiro, a não ser de quando úmido... mas é cheiro comum, sem grandes aromas de rosa, dama-da-noite e outras rainhas do bom odor. Porém também não encomoda. Fica mucho fácil, é verdade. Precisa de água com frequência e nunca, nunca, aceita bem uma sombra fresca. Se magoa com facilidade, precisa sempre de energia. Não faz questão de boa terra, se vira sempre com o que dá pra recolher de nutriente, tem o tronco forte e boa base de raiz, parece sempre sorrir e quando mucha é impossível ficar olhando e não fazer nada... é, parece que gira-sol combina mesmo comigo... que flor será que você é? As orquídeas são de fácil identificação. As damas-da-noite e as marias-sem-vergonha em companhia das marias-vão-com-as-outras tmabém. Tem os Lírios que são misteriosos e as violetas que são inocentes (salvo as escuras que tem um ar de segredo). As Brincos-de-princesa são preciosidades frágeis. E as flores de Ipê são símbolo nacional. Que flor será que você é? As rosas só existem no passado romântico, hoje são apenas símbolos de uma época que já passou. As tulipas me lembram sempre uma vagina, é uma flor sexual pra mim que, junto com as flores de lótus, talvez sejam as únicas espécies que pra mim o link com o corpo seja direto. A flor-de-lis é mágica. Na maioria das vezes solitária, mas com repercussão simbólica em diferentes culturas... deve nos dizer algo, não? Que flor será que você é? Flor do campo? Hibisco? Rododendros? Olho pessoas e vejo flores o tempo todo... mas o mais curioso é como brotam margaridas na minha terra. De miolo amarelo, pétalas brancas, delicadas, de ingenuidade tênue, mas com uma força de rainha do campo, domina os pastos e conquista a quem passa por perto. Margaridas, as minhas preferidas(andando lado-a-lado com as tulipas e os brincos-de-princesa). É na aparente simplicidade que elas me facinam, mas é na dualidade que elas me viciam:
Berro no alto do prédio, no meio fio, no penhasco e me jogo a céu aberto. Me jogo em mar aberto. Me jogo. Me atiro de cabeça até morrer de traumatismo. Me afogo nos ares, nos bares, mesmo que não beba, não sinta, não se entristessa pros outros. Só pra mim mesmo... sopra o vento das flores. O perfume das margaridas, tão belas e fedidas, me atraem e me repelem. Essas pessoas-margaridas que sempre brotaram em minha terra. Grito por passagem, corro pelos campos com amargas-feridas, há margaridas plantadas por todos os lados. Berro por liberdade e que se danem as pétalas caídas...
Há margaridas. Amarga ri das minhas pétalas caídas. Já era, caí com sede ao pote. Agora fico estirado no meio do nada encoberto pelas rainhas do campo.
O que tenho a fazer senão deixar-me ser gira-sol solitário girando pro sol e rezando pras nuvens não sombrearem meu corpo?
Que flor será que é você?
quarta-feira, dezembro 14, 2005
O Corpo que Acorda; O Corpo que Sonhava - Contraponto da minha vida e Acordei que Sonhava do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos

Um dia acordei que sonhava. E sonhando segui acordando de um sono bom. Se durmo ou se sonho com sono de recém partido é porque sumo pro meu bem... pro nosso bem... por sumir assim não deixando que se realizem as vontades que pra você é um pesadelo ruim. Andar no meio fio, ver de cara a posição da escolha... sendo assim, escolho seguir sonhando que acordo, mesmo que durma sobre as saudades das poucas vezes dormidas ao teu lado nos quatro anos de sonho acordado. Te amo e não sei se devo te amar. Acordo e preferia continuar dormindo num sono profundo e sem hora de ser. Um dia acordei que sonhava, tá na hora de acordar de verdade... um dia...
Corpo Hai Kai - 2
O que me deixa
Deixa-me
Aos olhos de gueixa.
Pelas flores sigo cor-de-rosa.
Aos amores
Pinto cores negras.
Degenera; o ser habita
O vale valioso.
Chumbo e ouro num mesmo balaio de gato
Miau!
Meus olhos de lince.
Chegam em vigia
Meus traços tristes. Pelas noites vagueio.
Corpo Hai Kai
Cai cai
Sobre os campos poéticos.
Cai cai balão cai não
Na minha mão
Ainda guardo os meus segredos.
Quais segredos?
Adeus a Deus
Adeus Papaia e Seu Cassis.
Deixa-me
Aos olhos de gueixa.
Pelas flores sigo cor-de-rosa.
Aos amores
Pinto cores negras.
Degenera; o ser habita
O vale valioso.
Chumbo e ouro num mesmo balaio de gato
Miau!
Meus olhos de lince.
Chegam em vigia
Meus traços tristes. Pelas noites vagueio.
Corpo Hai Kai
Cai cai
Sobre os campos poéticos.
Cai cai balão cai não
Na minha mão
Ainda guardo os meus segredos.
Quais segredos?
Adeus a Deus
Adeus Papaia e Seu Cassis.
terça-feira, dezembro 13, 2005
Corpo... o corpo que se foda.
É só aqui que me acalmo. Tem razão Jú, as pessoas criam essa imagem em mim de que sou muito tranquilo mas na realidade eu grito a todo momento, elas que não me escutam... e berrando por tranquilidade volto antes do começo do ano que vem. Mesmo exausto escrevo, já que é assim que me sinto bem... como não estou bem:
Sobre um "estar legal" da vida, amigos, nada, afinal, que estar por perto, desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: De sem sempre ninguém, mais que alguém desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: de estar bem, se estiver bem perto de mim.
Sei lá, vou sarapantar. Vou sarapantar, vou me embora. Partindo da palavra adeus, adeus a Deus. Andando aos passos... aos passos lentos. Pareço volto para um lugar que eu nunca saí de lá. Viajando em pensamentos, ora sou macaco, sou peixe, pinguim, dinossauro, ora sou cavalheiro, ora sou prisioneiro. Saídas existem várias e muitas dessas entradas começam aonde termina a outra saída. Vai e volta, vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Mesmo que não se lembre mais, mesmo que saia pra nunca mais, mesmo que cante a despedida e bote fé nessa saída vai e volta vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Adeus a Deus.
Dois textos... duas músicas. Não sei se tô mais tranquilo. Não, não tô mais tranquilo. Adeus a Deus.
Sobre um "estar legal" da vida, amigos, nada, afinal, que estar por perto, desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: De sem sempre ninguém, mais que alguém desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: de estar bem, se estiver bem perto de mim.
Sei lá, vou sarapantar. Vou sarapantar, vou me embora. Partindo da palavra adeus, adeus a Deus. Andando aos passos... aos passos lentos. Pareço volto para um lugar que eu nunca saí de lá. Viajando em pensamentos, ora sou macaco, sou peixe, pinguim, dinossauro, ora sou cavalheiro, ora sou prisioneiro. Saídas existem várias e muitas dessas entradas começam aonde termina a outra saída. Vai e volta, vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Mesmo que não se lembre mais, mesmo que saia pra nunca mais, mesmo que cante a despedida e bote fé nessa saída vai e volta vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Adeus a Deus.
Dois textos... duas músicas. Não sei se tô mais tranquilo. Não, não tô mais tranquilo. Adeus a Deus.
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Corpo Fim de Ano

Enquanto o tempo atravessa os meus ossos eu recebo facadas. Feridas que se abrem e não se fecham, sangram em direção à história dos amores perdidos, pela ignorância dos que não sabem amar. Fiquei muito tempo sem escrever neste espaço. Abandonei essa virtualidade porque o abandono é o que me é mais recorrente. E não consegui mais escrever, não consegui mais comentar (desculpa Jú), larguei mão das coisas pra tentar não largar mão do que precisava resolver de urgente. Mas cá estou de volta. Reocupo aquilo que pra mim é valioso, que não se perde assim como se perde quatro anos de namoro... por causa da ignorância dos que não sabem amar. Reocupo o meu espaço com a minha expressão. Com as palavras destreinadas de um certo tempo de feridas abertas sem oportunidade para aparecerem em palavras, em Corpo Aberto. Tantos corpos me passaram pela cabeça, tantos conceitos, tantas análises e tão pouca discussão. Ficaram presos estes corpos num Corpo Magoado. O Corpo Abandono, o Corpo Multiplicado, O Corpo Multi, o Corpo Aberto, O Corpo Expandido, O Corpo Intuição, o Corpo Distraído, estão todos em algum canto de caderno rascunhados, mas acho que aparecerão aos poucos por aqui. Mas também tem o Corpo Tempo que sempre quer retornar no seu eterno Eterno Retorno, o Corpo Eterno Retorno, o Corpo Âmago, o Corpo Fada e o Corpo Circo. O Corpo Incerto, o Corpo Revolta, o Corpo Militante e o Corpo Social. Quantos corpos nesse meu caderno de corpos desenhados para serem um dia discutidos nesse nível publico de comunicação. Mas o ano acaba e eu estou exausto. Cansado de segurar rojão com os dentes e ter que levar tudo numa boa. De aceitar situações e não ter de volta o mesmo nível de compreensão. De saber que a omissão foi usada tantas vezes como estratégia de batalha. E que porra de batalha impossível de compreender. Por isso não escrevo mais por esse ano, porque estou exausto. Preciso processar tudo isso de outra forma. Fazer repouso, cicatrizar as feridas pra conseguir abrir caminhos de compreensão. Meditar, dançar, tocar muito violão e não fazer nada que me faça pensar nas minhas angústias. Porque estou exausto. e prefiro ficar assim, sem falar nesses corpos, ficar no meu Corpo Fim de Ano e deixar tudo pro ano que vem.
domingo, novembro 27, 2005
Corpo Sem Querer II
Deixo mais um texto, como diria Chiquinho Francisco Medeiros, só pra provocar...
"Na realidade a magia é uma ciência divina.
Na verdadeira acepção da palavra, ela é o conhecimento de todos os conhecimentos, pois nos ensina como conhecer e utilizar as leis universais. Não há diferença entre magia e misticismo, ou qualquer outro conceito com esse nome, quando se trata da verdadeira iniciação. Sem se considerar o nome que essa ou aquela visão de mundo lhe dá, ela deve ser realizada seguindo as mesmas bases, as mesmas leis universais. Levando em conta as leis universais da polaridade entre o bem e o mal, ativo e passivo, luz e sombra, toda ciência pode ser aplicada para objetivos maléficos ou benéficos. Como por exemplo uma faca que normalmente só deve ser utilizada para cortar o pão, nas mãos de um assassino pode se transformar numa arma perigosa. As determinantes são sempre as particularidades do caráter de cada indivíduo. Essa afirmação vale também para todos os âmbitos do conhecimento secreto."
FRANZ BARDON
Sou secreto? Sou aberto? Sou o que sou, e o que não sou, não conta? Meu caráter característico é ser místico? Intuo, logo existo? Entôo a minha confusão...
Corpo e alma... eu digo calma alma minha calminha. Alma e corpo, não entendo a dicotomia... calminha, você tem muito que aprender.
"Na realidade a magia é uma ciência divina.
Na verdadeira acepção da palavra, ela é o conhecimento de todos os conhecimentos, pois nos ensina como conhecer e utilizar as leis universais. Não há diferença entre magia e misticismo, ou qualquer outro conceito com esse nome, quando se trata da verdadeira iniciação. Sem se considerar o nome que essa ou aquela visão de mundo lhe dá, ela deve ser realizada seguindo as mesmas bases, as mesmas leis universais. Levando em conta as leis universais da polaridade entre o bem e o mal, ativo e passivo, luz e sombra, toda ciência pode ser aplicada para objetivos maléficos ou benéficos. Como por exemplo uma faca que normalmente só deve ser utilizada para cortar o pão, nas mãos de um assassino pode se transformar numa arma perigosa. As determinantes são sempre as particularidades do caráter de cada indivíduo. Essa afirmação vale também para todos os âmbitos do conhecimento secreto."
FRANZ BARDON
Sou secreto? Sou aberto? Sou o que sou, e o que não sou, não conta? Meu caráter característico é ser místico? Intuo, logo existo? Entôo a minha confusão...
Corpo e alma... eu digo calma alma minha calminha. Alma e corpo, não entendo a dicotomia... calminha, você tem muito que aprender.
Corpo Sem Querer
Hoje deixo que digam por mim... estou assim sem querer.
Alma Nova
Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro e Fernando Abreu
Sempre que te vejo assim
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí
Refrão
e eu digo
calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir
então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu
sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento
tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer
Refrão
e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender
Alma Nova
Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro e Fernando Abreu
Sempre que te vejo assim
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí
Refrão
e eu digo
calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir
então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu
sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento
tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer
Refrão
e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender
quarta-feira, novembro 23, 2005
O Corpo que Quer Ser
Experiências são tiros no escuro... tiros são tiros, sempre tiros. E o que não é, não importa? Experiência não é certeza de certeza. É na incerteza que ela se faz sedutora. É no acaso que pinta o seu corpo experiência. Tiros são tiros e sempre estiveram prsentes na minha vida. Os que me conhecem sabem bem das minhas experiências balísticas. Essa minha tranquilidade me deixa sempre na distração e na distração permaneço inconsciente nas minhas ações. Pensando coisa... no Pico do Jaraguá, no guaraná, no desejo da perversão. Minhas vaidades guardadas. Tenho mil experiências esperando vasão para acontecer. Queria ter a medida pra saber quando a vasão tem que ser dada por mim mesmo. As vezes sinto que desenho corpos em mim que não são meus, que parecem não fazer parte de mim. Ao mesmo tempo pareço que exagero tanto outros desenhos de corpos que acabam fugindo de minha percepção. Qual a medida da experiência? O que Artaud me diria? Quanto ainda falta pro chumbo virar ouro? Será melhor continuar sendo um chumbo vaidoso? Arrumar o penteado e sair a rua desfilando o cinza escuro... Meu corpo ainda não é, mas quer ser experiência. Talvez essa seja a medida, do corpo que é e do que ainda quer ser. Ter a humildade de perceber os processos em construção. Não tenho pinto suficiente pra experimentar as experiências que me proponho. Portanto sigo no imaginário, amadurecendo as idéias de escancarar essas minhas vaidades guardadas e extravasar na amoralidade de minhas pulsões nietzschanas. Talvez por não querer enlouquecer na incompreensão do outro, na inaceitação deste ser que cheira primitividade, que parece não caber no social e no religioso pelo seus parâmetros morais. Sigo tentando ser artista...
terça-feira, novembro 22, 2005
quarta-feira, novembro 09, 2005
Meu Corpo Oposto
Pode, pode cantar em meu corpo. Pode cantar em minhas víceras vermelhas de raiva. Pode dançar na minha pele esfolada pelo tempo. Pode atuar em meus ouvidos, falando mentiras, me enganando com a rádio novela e suas promessas e desculpas, mil desculpas. Não se preocupa com o que corróe e não aparece? Esse meu corpo Lê dos mil sorrisos, dos carinhos e abraços pra todas as horas, também cansa. Me ver assim forte, andando sem camisa, desfilando o físico, escondendo o corpo cansado, exausto, mole por dentro. Sou um detento dessa vontade de estar bem o tempo inteiro, de seguir viagem com o step furado e acelerar pro penhasco. Esse jogo cansa. Meu corpo não nasceu pra levar porrada de quem eu amo. Murro no estômago, chute na canela e cotovelada no fígado, vermelho de raiva. Eu não mereço isso. Mereço? É o preço dessa sina de se doar sempre? Será que acabaram as jabuticabas e chacoalham o meu tronco pra sempre cair mais e mais? O tronco da jabuticabeira é frágil, frágil. Se apaixona fácil fácil, seduz até sem querer e aí tem mil trepadeiras usurpando da sua seiva. Mas tristeza me dá, me enfraquece de verdade, quando essa trepadeira é quem você depositou todas as suas energias por simplismente amá-la. O Corpo Lê é nessa madrugada um corpo frouxo, melancólico, triste, magoado. E nessa alteração de estado descubro mais um aspecto em Corpo Lê, meu Corpo Oposto, meu estado vazio, tão contrário as cores que costumo irradiar, descobri que também sou incolor. Agora tenho em mim a noção de Meu Corpo Oposto, porque aquilo que não define, que não é, também conta... não conta?
sábado, novembro 05, 2005
O Corpo Ponto de Referência
E essa noção centro-periferia? Quero criar a noçcão de ponto de referência do próprio corpo. Eu estou aqui...
Se algum aspecto esse meu corpo Lê quer romper logo de cara é essa relação que, julgo mesmo, foi criada por um asno e seguida por outros tantos. Pra que falar tão em dicotomia? Centro e Periferia... porque não se divide em milhares de partes ou considera-se tudo uma unidade? Pra que essa briga favela e Pacaembú. Se nessa estrada Perdizes da vida eu tô nos dois. Todo santo dia! Trem Calmon Viana estação de Comendador Ermelino; Brás - metrô Barra Funda. Subo a ladeira e chego na PUC. Ver gente bonita, saudável, inteligente. E mal sabem elas que cruzei com gente lendo Nietzsche no vagão... concentrado. Ou então quando pego meu fusca 73 e vou pela Avenida Assis Ribeiro, divisa com Guarulhos. Heita fim de mundo! Sou um privilegiado. Sou um dos poucos que sabe que viver no centro ou na periferia é só uma questão de olhar geográfico. E a diferença pára aí. Ou pararia se não fossem os asnos seguidores da teoria do que é longe não é interessante. Sem contar na violência! Nossa, quanto tiro! Quanto mano! Quanta maloca! Saudosa maloca, maloca querida... e a cultura? Parece que só existe até a Mooca... mas eu tento, tento apresentar uma maloca lá de Cangaíba (divisa com Guarulhos, pra quem quiser se localizar. Perto da Penha também, esse "centro da periferia") mas ninguém se interessa em ver. Pegar o trem e dar de cara com uma realidade longe da "em dez minutos eu chego, no máximo meia-hora" ver gente acabada de cansada mas mesmo assim gritando, esguelando, no truco dentro do vagão... não é pra qualquer um não. Tem que ter estômago. Vagão cheirando mofo, com goteira entrando pela ventilação e chão de madeira como remendo para os buracos no assoalho. Sem contar o aperto. Ser sardinha no trem... impossível evitar o contato com esses corpos "periferia". Categorias, categorias, categorias... pois eu nasci e cresci sabendo que sou colocado à margem. E a margem permaneço. Desenvolvo esse corpo dilatado pra atingir também o meio. Quero ser corpo Lê inteiro preenchido. Transitar livremente pelas categorias criadas para serem separatistas. Achar as brechas e atar os nós. Misturar as linhas, criar as malhas de comunicação. Perceber um todo com milhares de partes com particularidades infinitas. Perceber que cada fatia tem seu centro e sua periferia que tem seu centro e sua periferia, seu centro e sua periferia e assim por diante. Como coisas complementares e que não exsitem sem o seu conceito oposto-complementar. Esse meu corpo que se desmembra e se concentra em cada movimento de centro-periferia, periferia-centro, centro, periferia, periferia, periferia, perifer, perif, peri, perímetro, silhueta, corpo. Tenho meu corpo como referência, onde eu estiver existirá um ponto. Pra minha localização, pra minha conceituação de ponto de referência e não mais de centro-periferia, porque assim o ponto só pode estar em um dos dois aspectos... e a arte é mais do que isso, o corpo está além das dicotomias.
Sou da cidade
Sou caminho que une
Sou pescador dos nós entre as ambiguidades superficiais
Sou mergulhador das questões de minha gente
Sou pedestre da margem Tietê
Ligo a Zona Oeste e a Zona Leste pra discutir a arte em seu valor universal, dilatado
Mas cada vez que mais sou percebo que só tento ser
Tento ser caminho que une
Tento ser pescador dos nós
Tento ser
Até quando teremos que esperar as ações pontuais surtirem resultado? Destruir os micropoderes... tudo isso me consome, minha energia some e cada sono não é suficiente pra me acordar de novo pra esse mundo mudo... surdo... de quem não quer falar, de quem não quer ouvir.
Se algum aspecto esse meu corpo Lê quer romper logo de cara é essa relação que, julgo mesmo, foi criada por um asno e seguida por outros tantos. Pra que falar tão em dicotomia? Centro e Periferia... porque não se divide em milhares de partes ou considera-se tudo uma unidade? Pra que essa briga favela e Pacaembú. Se nessa estrada Perdizes da vida eu tô nos dois. Todo santo dia! Trem Calmon Viana estação de Comendador Ermelino; Brás - metrô Barra Funda. Subo a ladeira e chego na PUC. Ver gente bonita, saudável, inteligente. E mal sabem elas que cruzei com gente lendo Nietzsche no vagão... concentrado. Ou então quando pego meu fusca 73 e vou pela Avenida Assis Ribeiro, divisa com Guarulhos. Heita fim de mundo! Sou um privilegiado. Sou um dos poucos que sabe que viver no centro ou na periferia é só uma questão de olhar geográfico. E a diferença pára aí. Ou pararia se não fossem os asnos seguidores da teoria do que é longe não é interessante. Sem contar na violência! Nossa, quanto tiro! Quanto mano! Quanta maloca! Saudosa maloca, maloca querida... e a cultura? Parece que só existe até a Mooca... mas eu tento, tento apresentar uma maloca lá de Cangaíba (divisa com Guarulhos, pra quem quiser se localizar. Perto da Penha também, esse "centro da periferia") mas ninguém se interessa em ver. Pegar o trem e dar de cara com uma realidade longe da "em dez minutos eu chego, no máximo meia-hora" ver gente acabada de cansada mas mesmo assim gritando, esguelando, no truco dentro do vagão... não é pra qualquer um não. Tem que ter estômago. Vagão cheirando mofo, com goteira entrando pela ventilação e chão de madeira como remendo para os buracos no assoalho. Sem contar o aperto. Ser sardinha no trem... impossível evitar o contato com esses corpos "periferia". Categorias, categorias, categorias... pois eu nasci e cresci sabendo que sou colocado à margem. E a margem permaneço. Desenvolvo esse corpo dilatado pra atingir também o meio. Quero ser corpo Lê inteiro preenchido. Transitar livremente pelas categorias criadas para serem separatistas. Achar as brechas e atar os nós. Misturar as linhas, criar as malhas de comunicação. Perceber um todo com milhares de partes com particularidades infinitas. Perceber que cada fatia tem seu centro e sua periferia que tem seu centro e sua periferia, seu centro e sua periferia e assim por diante. Como coisas complementares e que não exsitem sem o seu conceito oposto-complementar. Esse meu corpo que se desmembra e se concentra em cada movimento de centro-periferia, periferia-centro, centro, periferia, periferia, periferia, perifer, perif, peri, perímetro, silhueta, corpo. Tenho meu corpo como referência, onde eu estiver existirá um ponto. Pra minha localização, pra minha conceituação de ponto de referência e não mais de centro-periferia, porque assim o ponto só pode estar em um dos dois aspectos... e a arte é mais do que isso, o corpo está além das dicotomias.
Sou da cidade
Sou caminho que une
Sou pescador dos nós entre as ambiguidades superficiais
Sou mergulhador das questões de minha gente
Sou pedestre da margem Tietê
Ligo a Zona Oeste e a Zona Leste pra discutir a arte em seu valor universal, dilatado
Mas cada vez que mais sou percebo que só tento ser
Tento ser caminho que une
Tento ser pescador dos nós
Tento ser
Até quando teremos que esperar as ações pontuais surtirem resultado? Destruir os micropoderes... tudo isso me consome, minha energia some e cada sono não é suficiente pra me acordar de novo pra esse mundo mudo... surdo... de quem não quer falar, de quem não quer ouvir.
sexta-feira, novembro 04, 2005
Corpo Resposta
Corpo Resposta ao comentário de Corpo s.C.
Te Lêio e te aceito assim como é. Danço com o corpo c.C porque não tenho preconceito com os corpos. Sou corpo s.C porque sou, não porque quero ou porque nego. Nitzsche é anti-cristo, só sou sem. Não tenho referência, no meu corpo não há a.C nem d.C, não tenho referência. Não quero desconverter ninguém, só narro um aspecto do meu corpo Lê. E concordo quando diz que está presente em mim este Corpo c.C. Assim como todos os outros tipos de corpos que me constroem. Porque sou uma esponja e absorvo tudo que a mim chega. Te absorvo a cada instante, Jú. Absorvo cada artista, cada herói e cada anti-herói. E me construo nessas constradições. Ser corpo s.C ao mesmo tempo que me dizem ter um corpo c.C. E acredito! Sei que sou assim mesmo.
Te Lêio e te aceito assim como é. Danço com o corpo c.C porque não tenho preconceito com os corpos. Sou corpo s.C porque sou, não porque quero ou porque nego. Nitzsche é anti-cristo, só sou sem. Não tenho referência, no meu corpo não há a.C nem d.C, não tenho referência. Não quero desconverter ninguém, só narro um aspecto do meu corpo Lê. E concordo quando diz que está presente em mim este Corpo c.C. Assim como todos os outros tipos de corpos que me constroem. Porque sou uma esponja e absorvo tudo que a mim chega. Te absorvo a cada instante, Jú. Absorvo cada artista, cada herói e cada anti-herói. E me construo nessas constradições. Ser corpo s.C ao mesmo tempo que me dizem ter um corpo c.C. E acredito! Sei que sou assim mesmo.
quinta-feira, novembro 03, 2005
O Corpo s.C (sem Cristo)
Tanta parafernália
Tantra
Tanta parafina
Manta
Esquenta o mantra
Lê vanta, anda
Lê lê vanta lelé
Saia comigo e pinte o corpo como eu pinto
Vamos fazer um tantra?
Se jogar no abismo
De cara pro chão sem colchão, só tara
Enquanto o mantra esquenta
De baixo da manta
Pra falar de Deus, do seu, do meu
Orgasmo?
Organize o orgasmo
Multiplique o caos e desorganize o estado
Esperado no gemido repetido
Repetido
Repetido
Meu Deus é um ser orgástico
Biônico
Biológico corpológico biotônico, par em dois
Meu Deus é não divino
É contracultura, é devassidão, subventura
Particula, microcosmo, micropoder, sistema
Meu Deus, sistema contrário
No orgasmo transcende. Do corpo sinto
Sinto
Estou um corpo transparente
E essa flecha espiral que me circunda
Não vai do inferno ao céu nem dos anjos ao Diabo
Corre de um lado ao outro desenhando esse meu espaço
Perna, braços, ombros, pés, xulés, suores, escarros
Anus, pênis, pelos, nariz, língua, catarro
Boca, dente, saliva, peito, pescoço
Dedos no anus, na vagina, nos olhos
Sangue, porra
Mijo, bosta
Corpo
Meu Deus! Te achei, não tenho dúvidas
Conversar contigo... basta ouvir meu Corpo s.C
Tantra
Tanta parafina
Manta
Esquenta o mantra
Lê vanta, anda
Lê lê vanta lelé
Saia comigo e pinte o corpo como eu pinto
Vamos fazer um tantra?
Se jogar no abismo
De cara pro chão sem colchão, só tara
Enquanto o mantra esquenta
De baixo da manta
Pra falar de Deus, do seu, do meu
Orgasmo?
Organize o orgasmo
Multiplique o caos e desorganize o estado
Esperado no gemido repetido
Repetido
Repetido
Meu Deus é um ser orgástico
Biônico
Biológico corpológico biotônico, par em dois
Meu Deus é não divino
É contracultura, é devassidão, subventura
Particula, microcosmo, micropoder, sistema
Meu Deus, sistema contrário
No orgasmo transcende. Do corpo sinto
Sinto
Estou um corpo transparente
E essa flecha espiral que me circunda
Não vai do inferno ao céu nem dos anjos ao Diabo
Corre de um lado ao outro desenhando esse meu espaço
Perna, braços, ombros, pés, xulés, suores, escarros
Anus, pênis, pelos, nariz, língua, catarro
Boca, dente, saliva, peito, pescoço
Dedos no anus, na vagina, nos olhos
Sangue, porra
Mijo, bosta
Corpo
Meu Deus! Te achei, não tenho dúvidas
Conversar contigo... basta ouvir meu Corpo s.C
domingo, outubro 30, 2005
O Corpo Lê
Por aí aconteço.
Vou indo em cada esquina perdida dessa São Paulo contrariada
Mas por aí aconteço
Mais do que nunca, sei que aconteço
Acontecer é um verbo que nos põe no mundo
Mais que parir, nascer, cuspir
Acontecer está na gente
é por meu mérito que aconteço
É pela mãe que sou parido
Eu posso acontecer por ter-me acontecido
Depois de ter declarado meu amor a todos que amo, deixo aqui o minha auto-declaração. Por aí aconteço com a forma de Corpo Lê e o conteúdo desse mesmo corpo. Porque a forma e conteúdo em mim seguem juntos, misturados, amalgamados no que se chama Lê. Você me Lê? Preste atenção, o meu corpo me diz inteiro. Amo só por meu abraço. Não preciso mais dizer, embora saiba da força das palavras. Por isso me abraço agora... e digo que me amo. Sigo sem alma, sou só corpo. Porque assim consigo ser corpo e alma. Não me divido em categorias. Sou Lê e quem me ler, me leia assim... me amando.
Vou indo em cada esquina perdida dessa São Paulo contrariada
Mas por aí aconteço
Mais do que nunca, sei que aconteço
Acontecer é um verbo que nos põe no mundo
Mais que parir, nascer, cuspir
Acontecer está na gente
é por meu mérito que aconteço
É pela mãe que sou parido
Eu posso acontecer por ter-me acontecido
Depois de ter declarado meu amor a todos que amo, deixo aqui o minha auto-declaração. Por aí aconteço com a forma de Corpo Lê e o conteúdo desse mesmo corpo. Porque a forma e conteúdo em mim seguem juntos, misturados, amalgamados no que se chama Lê. Você me Lê? Preste atenção, o meu corpo me diz inteiro. Amo só por meu abraço. Não preciso mais dizer, embora saiba da força das palavras. Por isso me abraço agora... e digo que me amo. Sigo sem alma, sou só corpo. Porque assim consigo ser corpo e alma. Não me divido em categorias. Sou Lê e quem me ler, me leia assim... me amando.
quarta-feira, outubro 26, 2005
"Apolo era o mais belo dos deuses do Olimpo, senhor da Arte, da Música e da Medicina. Ciente da própria beleza e confiante da sua destreza no arco e flecha, ainda mais depois de Ter matado a terrível serpente Píton, que da sua caverna no Monte Parnaso, assustava a todos os habitantes daquela terra abençoada, Apolo se vangloriou a Cupido dizendo que suas flechas podiam matar qualquer coisa e tentou tomar as flechas que o pequeno deus do Amor carregava, dizendo-lhe ser muito criança para carregar tais armas.
Cupido respondeu-lhe que suas flechas poderiam de fato ferir tudo e todos mas as dele, Cupido, eram mais poderosas pois poderiam feri-lo, a ele, poderoso Apolo. Claro que Apolo não acreditou e riu-se do pequeno deus. O filho de Vênus então decidiu dar-lhe uma lição: escolheu uma flecha com ponta de ouro e outra com ponta de chumbo. A primeira atraía o amor e a segunda o repelia. Segurando seu arco encantado, Cupido pegou a flecha de ponta de chumbo e mirou na bela ninfa Dafne, filha do rio-deus Peneu. A de ouro não teve outro alvo que não o coração de Apolo."
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...
Cupido respondeu-lhe que suas flechas poderiam de fato ferir tudo e todos mas as dele, Cupido, eram mais poderosas pois poderiam feri-lo, a ele, poderoso Apolo. Claro que Apolo não acreditou e riu-se do pequeno deus. O filho de Vênus então decidiu dar-lhe uma lição: escolheu uma flecha com ponta de ouro e outra com ponta de chumbo. A primeira atraía o amor e a segunda o repelia. Segurando seu arco encantado, Cupido pegou a flecha de ponta de chumbo e mirou na bela ninfa Dafne, filha do rio-deus Peneu. A de ouro não teve outro alvo que não o coração de Apolo."
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...
segunda-feira, outubro 24, 2005
O Corpo Jabuticabeira
Meu comentário é minha fala
É
É
É
E o que não é, não importa?
Importa o que não define?
Dáfine
Dáfine
Dáfine
Três vezes Dáfine
A ninfa que habita o meu conhecimento
Me seduz e me atira nos rios do pensamento
Logo eu que sou tão corpo fico rendido a esse palavreado virtual
Minha redoma de pau
Oco
Quando morrer quero ser árvore! Já pensou, me decompor e virar uma deliciosa jabuticabeira? Assim todos poderiam me colher e dividir do meu suco, do meu conhecimento, do meu sabor doce e azedo. Arrancar as partes do meu corpo e fazer delas o seu maior prazer num domingo fim de tarde. Ser jabuticabeira, minha redoma de pau, convencido de que minha sina é doar... beijos, abraços, amaços, meu corpo gostoso e só. Depois pegam o machado e descem a lenha... convencidos de que minha sina é doar. E parece que já dei tudo que dá? Um beijo, uma amaço, um pedaço do meu corpo gostoso e eu me dôo por inteiro? Olhem e reolhem, tem mais jabuticaba madura no pé.
É
É
É
E o que não é, não importa?
Importa o que não define?
Dáfine
Dáfine
Dáfine
Três vezes Dáfine
A ninfa que habita o meu conhecimento
Me seduz e me atira nos rios do pensamento
Logo eu que sou tão corpo fico rendido a esse palavreado virtual
Minha redoma de pau
Oco
Quando morrer quero ser árvore! Já pensou, me decompor e virar uma deliciosa jabuticabeira? Assim todos poderiam me colher e dividir do meu suco, do meu conhecimento, do meu sabor doce e azedo. Arrancar as partes do meu corpo e fazer delas o seu maior prazer num domingo fim de tarde. Ser jabuticabeira, minha redoma de pau, convencido de que minha sina é doar... beijos, abraços, amaços, meu corpo gostoso e só. Depois pegam o machado e descem a lenha... convencidos de que minha sina é doar. E parece que já dei tudo que dá? Um beijo, uma amaço, um pedaço do meu corpo gostoso e eu me dôo por inteiro? Olhem e reolhem, tem mais jabuticaba madura no pé.
domingo, outubro 16, 2005
Quero-quero e o Corpo Vontade
Quero, quero escrever curto
Querida, queira-me.
Quero-quero botou ovo
Na saída d'água d'bica
Não chegue perto que ele pica
Salta vôo e grita "Quero
Quero você longe daqui!"
Fica a sede
Fica a sede
...fica
Quero-quero que proteje e o que quero não consigo
Pássaro bravo não desconfie-me assim-me de mimemim.
Quequéquaquo Quequéquaquo
Qué Qué
ovo chocado, ovo nascido
Sono embalado, acordo sabido.
Agora das minhas vontades não tenho mais controle.
Querida, queira-me.
Quero-quero botou ovo
Na saída d'água d'bica
Não chegue perto que ele pica
Salta vôo e grita "Quero
Quero você longe daqui!"
Fica a sede
Fica a sede
...fica
Quero-quero que proteje e o que quero não consigo
Pássaro bravo não desconfie-me assim-me de mimemim.
Quequéquaquo Quequéquaquo
Qué Qué
ovo chocado, ovo nascido
Sono embalado, acordo sabido.
Agora das minhas vontades não tenho mais controle.
sexta-feira, outubro 14, 2005
Corpo Hai Kai
Sinto que estou leve.
Me releve
Se o peso é que te cumprimenta
Cede a sede
Cedo cedo
durmo nas águas
O gato mia na estrada
Enquanto canto
Encanto-o enquanto mio
Me releve
Se o peso é que te cumprimenta
Cede a sede
Cedo cedo
durmo nas águas
O gato mia na estrada
Enquanto canto
Encanto-o enquanto mio
quinta-feira, outubro 06, 2005
O Corpo Em Lembrança
Do meu lado direito existem cenas reais. Do meu lado esquerdo existem memórias. Se olhar pro meu lado direito verá fatos da minha vida com a crueldade que a realidade nos apresenta. Se olhar a minha esquerda enxergará a minha criação, o fato reescrito pela minha memória, calejada, apresentado de maneira suportável a possibilitar-me um estado normal de consciência.
Prazer, meu nome é José e estou consciente.
Mente, em frente, sempre
Sempre em frente, mente
Em frente sempre a mente
Sente a mente
Mente sente
Sente! Sente...
Memória: é autonomia. Um sistema que possui memória tem a capacidade de acessar seu arquivo de experiências, o que o possibilita rever saídas, resoluções e estratégias frente as crises que o afetam. Crise: situação neurótica em que o sistema se encontra. Imagens: caos, confusão, desespero, dúvida. O momento da crise é o momento da necessidade de organização, o momento do acesso a memória.
Prazer, meu nome é José e eu estou em lembrança.
Um dia daqueles
Desses dias sem aqueles
Em que eles são só mais um de mim.
Um dia daqueles
Dessas tardes sem solzinho
Uma semana sem domingo
Sem cem das estrelas românticas que um dia...
Daqueles
De contar segredos que por tempos não me lembro
Viver bons ares, respirar inquietudes
É como um ano sem Novembro!
Como pode Dezembro nunca chegar? E o ano não acabar...
Num dia daqueles
Reveillon na praia, no sitio, no quintal de casa
Fogos de artifício que se ascendem e se apagam...
Dias de minha história que se vêm logo vão embora.
Eu não me lembro não me lembro. Será que eu não vivi o que quero me
lembrar? Vivi, claro que vivi, eu me lembro que vivi... mas eu quero as cores, o cheiro das flores, o som daquele dia! E o gosto azedo de não lembrar do que precisa ser lembrado... (Pausa)
José não lembrava
Trauma: estado de bloqueio perceptivo causado por algum fato mal resolvido em sua vida psico...psico...psico o quê?
José não lembrava, não.
José só lembrava que amava as Marias.
Ias
Ias
Ia...
Criava o fato se confortava na memória construída. Os momentos perfeitos como num dia daqueles.
Eu não me lembro...
José tenta mas não consegue e quando empaca desse jeito (pausa) ele cria.
Maria sorriu e me deu um beijo na ponta do queixo...
Prazer, meu nome é José e eu estou indo embora.
Texto criado para ser encenado pelo meu grande GRANDE amigo Nei Gomes, para ser apresentado no sarau dos Amigos da Multidão. Neiguinho, te amo!
Prazer, meu nome é José e estou consciente.
Mente, em frente, sempre
Sempre em frente, mente
Em frente sempre a mente
Sente a mente
Mente sente
Sente! Sente...
Memória: é autonomia. Um sistema que possui memória tem a capacidade de acessar seu arquivo de experiências, o que o possibilita rever saídas, resoluções e estratégias frente as crises que o afetam. Crise: situação neurótica em que o sistema se encontra. Imagens: caos, confusão, desespero, dúvida. O momento da crise é o momento da necessidade de organização, o momento do acesso a memória.
Prazer, meu nome é José e eu estou em lembrança.
Um dia daqueles
Desses dias sem aqueles
Em que eles são só mais um de mim.
Um dia daqueles
Dessas tardes sem solzinho
Uma semana sem domingo
Sem cem das estrelas românticas que um dia...
Daqueles
De contar segredos que por tempos não me lembro
Viver bons ares, respirar inquietudes
É como um ano sem Novembro!
Como pode Dezembro nunca chegar? E o ano não acabar...
Num dia daqueles
Reveillon na praia, no sitio, no quintal de casa
Fogos de artifício que se ascendem e se apagam...
Dias de minha história que se vêm logo vão embora.
Eu não me lembro não me lembro. Será que eu não vivi o que quero me
lembrar? Vivi, claro que vivi, eu me lembro que vivi... mas eu quero as cores, o cheiro das flores, o som daquele dia! E o gosto azedo de não lembrar do que precisa ser lembrado... (Pausa)
José não lembrava
Trauma: estado de bloqueio perceptivo causado por algum fato mal resolvido em sua vida psico...psico...psico o quê?
José não lembrava, não.
José só lembrava que amava as Marias.
Ias
Ias
Ia...
Criava o fato se confortava na memória construída. Os momentos perfeitos como num dia daqueles.
Eu não me lembro...
José tenta mas não consegue e quando empaca desse jeito (pausa) ele cria.
Maria sorriu e me deu um beijo na ponta do queixo...
Prazer, meu nome é José e eu estou indo embora.
Texto criado para ser encenado pelo meu grande GRANDE amigo Nei Gomes, para ser apresentado no sarau dos Amigos da Multidão. Neiguinho, te amo!
segunda-feira, outubro 03, 2005
O Corpo "X" com "CH"
Xiu...
Xiu xiu...
Xiu xiu xiu...
Xibiu... xibiliu...
Quanta causa sem causa de ser
Panta Nau Catarineta
Xuá Chuá
Qual a diferença?
Xuá Chuá
Qual a diferença?
Xibiu chulé xaxado xoxota
Qual a diferença? A parecença nem sempre é e o que é nem sempre é
As vezes somos o que não soma terapia sadomasoquia
xoxota xoxota xoxota
Só volta ôta xoxota quando chuá xuá no rio essa Nau Catarineta
Esse Panteísmo sechual sexual sechual
xoxota lorota
conversa de boca frouxa só pode terminar mal
Viva o anormal!
Papo de louco programa de índio gosto de xuxu chuchú
Xuxú Chuchu
Qual a diferença?
A diferença é informação a informação é confusão
é chulo ou xulo?
é xícara ou chícara?
é xoxota na xícara? xôxôxôxota da xícara enchota daí!
Xiiii... .
Viva o anormal!
Não se preocupe, eu tô legal
Viva a chochota com X!
Viva a xacota com "ch"!
Não façam chacota com a xoxota dela, isso é lorota de quem troca "x" por "ch".
Qual a diferença? A diferença é que eu gosto de "x" e "ch"
da chochota e da xoxota
Isso é lorota! Haha! Rrrra! Rrrrra! Pá! Pá! ôta xôxôxôxota xóxó pataxó!
Esse xocolate não me faz bem
Não adianta vir com guaraná pra mim
É xocolate o que eu quero
É o que quero... e se quero escrever Chis com "ch", vou escrever Xis com "ch"
Se quiser beijar na outra boca vou beijar! Qual a diferença? A diferença é que se não fizer o que quero hoje pode ser que amanhã já não queira mais
Pode ser que amanhã já queira mais
Pode ser que amanhã já não viva mais
Já pensou em levar um tiro na cabeça?
Xiu xiu...
Xiu xiu xiu...
Xibiu... xibiliu...
Quanta causa sem causa de ser
Panta Nau Catarineta
Xuá Chuá
Qual a diferença?
Xuá Chuá
Qual a diferença?
Xibiu chulé xaxado xoxota
Qual a diferença? A parecença nem sempre é e o que é nem sempre é
As vezes somos o que não soma terapia sadomasoquia
xoxota xoxota xoxota
Só volta ôta xoxota quando chuá xuá no rio essa Nau Catarineta
Esse Panteísmo sechual sexual sechual
xoxota lorota
conversa de boca frouxa só pode terminar mal
Viva o anormal!
Papo de louco programa de índio gosto de xuxu chuchú
Xuxú Chuchu
Qual a diferença?
A diferença é informação a informação é confusão
é chulo ou xulo?
é xícara ou chícara?
é xoxota na xícara? xôxôxôxota da xícara enchota daí!
Xiiii... .
Viva o anormal!
Não se preocupe, eu tô legal
Viva a chochota com X!
Viva a xacota com "ch"!
Não façam chacota com a xoxota dela, isso é lorota de quem troca "x" por "ch".
Qual a diferença? A diferença é que eu gosto de "x" e "ch"
da chochota e da xoxota
Isso é lorota! Haha! Rrrra! Rrrrra! Pá! Pá! ôta xôxôxôxota xóxó pataxó!
Esse xocolate não me faz bem
Não adianta vir com guaraná pra mim
É xocolate o que eu quero
É o que quero... e se quero escrever Chis com "ch", vou escrever Xis com "ch"
Se quiser beijar na outra boca vou beijar! Qual a diferença? A diferença é que se não fizer o que quero hoje pode ser que amanhã já não queira mais
Pode ser que amanhã já queira mais
Pode ser que amanhã já não viva mais
Já pensou em levar um tiro na cabeça?
terça-feira, setembro 20, 2005
Tempo Memória, O Corpo Construído
Ah tempo...achou que ia passar batido? Um, dois, três textos passam a sua frente, mas quatro já seria demais... três textos sem falar no tempo. Mas tempo é tempo...tempo é tempo...o tempo está no tempo, impossível não falar... está aí, pra te contaminar.
- Tempo, quero contar-te uma história. Vamos passear naquelas ilhas decotadas? Esquecer do tempo e viver no largo, no longo e aberto. Nada de querer ser estreito, curto e fechado. Eu quero um tempo hábil pra viver grandes paixões, serenar pelos vulcões, alastrar pelos sertões esse teu sorriso largo!
Jo
Ana e meia, meio inteira. Quero sim.
Tá vendo, Tempo? Quero sim... e não me venha com suas trapassas de senhor Tempo mal humorado me tirar deste compasso três por quatro. Quero a valsa antes do poperô. Quero tantra antes de tanta pressa. Tempo tempo... tempera minha vida como tem temperado desde sempre, mas me deixe sentir esse gostinho de felicidade e não saia atropelando meus sentimentos. Fica comigo nessas ilhas decotadas viajando cada estação, decifrando cada estrela. Não me apresse, não me pisoteie a cabeça.
Daquele um
Um dia daqueles
Desses dias sem aqueles
Em que eles são só mais um de mim.
Um dia daqueles
Dessas tardes sem solzinho
Uma semana sem domingo
Sem cem das estrelas românticas que um dia...
Daqueles
De contar segredos que por tempos não me lembro
Viver bons ares, respirar inquietudes
É como um ano sem Novembro!
Como pode Dezembro nunca chegar? E o ano não acabar...
Num dia daqueles
Reveillon na praia, no sitio, no quintal de casa
Fogos de artifício que se ascendem e se apagam...
Dias de minha história que, se vêm, logo vão embora.
Um demorado beijo àqueles que tem feito de minha vida algo que transita além do tempo do relógio. Que me fazem perder a noção dos segundos e me largam somente ao tempo biológico. Tempo de papo de bar, de aconchego num abraço, de um beijo desejado. Um grande cheiro aos construtores de minha memória.
- Tempo, quero contar-te uma história. Vamos passear naquelas ilhas decotadas? Esquecer do tempo e viver no largo, no longo e aberto. Nada de querer ser estreito, curto e fechado. Eu quero um tempo hábil pra viver grandes paixões, serenar pelos vulcões, alastrar pelos sertões esse teu sorriso largo!
Jo
Ana e meia, meio inteira. Quero sim.
Tá vendo, Tempo? Quero sim... e não me venha com suas trapassas de senhor Tempo mal humorado me tirar deste compasso três por quatro. Quero a valsa antes do poperô. Quero tantra antes de tanta pressa. Tempo tempo... tempera minha vida como tem temperado desde sempre, mas me deixe sentir esse gostinho de felicidade e não saia atropelando meus sentimentos. Fica comigo nessas ilhas decotadas viajando cada estação, decifrando cada estrela. Não me apresse, não me pisoteie a cabeça.
Daquele um
Um dia daqueles
Desses dias sem aqueles
Em que eles são só mais um de mim.
Um dia daqueles
Dessas tardes sem solzinho
Uma semana sem domingo
Sem cem das estrelas românticas que um dia...
Daqueles
De contar segredos que por tempos não me lembro
Viver bons ares, respirar inquietudes
É como um ano sem Novembro!
Como pode Dezembro nunca chegar? E o ano não acabar...
Num dia daqueles
Reveillon na praia, no sitio, no quintal de casa
Fogos de artifício que se ascendem e se apagam...
Dias de minha história que, se vêm, logo vão embora.
Um demorado beijo àqueles que tem feito de minha vida algo que transita além do tempo do relógio. Que me fazem perder a noção dos segundos e me largam somente ao tempo biológico. Tempo de papo de bar, de aconchego num abraço, de um beijo desejado. Um grande cheiro aos construtores de minha memória.
terça-feira, setembro 13, 2005
O Corpo Descabeçado
Arranque minha cabeça e perco quatro dos meus sentidos
Sobra um
Se quiser se comunicar comigo
Tateie-me
Sobra um
Se quiser se comunicar comigo
Tateie-me
quinta-feira, julho 14, 2005
O Corpo Chave
Ah! Quanto tempo... e nesse tempo quanta coisa aconteceu. Deixei de escrever por falta de tempo. E o tempo continua sendo aquilo que me tempera nestes tempos sem tempo, até mesmo pro tempo. Outro dia minha irmã (grávida de Sofia) disse de mim ser o coelho da Alice. Mas me sinto mais como Alice, prestes a acordar e perceber que este tempo é outro, que esse coelho é lobo e que O Tempo, tempo mesmo, não tenho noção do que é. Ah, tanta coisa acontecendo... tantos "tantos" que chega a ser tanta a vida. Antes fosse ela tantra, com um tempo largo, mole e lerdo. Mas são contados os minutos, contados os ventos, contadas as voltas, contados os números deste tempo atravessando meus ossos...e pensamentos. Até canto tem tempo. As notas só são música no tempo. Organiza e desorganiza, mas nunca é orgânico. Está fora de mim, passa por mim e vai. Como um cachorro magro. Como um vulto ladrão, que zum! Leva coisas e deixa a velhice... deixa a espera por um tempo... e zum! Pra frente, tic-tac, nem volta e nem olha pra trás, nunca se satisfaz com aquilo que foi feito... e zum! Traz a morte e sai rebento...sem mais nem menos. Morre o sonho, morre a gente, morre o sonho da gente amiga... o sonho da multidão aflita por querer ser amiga?! O projeto do tempo é o de ir embora. O meu é de ficar pentelhando e trabalhar trabalhar trabalhar... e sonhar sonhar sonhar. Querer a utopia pra alcançar o sonho, querer o mundo pra conseguir os oceanos, querer aquele salto pra conseguir um passo a frente... me prometo o Universo pra conseguir abraçar a Lua! É ela que eu quero! A Lua, a rua, a sua, toda nua... mesmo que um dia o tempo me estapeie a cara e diga "fica na sua que um dia eu chego e te mostro a verdade nua e crua". Sorrio, agradeço e morro... como estou morrendo todos os dias.
O corpo chave pra fechadura tempo, parte do princípio do corpo aberto pra porta vida.
Sem mais...
O corpo chave pra fechadura tempo, parte do princípio do corpo aberto pra porta vida.
Sem mais...
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