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quarta-feira, novembro 09, 2005

Meu Corpo Oposto

Pode, pode cantar em meu corpo. Pode cantar em minhas víceras vermelhas de raiva. Pode dançar na minha pele esfolada pelo tempo. Pode atuar em meus ouvidos, falando mentiras, me enganando com a rádio novela e suas promessas e desculpas, mil desculpas. Não se preocupa com o que corróe e não aparece? Esse meu corpo Lê dos mil sorrisos, dos carinhos e abraços pra todas as horas, também cansa. Me ver assim forte, andando sem camisa, desfilando o físico, escondendo o corpo cansado, exausto, mole por dentro. Sou um detento dessa vontade de estar bem o tempo inteiro, de seguir viagem com o step furado e acelerar pro penhasco. Esse jogo cansa. Meu corpo não nasceu pra levar porrada de quem eu amo. Murro no estômago, chute na canela e cotovelada no fígado, vermelho de raiva. Eu não mereço isso. Mereço? É o preço dessa sina de se doar sempre? Será que acabaram as jabuticabas e chacoalham o meu tronco pra sempre cair mais e mais? O tronco da jabuticabeira é frágil, frágil. Se apaixona fácil fácil, seduz até sem querer e aí tem mil trepadeiras usurpando da sua seiva. Mas tristeza me dá, me enfraquece de verdade, quando essa trepadeira é quem você depositou todas as suas energias por simplismente amá-la. O Corpo Lê é nessa madrugada um corpo frouxo, melancólico, triste, magoado. E nessa alteração de estado descubro mais um aspecto em Corpo Lê, meu Corpo Oposto, meu estado vazio, tão contrário as cores que costumo irradiar, descobri que também sou incolor. Agora tenho em mim a noção de Meu Corpo Oposto, porque aquilo que não define, que não é, também conta... não conta?

2 comentários:

Ângela disse...

Te amo...

Lú disse...

Lelê...
Aqui quem escreve é a Lú, das artes do CORPO. Não é a primeira nem a segunda vez que passo por aqui e leio um pouquinho sobre o corpo Lê, mas é a primeira que comento! Por quê? Não sei ao certo. Sempre senti um pouco de timidez misturada com acanhamento, talvez por não conhecer muito... mas principalmente por não achar que tinha nada de relevante pra dizer. Continuo achando. Essa mania de se boicotar antes mesmo de abrir a boca. Não sei o que mudou hoje... mas senti uma vontade tremenda de colocar algo de volta, de sair do voyerismo e retribuir de alguma forma. Retribuição de ter sido tocada, encantada e incomodada ao mesmo tempo. São as inquietações que batem mais forte de madrugada e que, em raros momentos, encontram palavras que as reconfortam de alguma forma. Acho que aí está minha resposta... escrevi em nome desta ânsia por conexão, comunicação, relação... num momento em que estou conectada a tantos mas ao mesmo tempo tão isolada nesta ilha high tech, que nos permite viver dias sem termos que nos conectar com ninguém de carne, osso, víceras, mas principalmente coração.