Segue o circo no seu rumo, quem quiser que vá atrás. Porque ele segue em frente sempre, depois volta. É circular. A caminho do circo eu vou, no balaio estou sempre a me perguntar: porque mesmo depois de tanta viajem o circo volta sempre ao mesmo lugar?
Respondo e volto sempre ao mesmo lugar
Pergunto a resposta e volto a perguntar
Retorno eterno nessa roda
Que embora sempre roda vale a redundância circular
Redunda
Redonda
Rede
Onda
nda
nada
rola
tudo roda
sempre a retornar.
rumo ao Circo do Balaio!
Das mudanças do corpo cabem as circunstâncias da vida. Cresço e, ao que amadureço, me escancaro. Aqui há minha porta aberta, onde parte o prolongamento de meus braços e pernas além do meu ego de ator e força circense. Partem minhas palavras em corpo, em carta, em viva poesia, mesmo se em prosa vier a narrativa. Sei que espiam e não deixam pistas, mas, se puderem, comentem... e deixem um pouco da sua carne poética em minha cerne criativa. Experimentem...
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terça-feira, janeiro 31, 2006
terça-feira, janeiro 24, 2006
O Corpo do Aperto do (r)Ego
Por perto, aperto
E resseguro o verbo
O Reto aperto
Seguro certo pra não entrar nem sair nada.
Que nada, o nada nada no mar sem fim
Nem começo
Nem nada
Só o tudo por completo
Tudo é tudo e nada mais
Redondo e imendado
Sem canto, sem teto
Até redondo é o reto
Querer estar por perto no redondo é sempre longe
Bom estar assim se por largo se faz estreito
E por distante se faz próximo
A fila anda e o mundo roda
O reto dilata e contrapõe
O movimento que expele a merda,
A arte
E a ferida.
E resseguro o verbo
O Reto aperto
Seguro certo pra não entrar nem sair nada.
Que nada, o nada nada no mar sem fim
Nem começo
Nem nada
Só o tudo por completo
Tudo é tudo e nada mais
Redondo e imendado
Sem canto, sem teto
Até redondo é o reto
Querer estar por perto no redondo é sempre longe
Bom estar assim se por largo se faz estreito
E por distante se faz próximo
A fila anda e o mundo roda
O reto dilata e contrapõe
O movimento que expele a merda,
A arte
E a ferida.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Carta ao Corpo de Pasárgada

Pasárgada à 6 Km
Me pego na fração do tempo e penso e repenso qual deve ser minha vocação. Gosto das artes, como gosto!
Toco violão
Brinco de percussão
Canto mal mas tenho o meu charme
Componho
Na composição escrevo e escrevendo faço poesia e filosofia
Estou longe de escrever bem
Dá pra enganar na cambalhota
Circo, me bota corpo bonito
Só
Por enquanto não vou muito além disso
Sou classe média
Fico no meio
No medíocre
No que é bom mas não é ótimo
No que me dizem ser bonito
Mas será que é autêntico?
Toco uma punheta
Brinco de ser xereta
Canto de sala com seu charme de bordel
Componho
Na transposição inverto e invertendo faço esteria e demagogia
Estou longe de falar bem
Dá pra enganar os idiotas
Circo, me bota um tanque no abdômem
Dó
No entanto, e o Homem, como fica tudo isso?
Pelo pelô pélo o pêlo no pelourinho. Chicotadas nos pormenores da vida, na bunda, na virilha. Nesta terra que tudo planta e tudo dá, só não dá pra ser artista. Numas e noutras penso em ir pra longe, lá pros interiores, viver de natureza, a verdadeira poesia que salta aos olhos, aos ouvidos e à pele. Reescrever Macunaímas e enlouquecer no colo da amada. Fundar comunidades e tentar uma nova sociedade. Plantar para comer, criar para viver e não pensar em sobreviver. Ô utopia! Sumir dessa selva de pedra que é um emaranhado de redes de pesca arrastando as tartarugas.
Não fujas
Não fujas
Fujas
Fujas
Fujas
Gosto das artes, como gosto! Mas aqui, nem assim me sinto bem. Ficam os amigos, fica a família, fica. Fica que eu vou. Se quiserem venham pra Pasárgada comigo. Venham que eu não fico, não fico porque vou. Vou encontrar os modernistas, Mário me espera ansioso. Estou saudoso. Lá não precisamos de dinheiro que aqui compra até felicidade. Lá está tudo mais ameno e aceitam bem as artes. Assim como aceitam os padeiros. Temos emprego e todos nos adoram. Nos têm como sociais. Em Pasárgada todos são amigos do rei. Lá o tempo pára pra romaria passar. O amor é mais amor, o sonho é mais sonho, o tesão é mais tesão. O choro é mais choro e a dor é mais dor. Não existe maquiagem, as máscaras caem e todo mundo fica nú! Vamos para lá encontrar Godot ao lado de Becket rindo das nossas caras que chegam com pavor. Cumprimentar São Jorge com seu cavalo de pau. E cuspir fogo no rabo do Rei. Lá todos são amigos do Rei. Lá todos podem ser autênticos gays. E os heteros serem caretas felizes, livres dos rótulos do modismo. Tudo é livre de qualquer machismo, feminismo, vanguardismo, cismos de ismos, rótulos e categorias que levam ao preconceito. Lá seremos perfeitos! Posso ficar debaixo da árvore, no pé da cachoeira, escrevendo Cartas aos Corpos e beijando a Ângela a vida inetira. Entender o que é intuição, distração e criação artística. Entender o que é tempo, espaço e metafísica. Entender o que é afeto, amor e tesão. Entender a morte e a vida. Os dualismos e os poliedros, polifaces, policorpos e políticas. Entender a dialética, o épico e a loucura. Entender a estrutura, a matéria, a base, o chão, o meio e céu. Entender a música e a emoção, o teatro e o pensamento, a poesia e a lírica humana. Entender a tentação do inferno e a religião. Entender o sagrado e o profano. Entender o milagre e encontrar Jesus Cristo Pop Star. Entender o que é e como funciona tudo isso. Como se dá no meu corpo. Entender os micropoderes e o sorriso da Monalisa. Entender a pulsão em Nietszche e a pulsão em mim. E desejar que tudo seja Eterno Retorno! Vou me embora pra Pasárgada porque lá posso viver o caminho, o processo, o fluxo do rio e o fluxo do tempo, os instantes presentes. Posso plantar pra nascer, a semente perfeita pra árvore perfeita de frutos perfeitos de sementes perfeitas. O ciclo, o círculo, o circo. O circo... o circo...
E eu num sonho
Não me acordem
Não me acordem
Me sacodem só quando terminar a viajem
Paiê, falta muito?
Meu pai? Já deve estar lá conversando com o Mário...
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sábado, janeiro 14, 2006
Um Corpo Só
Só de corpo vivo em meu mundo torto. Um corpo só de só um corpo. Um mundo torto que quer ser reto, ser letrado, ser esperto por ter estudado. Mas certo, certo, mesmo só de corpo faz-se a sabedoria. Experimentar o que vale a via, pra conhecer o que há de excesso. Em minha sabedoria colho do sentimento o fluido de um só corpo. Intuo o pró-corpo em processo de pró-ternura. Estar eterno e tenro e perceber o elo, o fluxo, o rio corrente em frente, o que liga o meu policorpo na unidade não federativa, mas livre, de prazeres, poderes e afazeres sociais, biológicos e testimoniais. Ao fim disso tudo serei só corpo, talvez erguido em jabuticabeira, com jabuticabas pingadas do pé. Mas por ser tão poli num só homem talvez encontre goiabas, laranjas, romãs e pitangas. Todos os pólens saindo de todas as flores, semeando em todos os frutos, a odorificar todos amores. Raízes de todas as árvores e terra de todas as nações. Sigo meu rumo nessa internet livre e que meus direitos autorais estejam por respeito num só corpo endireitado e que, por pró-consciencia, meu projeto de corpo seja uma tentativa letrada de dizer aos meus pelos e peles, sacos e pensamentos, estômagos e cardiovasculações a carta que os escrevo, a Carta ao Corpo em corpo(r)ações.
Obs: tudo que é "pró" lê-se a favor da correnteza do rio. O rio pode estar pro bem ou pro mal; também pode estar além do bem e do mal, o importante é que ele está indo a algum lugar. O fim? A mim interessa o caminho...
Obs: tudo que é "pró" lê-se a favor da correnteza do rio. O rio pode estar pro bem ou pro mal; também pode estar além do bem e do mal, o importante é que ele está indo a algum lugar. O fim? A mim interessa o caminho...
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Corpo do anjo.

Anjo,
Me anja
Me açucare com o seu manjar.
Meu anjo,
Me ângela
Me pele, me gele, me mostre como
desp
enc
ca
r
no seu arranjo de nuvem
Te levo, meu anjo, cachos de uvas
litros de vinho e licores do diabo
Pra sempre angelicar
Os pecados oferecidos como sacríficio
Da alma
E viva o corpo!
E viva o corpo!
E viva o corpo de anjo!
E viva os arranjos dos corpos
Os corpos sempre se arranjam
Viva o corpo de ângela?
Anja viva o seu corpo...
Criar Nova Postagem. Um novo corpo que se cria.
Crio minha nova cara
Minha nova era
Com minha antiga Eva
Que quero até a maçã ficar velha e enrugada;
Crio minha nova cara
Com felicidade de dentes
Brancos de neve e adormecidos
Belos ares de primavera batida atrasada no peito;
Com pressa deito pra sonhar
Com calma durmo pra não acordar
Num susto brando
Momento sensacional
Sensitório
Sensível
Fracionário susto no tempo do ronco
Um bú que me tirasse do tronco a percepção;
E perdesse tudo denovo
A eva, a velha, a cara nova de nova era
E visse então o amargo corpo de outrora sem as auroras
Da mudança de estação.
Minha nova era
Com minha antiga Eva
Que quero até a maçã ficar velha e enrugada;
Crio minha nova cara
Com felicidade de dentes
Brancos de neve e adormecidos
Belos ares de primavera batida atrasada no peito;
Com pressa deito pra sonhar
Com calma durmo pra não acordar
Num susto brando
Momento sensacional
Sensitório
Sensível
Fracionário susto no tempo do ronco
Um bú que me tirasse do tronco a percepção;
E perdesse tudo denovo
A eva, a velha, a cara nova de nova era
E visse então o amargo corpo de outrora sem as auroras
Da mudança de estação.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Corpo Tao

Tao
Tô espremido. Até o osso. Até o cabo. Até o caroço. Tô espremido de cólera. Até a cólera. Até a cólera me consome o caroço, o cabo, o osso. O meu pescoço arde. Tô espremido até o estômago. Meu intestino queima. E o meu pau amolece a cada... Até meu pau amolece. Até meu pau amolece. E fico assim inflamado de febre, com esperanças de tolo. Fico a esperar o milagre do santo. Posso eu fazer milagre oco? Posso ficar a mercê dos meus doídos espremidos calos do osso, do cabo, do caroço. E rezar pro santo do pau oco que me dê a benção pro pensamento do desejo alcançar o pau e deixar duro, deixar todo, maciço, até o osso, o cabo, o caroço. Até o pau ficar duro. Até o pau ficar duro. Inchado até ao menos parecer um esboço que deve ser o tao do pau.
domingo, janeiro 08, 2006
Chatterton

Serge Gainsburg
Chatterton
Original de Serge Gainsburg + Adaptação de Seu Jorge
Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Kurt Cobain, suicidou Hannibal suicidé
Vargas, suicidou Démosthène suicidé
Nietzsche Nietzsche
Enloqueceu Fou à lier
E eu, não vou nada bem Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien
Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Cléopatra, suicidou Cléopâtre suicidé
Sócrates, suicidou Isocrate suicidé
Goya Goya
Enloqueceu Fou à lier
E eu, não vou nada bem Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien
Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Marc-Antoine, suicidou Marc-Antoine suicidé
Van Gogh, suicidou Van Gogh suicidé
Schumann Schumann
Enloqueceu Fou à lier
E eu, puta que pariu, não vou nada nada bem
Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien
sábado, janeiro 07, 2006
Sigo meu rumo dois zero zero meia
Voltei de viajem. E voltei diferente. Voltei com saudade.
Voltei com ilusões de mais, talvez. Mas seja o que Deus quiser. Porque eu já não sei o que quero. Não sei o que espero se o que quero nem sempre é o que espero ver. "Pretinha, faço tudo pelo nosso amor, faço tudo pelo nosso bem, meu bem." São Jorge que anuncie minha sentença. Largo na mão do cosmos pra tentar viver na intuição... Bergson... porque controle das coisas racionais e lógicas parece ser ilógico pra mim.
Sabe tudo aquilo que combinamos? Que vá tudo à merda!
Ano novo e muita merda! Com cartão no topo do limite. Com o limite fora dos dez dias sem juros. E as juras, ah as juras, de amor longe de estarem por perto.
Voltar pra PUC em crise!
Por favor Brasil, seja hexa!
Porque o diabo, o capeta, o sem moral e sem vergonha daquele vendedor de colchões vai conseguir fazer de um inocente um ser ainda mais fudido frente aos cofres publicos... deixa pra lá, só quem sabe da história é que entende.
Voltei de viajem. Voltei diferente. Quero ter um cuidado pra isso não virar diário. No desespero é que vejo o quanto ainda falta pra eu ser artista. Escrevo tanta merda, falo tanta merda, componho tanta merda... e tanta merda! Merda, pelo menos é sorte no teatro. Quem sabe não seja um ano de merda nesses palcos, ruas, qualquer espaço, já que se faz em qualquer um hoje em dia?
Desejo a mim mesmo um ano amoral. Quem quiser-me que me queira. Jogo aos cosmos e que São Jorge me proteja.
Fico com
Nietzsche
Bergson
e Sade
Guimarães me acompanhe
Mario de Andrade vem chuva vai sol vem sol vai chuva está sempre grudado em meus calcanhares
Leminski tenho agora em meus espaços
e na cabeça Lenine canta enquanto encanto pelo ares
Sigo meu rumo dois zero zero meia
e os corpos de outrora se diluirão em temas de agora
Arre São Jorge que a viagem começa! O boi já sai encabeçado tirando vanguardeiros da frente. Corre mundo porque eu vôo enquanto tento ser poeta.
Sigo meu rumo dois zero zero meia. Quem quiser-me que me queira
Arre São Jorge! O boi tá encabeçado!
Corre mundo porque eu vou voando nas rédias de um cometa.
Meu convite tá feito. Os fatos, queimaram no crematório, consumados.
Voltei com ilusões de mais, talvez. Mas seja o que Deus quiser. Porque eu já não sei o que quero. Não sei o que espero se o que quero nem sempre é o que espero ver. "Pretinha, faço tudo pelo nosso amor, faço tudo pelo nosso bem, meu bem." São Jorge que anuncie minha sentença. Largo na mão do cosmos pra tentar viver na intuição... Bergson... porque controle das coisas racionais e lógicas parece ser ilógico pra mim.
Sabe tudo aquilo que combinamos? Que vá tudo à merda!
Ano novo e muita merda! Com cartão no topo do limite. Com o limite fora dos dez dias sem juros. E as juras, ah as juras, de amor longe de estarem por perto.
Voltar pra PUC em crise!
Por favor Brasil, seja hexa!
Porque o diabo, o capeta, o sem moral e sem vergonha daquele vendedor de colchões vai conseguir fazer de um inocente um ser ainda mais fudido frente aos cofres publicos... deixa pra lá, só quem sabe da história é que entende.
Voltei de viajem. Voltei diferente. Quero ter um cuidado pra isso não virar diário. No desespero é que vejo o quanto ainda falta pra eu ser artista. Escrevo tanta merda, falo tanta merda, componho tanta merda... e tanta merda! Merda, pelo menos é sorte no teatro. Quem sabe não seja um ano de merda nesses palcos, ruas, qualquer espaço, já que se faz em qualquer um hoje em dia?
Desejo a mim mesmo um ano amoral. Quem quiser-me que me queira. Jogo aos cosmos e que São Jorge me proteja.
Fico com
Nietzsche
Bergson
e Sade
Guimarães me acompanhe
Mario de Andrade vem chuva vai sol vem sol vai chuva está sempre grudado em meus calcanhares
Leminski tenho agora em meus espaços
e na cabeça Lenine canta enquanto encanto pelo ares
Sigo meu rumo dois zero zero meia
e os corpos de outrora se diluirão em temas de agora
Arre São Jorge que a viagem começa! O boi já sai encabeçado tirando vanguardeiros da frente. Corre mundo porque eu vôo enquanto tento ser poeta.
Sigo meu rumo dois zero zero meia. Quem quiser-me que me queira
Arre São Jorge! O boi tá encabeçado!
Corre mundo porque eu vou voando nas rédias de um cometa.
Meu convite tá feito. Os fatos, queimaram no crematório, consumados.
terça-feira, dezembro 20, 2005
Corpos que me vêem
Par em par mar em mar lar em lar dar por dar par em lar mar em par lar em dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar
ã? dar andar andar andar andar andar de lar em lar de par em par de mar em mar nunca dantes navegados
Sou angústia
Nunca sou suuuu(entoar sílaba para o agudo)ssegado
Sou fado
Não me enxerguem assim por estas vias do clichê.
ã? dar andar andar andar andar andar de lar em lar de par em par de mar em mar nunca dantes navegados
Sou angústia
Nunca sou suuuu(entoar sílaba para o agudo)ssegado
Sou fado
Não me enxerguem assim por estas vias do clichê.
sábado, dezembro 17, 2005
Corpo que me queiras
1962 - Monica Vitti e Alain DelonVivia a te buscar no além mar
Ora pois Camões não me trouxe
Ora cá me pões a traçar
Caminhos de jabuticabeiras
E jabuticabas engruvinhadas no caule do meu corpo
Sou suco
E sou morto
Sou parte
E sou todo
Sou memória, só memória
Por isso não me lembro das coisas
Sou a própria
Vivia a te buscar nas terras do Araçá
Real
Romã vermelho é certeiro amor
Sete sementes no reveillon
E sete suspiros debaixo dos lenções
Sou Hanói-Hanói
Por isso não me atenho mais nas coisas
Sou a própria
Vivia a te buscar nas terras dos sem fim
Nunca nas do Nunca
Te queria madura
Engruvinhada de jabuticabas no corpo
Que se fizesse suco e derramasse aos caminhos
Não sou tão menino
Vontade vã querer estar hoje Peter Pan
Você Sininho
Monica Vitti e Alain Delon
É mais a minha ansiedade
Sou imagem, só imagem
Por isso não me fixo no que vejo
Sou a própria.
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Corpo da Ponta do Dedão

Segue o círculo em sua aventura redonda, pelo mundo redondo, que nos circunda. Segue o eixo que nos ergue; giramos em sua cabeça ou é a sua cabeça que nos gira? Segue o círculo em sua alegoria de eterno retorno, de começo no fim e fim como recomeço. Segue o caminho que o meu olhar traça, transa do olhar sobre o seu jeito de me aceitar. Sigo enganando que sou de dança, que sou de circo, que sou músico, que sou performer, sigo enganando que sou multi. E por seguir enganando sou um bom ator. O que vale é ser bom artista. Também engano que sou poeta e que sou bom de cama. Engano que sou humano e que sou normal. Tenho minha digital no dedão, na íris e na arte. Ninguém faz da minha e não faço da de ninguém. Só me inspiro, tenho referências. Mas imprimo a minha identidade, o que me deixa estar bonito. Assim o círculo se amplia e se fecha em si mesmo.
Texto escrito na folha sacanneada acima a algumas angústias atrás...
Corpo Margarida
MargaridasQue flor será que você é? Adoro flores. Quer ganhar um sorriso besta, fácil fácil? Me dê uma flor. Não importa qual, gosto de todas. Pequenas, grandes, coloridas, classudas ou descontraídas, solitárias ou Marias-sem-vergonha. Todas, dêem-me qualquer uma que devolvo um abraço apertado e um sorriso gostoso. Que flor será que você é? Já ouvi dizer que sou um Gira-sol. Gostei... é grande, imponente, amarelo ouro, e gira (quer mais qualidade que girar com inteligência?) e sempre se renova, morre e renasce, como os grandes artistas. Sua semente dá bom oleo e suas pétalas são de veludo. Não tem cheiro, a não ser de quando úmido... mas é cheiro comum, sem grandes aromas de rosa, dama-da-noite e outras rainhas do bom odor. Porém também não encomoda. Fica mucho fácil, é verdade. Precisa de água com frequência e nunca, nunca, aceita bem uma sombra fresca. Se magoa com facilidade, precisa sempre de energia. Não faz questão de boa terra, se vira sempre com o que dá pra recolher de nutriente, tem o tronco forte e boa base de raiz, parece sempre sorrir e quando mucha é impossível ficar olhando e não fazer nada... é, parece que gira-sol combina mesmo comigo... que flor será que você é? As orquídeas são de fácil identificação. As damas-da-noite e as marias-sem-vergonha em companhia das marias-vão-com-as-outras tmabém. Tem os Lírios que são misteriosos e as violetas que são inocentes (salvo as escuras que tem um ar de segredo). As Brincos-de-princesa são preciosidades frágeis. E as flores de Ipê são símbolo nacional. Que flor será que você é? As rosas só existem no passado romântico, hoje são apenas símbolos de uma época que já passou. As tulipas me lembram sempre uma vagina, é uma flor sexual pra mim que, junto com as flores de lótus, talvez sejam as únicas espécies que pra mim o link com o corpo seja direto. A flor-de-lis é mágica. Na maioria das vezes solitária, mas com repercussão simbólica em diferentes culturas... deve nos dizer algo, não? Que flor será que você é? Flor do campo? Hibisco? Rododendros? Olho pessoas e vejo flores o tempo todo... mas o mais curioso é como brotam margaridas na minha terra. De miolo amarelo, pétalas brancas, delicadas, de ingenuidade tênue, mas com uma força de rainha do campo, domina os pastos e conquista a quem passa por perto. Margaridas, as minhas preferidas(andando lado-a-lado com as tulipas e os brincos-de-princesa). É na aparente simplicidade que elas me facinam, mas é na dualidade que elas me viciam:
Berro no alto do prédio, no meio fio, no penhasco e me jogo a céu aberto. Me jogo em mar aberto. Me jogo. Me atiro de cabeça até morrer de traumatismo. Me afogo nos ares, nos bares, mesmo que não beba, não sinta, não se entristessa pros outros. Só pra mim mesmo... sopra o vento das flores. O perfume das margaridas, tão belas e fedidas, me atraem e me repelem. Essas pessoas-margaridas que sempre brotaram em minha terra. Grito por passagem, corro pelos campos com amargas-feridas, há margaridas plantadas por todos os lados. Berro por liberdade e que se danem as pétalas caídas...
Há margaridas. Amarga ri das minhas pétalas caídas. Já era, caí com sede ao pote. Agora fico estirado no meio do nada encoberto pelas rainhas do campo.
O que tenho a fazer senão deixar-me ser gira-sol solitário girando pro sol e rezando pras nuvens não sombrearem meu corpo?
Que flor será que é você?
quarta-feira, dezembro 14, 2005
O Corpo que Acorda; O Corpo que Sonhava - Contraponto da minha vida e Acordei que Sonhava do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos

Um dia acordei que sonhava. E sonhando segui acordando de um sono bom. Se durmo ou se sonho com sono de recém partido é porque sumo pro meu bem... pro nosso bem... por sumir assim não deixando que se realizem as vontades que pra você é um pesadelo ruim. Andar no meio fio, ver de cara a posição da escolha... sendo assim, escolho seguir sonhando que acordo, mesmo que durma sobre as saudades das poucas vezes dormidas ao teu lado nos quatro anos de sonho acordado. Te amo e não sei se devo te amar. Acordo e preferia continuar dormindo num sono profundo e sem hora de ser. Um dia acordei que sonhava, tá na hora de acordar de verdade... um dia...
Corpo Hai Kai - 2
O que me deixa
Deixa-me
Aos olhos de gueixa.
Pelas flores sigo cor-de-rosa.
Aos amores
Pinto cores negras.
Degenera; o ser habita
O vale valioso.
Chumbo e ouro num mesmo balaio de gato
Miau!
Meus olhos de lince.
Chegam em vigia
Meus traços tristes. Pelas noites vagueio.
Corpo Hai Kai
Cai cai
Sobre os campos poéticos.
Cai cai balão cai não
Na minha mão
Ainda guardo os meus segredos.
Quais segredos?
Adeus a Deus
Adeus Papaia e Seu Cassis.
Deixa-me
Aos olhos de gueixa.
Pelas flores sigo cor-de-rosa.
Aos amores
Pinto cores negras.
Degenera; o ser habita
O vale valioso.
Chumbo e ouro num mesmo balaio de gato
Miau!
Meus olhos de lince.
Chegam em vigia
Meus traços tristes. Pelas noites vagueio.
Corpo Hai Kai
Cai cai
Sobre os campos poéticos.
Cai cai balão cai não
Na minha mão
Ainda guardo os meus segredos.
Quais segredos?
Adeus a Deus
Adeus Papaia e Seu Cassis.
terça-feira, dezembro 13, 2005
Corpo... o corpo que se foda.
É só aqui que me acalmo. Tem razão Jú, as pessoas criam essa imagem em mim de que sou muito tranquilo mas na realidade eu grito a todo momento, elas que não me escutam... e berrando por tranquilidade volto antes do começo do ano que vem. Mesmo exausto escrevo, já que é assim que me sinto bem... como não estou bem:
Sobre um "estar legal" da vida, amigos, nada, afinal, que estar por perto, desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: De sem sempre ninguém, mais que alguém desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: de estar bem, se estiver bem perto de mim.
Sei lá, vou sarapantar. Vou sarapantar, vou me embora. Partindo da palavra adeus, adeus a Deus. Andando aos passos... aos passos lentos. Pareço volto para um lugar que eu nunca saí de lá. Viajando em pensamentos, ora sou macaco, sou peixe, pinguim, dinossauro, ora sou cavalheiro, ora sou prisioneiro. Saídas existem várias e muitas dessas entradas começam aonde termina a outra saída. Vai e volta, vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Mesmo que não se lembre mais, mesmo que saia pra nunca mais, mesmo que cante a despedida e bote fé nessa saída vai e volta vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Adeus a Deus.
Dois textos... duas músicas. Não sei se tô mais tranquilo. Não, não tô mais tranquilo. Adeus a Deus.
Sobre um "estar legal" da vida, amigos, nada, afinal, que estar por perto, desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: De sem sempre ninguém, mais que alguém desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: de estar bem, se estiver bem perto de mim.
Sei lá, vou sarapantar. Vou sarapantar, vou me embora. Partindo da palavra adeus, adeus a Deus. Andando aos passos... aos passos lentos. Pareço volto para um lugar que eu nunca saí de lá. Viajando em pensamentos, ora sou macaco, sou peixe, pinguim, dinossauro, ora sou cavalheiro, ora sou prisioneiro. Saídas existem várias e muitas dessas entradas começam aonde termina a outra saída. Vai e volta, vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Mesmo que não se lembre mais, mesmo que saia pra nunca mais, mesmo que cante a despedida e bote fé nessa saída vai e volta vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Adeus a Deus.
Dois textos... duas músicas. Não sei se tô mais tranquilo. Não, não tô mais tranquilo. Adeus a Deus.
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Corpo Fim de Ano

Enquanto o tempo atravessa os meus ossos eu recebo facadas. Feridas que se abrem e não se fecham, sangram em direção à história dos amores perdidos, pela ignorância dos que não sabem amar. Fiquei muito tempo sem escrever neste espaço. Abandonei essa virtualidade porque o abandono é o que me é mais recorrente. E não consegui mais escrever, não consegui mais comentar (desculpa Jú), larguei mão das coisas pra tentar não largar mão do que precisava resolver de urgente. Mas cá estou de volta. Reocupo aquilo que pra mim é valioso, que não se perde assim como se perde quatro anos de namoro... por causa da ignorância dos que não sabem amar. Reocupo o meu espaço com a minha expressão. Com as palavras destreinadas de um certo tempo de feridas abertas sem oportunidade para aparecerem em palavras, em Corpo Aberto. Tantos corpos me passaram pela cabeça, tantos conceitos, tantas análises e tão pouca discussão. Ficaram presos estes corpos num Corpo Magoado. O Corpo Abandono, o Corpo Multiplicado, O Corpo Multi, o Corpo Aberto, O Corpo Expandido, O Corpo Intuição, o Corpo Distraído, estão todos em algum canto de caderno rascunhados, mas acho que aparecerão aos poucos por aqui. Mas também tem o Corpo Tempo que sempre quer retornar no seu eterno Eterno Retorno, o Corpo Eterno Retorno, o Corpo Âmago, o Corpo Fada e o Corpo Circo. O Corpo Incerto, o Corpo Revolta, o Corpo Militante e o Corpo Social. Quantos corpos nesse meu caderno de corpos desenhados para serem um dia discutidos nesse nível publico de comunicação. Mas o ano acaba e eu estou exausto. Cansado de segurar rojão com os dentes e ter que levar tudo numa boa. De aceitar situações e não ter de volta o mesmo nível de compreensão. De saber que a omissão foi usada tantas vezes como estratégia de batalha. E que porra de batalha impossível de compreender. Por isso não escrevo mais por esse ano, porque estou exausto. Preciso processar tudo isso de outra forma. Fazer repouso, cicatrizar as feridas pra conseguir abrir caminhos de compreensão. Meditar, dançar, tocar muito violão e não fazer nada que me faça pensar nas minhas angústias. Porque estou exausto. e prefiro ficar assim, sem falar nesses corpos, ficar no meu Corpo Fim de Ano e deixar tudo pro ano que vem.
domingo, novembro 27, 2005
Corpo Sem Querer II
Deixo mais um texto, como diria Chiquinho Francisco Medeiros, só pra provocar...
"Na realidade a magia é uma ciência divina.
Na verdadeira acepção da palavra, ela é o conhecimento de todos os conhecimentos, pois nos ensina como conhecer e utilizar as leis universais. Não há diferença entre magia e misticismo, ou qualquer outro conceito com esse nome, quando se trata da verdadeira iniciação. Sem se considerar o nome que essa ou aquela visão de mundo lhe dá, ela deve ser realizada seguindo as mesmas bases, as mesmas leis universais. Levando em conta as leis universais da polaridade entre o bem e o mal, ativo e passivo, luz e sombra, toda ciência pode ser aplicada para objetivos maléficos ou benéficos. Como por exemplo uma faca que normalmente só deve ser utilizada para cortar o pão, nas mãos de um assassino pode se transformar numa arma perigosa. As determinantes são sempre as particularidades do caráter de cada indivíduo. Essa afirmação vale também para todos os âmbitos do conhecimento secreto."
FRANZ BARDON
Sou secreto? Sou aberto? Sou o que sou, e o que não sou, não conta? Meu caráter característico é ser místico? Intuo, logo existo? Entôo a minha confusão...
Corpo e alma... eu digo calma alma minha calminha. Alma e corpo, não entendo a dicotomia... calminha, você tem muito que aprender.
"Na realidade a magia é uma ciência divina.
Na verdadeira acepção da palavra, ela é o conhecimento de todos os conhecimentos, pois nos ensina como conhecer e utilizar as leis universais. Não há diferença entre magia e misticismo, ou qualquer outro conceito com esse nome, quando se trata da verdadeira iniciação. Sem se considerar o nome que essa ou aquela visão de mundo lhe dá, ela deve ser realizada seguindo as mesmas bases, as mesmas leis universais. Levando em conta as leis universais da polaridade entre o bem e o mal, ativo e passivo, luz e sombra, toda ciência pode ser aplicada para objetivos maléficos ou benéficos. Como por exemplo uma faca que normalmente só deve ser utilizada para cortar o pão, nas mãos de um assassino pode se transformar numa arma perigosa. As determinantes são sempre as particularidades do caráter de cada indivíduo. Essa afirmação vale também para todos os âmbitos do conhecimento secreto."
FRANZ BARDON
Sou secreto? Sou aberto? Sou o que sou, e o que não sou, não conta? Meu caráter característico é ser místico? Intuo, logo existo? Entôo a minha confusão...
Corpo e alma... eu digo calma alma minha calminha. Alma e corpo, não entendo a dicotomia... calminha, você tem muito que aprender.
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