Das mudanças do corpo cabem as circunstâncias da vida. Cresço e, ao que amadureço, me escancaro. Aqui há minha porta aberta, onde parte o prolongamento de meus braços e pernas além do meu ego de ator e força circense. Partem minhas palavras em corpo, em carta, em viva poesia, mesmo se em prosa vier a narrativa. Sei que espiam e não deixam pistas, mas, se puderem, comentem... e deixem um pouco da sua carne poética em minha cerne criativa. Experimentem...
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terça-feira, novembro 22, 2005
quarta-feira, novembro 09, 2005
Meu Corpo Oposto
Pode, pode cantar em meu corpo. Pode cantar em minhas víceras vermelhas de raiva. Pode dançar na minha pele esfolada pelo tempo. Pode atuar em meus ouvidos, falando mentiras, me enganando com a rádio novela e suas promessas e desculpas, mil desculpas. Não se preocupa com o que corróe e não aparece? Esse meu corpo Lê dos mil sorrisos, dos carinhos e abraços pra todas as horas, também cansa. Me ver assim forte, andando sem camisa, desfilando o físico, escondendo o corpo cansado, exausto, mole por dentro. Sou um detento dessa vontade de estar bem o tempo inteiro, de seguir viagem com o step furado e acelerar pro penhasco. Esse jogo cansa. Meu corpo não nasceu pra levar porrada de quem eu amo. Murro no estômago, chute na canela e cotovelada no fígado, vermelho de raiva. Eu não mereço isso. Mereço? É o preço dessa sina de se doar sempre? Será que acabaram as jabuticabas e chacoalham o meu tronco pra sempre cair mais e mais? O tronco da jabuticabeira é frágil, frágil. Se apaixona fácil fácil, seduz até sem querer e aí tem mil trepadeiras usurpando da sua seiva. Mas tristeza me dá, me enfraquece de verdade, quando essa trepadeira é quem você depositou todas as suas energias por simplismente amá-la. O Corpo Lê é nessa madrugada um corpo frouxo, melancólico, triste, magoado. E nessa alteração de estado descubro mais um aspecto em Corpo Lê, meu Corpo Oposto, meu estado vazio, tão contrário as cores que costumo irradiar, descobri que também sou incolor. Agora tenho em mim a noção de Meu Corpo Oposto, porque aquilo que não define, que não é, também conta... não conta?
sábado, novembro 05, 2005
O Corpo Ponto de Referência
E essa noção centro-periferia? Quero criar a noçcão de ponto de referência do próprio corpo. Eu estou aqui...
Se algum aspecto esse meu corpo Lê quer romper logo de cara é essa relação que, julgo mesmo, foi criada por um asno e seguida por outros tantos. Pra que falar tão em dicotomia? Centro e Periferia... porque não se divide em milhares de partes ou considera-se tudo uma unidade? Pra que essa briga favela e Pacaembú. Se nessa estrada Perdizes da vida eu tô nos dois. Todo santo dia! Trem Calmon Viana estação de Comendador Ermelino; Brás - metrô Barra Funda. Subo a ladeira e chego na PUC. Ver gente bonita, saudável, inteligente. E mal sabem elas que cruzei com gente lendo Nietzsche no vagão... concentrado. Ou então quando pego meu fusca 73 e vou pela Avenida Assis Ribeiro, divisa com Guarulhos. Heita fim de mundo! Sou um privilegiado. Sou um dos poucos que sabe que viver no centro ou na periferia é só uma questão de olhar geográfico. E a diferença pára aí. Ou pararia se não fossem os asnos seguidores da teoria do que é longe não é interessante. Sem contar na violência! Nossa, quanto tiro! Quanto mano! Quanta maloca! Saudosa maloca, maloca querida... e a cultura? Parece que só existe até a Mooca... mas eu tento, tento apresentar uma maloca lá de Cangaíba (divisa com Guarulhos, pra quem quiser se localizar. Perto da Penha também, esse "centro da periferia") mas ninguém se interessa em ver. Pegar o trem e dar de cara com uma realidade longe da "em dez minutos eu chego, no máximo meia-hora" ver gente acabada de cansada mas mesmo assim gritando, esguelando, no truco dentro do vagão... não é pra qualquer um não. Tem que ter estômago. Vagão cheirando mofo, com goteira entrando pela ventilação e chão de madeira como remendo para os buracos no assoalho. Sem contar o aperto. Ser sardinha no trem... impossível evitar o contato com esses corpos "periferia". Categorias, categorias, categorias... pois eu nasci e cresci sabendo que sou colocado à margem. E a margem permaneço. Desenvolvo esse corpo dilatado pra atingir também o meio. Quero ser corpo Lê inteiro preenchido. Transitar livremente pelas categorias criadas para serem separatistas. Achar as brechas e atar os nós. Misturar as linhas, criar as malhas de comunicação. Perceber um todo com milhares de partes com particularidades infinitas. Perceber que cada fatia tem seu centro e sua periferia que tem seu centro e sua periferia, seu centro e sua periferia e assim por diante. Como coisas complementares e que não exsitem sem o seu conceito oposto-complementar. Esse meu corpo que se desmembra e se concentra em cada movimento de centro-periferia, periferia-centro, centro, periferia, periferia, periferia, perifer, perif, peri, perímetro, silhueta, corpo. Tenho meu corpo como referência, onde eu estiver existirá um ponto. Pra minha localização, pra minha conceituação de ponto de referência e não mais de centro-periferia, porque assim o ponto só pode estar em um dos dois aspectos... e a arte é mais do que isso, o corpo está além das dicotomias.
Sou da cidade
Sou caminho que une
Sou pescador dos nós entre as ambiguidades superficiais
Sou mergulhador das questões de minha gente
Sou pedestre da margem Tietê
Ligo a Zona Oeste e a Zona Leste pra discutir a arte em seu valor universal, dilatado
Mas cada vez que mais sou percebo que só tento ser
Tento ser caminho que une
Tento ser pescador dos nós
Tento ser
Até quando teremos que esperar as ações pontuais surtirem resultado? Destruir os micropoderes... tudo isso me consome, minha energia some e cada sono não é suficiente pra me acordar de novo pra esse mundo mudo... surdo... de quem não quer falar, de quem não quer ouvir.
Se algum aspecto esse meu corpo Lê quer romper logo de cara é essa relação que, julgo mesmo, foi criada por um asno e seguida por outros tantos. Pra que falar tão em dicotomia? Centro e Periferia... porque não se divide em milhares de partes ou considera-se tudo uma unidade? Pra que essa briga favela e Pacaembú. Se nessa estrada Perdizes da vida eu tô nos dois. Todo santo dia! Trem Calmon Viana estação de Comendador Ermelino; Brás - metrô Barra Funda. Subo a ladeira e chego na PUC. Ver gente bonita, saudável, inteligente. E mal sabem elas que cruzei com gente lendo Nietzsche no vagão... concentrado. Ou então quando pego meu fusca 73 e vou pela Avenida Assis Ribeiro, divisa com Guarulhos. Heita fim de mundo! Sou um privilegiado. Sou um dos poucos que sabe que viver no centro ou na periferia é só uma questão de olhar geográfico. E a diferença pára aí. Ou pararia se não fossem os asnos seguidores da teoria do que é longe não é interessante. Sem contar na violência! Nossa, quanto tiro! Quanto mano! Quanta maloca! Saudosa maloca, maloca querida... e a cultura? Parece que só existe até a Mooca... mas eu tento, tento apresentar uma maloca lá de Cangaíba (divisa com Guarulhos, pra quem quiser se localizar. Perto da Penha também, esse "centro da periferia") mas ninguém se interessa em ver. Pegar o trem e dar de cara com uma realidade longe da "em dez minutos eu chego, no máximo meia-hora" ver gente acabada de cansada mas mesmo assim gritando, esguelando, no truco dentro do vagão... não é pra qualquer um não. Tem que ter estômago. Vagão cheirando mofo, com goteira entrando pela ventilação e chão de madeira como remendo para os buracos no assoalho. Sem contar o aperto. Ser sardinha no trem... impossível evitar o contato com esses corpos "periferia". Categorias, categorias, categorias... pois eu nasci e cresci sabendo que sou colocado à margem. E a margem permaneço. Desenvolvo esse corpo dilatado pra atingir também o meio. Quero ser corpo Lê inteiro preenchido. Transitar livremente pelas categorias criadas para serem separatistas. Achar as brechas e atar os nós. Misturar as linhas, criar as malhas de comunicação. Perceber um todo com milhares de partes com particularidades infinitas. Perceber que cada fatia tem seu centro e sua periferia que tem seu centro e sua periferia, seu centro e sua periferia e assim por diante. Como coisas complementares e que não exsitem sem o seu conceito oposto-complementar. Esse meu corpo que se desmembra e se concentra em cada movimento de centro-periferia, periferia-centro, centro, periferia, periferia, periferia, perifer, perif, peri, perímetro, silhueta, corpo. Tenho meu corpo como referência, onde eu estiver existirá um ponto. Pra minha localização, pra minha conceituação de ponto de referência e não mais de centro-periferia, porque assim o ponto só pode estar em um dos dois aspectos... e a arte é mais do que isso, o corpo está além das dicotomias.
Sou da cidade
Sou caminho que une
Sou pescador dos nós entre as ambiguidades superficiais
Sou mergulhador das questões de minha gente
Sou pedestre da margem Tietê
Ligo a Zona Oeste e a Zona Leste pra discutir a arte em seu valor universal, dilatado
Mas cada vez que mais sou percebo que só tento ser
Tento ser caminho que une
Tento ser pescador dos nós
Tento ser
Até quando teremos que esperar as ações pontuais surtirem resultado? Destruir os micropoderes... tudo isso me consome, minha energia some e cada sono não é suficiente pra me acordar de novo pra esse mundo mudo... surdo... de quem não quer falar, de quem não quer ouvir.
sexta-feira, novembro 04, 2005
Corpo Resposta
Corpo Resposta ao comentário de Corpo s.C.
Te Lêio e te aceito assim como é. Danço com o corpo c.C porque não tenho preconceito com os corpos. Sou corpo s.C porque sou, não porque quero ou porque nego. Nitzsche é anti-cristo, só sou sem. Não tenho referência, no meu corpo não há a.C nem d.C, não tenho referência. Não quero desconverter ninguém, só narro um aspecto do meu corpo Lê. E concordo quando diz que está presente em mim este Corpo c.C. Assim como todos os outros tipos de corpos que me constroem. Porque sou uma esponja e absorvo tudo que a mim chega. Te absorvo a cada instante, Jú. Absorvo cada artista, cada herói e cada anti-herói. E me construo nessas constradições. Ser corpo s.C ao mesmo tempo que me dizem ter um corpo c.C. E acredito! Sei que sou assim mesmo.
Te Lêio e te aceito assim como é. Danço com o corpo c.C porque não tenho preconceito com os corpos. Sou corpo s.C porque sou, não porque quero ou porque nego. Nitzsche é anti-cristo, só sou sem. Não tenho referência, no meu corpo não há a.C nem d.C, não tenho referência. Não quero desconverter ninguém, só narro um aspecto do meu corpo Lê. E concordo quando diz que está presente em mim este Corpo c.C. Assim como todos os outros tipos de corpos que me constroem. Porque sou uma esponja e absorvo tudo que a mim chega. Te absorvo a cada instante, Jú. Absorvo cada artista, cada herói e cada anti-herói. E me construo nessas constradições. Ser corpo s.C ao mesmo tempo que me dizem ter um corpo c.C. E acredito! Sei que sou assim mesmo.
quinta-feira, novembro 03, 2005
O Corpo s.C (sem Cristo)
Tanta parafernália
Tantra
Tanta parafina
Manta
Esquenta o mantra
Lê vanta, anda
Lê lê vanta lelé
Saia comigo e pinte o corpo como eu pinto
Vamos fazer um tantra?
Se jogar no abismo
De cara pro chão sem colchão, só tara
Enquanto o mantra esquenta
De baixo da manta
Pra falar de Deus, do seu, do meu
Orgasmo?
Organize o orgasmo
Multiplique o caos e desorganize o estado
Esperado no gemido repetido
Repetido
Repetido
Meu Deus é um ser orgástico
Biônico
Biológico corpológico biotônico, par em dois
Meu Deus é não divino
É contracultura, é devassidão, subventura
Particula, microcosmo, micropoder, sistema
Meu Deus, sistema contrário
No orgasmo transcende. Do corpo sinto
Sinto
Estou um corpo transparente
E essa flecha espiral que me circunda
Não vai do inferno ao céu nem dos anjos ao Diabo
Corre de um lado ao outro desenhando esse meu espaço
Perna, braços, ombros, pés, xulés, suores, escarros
Anus, pênis, pelos, nariz, língua, catarro
Boca, dente, saliva, peito, pescoço
Dedos no anus, na vagina, nos olhos
Sangue, porra
Mijo, bosta
Corpo
Meu Deus! Te achei, não tenho dúvidas
Conversar contigo... basta ouvir meu Corpo s.C
Tantra
Tanta parafina
Manta
Esquenta o mantra
Lê vanta, anda
Lê lê vanta lelé
Saia comigo e pinte o corpo como eu pinto
Vamos fazer um tantra?
Se jogar no abismo
De cara pro chão sem colchão, só tara
Enquanto o mantra esquenta
De baixo da manta
Pra falar de Deus, do seu, do meu
Orgasmo?
Organize o orgasmo
Multiplique o caos e desorganize o estado
Esperado no gemido repetido
Repetido
Repetido
Meu Deus é um ser orgástico
Biônico
Biológico corpológico biotônico, par em dois
Meu Deus é não divino
É contracultura, é devassidão, subventura
Particula, microcosmo, micropoder, sistema
Meu Deus, sistema contrário
No orgasmo transcende. Do corpo sinto
Sinto
Estou um corpo transparente
E essa flecha espiral que me circunda
Não vai do inferno ao céu nem dos anjos ao Diabo
Corre de um lado ao outro desenhando esse meu espaço
Perna, braços, ombros, pés, xulés, suores, escarros
Anus, pênis, pelos, nariz, língua, catarro
Boca, dente, saliva, peito, pescoço
Dedos no anus, na vagina, nos olhos
Sangue, porra
Mijo, bosta
Corpo
Meu Deus! Te achei, não tenho dúvidas
Conversar contigo... basta ouvir meu Corpo s.C
domingo, outubro 30, 2005
O Corpo Lê
Por aí aconteço.
Vou indo em cada esquina perdida dessa São Paulo contrariada
Mas por aí aconteço
Mais do que nunca, sei que aconteço
Acontecer é um verbo que nos põe no mundo
Mais que parir, nascer, cuspir
Acontecer está na gente
é por meu mérito que aconteço
É pela mãe que sou parido
Eu posso acontecer por ter-me acontecido
Depois de ter declarado meu amor a todos que amo, deixo aqui o minha auto-declaração. Por aí aconteço com a forma de Corpo Lê e o conteúdo desse mesmo corpo. Porque a forma e conteúdo em mim seguem juntos, misturados, amalgamados no que se chama Lê. Você me Lê? Preste atenção, o meu corpo me diz inteiro. Amo só por meu abraço. Não preciso mais dizer, embora saiba da força das palavras. Por isso me abraço agora... e digo que me amo. Sigo sem alma, sou só corpo. Porque assim consigo ser corpo e alma. Não me divido em categorias. Sou Lê e quem me ler, me leia assim... me amando.
Vou indo em cada esquina perdida dessa São Paulo contrariada
Mas por aí aconteço
Mais do que nunca, sei que aconteço
Acontecer é um verbo que nos põe no mundo
Mais que parir, nascer, cuspir
Acontecer está na gente
é por meu mérito que aconteço
É pela mãe que sou parido
Eu posso acontecer por ter-me acontecido
Depois de ter declarado meu amor a todos que amo, deixo aqui o minha auto-declaração. Por aí aconteço com a forma de Corpo Lê e o conteúdo desse mesmo corpo. Porque a forma e conteúdo em mim seguem juntos, misturados, amalgamados no que se chama Lê. Você me Lê? Preste atenção, o meu corpo me diz inteiro. Amo só por meu abraço. Não preciso mais dizer, embora saiba da força das palavras. Por isso me abraço agora... e digo que me amo. Sigo sem alma, sou só corpo. Porque assim consigo ser corpo e alma. Não me divido em categorias. Sou Lê e quem me ler, me leia assim... me amando.
quarta-feira, outubro 26, 2005
"Apolo era o mais belo dos deuses do Olimpo, senhor da Arte, da Música e da Medicina. Ciente da própria beleza e confiante da sua destreza no arco e flecha, ainda mais depois de Ter matado a terrível serpente Píton, que da sua caverna no Monte Parnaso, assustava a todos os habitantes daquela terra abençoada, Apolo se vangloriou a Cupido dizendo que suas flechas podiam matar qualquer coisa e tentou tomar as flechas que o pequeno deus do Amor carregava, dizendo-lhe ser muito criança para carregar tais armas.
Cupido respondeu-lhe que suas flechas poderiam de fato ferir tudo e todos mas as dele, Cupido, eram mais poderosas pois poderiam feri-lo, a ele, poderoso Apolo. Claro que Apolo não acreditou e riu-se do pequeno deus. O filho de Vênus então decidiu dar-lhe uma lição: escolheu uma flecha com ponta de ouro e outra com ponta de chumbo. A primeira atraía o amor e a segunda o repelia. Segurando seu arco encantado, Cupido pegou a flecha de ponta de chumbo e mirou na bela ninfa Dafne, filha do rio-deus Peneu. A de ouro não teve outro alvo que não o coração de Apolo."
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...
Cupido respondeu-lhe que suas flechas poderiam de fato ferir tudo e todos mas as dele, Cupido, eram mais poderosas pois poderiam feri-lo, a ele, poderoso Apolo. Claro que Apolo não acreditou e riu-se do pequeno deus. O filho de Vênus então decidiu dar-lhe uma lição: escolheu uma flecha com ponta de ouro e outra com ponta de chumbo. A primeira atraía o amor e a segunda o repelia. Segurando seu arco encantado, Cupido pegou a flecha de ponta de chumbo e mirou na bela ninfa Dafne, filha do rio-deus Peneu. A de ouro não teve outro alvo que não o coração de Apolo."
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...
segunda-feira, outubro 24, 2005
O Corpo Jabuticabeira
Meu comentário é minha fala
É
É
É
E o que não é, não importa?
Importa o que não define?
Dáfine
Dáfine
Dáfine
Três vezes Dáfine
A ninfa que habita o meu conhecimento
Me seduz e me atira nos rios do pensamento
Logo eu que sou tão corpo fico rendido a esse palavreado virtual
Minha redoma de pau
Oco
Quando morrer quero ser árvore! Já pensou, me decompor e virar uma deliciosa jabuticabeira? Assim todos poderiam me colher e dividir do meu suco, do meu conhecimento, do meu sabor doce e azedo. Arrancar as partes do meu corpo e fazer delas o seu maior prazer num domingo fim de tarde. Ser jabuticabeira, minha redoma de pau, convencido de que minha sina é doar... beijos, abraços, amaços, meu corpo gostoso e só. Depois pegam o machado e descem a lenha... convencidos de que minha sina é doar. E parece que já dei tudo que dá? Um beijo, uma amaço, um pedaço do meu corpo gostoso e eu me dôo por inteiro? Olhem e reolhem, tem mais jabuticaba madura no pé.
É
É
É
E o que não é, não importa?
Importa o que não define?
Dáfine
Dáfine
Dáfine
Três vezes Dáfine
A ninfa que habita o meu conhecimento
Me seduz e me atira nos rios do pensamento
Logo eu que sou tão corpo fico rendido a esse palavreado virtual
Minha redoma de pau
Oco
Quando morrer quero ser árvore! Já pensou, me decompor e virar uma deliciosa jabuticabeira? Assim todos poderiam me colher e dividir do meu suco, do meu conhecimento, do meu sabor doce e azedo. Arrancar as partes do meu corpo e fazer delas o seu maior prazer num domingo fim de tarde. Ser jabuticabeira, minha redoma de pau, convencido de que minha sina é doar... beijos, abraços, amaços, meu corpo gostoso e só. Depois pegam o machado e descem a lenha... convencidos de que minha sina é doar. E parece que já dei tudo que dá? Um beijo, uma amaço, um pedaço do meu corpo gostoso e eu me dôo por inteiro? Olhem e reolhem, tem mais jabuticaba madura no pé.
domingo, outubro 16, 2005
Quero-quero e o Corpo Vontade
Quero, quero escrever curto
Querida, queira-me.
Quero-quero botou ovo
Na saída d'água d'bica
Não chegue perto que ele pica
Salta vôo e grita "Quero
Quero você longe daqui!"
Fica a sede
Fica a sede
...fica
Quero-quero que proteje e o que quero não consigo
Pássaro bravo não desconfie-me assim-me de mimemim.
Quequéquaquo Quequéquaquo
Qué Qué
ovo chocado, ovo nascido
Sono embalado, acordo sabido.
Agora das minhas vontades não tenho mais controle.
Querida, queira-me.
Quero-quero botou ovo
Na saída d'água d'bica
Não chegue perto que ele pica
Salta vôo e grita "Quero
Quero você longe daqui!"
Fica a sede
Fica a sede
...fica
Quero-quero que proteje e o que quero não consigo
Pássaro bravo não desconfie-me assim-me de mimemim.
Quequéquaquo Quequéquaquo
Qué Qué
ovo chocado, ovo nascido
Sono embalado, acordo sabido.
Agora das minhas vontades não tenho mais controle.
sexta-feira, outubro 14, 2005
Corpo Hai Kai
Sinto que estou leve.
Me releve
Se o peso é que te cumprimenta
Cede a sede
Cedo cedo
durmo nas águas
O gato mia na estrada
Enquanto canto
Encanto-o enquanto mio
Me releve
Se o peso é que te cumprimenta
Cede a sede
Cedo cedo
durmo nas águas
O gato mia na estrada
Enquanto canto
Encanto-o enquanto mio
quinta-feira, outubro 06, 2005
O Corpo Em Lembrança
Do meu lado direito existem cenas reais. Do meu lado esquerdo existem memórias. Se olhar pro meu lado direito verá fatos da minha vida com a crueldade que a realidade nos apresenta. Se olhar a minha esquerda enxergará a minha criação, o fato reescrito pela minha memória, calejada, apresentado de maneira suportável a possibilitar-me um estado normal de consciência.
Prazer, meu nome é José e estou consciente.
Mente, em frente, sempre
Sempre em frente, mente
Em frente sempre a mente
Sente a mente
Mente sente
Sente! Sente...
Memória: é autonomia. Um sistema que possui memória tem a capacidade de acessar seu arquivo de experiências, o que o possibilita rever saídas, resoluções e estratégias frente as crises que o afetam. Crise: situação neurótica em que o sistema se encontra. Imagens: caos, confusão, desespero, dúvida. O momento da crise é o momento da necessidade de organização, o momento do acesso a memória.
Prazer, meu nome é José e eu estou em lembrança.
Um dia daqueles
Desses dias sem aqueles
Em que eles são só mais um de mim.
Um dia daqueles
Dessas tardes sem solzinho
Uma semana sem domingo
Sem cem das estrelas românticas que um dia...
Daqueles
De contar segredos que por tempos não me lembro
Viver bons ares, respirar inquietudes
É como um ano sem Novembro!
Como pode Dezembro nunca chegar? E o ano não acabar...
Num dia daqueles
Reveillon na praia, no sitio, no quintal de casa
Fogos de artifício que se ascendem e se apagam...
Dias de minha história que se vêm logo vão embora.
Eu não me lembro não me lembro. Será que eu não vivi o que quero me
lembrar? Vivi, claro que vivi, eu me lembro que vivi... mas eu quero as cores, o cheiro das flores, o som daquele dia! E o gosto azedo de não lembrar do que precisa ser lembrado... (Pausa)
José não lembrava
Trauma: estado de bloqueio perceptivo causado por algum fato mal resolvido em sua vida psico...psico...psico o quê?
José não lembrava, não.
José só lembrava que amava as Marias.
Ias
Ias
Ia...
Criava o fato se confortava na memória construída. Os momentos perfeitos como num dia daqueles.
Eu não me lembro...
José tenta mas não consegue e quando empaca desse jeito (pausa) ele cria.
Maria sorriu e me deu um beijo na ponta do queixo...
Prazer, meu nome é José e eu estou indo embora.
Texto criado para ser encenado pelo meu grande GRANDE amigo Nei Gomes, para ser apresentado no sarau dos Amigos da Multidão. Neiguinho, te amo!
Prazer, meu nome é José e estou consciente.
Mente, em frente, sempre
Sempre em frente, mente
Em frente sempre a mente
Sente a mente
Mente sente
Sente! Sente...
Memória: é autonomia. Um sistema que possui memória tem a capacidade de acessar seu arquivo de experiências, o que o possibilita rever saídas, resoluções e estratégias frente as crises que o afetam. Crise: situação neurótica em que o sistema se encontra. Imagens: caos, confusão, desespero, dúvida. O momento da crise é o momento da necessidade de organização, o momento do acesso a memória.
Prazer, meu nome é José e eu estou em lembrança.
Um dia daqueles
Desses dias sem aqueles
Em que eles são só mais um de mim.
Um dia daqueles
Dessas tardes sem solzinho
Uma semana sem domingo
Sem cem das estrelas românticas que um dia...
Daqueles
De contar segredos que por tempos não me lembro
Viver bons ares, respirar inquietudes
É como um ano sem Novembro!
Como pode Dezembro nunca chegar? E o ano não acabar...
Num dia daqueles
Reveillon na praia, no sitio, no quintal de casa
Fogos de artifício que se ascendem e se apagam...
Dias de minha história que se vêm logo vão embora.
Eu não me lembro não me lembro. Será que eu não vivi o que quero me
lembrar? Vivi, claro que vivi, eu me lembro que vivi... mas eu quero as cores, o cheiro das flores, o som daquele dia! E o gosto azedo de não lembrar do que precisa ser lembrado... (Pausa)
José não lembrava
Trauma: estado de bloqueio perceptivo causado por algum fato mal resolvido em sua vida psico...psico...psico o quê?
José não lembrava, não.
José só lembrava que amava as Marias.
Ias
Ias
Ia...
Criava o fato se confortava na memória construída. Os momentos perfeitos como num dia daqueles.
Eu não me lembro...
José tenta mas não consegue e quando empaca desse jeito (pausa) ele cria.
Maria sorriu e me deu um beijo na ponta do queixo...
Prazer, meu nome é José e eu estou indo embora.
Texto criado para ser encenado pelo meu grande GRANDE amigo Nei Gomes, para ser apresentado no sarau dos Amigos da Multidão. Neiguinho, te amo!
segunda-feira, outubro 03, 2005
O Corpo "X" com "CH"
Xiu...
Xiu xiu...
Xiu xiu xiu...
Xibiu... xibiliu...
Quanta causa sem causa de ser
Panta Nau Catarineta
Xuá Chuá
Qual a diferença?
Xuá Chuá
Qual a diferença?
Xibiu chulé xaxado xoxota
Qual a diferença? A parecença nem sempre é e o que é nem sempre é
As vezes somos o que não soma terapia sadomasoquia
xoxota xoxota xoxota
Só volta ôta xoxota quando chuá xuá no rio essa Nau Catarineta
Esse Panteísmo sechual sexual sechual
xoxota lorota
conversa de boca frouxa só pode terminar mal
Viva o anormal!
Papo de louco programa de índio gosto de xuxu chuchú
Xuxú Chuchu
Qual a diferença?
A diferença é informação a informação é confusão
é chulo ou xulo?
é xícara ou chícara?
é xoxota na xícara? xôxôxôxota da xícara enchota daí!
Xiiii... .
Viva o anormal!
Não se preocupe, eu tô legal
Viva a chochota com X!
Viva a xacota com "ch"!
Não façam chacota com a xoxota dela, isso é lorota de quem troca "x" por "ch".
Qual a diferença? A diferença é que eu gosto de "x" e "ch"
da chochota e da xoxota
Isso é lorota! Haha! Rrrra! Rrrrra! Pá! Pá! ôta xôxôxôxota xóxó pataxó!
Esse xocolate não me faz bem
Não adianta vir com guaraná pra mim
É xocolate o que eu quero
É o que quero... e se quero escrever Chis com "ch", vou escrever Xis com "ch"
Se quiser beijar na outra boca vou beijar! Qual a diferença? A diferença é que se não fizer o que quero hoje pode ser que amanhã já não queira mais
Pode ser que amanhã já queira mais
Pode ser que amanhã já não viva mais
Já pensou em levar um tiro na cabeça?
Xiu xiu...
Xiu xiu xiu...
Xibiu... xibiliu...
Quanta causa sem causa de ser
Panta Nau Catarineta
Xuá Chuá
Qual a diferença?
Xuá Chuá
Qual a diferença?
Xibiu chulé xaxado xoxota
Qual a diferença? A parecença nem sempre é e o que é nem sempre é
As vezes somos o que não soma terapia sadomasoquia
xoxota xoxota xoxota
Só volta ôta xoxota quando chuá xuá no rio essa Nau Catarineta
Esse Panteísmo sechual sexual sechual
xoxota lorota
conversa de boca frouxa só pode terminar mal
Viva o anormal!
Papo de louco programa de índio gosto de xuxu chuchú
Xuxú Chuchu
Qual a diferença?
A diferença é informação a informação é confusão
é chulo ou xulo?
é xícara ou chícara?
é xoxota na xícara? xôxôxôxota da xícara enchota daí!
Xiiii... .
Viva o anormal!
Não se preocupe, eu tô legal
Viva a chochota com X!
Viva a xacota com "ch"!
Não façam chacota com a xoxota dela, isso é lorota de quem troca "x" por "ch".
Qual a diferença? A diferença é que eu gosto de "x" e "ch"
da chochota e da xoxota
Isso é lorota! Haha! Rrrra! Rrrrra! Pá! Pá! ôta xôxôxôxota xóxó pataxó!
Esse xocolate não me faz bem
Não adianta vir com guaraná pra mim
É xocolate o que eu quero
É o que quero... e se quero escrever Chis com "ch", vou escrever Xis com "ch"
Se quiser beijar na outra boca vou beijar! Qual a diferença? A diferença é que se não fizer o que quero hoje pode ser que amanhã já não queira mais
Pode ser que amanhã já queira mais
Pode ser que amanhã já não viva mais
Já pensou em levar um tiro na cabeça?
terça-feira, setembro 20, 2005
Tempo Memória, O Corpo Construído
Ah tempo...achou que ia passar batido? Um, dois, três textos passam a sua frente, mas quatro já seria demais... três textos sem falar no tempo. Mas tempo é tempo...tempo é tempo...o tempo está no tempo, impossível não falar... está aí, pra te contaminar.
- Tempo, quero contar-te uma história. Vamos passear naquelas ilhas decotadas? Esquecer do tempo e viver no largo, no longo e aberto. Nada de querer ser estreito, curto e fechado. Eu quero um tempo hábil pra viver grandes paixões, serenar pelos vulcões, alastrar pelos sertões esse teu sorriso largo!
Jo
Ana e meia, meio inteira. Quero sim.
Tá vendo, Tempo? Quero sim... e não me venha com suas trapassas de senhor Tempo mal humorado me tirar deste compasso três por quatro. Quero a valsa antes do poperô. Quero tantra antes de tanta pressa. Tempo tempo... tempera minha vida como tem temperado desde sempre, mas me deixe sentir esse gostinho de felicidade e não saia atropelando meus sentimentos. Fica comigo nessas ilhas decotadas viajando cada estação, decifrando cada estrela. Não me apresse, não me pisoteie a cabeça.
Daquele um
Um dia daqueles
Desses dias sem aqueles
Em que eles são só mais um de mim.
Um dia daqueles
Dessas tardes sem solzinho
Uma semana sem domingo
Sem cem das estrelas românticas que um dia...
Daqueles
De contar segredos que por tempos não me lembro
Viver bons ares, respirar inquietudes
É como um ano sem Novembro!
Como pode Dezembro nunca chegar? E o ano não acabar...
Num dia daqueles
Reveillon na praia, no sitio, no quintal de casa
Fogos de artifício que se ascendem e se apagam...
Dias de minha história que, se vêm, logo vão embora.
Um demorado beijo àqueles que tem feito de minha vida algo que transita além do tempo do relógio. Que me fazem perder a noção dos segundos e me largam somente ao tempo biológico. Tempo de papo de bar, de aconchego num abraço, de um beijo desejado. Um grande cheiro aos construtores de minha memória.
- Tempo, quero contar-te uma história. Vamos passear naquelas ilhas decotadas? Esquecer do tempo e viver no largo, no longo e aberto. Nada de querer ser estreito, curto e fechado. Eu quero um tempo hábil pra viver grandes paixões, serenar pelos vulcões, alastrar pelos sertões esse teu sorriso largo!
Jo
Ana e meia, meio inteira. Quero sim.
Tá vendo, Tempo? Quero sim... e não me venha com suas trapassas de senhor Tempo mal humorado me tirar deste compasso três por quatro. Quero a valsa antes do poperô. Quero tantra antes de tanta pressa. Tempo tempo... tempera minha vida como tem temperado desde sempre, mas me deixe sentir esse gostinho de felicidade e não saia atropelando meus sentimentos. Fica comigo nessas ilhas decotadas viajando cada estação, decifrando cada estrela. Não me apresse, não me pisoteie a cabeça.
Daquele um
Um dia daqueles
Desses dias sem aqueles
Em que eles são só mais um de mim.
Um dia daqueles
Dessas tardes sem solzinho
Uma semana sem domingo
Sem cem das estrelas românticas que um dia...
Daqueles
De contar segredos que por tempos não me lembro
Viver bons ares, respirar inquietudes
É como um ano sem Novembro!
Como pode Dezembro nunca chegar? E o ano não acabar...
Num dia daqueles
Reveillon na praia, no sitio, no quintal de casa
Fogos de artifício que se ascendem e se apagam...
Dias de minha história que, se vêm, logo vão embora.
Um demorado beijo àqueles que tem feito de minha vida algo que transita além do tempo do relógio. Que me fazem perder a noção dos segundos e me largam somente ao tempo biológico. Tempo de papo de bar, de aconchego num abraço, de um beijo desejado. Um grande cheiro aos construtores de minha memória.
terça-feira, setembro 13, 2005
O Corpo Descabeçado
Arranque minha cabeça e perco quatro dos meus sentidos
Sobra um
Se quiser se comunicar comigo
Tateie-me
Sobra um
Se quiser se comunicar comigo
Tateie-me
quinta-feira, julho 14, 2005
O Corpo Chave
Ah! Quanto tempo... e nesse tempo quanta coisa aconteceu. Deixei de escrever por falta de tempo. E o tempo continua sendo aquilo que me tempera nestes tempos sem tempo, até mesmo pro tempo. Outro dia minha irmã (grávida de Sofia) disse de mim ser o coelho da Alice. Mas me sinto mais como Alice, prestes a acordar e perceber que este tempo é outro, que esse coelho é lobo e que O Tempo, tempo mesmo, não tenho noção do que é. Ah, tanta coisa acontecendo... tantos "tantos" que chega a ser tanta a vida. Antes fosse ela tantra, com um tempo largo, mole e lerdo. Mas são contados os minutos, contados os ventos, contadas as voltas, contados os números deste tempo atravessando meus ossos...e pensamentos. Até canto tem tempo. As notas só são música no tempo. Organiza e desorganiza, mas nunca é orgânico. Está fora de mim, passa por mim e vai. Como um cachorro magro. Como um vulto ladrão, que zum! Leva coisas e deixa a velhice... deixa a espera por um tempo... e zum! Pra frente, tic-tac, nem volta e nem olha pra trás, nunca se satisfaz com aquilo que foi feito... e zum! Traz a morte e sai rebento...sem mais nem menos. Morre o sonho, morre a gente, morre o sonho da gente amiga... o sonho da multidão aflita por querer ser amiga?! O projeto do tempo é o de ir embora. O meu é de ficar pentelhando e trabalhar trabalhar trabalhar... e sonhar sonhar sonhar. Querer a utopia pra alcançar o sonho, querer o mundo pra conseguir os oceanos, querer aquele salto pra conseguir um passo a frente... me prometo o Universo pra conseguir abraçar a Lua! É ela que eu quero! A Lua, a rua, a sua, toda nua... mesmo que um dia o tempo me estapeie a cara e diga "fica na sua que um dia eu chego e te mostro a verdade nua e crua". Sorrio, agradeço e morro... como estou morrendo todos os dias.
O corpo chave pra fechadura tempo, parte do princípio do corpo aberto pra porta vida.
Sem mais...
O corpo chave pra fechadura tempo, parte do princípio do corpo aberto pra porta vida.
Sem mais...
terça-feira, março 01, 2005
O Corpo Gira
Nietzsche e Gira: um giravento pelas vidas
retrocessas (para pensar nos momentos de escolha e
angústia)
341.
O maior dos pesos.- E se um dia, ou uma noite,
um demônio lhe aparecesse
furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse:
" Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você
terá de
viver mais uma vez e incontáveis vezes; e nada haverá
de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada
suspiro e pensamento, e tudo o que
é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de
lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem
- e assim também
essa aranha e esse luar entre as árvores, e também
esse
instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir
será sempre virada novamente - e você com ela,
partícula de poeira!". - Você não se prostraria e
rangeria os dentes e amaldiçoaria o demônio que assim
falou?
Ou você já experimentou um instante imenso, no qual
lhe
responderia: "Você é um deus e jamais ouvi coisa tão
divina!". Se esse pensamento tomasse conta de você,
tal como você é, ele o transformaria e o esmagaria
talvez; a questão em tudo e em cada coisa, "Você quer
isso mais uma vez e por incontáveis vezes?", pesaria
sobre os seus atos como o maior dos pesos! Ou o quanto
você teria de estar bem consigo mesmo e com a vida,
para não desejar nada além dessa última, eterna
confirmação e chancela?
( NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. São Paulo:
Companhia das Letras,
2001.)
Se Nietzsche abriu alas para os nossos estudos
filosóficos, ele também fecha nossos preceitos e
esperanças... mas apenas por hora... pra Nietzsche, um
ciclo é infinito, um circulo volta em si num movimento
eterno, nascimento e morte, com uma vida no meio feita
de escolhas...um eterno retorno, eterno...gira o
círculo, um círculo gira só e só gira o círculo, nada
mais...
retrocessas (para pensar nos momentos de escolha e
angústia)
341.
O maior dos pesos.- E se um dia, ou uma noite,
um demônio lhe aparecesse
furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse:
" Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você
terá de
viver mais uma vez e incontáveis vezes; e nada haverá
de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada
suspiro e pensamento, e tudo o que
é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de
lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem
- e assim também
essa aranha e esse luar entre as árvores, e também
esse
instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir
será sempre virada novamente - e você com ela,
partícula de poeira!". - Você não se prostraria e
rangeria os dentes e amaldiçoaria o demônio que assim
falou?
Ou você já experimentou um instante imenso, no qual
lhe
responderia: "Você é um deus e jamais ouvi coisa tão
divina!". Se esse pensamento tomasse conta de você,
tal como você é, ele o transformaria e o esmagaria
talvez; a questão em tudo e em cada coisa, "Você quer
isso mais uma vez e por incontáveis vezes?", pesaria
sobre os seus atos como o maior dos pesos! Ou o quanto
você teria de estar bem consigo mesmo e com a vida,
para não desejar nada além dessa última, eterna
confirmação e chancela?
( NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. São Paulo:
Companhia das Letras,
2001.)
Se Nietzsche abriu alas para os nossos estudos
filosóficos, ele também fecha nossos preceitos e
esperanças... mas apenas por hora... pra Nietzsche, um
ciclo é infinito, um circulo volta em si num movimento
eterno, nascimento e morte, com uma vida no meio feita
de escolhas...um eterno retorno, eterno...gira o
círculo, um círculo gira só e só gira o círculo, nada
mais...
terça-feira, fevereiro 15, 2005
O Corpo Falso do Homem Sem Limites
Por essas e outras que digo que gato miou, cachorro latiu e o homem faliu a rica esperança de Deus em seu projeto de mundo perfeito.
Sobre isso digo pouco, porque o que falo é o pouco que foge entalado do saturado ego frouxo de gente nova no pedaço.
Pouco se fala, nada pouco se pensa, muito se transforma e comprime o que cria o artista. E deprime o que cria a criatura pois é sublime aquilo que desfragmenta. Aquilo que aparenta é falsa menta e o sabor é falsa fruta. O mundo perfeito é falso mundo, o corpo falso do homem sem limites. O corpo platônico, o corpo de Jesus de Nazaré, puro e hipócrita por quem o descreve. A gente tenta ser gente e esquece que bixo também somos. Esquece de latir mas lembra em avançar sobre a ordem sem lugar num espaço a sumir.
Os colibris cantam enquanto o canto fica rouco da euforia enérgica dos homens.
Sobre isso digo pouco, porque o que falo é o pouco que foge entalado do saturado ego frouxo de gente nova no pedaço.
Pouco se fala, nada pouco se pensa, muito se transforma e comprime o que cria o artista. E deprime o que cria a criatura pois é sublime aquilo que desfragmenta. Aquilo que aparenta é falsa menta e o sabor é falsa fruta. O mundo perfeito é falso mundo, o corpo falso do homem sem limites. O corpo platônico, o corpo de Jesus de Nazaré, puro e hipócrita por quem o descreve. A gente tenta ser gente e esquece que bixo também somos. Esquece de latir mas lembra em avançar sobre a ordem sem lugar num espaço a sumir.
Os colibris cantam enquanto o canto fica rouco da euforia enérgica dos homens.
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