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terça-feira, julho 03, 2007

Corpo Assim: em tempo simultâneo...

O que será que acontece agora no momento em que escrevo? Escuto Danilo Monteiro, tendo ficado ainda em memória o Naimã que ouvi outra hora. Minha mãe vê repórter e minha irmã toma banho. A Penélope lambe o pelo e o cachorro ladra a noite ao ladrão. A cobra dá o bote e a aranha pede mais. Milhões de scraps no orkut e poemas em blogs. Concepções de filhos nas favelas, tiros ao alto e autotiros suicidas em meio ao desespero dos corpos. Corpos que vão, corpos que caem, corpos que passam, corpos qu voltam, corpos que rezam, corpos que transam, corpos que mentem, corpos que pecam, corpos dementes, corpos que corrompem, corpos que criam. O rio continua correndo, a torneira pingando, o biscoito molhando, o leite acabando e a padaria fechando. Nos shoppings somente as ultimas sessões de cinema em fim de choros, ou de medos, ou de risos, ou de nojos, depende do gênero... e das circunstâncias. Alguns beijos, muitos. Alguns peitos doídos, muitos. Alguns outros sangrando vermelho de verdade. Casamentos e luas-de-mel acontecem ao mesmo tempo que velórios. Nascimentos completos e outros em germinação. Cartas são escritas, músicas são compostas, sorrisos são deixados de lado e choros a beira do mar de lágrimas são saciados. Sobremesas são saboreadas e muita fome há no mundo. Putas nas esquinas, crentes pecando ao escuro da fé, maridos fugindo a medida que em suas camas há algum outro marido... e assim sucessivamente. Um Leminski para amizade e um Neruda pra namoro, lidos a luz das vinte e três horas. Vinte e Três, número: 23:23, agora. O que será que acontece agora no momento em que escrevo? Alguma cama de motel invadida por corpos flutuantes de paixão... talvez sim, talvez não. Minha vó fazendo palavras cruzadas, vendo TV e dormindo ao mesmo tempo. Minha tia está ao telefone e minha irmã cuidando da minha sobrinha enquanto meu cunhado faz a janta. O Lula deve estar de cuecas e a Mariza fazendo massagem em seus pés... eles transam? Transar a vida é ir além do ar: vácuo. Silêncios, alguns muitos em horas vazias. E eu escrevo numa semi-apatia. Ainda escuto Danilo Monteiro e não sei o que acontece por aí, ainda. Ficam réstias Naimãnicas de memórias musicais que me dizem muito "fulinaimicamente". Joana D'arc canta no ensaio, ou talvez já esteja em algum caderno escrevendo como Carmem, amando seus cachorros e outros cães. São Jorge olha da lua e compactua com o dragão as mazelas do mundo, assim como suas belezas. Eu não sei, quais são os maus e quais são os bens. O que será que acontece agora? No fundo eu sei... no fundo eu imagino o quê sei... no fundo eu desejo o quê sei e fosse comigo também. Agora acontece que me chegou uma mensagem no celular: Carmem está sem chave... minhas portas estão abertas! Danilo ainda toca e o Naimã, por hora, parece foi embora. O que será que acontece agora? Heita pecado bom esse da luxúria que traz a gula e a preguiça na promoção. Pecado triplo não podia ser pecado, devia ser excomungação! Comungar com a ex... faz parte do processo. O que será que acontece agora? A ex comunga com outro... talvez sim, talvez não... faz parte do processo. Paiurá paiurá pá paiurá, canta Danilo e geme em seguida, como esse CD é bom! Simultaneamente há um movimento terrestre em volta do sol e outro em volta de sí. Uma estrela explode e outra cai. Supernova essa minha vida... "nada está em seu lugar" canta agora Danilo... no Japão já é quase hora do almoço. E as formigas se revezam pra levar terra pro formigueiro. Os pássaros dormem, e os morcegos voam. Alguns passam frio. Alguns estão tomando pinga. Alguns conversam um papo bom. Alguns estão entre outros em alguma festa. O que será que acontece agora? Talvez no fim das horas... o metrô parte por ultimo a meia-noite, é preciso voltar pra casa. Minha irmã diz querer dormir e eu vou para o violão. O sono... sono é pra vir por ultimo nessa vida, tenho tanto o que agir. "E assim se fez o poema" diz Danilo agora. Deixo a siultâneidade das horas em ações não menos importantes. Parto pras minhas músicas... ressoa... que são mais minhas do que de qualquer outra pessoa.

Corpo Assim: em língua do P

Puxa!
Poxa...
Pixa-in aí e
Pensa:
Pá-lá-de-carapicuíba!
Pare,
Pense...
Pica a mula!
Porra...
Pura.
Pulo
Pôr no,
Pinto,
Penso,
Parafraseio,
Parar...
Paro.
Pelos
Pingos
Pod(e)res:
Pulsão
Pulmão.
Poema
Piaimãnesco, de
Pedra e

Pra cavocar
A Terra.

Corpo Assim: em dores...

Dor de Cotovelo
(Caetano Veloso, mas em voz de Elza Soares)

O ciúme dói nos cotovelos
Na raiz dos cabelos
Gela a sola dos pés
Faz os músculos ficarem moles
E o estômago vão e sem fome
Dói da flor da pele ao pó do osso
Rói do cóccix até o pescoço
Acende uma luz branca em seu umbigo
Você ama o inimigo
E se torna inimigo do amor
O ciúme dói do leito à margem
Dói pra fora na paisagem
Arde ao sol do fim do dia
Corre pelas veias na ramagem
Atravessa a voz e a melodia


Para ouvir a música, clique aqui

quarta-feira, junho 27, 2007

Corpo na contramão das horas

Na hora da fome o que dói é o estômago certo de ter em hora de almoço o almoço. Na hora do cansaço o que dói é o olho certo de ter em hora de sono o sono. Na hora da alegria o que dói é bochecha certa de ter em hora de tristeza a tristeza. Na hora da tristeza o que dói é o peito certo de ter em hora de aconchego o aconchego. Na hora da festa o que dói são as pernas certas de ter em hora de fim-de-festa o fim-de-festa. Na hora da labuta o que dói é a cabeça certa de ter em hora de almoço o descanço. Na hora do descanço o que dói é a vontade de ter em hora de descanço o descanço. Na hora do almoço o que dói é o cansaço de ter em hora de trabalho o sono. Na hora do sono o que dói é a tristeza de ter em hora de alegria o fim-de-festa. Na hora do fim-de-festa o que dói é o peito de ter em hora tristeza a tristeza. Na hora da tristeza o que dói é o olho de ter em hora de festa o choro. Na hora do choro o que dói é a alegria de ter em hora de aconchego o trampo. Na hora da hora ser hora certa, errada cabe no estômago, no peito, no olho. Ao contrário das horas quero, então, assim. Requero invertido. Na hora do estômago o que dói é o almoço certo de ter em hora de fome o almoço. Na hora do olho o que dói é o sono certo de ter em hora de cansaço o sono. Na hora de bochecha o que dói é a tristeza certa de ter em hora de tristeza a alegria. Na hora de tudo o que dói é o nada, certo de ter em hora certa de tudo a certeza nenhuma de que não há certezas de nada.
Não sou de ninguém
Não sou de todo mundo
E todo mundo não é meu também

sexta-feira, junho 22, 2007

Corpo Esguio de S

Curva do S de
Solidão

Sim
Sem
Sal
Sapo
Sapato
Saber
Siricutico
Simbiose
Simples
Sincero
Solstício
Sombreamento
Som
Saco
Sonsso
Saiba
Sexo
Sartre
Sarro
Se
Sentimento
Sede
Sabão
Serviço
Ser
Assim em curvas
Na surpresa da esquina
em Ésses
Esses sim
São
Nossos tristes caminhos
ou Nossos alegres dizeres.

Sopro, quente, na nuca,
de Sopa
Sobra o soco
Sorva o
Sazonal...
Solto pra sintetizar o S
Sei
Sabor de que te quero.
Sei que te quero em Sabores de S.

Corpo astral acessado pela internet

Pra quem quiser, eis meu mapa astral...

by Cigano.net

- Este é um Mapa Astrológico Interpretado por computador e não possui a pretensão de ser conclusivo.
- Os cálculos apresentados são exatos para os dados informados.
- Não estão interpretados os Planetas nas Casas nem o Ascendente e o Meio do Céu.
- Apenas um bom Astrólogo numa consulta pessoal pode fornecer indicações completas.

- Mapa Astral para Leandro
- Nascido em Guarulhos às 05:30 do dia 25/11/1984
- Longitude: 46W32 Latitude: 23S28 Fuso: 3
- Não foi informado Horário de Verão
- Verifique se os dados acima estão corretos antes de ler seu Mapa Astral Interpretado
Planeta Longitude Em que signo?



Sol
03 SAG 16

Sagitário
Lua
04 CAP 42

Capricórnio
Mercurio
24 SAG 58

Sagitário
Venus
13 CAP 39

Capricórnio
Marte
07 AQU 13

Aquario
Jupiter
13 CAP 23

Capricórnio
Saturno
20 ESC 44

Escorpião
Urano
13 SAG 12

Sagitário
Netuno
00 CAP 10

Capricórnio
Plutao
03 ESC 17

Escorpião
Quiron
06 GEM 33

Gêmeos
Nodo Lunar
27 TAU 30

Touro
Ascendente
07 SAG 06

Sagitário
Meio Ceu
23 LEO 06

Leão
Vertex
29 ARI 49

Aries
Capítulo 1 - DESCRIÇÃO GERAL
Por temperamento você é pessoa ambiciosa, reservada, prudente, austéra, trabalhadora, mas calculista, pois almeja alcançar uma posição de destaque social. Oscila entre a economia e a avareza. Os sentimentos e as emoções dos outros não lhe comovem.

Capítulo 2 - TEMPERAMENTO E EMOTIVIDADE
Você é jovial, simpático, cordial, entusiasmado, franco, filosófico e paternal. Gosta de viajar, conhecer pessoas e lugares e adora sua liberdade. Contudo, tende a precipitar-se em suas conclusões e fica deprimido quando está ansioso.

Capítulo 3 - MENTE E COMUNICAÇÃO
Sua mente é filosófica, independente e liberal, interessada em conceitos amplos nas áreas de educação, política e filosofia, direito ou religião, embora muito ligada a moralidade em voga. Apesar de seus conceitos avançados nem sempre é o dono da verdade.

Capítulo 4 - SENSIBILIDADE E AFETOS
Sua sensibilidade é bastante limitada, fazendo com que seja controlado, reservado e formal em questões sentimentais. Na juventude prefere namorar com pessoa mais velha e, se casar tarde. É leal e constante para com seu amôr.

Capítulo 5 - ATIVIDADE E CONQUISTA
Você gosta de participar ativamente de um negócio, clube ou organização e costuma encorajar para cada um cumprir sua parte no esforço do grupo. Você é pessoa progressista e dinâmica e tem sucesso no mundo dos negócios.

Capítulo 6 - SENTIMENTO E ÊXITO
Você prefere o trabalho profissional, não se incomoda com suas formalidades e gosta de ocupar uma posição de influencia, já que para você é importante fazer parte das altas rodas. Pode ter êxito nos negócios, função publica, educação e política.

Capítulo 7 - ESFORÇOS E LIMITAÇÕES
Você é pessoa bastante reservada a respeito do que verdadeiramente acha e sente e tem dificuldade para manifestar-se abertamente. Você costuma lutar contra seu próprio subconsciente e ter problemas de comunicação com as pessoas mais chegadas.

Capítulo 8 - ORIGINALIDADE E INDEPENDÊNCIA
A liberdade de expressão em qualquer campo é extremamente importante. Adota prontamente os novos conceitos religiosos e tende fortemente para a parapsicologia e metafísica. É compassivo, otimista e liberal, tem senso de humor e gosta de viajar.

Capítulo 9 - IMAGINAÇÃO E PSIQUISMO
Apesar de interessar-se pela meditação e ensinamentos antigos, tende a evitar o misticismo metafísico e as manifestações psíquicas. Você esta mais voltado para aplicar as descobertas, invenções e sua natureza espiritual para melhorar a vida diária.

Capítulo 10 - TRANSFORMAÇÃO E DESTINO
Sua intensidade emocional, sensibilidade em relação ao meio-ambiente e curiosidade por tudo que ainda não foi revelado, impulsionam-no a penetrar, profunda e, ás vezes, implacavelmente nos mistérios da vida.

Os pontos mais relevantes de seu Mapa Astral
- Você é muito carente emocional e sentimentalmente. Sua melancolia e pessimismo fazem com que os outros acabem por evitar-lhe. Sua timidez e falta de confiança em si mesmo, dificultam suas relações intimas com as pessoas do sexo oposto. Ë preciso corrigir esta tendência através de exercícios que aumentem a confiança e a auto-estima.


- Você consegue expressar os seus sentimentos em toda sua extensão e é capaz de fazer com que os outros também cheguem a desabafar. Está muito interessado na psicologia profunda e nutre sentimento a respeito de maternidade e família.


- Sua disposição alegre, otimista, cordial, sociável e generosa atrai a boa sorte e companhia. A prosperidade é muito importante para si e você pode alcança-la através de seu talento artístico natural.



Assim me lê? Me leia Lê, somente... experimente...

quinta-feira, junho 21, 2007

Desde sempre sou menino
Homem
Prematuro
Pra não dizer precoce
E ativar um trauma de libido
Limbo
Da pedra que escorrega
O discurso da ação
Escorregadio é o que prestamos
e Emprestamos
De serviços
Um corpo, um papo, um chamego sem sapato?

Deve ser coisa de sagitariano
Com ascendente em sagitário
Queda em escorpião
E lua em capricórnio...

Procuro ainda meu sol

Desde sempre sou Homem
Menino
Me nino em cafuné
Como uma punheta de carinho
Me faço próprio dormido
Nos roncos encaminho sonhos
Advertivos
Que não lembro depois
Me nino sem boi da cara preta
Os muitos são de quando acordo
E viro a corda
E ouço a música
E vejo o mundo

Deve ser coisa de sagitariano
Com ascendente em sagitário
Queda em escorpião
E lua em capricórnio...

Pelos tempestivos ares de seu
Ir além da pele é transpelar
a Epiderme
Pelar a frigideira e fritar essa moral
Que nos repele
Doer
De vez
Pelo não doer aos poucos
Ansioso?

Deve ser coisa de sagitariano
Com ascendente em sagitário
Queda em escorpião
E lua em capricórnio...

Como do centro saiu o caroço
Do meu estômago reparo o osso
Duro de roer
Ao que proponho é a não mesmisse das coisas
Revertidas em outras situações
A sua própria natureza
Percebo do mesmo um novo endereço
E só
E o nó?
Ai que dó se for assim mesmo
Me digam errado, se de acertos é feito o mundo
O empreendimento perfeito de Deus
Em seus planos de negócio
O humano é ócio

Deve ser coisa de sagitariano
Com ascendente em sagitário
Queda em escorpião
E lua em capricórnio...

Será?
E se nasci no dia errado?
Ou assim me registraram
Programando-me aos impulsos zodiacais
Zoodiacais
Sei que sou mesmo um animal

Deve ser coisa de homem-cavalo
Com ascendente em homem-cavalo
Queda em escorpião
E lua em um bode chifrudo que só
Pasta,
Pasta...
Pasta.
Para ir além da loucura
Transpiração

segunda-feira, junho 18, 2007

Corpo Além Trans

Para ir além da forma
Transformação,
Ir além do verso
Transverso,
Ir além da pedra
Transita,
Ir além da aparência
Transparência,
Ir além da ação
Transação,
Ir além do "a"
Transa,
Ir além do "e"
Transe,
Ir além do soco
Transpunho.
Mas o certo seria "ponho"
Então,
Para ir além do colóquio
Transponho,
Ir além da ferida
Transpus
Ir além do padrão
Transviado,
Ir além do caminho
Transmissão,
Ir além da arma
Transporte,
Ir além da estrada
Transposto,
Ir além do ego
Transmitido,
Mesmo se metido
Renego
Ir além do que afirmo.
Transfiro o fino,
Engrosso o nexo
Para ir além do sexo:
Transex
Mas só quero ir além do ar
Transar,
Transar...
Transar.

segunda-feira, junho 11, 2007

As vezes ao que pressinto gostaria que não fosse verdade, só meia dela, que, num dado momento, enxergasse que a meia mentira, outra metade, se revelasse como um devaneio dessa mente perigosa. Mas penso com o corpo, talvez por isso as verdades me cheguem assim inteiras. Leio o todo, as pernas, as mãos, os olhos... muito pouco as palavras: elas só dizem conceitos, só sai delas pensamento. Intuí, algo estava por vir... e veio. E tudo sempre vem, porquê? Verdades inteiras, sem chá de cogumelo. Chegam num bloco sem trégua e sem tempo de organizar essa minha confusão toda, fico. Mesmo que o gostoso da confusão seja ela. Fico. Estou fincado num circo de quatro mastros, não tem mais volta, porque não quero... A verdade de tudo são as contradições. Até que ponto elas acontecem sem virar incoerência? A incoerência é propriedade privada... contradiz o coletivo de sensações. Por, tanto, fico sem dizer e sinto-te à vez de que percebo em versos moles uma inconstância gelatinosa: que balança, mas não cai, no máximo derrete, vira outra coisa. Virando e revirando vamos nesse desespero do improvável, nos revelando ao mesmo tempo que nos construímos proibidos. Até o dia em que tudo será repermitido, como antes de Adão, Eva e os contos de fada disneylandinos...

sábado, junho 09, 2007

Corpo Lança

Arre São Jorge
A viagem recomeça
Retire os vanguardeiros e siga-me
Em promessas e destrezas
Numa reza
Derradeiro é o não-se-encerra
Sim a derrama pro semeio
Desta terra nasce o pão
Se são manifesta
O caminho que faremos

Arre São Jorge
O boi tá encabeçado
A viagem recomeça
Idade Média baixa
Dos vinte e poucos
Nasce a festa
E chega o gozo
São Jorge
Numa reza evoco a lança
Pra despontar este falo sobre os meus monstros

Arre São Jorge
Cheio de força
Da mãe lua quero o prata
E do prata quero o ouro
Dou-o depois
Aos montes e às serras
Pra viver das serestas
E te pedir, só, em reza um dragão pra matar de novo

Arre São Jorge
Me manda dragão
Arre São Jorge
Me manda dragão
De dia guerreiro
A noite amante
De dia e de noite
Guerreiro-amante
Com lança na mão
Resolvo tudo de corpo inteiro
Avante guerreiro
Avante guerreiro

Rogier van der Weyden - Saint George and The Dragon - 1432/1435

quarta-feira, junho 06, 2007

Corpo Inconstância

Uma vez me perguntaram se seria galã de novela. Respondi que galo de briga não nega, mas depende das cinrcunstâncias.
Uma vez me perguntaram se estava de bem com a vida. Respondi que da vida entendo pouco e a conheço mais aos poucos ainda, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se ficaria mais uns dias. Respondi que a volta pede viagem e a saudade chama estrada, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se a chuva é que resfria. Respondi que o sol é que traz chuva, de seu calor surge a nuvem e da massa de ar é que vem gotas grossas ou finas, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se eu era burro. Respondi nada não, fiquei bravo só, mas, pensando agora, se dele tenho ao menos as orelhas, depende das circunstâncias.
Uma vez perguntaram se eu era bom aluno. Respondi que levo a sério o que me proponho, o único problema é se, no meio da aula, me proponho outra coisa, depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se o sol nasce no leste e se põe no oeste. Respondi que sim, sempre, mas se convencionarmos que o leste chama oeste e o oeste chama leste, o sol nasce na Lapa e morre na Penha, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram se sou engraçadinho. Respondi que sou sério, tímido, não bebo, não fumo e nem faço karatê, pinto, bordo e faço crochê, mas depende das circunstâncias.
Uma vez me perguntaram
E perguntei de volta
Será que tudo assim é tão verdadeiramente verdadeiro?
Me responderam:
Depende das circunstâncias
Repliquei
Então continuarei minhas andanças
Por aí
E aí,
Uma vez me prguntaram se eu era desse planeta. Respondi que sim, planeta guerra, planeta...

terça-feira, junho 05, 2007

Corpo Tetra-Pak

"TetraPak, protege o que é bom"

Não lembro do professor ter dito esses slogan lá no Teia de Pensamentos, mas ví numa propaganda deles hoje e achei interessante... pelas circunstâncias claro. Esse pacote, embalagem, herméticamente fechada, impede que o produto se estrague, protegendo-o do calor, luz e umidade, uma redoma feita de papel, alumínio e plástico.

As vezes me sinto dentro de uma embalagem Tetra-Pak, sendo protegido, pasteurizado pelos valores da sociedade, aguardando para ser consumido puro e sem conservantes, limpo de moral e cheio das propriedades dos bons costumes, dos bons modos. Branquinho como leite, desnatado, sem gordurinhas, sem formar nata, vendido no Pão de Açúcar dos Jardins, ou do Leblon, pra agradar aos cariocas. Quem me compra são dondocas e quem me serve são as empregadas. O consumo se dá rápido, e o Tetra, depois pode ser reciclado. O que estava dentro, no cu do homem, vira merda.

Artaud tem uma frase interessante, que tive de decorar (não só a frase, mas um texto inteiro) para um espetáculo: Tudo que cheira a ser, cheira a merda.

Tetra - quatro, em grego. E os gregos... tão antigo tudo isso... não se faziam de rogados e mandavam ver nas "imoralidades" até que foram cristianizados....

Pak - embalagem em inglês. E os americanos... tão novo tudo isso... sempre se fizeram de rogados, mas no fundo são uns safados...

Tetra-Pak - Grego-"Americano" - Quatro Safados? talvez... seria essa a versão brasileira?

Brincadeiras a parte... brincadeiras.

domingo, maio 13, 2007

Corpo-espaço-tempo

Tem momentos na vida que são decisivos e marcam uma virada sem volta. Nada mais será como era antes, nada, um vazio pra peenchermos com coisas novas. Não tem, não tem mesmo volta. Adiante é o caminho da gente... até, como diria Guimarães, começarmos a trafegar pra cima. Pras estrelas. Por enquanto nos resta vagar pro desconhecido e esperarmos a certeza, única, que nos resta. Enquanto não vem essa visita do fim, preservo o cultivo da sabedoria, do acúmulo de experiências no dia-a-dia, o real proveito que elas me trazem. Quero ser um dia um velho sábio. Assim sinto que vivo, triste, por hora, é verdade, mas vivo. Mais transparente pra tudo, sincero, sempre, pra não enganar a mim mesmo. Aos outros me construo e me reflito, nessas atitudes. Talvez por isso tanto me confiam... e agradeço.

Talvez fique sem escrever por um tempo. Pelo menos por aqui... volto quando meu corpo sentir que é hora. Por enquanto escreverei por aí e ouvirá quem por hora estiver no lugar certo e na hora certa. Escrever com o corpo no espaço, improvisar, ensaiar, criar minha Carta ao Corpo pra preencher cantos vivos, em matéria palpável, em aglomerados de gente que te vêem e te tocam. O fato é que quero troca, sincera, sincera troca presente ligada no momento faiscante emocionante política sensata entre dois seres entre o mundo pro cosmos

!

Assim, fico assim. Escrevendo minha carta. Cento e poucos textos por aí, na internet, aqui e em comentários de outros blogs. Agora me ache se me perseguir nas veredas que frequento. Em corpalma de baixo de um teto ou numa arena a céu aberto, a descobrir na ação do texto o que aqui construí em pensamento

E poesia.

Deito e espero um deleite
Criativo
A cabeça revira enquanto inquieto
Escuto quieto o meu quê hiperativo
Tremo e sorrio
Arrepio
De repente um frio e vejo
Estou suspenso
Suando fino
É o começo do que percebo
Ser o momento primeiro de quando crio.


Nos vemos em corpespaçotempo.

quinta-feira, maio 10, 2007

Parafraseando Leminski

"nisso eu sou primário
amor pra mim
vem do caralho"

Não só pra mim... basta mudar as desinências de gênero e substantivos do sexo. Como não percebi isso antes? Até mesmo nos anjos, percebe? Ah esses corpos que me enganam... e me enganaram tanto tempo... tisc tisc... romantismo é esconder o amor humano, que vem da carne, é eufemizar a visceralidade. Pois assim, amor do ventre, não é mais belo? Bom, em três linhas Leminski já disse tudo. Paro por aqui...

quarta-feira, maio 09, 2007

Corpo Pragmático: da utilidade prática do corpo.

I-

Bem,
Me quer?
Mal
Me quer
Se quiser mal, bem...
Bem mal será o que quer.
Praga!
Pragmatismos...

II-

"Segredos de liquidificador"
no ouvido?
no pé, perdeu
nó... ó: resolveu?
Confuso esse capítulo
Cazuza, licença à sua música
(Cantando) "Segredos de liquidificador"
nó: ó... entendeu?
Não pense, que esquenta.
Experimenta
Pragmatismos...

III-

Gostoso
Corpo
Doce
Gelado
com quente
Contente
Namorado
Chefe de Cozinha
Passa a faca
E serve à mesa
O próprio corpo cozinhado.
Um bom vinho
Boca boa e bom bocado
Um bom queijo...
Um bom beijo...
Pragmatismos...

Bon'Apetit Bon Voyage

terça-feira, maio 08, 2007

Um mais um nem sempre é dois
Felizes casais
Esperto demais se voltar atrás
Nessa bobagem
De querer a eternidade adiante no cais
Nas juras de paz
Há tristeza demais nessa miragem

Pelo ar, distante aberto,
Viajar no mar deserto
De vontades
Distoa do que o outro quer
Não mais estar
Por perto, ficar
Sem mais me beijar
O sonho não é mais concreto

Desatar o ego
E seguir no enlace
Cortando o nó cego
Se quero repego
Eu passo e me esfrego
Sem dar
Pinta de solitário
Está bem, tudo bem
Eu fico assim sem
Compromisso sério

Essa visão de se
Contradizer
É o que me faz viver
Volto pra cama
Espero, me chama
Numa chama acesa
De mulher em lar
Alguém pra amar
No fundo falta mais
Um travesseiro.

Volto pra cama
Espero, me chama
Numa chama acesa
De mulher em lar
Alguém pra amar
No fundo falta mais
Um travesseiro.

segunda-feira, maio 07, 2007

Solto Corpo

Da tristeza ficam as horas seguidas de felicidade. É esse movimento indovindo das horas preenchido de acontecimentos com sutilezas que dão real importância. Não quero essa alegria eterna, porque não quero uma alegira monótona. Variar nas sensações, reações, conversivas, dispersivas, diversas adversas, é trazer pra si conhecimento, e saber reconhecer-se nas diferentes posições de estado de espírito. Assim sabemos melhor do nosso corpo, de cada póro. Assim sabemos melhor. No final, na velhice, quando damos conta da não eternidade junto à eminência direta da morte, olhamos pra trás e fechamos a conta pra balanço. E ficam as lembranças sem julgamento, as imagens e as sensações. Felizes ou tristes? Bem ou mal? Bembem, malmal, malbem, bemmal... não importam as deduções superficiais dicotômicas. Tudo será encarado com sabedoria. Enquanto, por, deguste o momento e aja no instinto do prazer ou sofrimento. Aprenda consigo, temos muito mais a nos ensinar. Um novo amor, o velho renovado, um sentimento alastrado de solidão, ou o cultivo de uma amizade, mesmo, ser sexual, a família e os animais, a natureza e a tecnologia, a ciência, a religião, a arte e a filosofia, serão um corpo além do conceitual. Esponjamos enquanto andamos por aí. Se me Lê, me leia assim esponja. E solteiro. Solto, solto. Agarrado só se for ao vento. As vezes jogado contra uma vidraça, as vezes trepado num galho de trepadeira. As vezes no pico da montanha, as vezes num varal com roupa de cama. Vezes como folha, vezes como pássaro. Certeiro no vagar-voar por aí. Triste ou feliz, vagueio. Avôo solitário. Sol-teiro, Sol-itário. Sempre há luz do sol. Sol-inteiro, Sol-otário. As variações são muitas.

Sol-teiro
Sol-itário
Sol-inteiro
Sol-otário
Hélio
Lélio
Lêlio
Lê, lí-o
Assim em textos sorrateiros.

Por mais assunto sem encerro. Escrevendo, menos tagarelo. Embora seja o início do discurso. Por isso não leio em voz alta. Talvez um dia interprete no corpo, em cena. Aí a arte floreia e aberto ao tempo tudo fica. Não cuspo moral e crio possibilidades. Introjete-me em seu meio. Conectamo-nos numa mesma esfera culturaverbsexual.

quinta-feira, maio 03, 2007

Corpo sem menino

Passa boi
Passa boiada
Passa trem
Passa passarada
Passa o que não fica e só fica o que não larga
Dessa vez desmistifica essa vida que não pára
É só para ver se fica pra uma próxima parada.

Desce longe essa montanha
Deslizando no meu corpo
Entendendo o que me resta
Nesses pêlos de enrosco cachos
Acho o que me acerta
Tateio ainda o que me resta
Revirando uma fresta, respirando o outro
Olho

Ai, o que não quero é essa vida de menino
Essa vida de moleque esperantudo do divino

Ribanceira se esgueia e me cobre a cachoeira
Veste um véu sem mais floreias
Intenções de casamento não existe mas atento
Pros perfumes desse vento
Vindo longe d'outra serra
Outras flores
Outras velas

O que não quero é essa vida de menino

Revirando do avesso puxo o que não vi direito
Rasgo trago do umbigo e me acho tão tranquilo
Enganado na cabeça abro aquela gaveta
E descubro um consciente coletivo escondido

Essa vida de moleque esperantudo do divino

Passa boi
Passa boiada
Passa sol
Passa invernada
Passa a alvorada que deixou a nova luz
Celebrando um novo tronco
Novos órgãos e sistemas
Me alinham n'outro tema
O que é novo me conduz

Ai o que eu não quero é essa vida de menino
Essa vida de moleque esperantudo do divino

Obscuro que vagueia
Óbvio que me clareia
E me cega
Claridade de lanterna na cara
Perco
E perdendo só fica o que passa
Atravessa
Se despessa
O meu corpo não é mais morada d'alma
É a própria reorganizada

Ai o que eu não quero é essa vida de menino
Essa vida de moleque esperantudo do divino

segunda-feira, abril 30, 2007

O tao do valor de mercado. Corpo em baixa

Idolatrar a virtude do valor
Que se dane
O melhor são as contradições
Zen noções

Partindo do aperto
Reparo e pergunto
Qual o valor da virtude?

Partindo do largo me refiro
Processo de mesma atitude
Não conter o desejo?
Rabicho do que não reparo
Me ensinam quando nasço e aceito pro vasto da sorte

Mina,
Mina água dessa pedra e leite dessa santa de tetas grandes
Madona mia: miau
Gata selvagem de sete eternas vidas
Mina sede dessa garganta e mina berro dessa vagina
Ó pátria amanda minhas esquemias carnais
Corpo, porco, alguma dessas escatologias
Sei que te encomoda esse quê sadista
Libertina paradoxia.
O melhor são as contradições

Salamandra só malandra
Chega, pega, amaça e tal
E o tao, não conta?
Conta até o que deserta
Acerta?
Mina,
Talvez não vire, e aí como fica essa desinência social?

Fica no ar
Ou fica no ir?
Posso não esperar e decidir partir.
Aí como fica essa desinência de verba social?

Se tiver grana e tiver boa cama
Se tiver saco sentado em carro importado
Se tiver toda semana um dia de motel
Te cantar em well num inglês
Salamandro, só malandro pra saber ganhar no léro-léro
Papo de sapo brejeiro te fazendo pastar e afundar a canela na lama
Sem querer tirar o pé do fresco.

E que fresquinho, não?
Um vaidoso
Manhoso
Gostoso?
Aí como fica essa relação de ego metrosexual?

Esse papo já tá qualquer coisa e você já tá pra lá de Carapicuíba

Por isso repergunto pro eco:
Qual a virtude do valor?
É diferente do valor da virtude.
Qual o calor que procura?
Qual a moral? Carnal, transcendental?
Já se perguntou isso hoje?
E o que é que fica?
As memórias e as saudades...
É pouca maravilha
Tem que ficar mais

Mas
Sabe do que mais? Chega de preocupações em exageros
Viver nesses temperos é que é se descobrir no turbilhão
Que achamos se chamar paz.

sábado, abril 28, 2007

Corpo de Dolores e de Prazeres

Numa casa assobradada reconheço minha gente. Fico à noite numa saudade de menino pela namorada, ouvindo as músicas que fizeram parte de nossa história, numa época em que não pensava em mudar nada. Músicas de amigos, poemas, são meu ídolos tolos, pq assim bobo, de brincadeira, é que os admiro. Embalado nessa espontânia alegria dos que vagam de "faminto a fomento", uma sala preenchida de sorrisos e sofrimentos foi o X da pressão, a questão que quase me fez sair correndo. Ficava alí vendo Renato, Luciano, Nandão, rodopios de Érica, vozes de Tati, viola de Amanda, pandeiro de Fernando, piadas de Xandi, cabelos loiros rastafaris de Jhaíra, risadas de Vivi, ou saía voando numa estrela Gama pra nunca mais? Foi bom... e foi ruim... e por isso tão vivo. Porra Renatão, a brincadeira da língua presa foi uma homenagem, desculpe qualquer desconforto. Não estava assim maroto... embora tenha me emperequetado todo pra ver no que ia dar. Deu que não deu em nada. Mas sobrou muita risada, abraço torto, carona atrapalhada e amanhecendo cheguei em casa. E não é que acordei de mal humor? Mas foram horas realmente mágicas. Um caldo vegetariano gostoso, um pão com queijo e o samba roque rolando solto. Depois um sertanejo e combinamos nos encontrar pra rever estes conceitos de viola e violeiro. Vem chegando a gente toda pra fazer roda e ouvir as coisas boas de Dolores, sem dores, ou com algumas em alguns momentos, sentia tudo me atravessando e me grudando ao chão, querendo sempre estar alí. Renato então me passa o violão, não dava pra recusar, peguei e quase sem pensar mandei uma. Primeira vez que canto em publico algo que escrevi, que "melodiei", que arranjei e que só quem ouvia era um anjo cada vez mais sem asas pra mim. Ele tava alí, mas expandi minha voz e cantei pra todos e não mais somente a quem era a minha preferida... Era. Brinquei com a língua presa do Renato e quis voar em sua estrela Gama, ficar mais perto da sua inteligência, pra nunca mais. Voltei, aproveitei, depois me chateei, não dava mais. Chega uma hora que a gente enfraquece, tudo que ganhamos, em minutos, parece, se perde. Hora de ir pra outra casa, a minha, por enquanto solitária, por enquanto de família, mas a queria assim como aquela casa, coletiva pros acordes, pros versos, pra manifestações de cena naturalmente ensaiadas com o coração. Deixar de gostar do que gosto, abandonar esse gosto por imposição da vida, é uma luta comigo mesmo, mas ví onde me reconheço e onde me escancaro, vou dosando as duas coisas e deixo cuidar o tempo. Enquanto isso me aproximo de quem vale a pena, dessa gente que não é nada pequena, que não precisa voar e cair na rede, saltar mortais e exibir-se ao publico. Viajo agora mais na outra idéia, das palavras bem utilizadas em corpo, dos versos bem construídos, das habilidades que ultrapassam a sobre-humanidade do circo. Ao contrário, abrem ao que há de mais humano. Em misérias e virtudes, denunciam a humanidade. O que ví ontem foi um turbilhão de conhecimento. Esse sim é meu recomeço, de tudo.

sexta-feira, abril 27, 2007

Corpo Tranquilo

Sem
Apuro
Suspiro
Mais puro consigo
Mesmo
Em surtos de desespero
Reverto
Inverto a corrente
E melhoro
Tranquilo

Cem
Vontades a espera
Muda
Direção a quem
Se volte a paquera
Requeira o que queira
Cem momentos zens
Pulsam soltos num corpo
Disponivelmente lascivo
Tranquilo

Vem
E me deleite
Me respeite
Me aquece
Esse ventre desapetrechado de qualquer vaidade
Vale a vontade
Vale o risco de pensar em outra coisa que não mais os aperreios
Rascunho rabisco corpo
Nas lágrimas nado dormidas
Acordo
Decoro Tranquilo


Zen
Arqueiros
Cem
harpejos
Vem desejos
Sem
Agonias

Cant'outra melodia
Que faísca no ar
Luminosa maravilha
Chega
Saco-cheio cheio de bufares
Me reconheço
Zen
Assim me Lê, sim, em linhas?
Um re-corpo tranquilo.

quarta-feira, abril 25, 2007

Perdeu

Em minhas músicas outros temas
Em meus poemas outras pessoas
Estou entendendo o esquema
Mudar o fonema pra descobrir outra gramática.
Descobrir outra lingua
Que me pegue de jeito.

terça-feira, abril 24, 2007

Sei sou

Aposto que
dará se
tiver me
Provado de-
finitivamente

Pelado
Tomate
No molho é mais gostoso

Queijo ralado

O presente é pra fluir
Ficar estancado
Enrola o enrolado

Sarado?
Escreve erraaaaado...

Poeta torto soul
Eu sei, sou
De versos
Equivocados:
Não concordo.
Em viva sorte:
Mais azar.
Tirar proveito:
Tento.
Seguinte mar:
Ajeito
Pra encontrar.
Cd-RW:
Pra regravar o regravável

A cada página uma lambida e um beijo na boca?

Tá ficando louca...

A cada verso estou inteiro. A cada página um orgasmo, só se for. De Corpo e corpo.
Não sou bala perdida de tiroteio
Esgueiro certo pr'um outro peito
Que me queira dentro
Espero.

Corpo Solto

Diga:
Ema
Ema
Ema

"Ema
Ema
Ema"

Qual o nome da clara do ovo?

Ai!
Aaaaiiii!!
Aaaaaaiiiiii!!!

segunda-feira, abril 23, 2007

Corpo Mudo, mudando quieto.

O tempo muda
Fica quieto o tempo
Não fala nada e age certeiro
Na virada que nos espera quieta
Muda
Mudamos com o tempo

Reescrevo as linhas que escrevemos
E as músicas que cantamos
Soam notas dissonantes
Aos ouvidos de quem chega
Aos ouvidos de quem vai

Os vindos se acostumam até reouvirem torto
E tudo se desarruma
A cama
A trama
A chama
Muda tudo de novo

O momento em que tudo flutua
Bóia num tempo largo em que nada se resolve e tudo vira espera
Passa boi, passa boiada, passa trem
Passa criança, passa trepada, passa alvorada
E volta nóis traveis

Que coisa engraçada essa graça
Que coisa engraçada rir das desgraças
É necessário

Um dia me disseram que ainda ia ver o tempo passar tão rápido que nem ia ver; o tempo passa tarde demais, tarde demais, tarde demais...

Tarde demais

Em frente, nunca pra trás. Se voltar é porque é velho futuro e não saudoso retrocesso
Me despeço assim tranquilo
Fiz o que fiz
Passo o que faço
E continuo fazendo
Tropeço, acerto, gozo, choro
Rio tropeçando, acertando, gozando dou risada
Rio chorando um fluxo d'água
Rio de água salgada
Rio baldio

O tempo sempre me acerta
E me despenca

Retomando meus textos
Cento e poucos
Nesses anos todos
Dois

Ví no que fui certo
Percorri o meu caminho
Construí o meu corpo

O fluxo é interminável
Robusto me arrasta na correnteza sem palavras

Mudo, quieto
Mudo, mudando
Corpo silencioso
Alarma o que quero
E o que não deixo de não querer


Corpo mudo
Corpo mudando
Corpo Lê o que escrevo
Corpo sendo
Mancebo
Corpo quieto aconchega pra sorte

Recorte o meu corpo e junte-se ao pedaço. Verá que de mim o que fica é uma parte. Escolhida a dedo pra compor seu desejo de ter em você algo de diferente. Me leia pra me ter assim recortado, por inteiro não fico nem a mim mesmo. Pro mundo e pra arte talvez completo me recebam. Dssas causas não pessoais e cosmogônicas, filosóficas em sua ontologia. Pras coisas fico íntegro e me dou. Não mais pras juras, pros aconchegos. Pulo virando no ar cambalhotas e disperso meu cheiro. Capte-o e me venha se quiser comigo atrás seguir a maravilha descoberta dessa nova melodia.

domingo, abril 22, 2007

Corpo que me queira

Quero quem me queira
Você me quer?

Rabisco a vida inteira
Também quer?

Corto trepadeira
E saio andando
Vem me amando?

Fico na geladeira
enquanto você esquenta a frigideira
Posso continuar falando?

Salto do prédio
Você cai do trapézio
Alguém ficou paraplégico?

Procuro na agenda um consolo
Quem me consola?

Gasto sola e gasto o choro
Quem me acompanha?

Apanha
Apanha

Ligo e fico sem resposta
Pra onde vai o esporro?

Esporra
Esporra

Chamo pra um amaço
E recebo o abraço
Pra onde vai o ventre?

Fica afastado

Eu falo que o Falo não fala, se manifesta mudo
Mas você sente.

Quero quem me experimente
Quem me dismistifica?

Corpo que me queira me faça contente

Solto, solto
Solteiro
Agora posso ser Ribeiro, Pinheiro, Oliveira, Silva, Pereira, Silveira, Siqueira, Garcia
Podia

Sou do mundo vagabundo
Vaga
Anda
Corre
Socorre
Me
Alguém?

Salada de frutas proibidas
É o que me ocorre

Sacode e me mostre o charme
Entusiasta
Agito o que me comove
Prove?

Tem jabuticaba madura no pé
Livre de dono
Cheia de abandono

Quero quem me queira

Quer me levar pra casa?
Vamos morar em Paranapiacaba?
Quem me consome?

A vida
A maravilha
A sapatilha de bailarina
A simpatia feminina
A inteligência sem apatia
Ou um belo par de peitos
??????

Um belo par de bundas
Quem me quer?
Aceito duas

Precavio o precário
Sou mais inteligente
Só aceito bom papo

E bom cheiro
E bom recheio
E bom amaço
E bom bocado de tempero
Doce e delicado
Quero quem me respeite

Quem pode ser essa maravilha?
Quem me quer?
Quem me quer?
Quem quer?

Rasgar a seda
Gastar a sede
Ceder na rede
Prender na parede
Emendar no chão
E subir na cama
Dizer que me ama
Gemendo me chama
Rasga a seda
Gasta a sede
Cede na rede
Prender na parede
Se jogar no colchão
Rasgar a seda
Beber a sede
Cantar na rede
Desnuda o corpo
Violão no chão
Violar o corpo
Ponto de fusão

E tudo evapora no fogo

Logo, transformação

Rogo
Quero quem me queira
Você me quer?

Pau pra toda obra

Prova pra todo aluno da vida
Recuperação

Pego a professora
Pego a cdf
Pego a redentora
Pego a mequetrefe
Pego a cantora
Pego a dançarina
Pego a pobrinha
Pego a mordomia
Pego a apatia
Pego a solidão
Pego a alegria
Volta a saudade
Pego por brincadeira
Volta seriedade
Pego por pegar
Solto por não suportar
Pego porque agarro
Machuco porque forço
Porque pego sem querer pegar
Me engano

Pego por ter-me sentido querido
Vacilo
Não nego

E tudo vira bossa depois da fossa

Para tanto me preservo e digo a Deus
Adeus
A quem me dispensa
Digo sabe o que perdes
A quem me convença eternidade
Digo não digas o que não sabes
A quem me prometa devoção
Digo não abras mão da sinceridade
A quem me detém companheirismo
Arrisco não dizer nada e pago a primeira lágrima
Derramada por saber que não existe

Avoar
Avoo
Sinto o ar nos meus cabelos
Da minha pele exala o cheiro
Atrai
Com meus olhos aproveito a paisagem
Escolho
Meus ouvidos são todo ouvido
Pra qualquer tipo de barbaridade
Plano nas nuvens acima da humanidade perto dos Deuses perto dos mortos
Desço na terra e ando
Andando sinto o mundo no tato dos pés
Revés moribundo
Com flores pra entregar

Quem as quer? São rosas, orquídeas, tulipas
As minhas preferidas
Não quero mais andar com margaridas
Quem as quer?

Quero quem me queira
Você me quer?
Você me quer?
Você me quer?

Você
Me quer?

terça-feira, abril 17, 2007

Corpo Vinte e Poucos

Pelas minhas jovens pernas que caminham pelas estradas cantadas, atuadas, escritas em poesias e em saltos soltos de acrobacia percorrida
Reconheço meu território além do corpo
O espaço que fabrica meus calos de pé e de coração
O campo que acelera o embrutecimento e nos torna mais adultos.

Ana é criança
E tem na vida a ciranda. Se sempre Ana for colorida
Verei no brilho da sua retina a alegria de Aninha
Cheia de graça. Eterna cunhada. Passaremos a passear.
Sofia é criança
Das mais ainda pequeninas
Que nem sabe se dança, se canta, mas alí sempre brinca
Sem querer cria à sua semelhança a vida de esperança.
Sabe de nascença o que é sabedoria.
Maria Júlia é criança
Mesmo sendo Júlia, a frente sempre é Maria. Como todo dia é dia de Maria
Júlia embirra mas logo faz graça e engrossa a maravilha
Simpatia
Sincera, por ser sincera simpatia.
Mariana é criança.
Tem em sí Maria e Ana embutidas
No tamanho esbanja amor e delicadeza de menina moça
Mas mais ainda é uma menina
Chora junto quando choro
Lava junto sua agonia.

Pelas minhas jovens pernas o caminho se faz rápido e curto
Corro
E quase não vejo passar o tempo.
Vagueio
E quase não vejo passar o passado
Amo
E quase não percebo o suave passeio pelas histórias a quem me proponho
Um livro de mil palavras e mil abraços
Rasgando em versos que viram músicas se misturados ao vento
Som sibilante de pássaros e gotas-de-chuva
Mínima música, mínimos os gestos
No cabelo uma luva de aguadas notas musicais que grudam nos emaranhados cachos uniformente tecidos pra prender amor.

Cabelo liso, agarro firme
E perco a força, seguro
Amor de artista pela luta, seguro

E nem te percebo. Ou te percebo se me larga
Te percebo porque me esculacho
Percebo-te em rabiscos fortes

Riacho de sorte ou luta de uma só dor


Pareço o que sou?
Pareço o que pareço e sou o que me vêem

Soou ao vento notas molhadas na chuva musical

Apareceu na janela
Recebeu minha serenata
O que canto não vela
A morte.
Espera
Una ultima suspirata

De morango com chocolates

E muita festa e muita festa
E muita festa, tão pouco choro

Por dias inteiros o sol
varanda e quintal
Nenhum futebol

Una sonata

Só esperava ela. Caminhando ao tempo largo.
Pelas minhas jovens pernas começa a me olhar de baixo pra cima
Vê as coxas, o sexo e a barriga
Vê o peito, os braços, o pescoço e minhas narinas
Não vê meus olhos
Minha janela esconderijo
Onde a criança perdura.

Corpo Lê aprendendo a andar com suas próprias pernas

Onde a criança perdura.

Corpo Anjo aprendendo a voar com suas próprias asas

Onde a criança perdura.

Olha pra mim
Sou o que era?
Espia pela janela
E me faz um arrepio.

Olha pra mim
Meu corpo espirra de frio.

terça-feira, abril 10, 2007

Rebostagem

Posto novamente um texto adolescente

Branco do branco


Me disseram que um dia ainda ia ver o tempo passar tão rápido que não ia ver. Me disseram que um dia ainda ia prever o futuro de segundos pra acontecer. Um novo mundo logo de tão logo louco submundo mundo de tão mundocão de dia tarde demais tarde demais tarde demais. Tempo tempo tempo do tempo tempero amargo do tempo que passa além do tempo de tempero amargo. Um repente de repentino fim. Fim. Ah meu fim, ó meu fim. Frente trás lado vem dançando a valsa do amor. Um do tre. Hum. Menos que hum... milésimos de hum passando por aí. Me disseram pra um dia ainda eu cuidar de descuidar de cuidar da vida o tempo passa tarde demais tarde demais tarde demais. Um olhar não consegue mais provar qualé nuance, qualé a sentença. As cores passam rápido e tudo vira branco. Qual é a nuance? Qual é a sentença? Tudo fica branco, tudo fica sem. Tudo está mais morto. Me disseram que um dia ainda ia prever o futuro de segundos pra acontecer um dia aconteceu de tudo ficar brando, de tudo ficar branco, de tudo tudo sem nada só tudo ficar só branco do branco.

Outro Goya

Um Goya

Corpo Nó

Aquela moça
Encerra
O que não despedaço

A hora é dela e não mais giramos no mesmo relógio.
Meu corpo é posto em vazio de abraço e permeia a busca de um novo campo
Sideral
Vácuo
Saudade fátua
Me leve a mal pra ver se te reconheço

Antes eramos um moço de peitos e uma senhorita de barba
Misturávamos nos nossos anseios de jovens
Nossas visões de identidade

Tudo, como mas, um dia foi.
Ao de ser "nosso" prevaleceu a necessidade do "meu"
Eu, eu, eu, há de ser ego
Cego
Ao corpo un-ido só resta agora em dividendos indivíduos.
Corpo nó, vira laço solto
Sou só
Na feliz cidade encerrada em tristeza catártica.

segunda-feira, abril 02, 2007

Corpo que fica

Sentado em frente ao quadro o homem velho fumava seu charuto e observava num sono acordado aquela janela flutuante. A fumaça cobria a vista de uma névoa cinza fedida, transformando as cores num pastel padrão de cidade, podrão ar de subúrbio de megalópole, megalomaníaca e não tão menos megapsicótica. O homem era um cosmopólita consumidor assíduo do que as galerias vendiam como boa arte. O som era de silêncio de uma vitrola quebrada. Antes tocava algum jazz típico dos holywoodianos cinquentões ou quem sabe um clássico rotulado como clássico dos clássicos. Havia alí o que de bom se dizia nas bocas dos outros. A poltrona era feito um gato inflado com espinhos nas costas, ou um porco-espinho caduco, calvo, de espinhos moles. Nem oito nem oitenta, um meio-termo tedioso, acadêmico, político, sobre muro. Foram horas. O charuto queimava em ponta, dedo, punho, braço e cotovelos, aos minutos que se seguiam o homem se fumava e se fedia a fumaça de sua própria carcaça, duma fumaça que reproduzia e invadia a casa. O quadro permaneceu flutuando em arte abstrata de mínima tinta. Um vazio nem muito amarelo, nem muito vermelho, um alaranjado parecendo suco de laranja aguado ou um ovo de pinto mal chocado. A casa talvez fosse a galinha. Em outros tempos um bom vinho seria tragado como se tragam os fumos. O homem velho era só um velho homem com seus vícios de homem velho. Pensava. Imóvel. Reconhecia no quadro a distancia entre ambos. Trajava um bom terno da época que se vestia o verão à caráter da neve européia, com um chique conjunto de significados sociais em cada dobra , abotoamento, e direção do chapéu. Uma época em que os gestos traziam os sinais da gentileza e finura necessários pra se conquistar uma linda mulher. Aquele quadro era um autêntico mister contemporâneo disforme abstrato, descompromissado com a forma, feio e deselegante. Limpo ao ponto de ser clean, mínimo em suas palavras de linhas e manchas, metricamente menor que o Hai Kai e simbólicamente maior que o oceano. Aquelas gerações de obra e espectador permaneciam sendo fumadas alí naquela sala intoxicada de fumaça humana. O homem velho ia sublimando ao ponto que só existia da cabeça pra cima que, arregaladamente, continuava observando, espremendo a tinta entre as molduras. A tinta derretia e escorria pela parede cinza escura, criando formas no incêndio, além de sombras e fumaça. Ia embora a casa, tomada pelo charuto. O telhado e as paredes iam pra outro plano, em gases iam olhar de cima a cabeça e a tinta, intactas feito bruxaria. A cabeça do homem velho rolou, a tinta escorreu, e se encontraram na linha do assoalho onde ficava a porta. E alí ficaram se namorando, nunca tão supreendentemente próximas.

sábado, março 31, 2007

Corpo orelha de burro cabeça de ET

A burrice é síntese. Sim. Simbiose da ignorância. Burrice não é ignorância? Pareço ter orelhas de burro... parece que sim. Idiotisse é síntese? Por tudo que fazemos, ao todo do ser, e do tempo, podemos, talvez, por assim dizer, em resposta a uma ação, ou a uma não-ação, por distração, ou por desespero de chegar logo, atender ao choro, concertar o erro, saio vivendo e vivo correndo, sem pé no freio do fusca, ofusca a vista e chego sem gasolina, nem pega no tranco, se pega sai em solavanco e morre afinal, posso assim ser chamado de burro? Preciso de tranco? Arranco, dou marcha-ré e apresso. Tudo nessa vida está errado. Essa ordem do acerto é que é. Certo e errado. Burro e inteligente. Certeiro e inconveniente. Sonhador... posso viver assim dos contrários? Viver um e n'outro de repente. Irritar os outros de inocente e brilhar aos olhos n'outr'hora quase sem-querer? Qual a minha intenção nas coisas? Quais as minhas escolhas? Pra que sirvo afinal? Pro circo ou pro teatro? Pra literatura ou pra música? Pra feirante ou pra banqueiro? Pra pai-de-santo ou pra acadêmico? Pra todo mundo ou pra mim mesmo? Essa idéia de lutar pelo coletivo ande me cansando. Já é muito difícil se aguentar sozinho. Queria começar a pensar pequeno porque assim realmente somos. Já viu o tamanho do mundo? Não dá pra voltear com um tanque cheio de gasolina. Dá no máximo até a esquina. Tenho que sacar até onde posso ir. Até onde sou capaz... Avançar um passo por vez e sempre com muito cuidado. Ou se jogar de vez do penhasco e na queda viver tudo de uma só vez. Burrice é fato?

sexta-feira, março 23, 2007

Só digo que sei

Já vi esse papo outras vezes. Já ouvi esse filme outras tantas. É uma impressão do que é, e não é bem no fundo. Do que se fala mas não se mostra do que não fala. Da sombra preferir deixar assim à falta de luz. Dizer meias-verdades e dar meios-suspiros achando que o outro é sempre um meio-entendido, meio-cego, meio-besta, meio-bosta, meio-sabido. Mas é sabido se fazer de meio, no manso dos miúdos captar o captável além do aparente notável. Entrar no inverso, nas meias-palavras, nos meios-versos, nas palavras de costume ditas pela metade, nas ausências do inteiro se percebe a ponta do trágico. O canto do bode chega com a gota, é fruto da falta de espaço causado pela chegada do insuportável. O meio não se sustenta, o ser quer ser completo, sempre. E na explosão da completude rompem-se as estruturas da carcaça e a tragédia se instaura na magnitude do acontecimento. Nada mais pode ser escondido ao bolso para ser acessado ao deleite da necessidade casual, no conforto da escolha da hora, na loucura do desligar de enterruptores dos valores éticos que beiram a liberdade de um lado e a mágoa do outro, o prazer de um lado e a dolorida indiferença para o outro, a vida em um aspecto no momento um e a outra vida no momento dois. O bolso fura, a moeda cai virada com a cara pra cima, te olhando, te dizendo que não há mais jeito de esconder nada porque já se sabe faz tempo: os outros olhos enxergam por inteiro, se fazem de caolho mas são duas retinas que brilham à luz da vida. Os fatores se alinham ao acaso certeiro, confirmam a intuição treinada por uma observação não convencional, longe de ser científica, muito mais melodramática, mas nunca menos inteligente. A verdade deve então ser revelada: a tragédia é a síntese do surto reprimido da verdade explodindo em revelações que não eram vistas, mas sabidas. A gente sempre sabe da tragédia. Vem nos poros arrepiados a imagem que dá sentido a tudo, que traz à tona na memória um passado que não gostaria que fosse futuro e agora é presente contínuo. Uma onda de gerúndios aflitivos, determinados em ser infinito presente. Como um trapézio em balanço, uma lonja que te segura firme e você não cai, somente, cai ao infinito presente segurado à eternidade. E o buraco não tem fim no fundo porque volta pelo céu a queda em rodamundo. Talvez haja assim uma diferença de vontades. Fixo meus pés no chão e o balanço é um vai e vem da batida do pulso, um tum-tum que me tira dos eixos das pernas, coluna, pescoço e me faz girar alí parado, de olhos fechados sem a noção de largura. O mundo é o escuro da gente, brilhando imagens ora aqui, ora acolá. É o suficiente. Miúdo, sozinho, eu. Com a vontade do coletivo, que é mais que o coletivo conglomerado de gente em si. Minha turma é todo mundo e ninguém. Eu, meio-eu, eu e meio quero sim. Acontecendo por aí do meu jeito. Só não quero engano empurrado pela garganta, à força, mudando a percepção do mundo do meu olhar viajante, confuso de idéias, inexpressivo na lógica, rico no caos, inteiro, sobretudo. As meias-coisas já não cabem no meu pé. O que sei é o que sei. O que não sei é só o que não atentei ainda. Pesco a volta e a volta em mim quem dá é a órbita de tudo. Só digo que sei.

terça-feira, março 13, 2007

Ao Fomento

I-
Se fala de periferia
Se cala na casa da tia
A tia avó do teatro

II-
Se voga o verbo correto
Entorta a fibra do belo
Tudo vira hipercrisia

III-
Faz uma lipo na crise
Verá que de volta
O que fala
É a fala do que põe em crise

quinta-feira, março 08, 2007

Reação Criativa

Nem sei qual a razão exata de escrever pro nada. Será um virtuosismo feito pra vangloriar a minha pele no virtual? O meu corpo na rede não é o meu corpo no mundo. Nem meu corpo no tempo. Nem meu corpo não há. Não há sem a matéria memória de Bergson, do corpo enquanto balaio receptivo de imagens e produtor de ações. Meu corpo é como o dele, como o de todos talvez, um centro de respostas a imagens, um centro de ação e não de representação. Querer colocar a minha ação nesse espaço de imagens é querer transferir para ela o caminho que seria o contrário. O corpo é parte do mundo material e não o mundo material é parte do corpo (lembrando que matéria e energia são indissociáveis, portanto quando falo de matéria existe alí a energia inerente a ela), ao mesmo tempo que as imagens existem nesse mesmo mundo, o fato delas existirem na gente não passa de pura semelhança entre fatores: imagem e corpo existem no mundo independentemente, se um morre o outro continua vivo, se separam e se juntam como matéria, como se juntam os átomos de dois elementos químicos compatíveis um ao outro. O ponto que deve ser visto, então, não está na simples existência de um ou de outro, por conseguinte, mas na intersecção entre eles, no momento do cruzamento entre canais perceptivos do corpo e estímulos externos, as imagens (considerando o pressuposto de Bergson de que imagem é um conjunto de matérias). Nesse momento de faísca entre a matéria externa e a matéria corporal dotada de esponjas de imagens, os sentidos, acontece o que chamo de reação criativa, ou seja, o corpo percebe aquela imagem e a recria de acordo com seus aspectos físicos (formas, cor, volume, temperatura, cheiro) e culturais (o julgamento moral, o despertar de lembranças, o despertar de emoções presentes na memória histórica do ser). Sendo assim há o momento de identificação material da imagem/objeto e de reflexão psicológica. Não separadamente, mas de maneira cruzada, cheio de intersecções e sobrepassos entre ambas reações criativas, que podem ou não corresponder a realidade, mas sempre a põe em dúvida, a partir do conceito de que o que é real já parte dessa percepção duvidosa do mundo, a realidade é sempre um ponto de vista da reação, que já é um ponto de vista intuitivo do homem a respeito do mundo em que vive. Por isso critico a perfeição da ciência e os dogmas da religião, e os dogmas artísticos de vanguarda. Por isso não gosto dos denominamentos acompanhados da palvra "novo". Por isso não gosto das supremacias de grupos propondo estéticas ao mundo condizentes à verdade absoluta. Essa verdade parte do pressuposto da sua reação criativa ao seu própio mundo, cheio de intersecções do tocável calculável e do psicológico subjetivo. Portanto, voltando à questão inicial e negando a afirmação em sequência, não escrevo para o nada, escrevo para o mundo, para o cosmo. O mundo me enche de imagens e eu as troco com o mundo, a partir das minhas reações criativas, produtoras de ação. Transfiro, ou até mesmo transcrevo, essas reações às palavras organizadas em texto, numa dramaturgia verbal ou não verbal, cênica ou literária, ou seja, crio memória fora de mim. Pra quem? Não importa, pra algo que é real, que é o virtual. O virtual também é algo do mundo, também é matéria e energia atravessando entre si. Também é imagem. A produção de conhecimento hoje em dia parece estar em crise de conceito de publico, que fica cada vez mais restrito às especificidades da área, uma vez que cada vez mais artistas estão produzindo para artistas, cientistas para cientistas e religiosos para religiosos em suas quase, ou totalmente, seitas. O conceito de massa, de povo, acaba abarganhando um grande grau de entretenimento vazio, de jornalismo sensaciolnalista vazio, de imagens divinas vazias e generalizadoras do bem e do mal. Enquanto o meu alcance for o do espaço virtual específico, acessado através do endereço eletrônico, esperando que algum corpo transfira sua curiosidade para sinais binários em busca de uma Carta ao Corpo, escrevo ao virtual como possibilidade reduzida, mas útil, de comunicação. O meu intuito de artista é poder que minhas reações criativas causem outras em outros e para isso ela precisa estar jogada ao mundo, transformada em imagem. Já é o começo da mais babaca fórmula de comunicação: existe o emissor, a informação, falta o receptor. Esse texto é matéria, energia e movimento E=mc(ao quadrado), são diretamente proporcionais entre si, são imagem. Porque então estaria inversamente proporcional ao mundo? Pra estar de acordo ao cosmos escrevo pra ninguém, que já um alguém: eu mesmo.

segunda-feira, março 05, 2007

Escrita Sensorial - Exp. II - Pé frio

Experiência de escrita sensorial 2 - tatopode (na sola do pé)
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos táteis provocados por duas bolsas térmicas Termo Gel, de tamanho médio, recém retiradas do congelador, localizadas uma em cada sola do meu pé.

Observação 1: Calço 43. A bolsa não pega o pé todo uniformemente, os dedos ficam pra fora.
Observação 2: Como não existe silêncio absoluto no mundo, os sons predominantes são as vozes, ora altas, ora baixas, oraexaltadas, ora tranquilas, dos vizinhos arrumando o quintal.

Segunda. Semana. do mês, qual mês? Dramaturgia de Saramago. Dramaturgia é a liturgia do drama ou o drama é a reza... ou é ora, ora se é hora nem sempre dá pé no alicerce do tempo. Mas tempo é música e dança é espaço e teatro é palavra. Não é nada disso. Não tem nada haver. Não existe é. E pronto. Surgiu um dia, na casa da tia de São Tomé, na vila de leopoldina, no alto sape da periferia. Importa não, o que importa é o pé. O pé da lógica e não se a lógica dá pé. É o início da cabeça quente. Cachaça também da aquela fervura, mas de quentura mesmo, não de imaginação que sai do dedão do pé e segue em corpo ambulante transeunte errante por aí. Quero falar de início. O céu do chapadão, ou o xampu de ponta-cabeça, ou índio pelado, ou a cobra comprida, ou o cumprimento apertado, ou o acerto de contas, a calculadora, ou a justiça de justiceiro com armas. O início da guerra, da festa, da laia, da praia, da vaia, da saia, da raia, do nadador. Do moço, do fosso, da frestra, do trosso, da lasca, do sono, da bosta, do presidente, do brasil de brasa, do brasil de gente. Da vida, da seresta, da música sertaneja, do luar do sertão, do Dominguinhos, do Domingão, de quem pariu o Faustão. Da ditadura, do globo, da rede, do torto, da letra, da barba, do véu, da cachoeira, da noiva, dos deuses, dos rebeldes, do Deleuze. Da política, da prosa e da poesia e da poesia e da poesia. Da filosofia, da arte de contar mentira, da seca, de Amelie Poulein Du Soleil. Do palhaço, do porta-retrato, dos cachorros, dos aniversários de cachorros, do ridículo, do violão. Queria falar de fim... mas fica pra outro dia. De mim fica assim mesmo de nós. De dois meus pés em fria relaxa e relaxa nessa dramaturgia do sangue que sobe e que desce e que bate no centro e que desce e que sobe e pisca meu olhos, arroxeia meus lábios, me nutre e me dá fome e por fim esquenta a minha pele. Queria falar desse fim só: quente.

sexta-feira, março 02, 2007

Pra fora

O ator e o acrobata são da mesma espécie de extraterrenos. O ator voa nas imagens do palco e o acrobata voa com as pernas pra perto da lona, pra longe do picadeiro. Pro ar vão ambos. Pra terra se afastam pra mais nela estar, na platéia. O ator, o acrobata e o ar são as pontes básicas da minha arte coletiva, de músculos firmes e imaginação de criança, um ar leve que iça da lona pra dentro do corpo de quem está no lugar-de-onde-se-vê theatrum. Di circolo... então vai e voa pra fora do planeta.

domingo, fevereiro 18, 2007

Escrita Sensorial - Exp. I

Experiência de escrita sensorial 1 - musical
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos musicais com as composições de Philip Glass

Uma caixa de retalhos de imagens, um progresso de meias metades e quartos inteiros de mínima música. Entrar num espaço sonoro com notas flutuando pelos campos minados de compassos aveludados e um tapete de três-por-quatro afiados em pontas de faca navalhando os músculos da mente. O meu corpo treme e só o que um se pensa. Os músculos da mente são o pensamento da cerne. Essa é a imagem que tenho em meu dedão do pé. olha para o seu lado oposto E aquela caixinha de música girando com a bailarina triste em cima... tempo Quer dançar? tempo Está tão calada. sorri Você é danada, me deixa aqui falando sozinho com minhas partes. tempo. baixa os olhos. sorri Não, não choro não. A vida é muito solitária mas não carece de pingar lágrimas. olha em volta Isso te inspira? Essas coisas em volta, essa foto de praia deserta na parede, esse livro do Deleuze na cabeceira, essa caixinha de música que você não pára de abrir e fechar só pra ver se um dia a menininha cai de tonta. Isso te cansa? Ficar aqui falando das minhas impressões enquanto você nem se mexe. tempo tempo É, não deve mesmo ser muito agradável. muito tempo Vou embora então. levanta, gira pelos cantos. diz Sabe qual a imagem que tenho no meu dedão do pé agora? É de uma bailarina, pode ser Isadora Duncan, girando numa praia, o vento batendo um perfume suave vindo de algum barco no mar. Lá eu te espero com um punhado de flores cheirosas, de cores vivas, sem espinhos, aveludadas como as notas musicais de uma minúscula música. Um minimalismo alí, o barco eu e as rosas. Você a areia e o mar. O Deleuze embala nossas teorias só. Talvez ele seja o mar que nos distancia. espera uma reação Que te faz girar com o vento e me faz ficar aqui ao alento e esperar. tempo Meu barco tá sem remo. Na verdade o barco tá sem mar e você é só um boneco de areia que se desmancha com o movimento do ventoar. não espera mais É engraçado como te vejo: um parado em movimento. sorri com um pingo de lágrima Já pensou em se mudar? pensa "talvez" Eu já, mas não sozinho. Essa vida mesmo com gente é muito solitária. Sem gente ela fica sem opção de solitude. A velha regra dos contrários. Um precisa do outro pra existir enquanto tal. Qualquer criança sabe disso, não preciso te convencer... percebe e não quer falar como o Deleuze eu aqui falando pra alimentar sua companhia e preencher a minha solidão... e você querendo ficar sozinha... entendi. A tagarelice toda... a praia, o mar, a música e o silêncio. chora com uma pontinha de sorriso A imagem que tenho agora em meu dedão do pé é a de amor constando com raiva, que eu mesmo precisava. tempo entre-dentes. choro pouco assumido Desses contrários Deleuze não disse não é mesmo? Da memória constando com aminésia, e a da vivice constando com a mortandade. volta pro começo. sempre acontece Uma caixa de retalhos de imagens é o que tenho em cada poro. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou grito esse tempo todo pra mim mesmo? olha embaçado Porque você não me responde? E essa música alta? E esse livro do Deleuze? Porque você não abre e procura alguma coisa relacionada a vida que levamos? Larga o travesseiro! Larga de se remexer pro umbigo. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou tudo isso eu falo pra mim mesmo? Você está aí? Quem está aqui? Bate no peito A moça... a moça... a sala com notas aveludadas voando e voando em compassos. Isso é música, esse espaço sonoro... isso é. Uma janela de sonhos balançando numa cortina leve. Logo eles se soltam! Me ajude a segurar! Sai daí! Pára de se remexer pro umbigo! desarruma uma cama vazia, só lençõis Cadê você? Cadê? Estava aqui agora mesmo... estava! estava! chora assumido. pega o livro do Deleuze e joga pela janela como um sonho que voa em páginas abertas lançando suas palavras para alguém perto ou longe pegar. deixa escapar da sala as notas musicais aveludadas transformando aquele espaço sonoro num súbito silêncio. enche as nunvens de compassos que pesam em chuva derramando as notas líquidas preenchendo os rios, os vales, as vias, os mares o solo e os cabelos molhados de mínima música. encostado num canto olha firme o seu dedão do pé e vê que ali, agora, estava apagado.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Era

Liso, os Sonossonoros, de cair de ponto em faca de cima da pedra. Susto! Os Sonossauros, os Dinoroncos das ondas sonoras adormecidas. Que fiaca que fica e fica e fica. Os Pterosonhos enchergam o longe e voam por dentro. E sou só passados dos que vêm por em frente. E tudo é só o caminho das coisas. Tudo é só e só é o caminho. Parada: cabana feita de troncos e palha no meio da trilha deserta na encosta do país tropicália, rebelália, pretelália, petelálias vermelhas e muitas frutas azedas e doces e amarrantes de beijos de moça. Parada pra sempre: o mesmo mais o beijo amarrado de moça sem soltar, cem vezes mangaba verde nos lábios. Muito nexo esvazia o turbilhão do caos. Cacos, cosca, se miúdas, cosquinhas, que me fazem rir. Assim, assim, quero assim aos poucos. Cacos me preenchendo às gotas. Parada: a trilha continua e o vento rebate pro sul. Parada pra sempre: o mesmo mais o vento volta mais tarde pra oeste trazendo o cheiro da moça. Se enrosca, bate em sempre um louvado suspiro de amém. Sonossonoros são aqueles que nos enchem de imagens e de minúscula música. Minimalismo nos sonhos animalismo nas rebarbas de textos. Caminho: de pedras. Recaminho: na boléia do caminhão. O circo lá longe está fora de mim. E rivalidade acaba com aproximação, acaba? Um bocejo alto e um "ao longe vês o horizonte?" me perguntou aquele amigo próximo. Vejo ele só... e a estrada. As coisas são outras de outras passagens históricas, momentos de outros tempos felizes. Primeiros primários e depois segundos secundários, mas que já viram terciários e quaternários em ordem de importância, porque o que vale a mesma pena é a pena das coisas levianas e o grau de amplitude das viscerais passagens de tempo, marcadas em passos do passo, longe do ponteiro. A cada entrepernas um segundo, ou vários, ou muitos infinitos na duração do passo. O resto é só o passado de um passo pra trás e o futuro do passo adiante. Repasso: o resto é só o passado de um passo pra trás e o futuro do passo adiante. Reprocesso: O vento volta do oeste trazendo a moça em nú branco e tudo é só um passado fantasma. Vibrações de Roncossauros no Parque das Velhas-Árvores, de longas raízes e alguns becos d'água d'onde se bebe a sede. Alguma vida, sim, alguma há intocável. Caminho: entre-vales. Recaminho: correndo-montanhas. Recaminho de volta: boleia de caminhão-de-circo, meio-caminhão-de-mudança. O Mané ascenou um tchau-oi ao longe de meus olhos... ao longe vejo o horizonte? O horizonte é infinito, não se vê ele, só a cor de sua linha, um assim efeito azulóptico. De longe, muito longe, tudo fica azul. De perto, muito perto tudo fica breu e não se vê a luz. Nem longe nem perto eu quero ver. Fiquem-me sempre a meia-distância. Assim, isso, assim há de haver ... uma boa fotografia. O sol na nunca arde as orelhas e esquenta o pulmão. O sol no sempre arde no ventre e esquenta o umbigo. Centro do mundo, centro do nosso, centro re-centro em si mesmo, se enfiando, ao avesso do avesso, se revoltando ao infinito ao íntimo. Sempre, prende-se em ti mesmo e não verás o fundo, só o rebulisso. O horizonte agora mais perto. O Pterosonho vem voando de um passado jurássico e a vida é só o passado do que vem adiante. E o adiante é só o passado do que vem depois. E o depois é só o futuro que vai ser passado do que vem lá pelo ano final. E o final é o único que não tem passado. Encerra alí, alí é o ponto do presente eterno. As coisas param de ir pra frente e começam a ir pra cima. O movimento vertical do fim se encerra. E sem parágrafo encerro o fim. Parada? caminhão quebrado: lona furada. O tempo não passa e tudo é só o presente dele mesmo, se esticando pro céu e o horizonte fica nas estrelas e depois delas ainda mais estrelas e o universo inteiro pra gente: um feixo de luz do cometa, um sonho sem tempo é o sonho do tempo sem mim e eu sem o tempo.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Acalanto para Jorge

De longe, longe. Por certo, perto. Caminha reto, de esperto torto, se dá correto. Por essas destas plenitudes, Deus assim se faz armado. Com armadura de Jorge, espada calibre 38. Sem mais Cosme, Damião ou aqueles infantis erêzinhos de Exú. Só o Dragão? Que veste algo à carater de merecer respeito. Algo adulto, sempre sério. Esticadinho, engomado liso. No lugar certo, na vida certa, sem dar passo ao lado e sair da risca. Porque Deus escreve certo por linhas trópicas. No calor do calor, quente no ventre da Virgem - lua nova, no escuro do céu? Lua cheia de quem pariu as regras... necessárias e exageradas. Jorge excomungado por ter matado o Dragão. Jorge excomungado por abrir caminhos em face de Ogum. Jorge são, não é doente. Vive no mundo da lua, olhando aqui pra gente. Salve Jorge da Capadócia, doce homem de espadas. O dragão é maior hojem dia. Comeu, cresceu, cobre o céu, sufoca a humanidade. Dorme ocê agora, num acalanto tranquilo:

Dorme, dorme Jorge
Que o Dragão doura as faces da Terra
Em guerra, descansas tu
Merece
Deixe os homens
Em ímpar assonância
Deflorarem os seios da mãe
Virem ruir seus reinos de fé.

Ficas aí no mundo da Lua
Assista do alto
O banquete
Não chores, fizeste o que fez, ó Ogun
Toque os tambores em trovões cá chegar
Há de um dia tudo criar festa.

Deixe na mão de Deus e dos homens. Eles arrumaram essa increnca.

terça-feira, outubro 03, 2006

Expectativa é uma merda de se ter. Mas o ser-humano precisa sonhar. Deixe-me com ela...

domingo, setembro 24, 2006

Na contramão das coisas ficam voando os desgarrados de fé: acredito logo insisto.
Só não rezo ajoelhado, vou andando orando a pé. Quem quiser-me que-me acompanhe, porque não; pare se não me acompanha; não sou não; esperar só se for a hora do corte, da poda, da roda, do descanço; mas ainda assim baixo num e mando ver. Na gira ainda corre meu organismo. Na vida quero ficar; eterno eternizar as coisas pra quê vivo: a arte, a sorte e o amor. O resto vem na rasteira - levo nas costas, burro de carga que de burro não tem nada.

terça-feira, setembro 19, 2006

Correção de antemão atrasada:

A sova era de fio - de ferro - de cobre. A bunda devia arder mais que a chapa que passava a roupa.

Memória de irmã que atira certeira... correção feita;
Mais poético... família moderna. Vara, mesmo, vem de outros tempos, tempo de cutucar onça com birra curta. Quando ainda tinha onça. Se já tinha o fio do ferro, pouco em pouquinho sumiu o lago, o mato, a várzea... os fios ficaram... e vão sumindo pra dar lugar ao infra-vermelho, à fibra-óptica...

Os lagos devem estar em algum lugar, a gente que não descobriu ainda.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Periferia Nordeste Paulistano - Ou o Corpo Retirante

Ali. Olhe na lista telefônica ou procure num maplink. Divisa com Guarulhos, pela Trabalhadores-Ayrton Sena, com um parque sujo, porém chamado Ecológico, cheio de Quatis e Macacos sacanas. Passa ali a linha do trem Calmon Viana, a famosa podreira sobre trilhos que vaga de extra-São Paulo a centro abandonado reduto de bolivianos costureiros e camelôs. A Estação Roosevelt, antiga e grande útero concebedor de nordestinos do Brasil e ruralistas da europa, interliga o Brás, do metrô; liga a classe-longe a classe-média, gratuitamente, com catraca liberada - que beleza! - faz a ponte ferroviária entre periferia nordeste paulistana e centro, espalhando às veredas corpos retirantes diários que abandonam em viagens suas casas e logo, mais a noite, retornam aos lares fazendo jornada de retorno ao seu meio-ambiente. Começa na Penha, mas ninguém assume direito. Ali ainda é meio centro, bairro histórico distante, mas com um falo gigante chamado Celso Garcia: caminho de comerciantes da São Paulo de chapéu, hoje abandonada pelo efeito Febem, no Tatuapé (centro-leste), bairro nobre do outro lado do trem e zona de guerra com moleques rebelados no telhado do orfanato, aquelas crianças sem pai e sem mãe fazem da antiga via um corredor de ônibus e reduto de putas entre Carrão e Brás. Nossa Senhora da Penha parece que olha pro outro lado. O sino bate pra Radial Leste, o padre no altar fica de costas pro nordeste onde começa mesmo, de maneira assumida, na ladeira de Cangaíba. Morro alto com vista linda, o Parque Ecologico, bem lá em baixo, fica lindo. O lago nem é imundo, é pintado de dourado, com o pôr do sol do outro lado da cidade, assistido em bairro nobre entre Vila Madelena e Pinheiros, na Praça do Pôr do Sol. Carro largado por desmanche é a cada esquina. O Correio-São Miguel Pta/ 1178, passa voando, faz da curva do "S" montanha russa da melhor qualidade. Nem se importam os passageiros: os sentados dormem, os de pé já estão acostumados. Até desenvolveram musculatura específica para curvas da Avenida Cangaíba. Ali há de um baixo-lado o Tiquatira e do outro a linha do trem, seguida pela Avenida Assis Ribeiro, antiga várzea, formadora de lagoas de atrair garça e moleque pra banhar em dia de sol; depois levar varetada na bunda e ficar de castigo, nadar era proibido, mãe não deixa. Era riscar a unha na perna, se ficasse marca de barro seco entrava na sova e não ia jogar bola. A várzea assentou. Passa carro agora. E trem também. Tem campo de treinamento do Corinthians e do Palmeiras, um do lado do outro. Faculdade publica e siderúrgica multinacional. Favela e favela, muita favela, fora do morro, no baixo, escondida. É o tal do Keralux, habitat dos antigos ribeirinhos, abandonados pelo Estado. Aquilo é terra de ninguém. Governo do Estado, prefeitura, Deus? Até hoje ninguém se pronunciou. A esquerda do Queroa lux! tem o São Francisco, quem conhece entra, quem não conhece, fica de preconceito. À direita segue até Ermelino, encontrando os Matarazzo e seu legado falido, terminando num grande Pantanal, de Ermelino Matarazzo, Guaianazes e São Miguel Paulista, terra de Ninguém Ninguém, mas que muitos Alguém resolveram por morar lá: - Mãe, eles moram em casa de madeira, e pisam na graminha. Quero morar lá também! - Filho, lé é a favela, olha o esgoto! Nesse caminho, passou Caixa D'água, Vila Cisper e Jd Danfer. Praça Onze e o futebol moleque dos Onze Meninos, sempre competindo em final de Primeiro de Maio com Jardim Verônia, vem na beirada. Parque Buturussu e Vila Paranaguá. A vila dos operários fica na Avenida Paranaguá, seguida pela praça sem nome, conhecida por Jd Matarazzo, por começar de frente pra fábrica e terminar no Largo Primeiro de Maio - terra de trabalho; avante São Paulo! Meu avô veio de Pirituba pra cá - corinthiano roxo. Paranguá, em Tupi Guarani, curiosamente quer dizer enseada, caminho para o mar. Sem saber disso ficava em casa, quando criança, esperando onda em pensamento, no final da avenida e começo dos meus sonhos. Achava que um dia alí no semáforo ia ter praia pra brincar. Nessa época pegava ônibus e ia estudar em São Miguel Paulista, seguia na Av. São Miguel, caminho de Dom Pedro pro Rio de Janeiro, passando por Itaquá, Atibaia e Santa Isabel. Avenida Imperador ou ainda Estrada Mogi das Cruzes, tão longe, mas tão perto, deixam no Arthur Alvim quem quer ir de metrô pro centro. Perto tem o só aterrado centro de treinamento do Corinthians, que, por isso, batizou por Corinthians Itaquera a mais lestiana estação, levando ao Palestra Itália quem corra a linha toda, descendo na Palmeiras-Barra Funda, pros verde-e-brancos chorões por quererem nome de estação - tão opostas futebolísticasocialmente falando. Cidade Tiradentes já é extremo-leste, nem é mais tanto essa periferia nordeste, onde o sol nasce primeiro sempre. Todo mundo acorda pra ver o trem correr, do lado de fora da porta, olhando pro chão e levando vento-frio-que-o-sol-ainda-não-esquentou. Esse corpo retirante que vai e reretira de volta de onde partiu, pra depois seguir novamente onde chegou, errante entre rios - Tietêquatiraricanduva - na saída da ponte do Imigrante Nordestino, a ultima (ou primeira) da marginal do Tietê de Margens Cinzas, ou na catraca da Roosevelt pro metrô do Quércia. Seguir pra qualquer outro destino seja pra metrô do Covas ou do Alckmin, pro minhocão do Maluf, ou túneis da Marta - há de dizer que a sexóloga parece entender de túnel. Esse rumo de retirante nordestino sigo toda santa hora em todo Dia de Maria. Com o corpo de quem não se acostuma direito à rotina, mas segue indo, em andamento, no pulso da cidade, no pico da psicologia frenética de metrópole que um dia te tem, um dia sempre. Te pega.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Chove mesmo chove. Lava essa cidade em fluidas águas, molhadas de suor do trabalho. Paulistano arde, paulistanos da Bahia, de Sergipe, Paraíba, todos cabem nesse Brasil metrópole, brasil de economia. É só olhar o quê desce o morro. Barro, lixo, na enxurrada vem gente rústica, vem nessa acústica onda de certezas, de certas pobrezas com cara limpa, lindo aspecto e glórias incabidas. O recheio é oco e oco também é a barriga e a cabeça e a cabeça e a barriga, vento e saudade. Saúde? Nem tento, nem arrisco, se é saúde atestado médico e viver assim a sono e hora todo Dia de Maria. Brincadeira de escola é o qu'eu queria. A agonia é sem volta. Casa e romaria na favela, o cruza-cruza é todo beirando a rodovia. Métodos de vida. Ninguém escuta não, vive-se apenas. Nem se aprende, nem se ensina. Só recebe nas solas o fio da roca que nervosamente se fia. O ônibus vai gastando óleo diesel e estou certo de que essa é a minha anatomia, esse é o meu corpo, é o corpo que arrependia. Mas na volta não tem volta, a estrada é sempre outra a cada vez que se olha para trás. Os caminhos são tantos que das escolhas não fazemos conta, escolhemos e seguimos sempre, sem nem se ver nelas desenhado, nem em previsão de cores e formas. Quando me olho já me vejo vestido com roupa feita medida, cabível no corpo, grudada que não sai nem a ferro e fogo, tesoura e navalha. Feito roupa molhada de chuva lavada em cola sem saída. Ando e me grudo, me prendo sem nem ver, em esquinas, casas, praças, igrejas, prédios, ruas, viadutos, avenidas, lojas, árvores, postes, cães, gatos, trens, calçadas, rios, poluídas fachadas, pontos de ônibus, guardirreios, nem freia, nem pára, carrega a cidade inteira intalada na garganta, amarrada nas costas. Não importa pro lado que vire, pro rumo que siga ela vive ali sobre, fazendo careta por detras, zombando postera, querendo ir na contramão. Não me deixo assim por defeito com corcunda de chaminés e carros, soltando gases e sirenes a torto e a direita. Sigo indo carregando e indo enquanto sirvo de matéria prima pra metrópole, sou combustível rico em carbono, duradouro até a aposentadoria em cinzas fáceis de voar por esses ares carregados de maio-branco-meio-preto, sou carvão pra esse brasil de economia, vermelho de fé, de tanto andar a pé e de raiva.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Atrás

Dizem que atrás da porta dos sonhos existe aquele serzinho de quem a gente sempre leva um susto. Quando tudo acorda no clarão do meio-dia e já passou almoço, hora e sobra a apatia. Dá aquela preguiça de tarde vazia, com vento vazio, luz do sol vazia, sorrisos vazios, horas vazias, horas e mais horas, sobras de sustos, meias-delongas e delongas inteiras vazias, televisão sem energia e livro sem palavreado algum na escrita. Fica tudo assim à cegueira de não querer enxergar nem preto nem branco, só de ver tudo transparente, através dos outros e da ida: e da volta vida. Nesses dias de sonho, sonhados em plena luz do dia, com cachorros e crianças na rua, pipa e correria no céu, aos poucos um sustinho sempre revela aquilo que sem sempre a gente quer ter - porque fica assim sem chão - o céu é de lilás, alilás, a rua só tem curva e o prédio te dá uma piscadela: e não é reto, é em rodela. Um homem de cuecas que passa voando e outro de gravata macaqueando pelos viadutos de cipó raiz e galhos. Passam os carros sem freio e sem matéria, não batem nunca, seguem toda vida lânguidos em ares e em mares de esgoto limpo e terra fria no lugar do asfalto quente. O sol toca macio com pontinhos de fervura pra cosquinha na gente dar. A chuva despeja mel e a abelha te convida para um chá. Dinheiro vem a granel, mas pra quê dinheiro se a troca se dá no buraco mais em baixo, onde eu canto uma canção e recebo um belo sapato? As roupas são de tecido fino e fresco, só para manter a higiene, e os pés... é os pés preferem estar descalços: "moço, poço trocar o sapato por um buquê de flores pra minha linda morena?" Existem trapézios de vôos em toda praça; e o circo do sol se apresenta de graça! Que maravilha de orquestração de passarinhos e risadas, e vozes, e poesias faladas, além das cantadas: alaúdes, tambores de pele de carneiro e flautas de bambus e madeiras esculpidas com detalhamento, todos acompanham o casamento. Fúnebre irônico e colorido, o palhaço faz o enterro final, o da própria morte, porque agora todos somos senhores de vida etéria... e sorrisos de olhos cansados, sonosos, soneiros, bocejeiros, uaaah...! Um espreguiçamento sem vez! Ufh! Mas o sustinho vem travêis: aquela porta não tinha visto mais, será que é de fazenda, de hospital ou de casa de oferenda? É tudo um grande transe ou levei pancada na cabeça? Reconheço e me reconheço. É local conhecido, de noites e de dias. É só manhã e da porta, saída do quarto, começa o corredor, que dá no banheiro, que dá na privada, aí dou aquela cagada e vou enfrentar a greve do metrô.

domingo, julho 23, 2006

Assim, tento assim, deixar adormecido... impossível. Mesmo porque sei que traz no peito uma saudadezinha que vem de longe, de janeiro, de rios, de praia e funk. Não sei se te completo. Mas sei o que me esforço e me peço pra ser mais diferente. Acontecer a maneira que me pede, num esforço físico capaz de mover montanhas mas que não é suficiente pra segurar o que me faz insuficientemente não seu. Mais, preciso de mais e não tenho mais. Sei que traz no peito uma saudadezinha que vem de longe, principalmente nesses momentos. Aí me rasgo inteiro e não entendo e do não entender fico quieto. Abandono as vozes de cumplicidade. Me arrependo da intimidade. Sumo presente por querer sumir de vergonha de vez. Mesmo porque sei que sempres vezes o janeiro bate volta nesse rio corrente, forte, cheio de carne, corpo, tempo, tempo, tempo, duradouro tempo, aproveitado tempo, tempo de liberdade ao som de muito funk e caraokê. E só a rede... nem só a rede. Queria te fazer tremer. Não abro mão de ti, mas me pego no apuros sempre, sempre nesse tempo curto de mal me perceber, te perceber, nos envolver. Não abro mão de ti, mas sempre me pego no apuros de não saber mais o pé das coisas e desesperar-se ao ver que frustra. Mesmo porque sei que traz no peito uma saudadezinha danada... queria te fazer tremer. Também queria ser mais violento. Me pego sempre no apuros de não saber fechar o punho quando é hora, de fechar o cú na hora certa, acirrar o ponta-pé e de fazer voltar a porra que sempre faz doer. Violento pra dar o murro na minha própria cara e ficar de olho roxo, cego, sem dente, de nariz quebrado. Me esmurrar por dentro, viver na cerne, acostumar na dor do sentimento... acostumar na dor pra dar prazer.

sábado, julho 22, 2006

Viver de pão e circo

Ai que dor nas costas dessa vida de levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. E aí só sobram as pernas pra correr no chão a pressa de chegar n'otra praça e voar pro próxim número, se desdobrar em três, fazer outra vez e outra vez e outra vez. Colocar o pé nas avessas, dobrar ao dobro as dobras. E lá vamos nós outra vez, levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. Ai que dor nas costas. Aí só sobram as pernas pra contar um, dois, três e fazer tudo outra vez. Fazer a troça, abrir a trouxa e apresentar o drama. O malabarismo, o trapézio, o vôo, o equilíbrio, o sorriso do palhaço, o avesso, o avesso contorcido, o avesso e o monociclo, fica na dor nas costas dessa vida de levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. Fica nessa mania de montar e desmontar a lona, de mudar de rumo toda vez que algum parece estar perdido. Fica pra outra praça porque nessa o publico ficou na validade vencido. E o circo teatro chegou com a Paixão de Cristo! E fico nesse sacrifício de ver assim, viver de dor nas costas, sem carroça, sem braço, sem perna, mas também sem dia perdido. Ah, ganhei meu dia desfazendo a troça, abrindo a trouxa pro rufar de tambores: o galã entrou pro drama! E a platéia chora, e o circo volta pro meu sonho adormecido. Levanto da cama fazendo meia-hora, vou pra rotina seis-horas-meia-noite com dor nas costas, dessa vida de levar tudo fora da carroça, erguida nos braços e arrastada na consciência. O que eu queria mesmo era viver de pão e circo, no melhor dos seus sentidos.

sexta-feira, julho 07, 2006

O Nome Que Quiser

Com, compre dom, mesmo, o que ais de ser as vidas de eu mesmo... mesmos... sempre sem. Caiu a mofeza das aquelas partes pares doentes das mesmas, som que ais de ser as cidras de eu mesmo... menos... sente e vem. Pus a menos, fundo de hora, me doa, trevo, bem. Berne de bezerro em pasto queimado. Só tem carcará e grito n'alto morro seco e cinza de fogo abafado, vermelho quente apaziguado pelo aboio dos ventos contrários, é acalanto.. tuuuu boi de um lado tuuu boi de outro. O fogo se queima e se mata. Rente rente passa perto frente sempre rente vente vente vente vente ventre cobra ventre cubra rente perto frente reto certo deserto morro... boi carcará e morro, morro de morte e de terra, de gases e de Deuses semi-homens. Morro de pedras. Passava ali rapaz de boa perna, corredeiro, andador de passos largos e olhar adiante. Seguindo as vozes de desfiladeiro de boi fugido, morrido da fuga, caído em penhasco. Homem perdido, bicho varrido, disfarçado em roupante de gente: já é outra coisa que não mais de banho, de unhas cortadas e de bom falar e sorriso cheio de dentes. É de um olhar que nem se entende, o olho daquela gente fala outra lingua que não mais essa comum de sentimentos cantados nas modas, nas festas, nos pagodes. Nem música tem mais não, tem só solidão de nota só nota de agarrar pra sobrevivência. Lá no pico, bem lá no pico. N'alto da serra misturava em cinza. Podia ser aquela relva queimada sem longe desfigurança, reconheceria, sim senhor, que aquilo era semelhança: o pó e a pessoa eram quase a mesma coisa, se não fosse por ter aquele um coração batente e uma cabeça de nosso modo demente, mas em modo de ser aquela espécie de ser coerente ao que necessitava pra se reconhecer. Fuçava nos bolsões de casulo, tôco e qualquer buraco escondido, atraz de bicho morto ou ainda semi-vivo. Boi não via mesmo não, só em saudade, com imagem na cabeça. Era rapaz de boa perna, corredeiro, andador de passos largos e olhar adiante. Era rapaz? Era rapaz. Por um repuxo de tiro de senhor pra acertar bucho de urubu roubador de área afetada, pra espantar aproveitador de terreno sem dono porque passou a dona queimada, faz fugir o cinza homem de medos d'antes de morrer, agora de viver assim a ferro, fogo e bala. Corre adiante, pula morro, rebola tôco desvia de armadilhas da sua própria mãe natureza que em seus causos vive pregando peças na gente. Modesto de calma pensa e repensa a sua valia. Valia a pena, valia. Seguiu pro próximo morro, pra próxima ponte, pra próxima angústia em canto de apartamento vazio. Cortou pé de cana, pediu sua esmola e ligou pro seu pscanalista. Desses homens iguais de sopro, pr'esses homens iguais de sopro, canto meu aboio, prece, sacro. Hum... que as vezes dessa santicidade os pilares caem, as cinzas choram e o mundo acaba em dó maior. Tudo é festa, tudo é o que resta e o que resta também não é tudo o que falta, por isso vamos acabar em seresta e descobrir a viola de acompanhamento - são dez cordas e não dez mandamentos.

Fico assim dê a isso o nome que quiser...

sábado, junho 24, 2006

Corpo Jaburiticabeira

Buriti Jabuticaba Jaburiticabeira
Leio Sou Construo

Saio no escuroinhozinho sem saber do Pinhém, do São Paulo, do Urubu qua quá, me bem. Sei sempres vezes que sente as sedes da saúdadezinhainha de quem vem de longe. Te amo mesmo assim, saudosamente afim.

O Buriti de Guimarães é alto a Jabuticaba sou eu Jaburiticabeira é que peço, espere ser, pra me entender, nesse processo.

quinta-feira, junho 15, 2006

Mostrar tudo

É o que eu quero.

E que venham as deixas de texto

Porque chegou a hora do meu monólogo.

terça-feira, junho 13, 2006

Sala das Mistas

Quero assim essa sala em vistas das minhas manhãs e tardes da noite e tardes depois do meio-dia. Quero assim sempre mista com habitantes de demoras senhoras e senhores no tempo largo de copa roda do mundo e a hora sempre volta a hora inteira anterior interior. E um trapézio pra balançar no meio com o trampolim pra saltar no seio das nuvens. Porque a sala é aberta mas não chove só respinga o sufciente pra refrescar a gente de dia e acolher no orvalho na noite o sono dormido de senhores e senhoras discutindo filosofia pelos sonhos. Valsas nos entretempos em contratempo no compasso três por quatro por cinco vezes ao mesmo volta-e-meia belo bonito lindo amável surpreendente pôr-do-sol-das-seis-da-tarde. Arde aquele beijo demorado sem hora de ser nem ter nem ver nem saber o quanto é o que vale o que parte o que cabe o que desacabe por fim de terminar. Perceber o círculo reinventar a roda sempre reinventar o circo sempre reinventar reinventar reinventar.

SSSSsssss

Não quero isso assim... repetir a história. Existe algo que está além do astral e preciso agarrar com as duas mãos. Quero um novo rumo. Paro, penso, re.re.re.re.re.re.re.re.repetindo tudo, não quero isso assim... repetir a memória. Quero criar nova. O quê que eu quero? Quero não sei não. O queê? Qué tb um ser assim o que é que é então? Num não, sei ai. Repetir Estável... instável demais pra ser assim. Vim protra coisa. Aprendi, agora chega: vamos lado-a-lado? Longe de estar em cá do po... povo? De ouro esse... meu balaio é outro. Não acho, não pesco. Um circo de idéias, angústias, inquietações na estrada. Não, sem estrada, só se for pra nunca mais. Cada um por si e todo mundo na lona? Tá cada vez mais down na highsociety... ai a classe, artistas. Popzeando à tona... a toa... na boa... avoa, é avoa. Por assim também não sei. Ai ai... aiSsim... sssss... sim. Só sei que sim. Sim pro que vier.

quinta-feira, junho 01, 2006

Me Deu na Cabaça

Rasgado no seio da santa lenda de Calcutá
Partido
Salvem ainda a sobra de boa vontade
Boa saudade daqueles que pensam em ajudar a salvar
Esse altruísmo de processos conglomerados. Podres ares de humanidades macaquianas que não sabem muito mais do que abrir um côco na pedra. Muitas vezes na cabeça.
Me deu na cabaça: escrever assim sem se ter sentido de ser