Das mudanças do corpo cabem as circunstâncias da vida. Cresço e, ao que amadureço, me escancaro. Aqui há minha porta aberta, onde parte o prolongamento de meus braços e pernas além do meu ego de ator e força circense. Partem minhas palavras em corpo, em carta, em viva poesia, mesmo se em prosa vier a narrativa. Sei que espiam e não deixam pistas, mas, se puderem, comentem... e deixem um pouco da sua carne poética em minha cerne criativa. Experimentem...
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quinta-feira, março 23, 2006
terça-feira, março 21, 2006
sexta-feira, março 10, 2006
Meu Corpo em Três Atos
Terceiro Ato - Do Centro o Quente ou Do Ventre ao Sequestro
Perdido na nua crua selva de pelos cura a dura serpente - elástico
Reservada a estrela serena de pele morena sereia que parte e eu não parto - sistema simpático
Preparado o chá o lar o mar o par o céu o réu e o orgasmo - sistema parasimpático
Paraninfo
Ninfo ninfa enfia enfia
Do centro o quente e de frente respiro no ventre
De costas só penso em sequestro
Meu ato ultimo
Meu ultimo salto
Sedento ao coito encerro meu corpo em três atos.
Em três vias que sempre terminam em sexo
De fato.
Perdido na nua crua selva de pelos cura a dura serpente - elástico
Reservada a estrela serena de pele morena sereia que parte e eu não parto - sistema simpático
Preparado o chá o lar o mar o par o céu o réu e o orgasmo - sistema parasimpático
Paraninfo
Ninfo ninfa enfia enfia
Do centro o quente e de frente respiro no ventre
De costas só penso em sequestro
Meu ato ultimo
Meu ultimo salto
Sedento ao coito encerro meu corpo em três atos.
Em três vias que sempre terminam em sexo
De fato.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Meu Corpo em Três Atos

Segundo Ato - Da Mão a Testa, Que Pensa Que Pensa
A fresta
Vivendo na confusa imagem que resta
Passada as estreitas pelo cabresto
Está feito
Pensado
Rasgada a imagem da festa
Que merda
Sofrendo na lei das virtudes e sabe
Vi direito
E por respeito
Fico quieto.
Da mão a testa
Do toque arrependo e a moral desconversa
Oral, anal, substâncial
O que vale a testa?
Será que tem fresta que arreganhe o valor? Deixa a festa
Encerra o ato que intermeia
Logo logo partem as meias
Horas
E entramos todos numa grande energia sexual.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Meu Corpo em Três Atos

Primeiro Ato - A Mão Que Toca o Instrumento
Pega a pele
Pega a gosma
Pega a sede
Pega a sola
E sola tudo numa suite Wagneriana
Pega o olho
O repolho
O zarolho
Finca
Planta o caroço
E nasce um trecho dissonante
No piano parecido com o de Mozart
Pega em cheio
Chuta o saco
Enche a tese
De certo
Disserta à ralé dicotomia
Anemia
Sub-revelia de paixões
De tensões
Distrações
Vencidas na partida de futebolimia
De simpatica rebeldia
Chuta o saco
Golpe baixo
Gospel rádio
E a moderna música brasileira de 1960
Tocada no séc 2001
Ufa!
Ato torto
Escoliose
Escolástico demais
Pega a nota "passe vasilina, enfie, soque e meta no tanque de gasolina"
Numa pré
Numa quase fé
Numa pré musicalogia
Num ato de um corpo
O primeiro
Em espelho me reflete
Numa pré
Só esquete
Numa breve passagem de Tom Zé.
Ô Tom Zé!
Meu Corpo em Três Artes
Sempre rabisco em mim o circo
E a música
O teatro é forma
É a folha em branco pronta pra ser escrita
Com rabisco
O circo e a música
O teatro é só amálgama
Juntar tudo em meu corpo que é a tela
Pro rabisco
O circo e a música
O teatro é estrutura
Pro rabisco
O circo e a múscia
Só de palhaços e dissonâncias
Respectivamente
O teatro... é amor, mesmo assim.
E a música
O teatro é forma
É a folha em branco pronta pra ser escrita
Com rabisco
O circo e a música
O teatro é só amálgama
Juntar tudo em meu corpo que é a tela
Pro rabisco
O circo e a música
O teatro é estrutura
Pro rabisco
O circo e a múscia
Só de palhaços e dissonâncias
Respectivamente
O teatro... é amor, mesmo assim.
sábado, fevereiro 04, 2006
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Quero deste espaço
A praça publica da internet
Onde putas fazem ponto
E estão longes os cdf's
Fazendo plantão de física
Descobrindo a bomba atômica
Colocando a mão na massa
Na desgraça quase tísica de chegar ao ponto
De não ver o ponto que se chega a praça humana
Perder a poesia e a grama, a árvore e a criança
Perder a boemia pros sites de jogos da vida
E enxergar a pornografia por trás de uma tela que faz mal a vista.
Quero deste espaço a visão que não queria.
A praça publica da internet
Onde putas fazem ponto
E estão longes os cdf's
Fazendo plantão de física
Descobrindo a bomba atômica
Colocando a mão na massa
Na desgraça quase tísica de chegar ao ponto
De não ver o ponto que se chega a praça humana
Perder a poesia e a grama, a árvore e a criança
Perder a boemia pros sites de jogos da vida
E enxergar a pornografia por trás de uma tela que faz mal a vista.
Quero deste espaço a visão que não queria.
terça-feira, janeiro 31, 2006
Corpo Circular
Segue o circo no seu rumo, quem quiser que vá atrás. Porque ele segue em frente sempre, depois volta. É circular. A caminho do circo eu vou, no balaio estou sempre a me perguntar: porque mesmo depois de tanta viajem o circo volta sempre ao mesmo lugar?
Respondo e volto sempre ao mesmo lugar
Pergunto a resposta e volto a perguntar
Retorno eterno nessa roda
Que embora sempre roda vale a redundância circular
Redunda
Redonda
Rede
Onda
nda
nada
rola
tudo roda
sempre a retornar.
rumo ao Circo do Balaio!
Respondo e volto sempre ao mesmo lugar
Pergunto a resposta e volto a perguntar
Retorno eterno nessa roda
Que embora sempre roda vale a redundância circular
Redunda
Redonda
Rede
Onda
nda
nada
rola
tudo roda
sempre a retornar.
rumo ao Circo do Balaio!
terça-feira, janeiro 24, 2006
O Corpo do Aperto do (r)Ego
Por perto, aperto
E resseguro o verbo
O Reto aperto
Seguro certo pra não entrar nem sair nada.
Que nada, o nada nada no mar sem fim
Nem começo
Nem nada
Só o tudo por completo
Tudo é tudo e nada mais
Redondo e imendado
Sem canto, sem teto
Até redondo é o reto
Querer estar por perto no redondo é sempre longe
Bom estar assim se por largo se faz estreito
E por distante se faz próximo
A fila anda e o mundo roda
O reto dilata e contrapõe
O movimento que expele a merda,
A arte
E a ferida.
E resseguro o verbo
O Reto aperto
Seguro certo pra não entrar nem sair nada.
Que nada, o nada nada no mar sem fim
Nem começo
Nem nada
Só o tudo por completo
Tudo é tudo e nada mais
Redondo e imendado
Sem canto, sem teto
Até redondo é o reto
Querer estar por perto no redondo é sempre longe
Bom estar assim se por largo se faz estreito
E por distante se faz próximo
A fila anda e o mundo roda
O reto dilata e contrapõe
O movimento que expele a merda,
A arte
E a ferida.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Carta ao Corpo de Pasárgada
Pasárgada à 6 Km
Me pego na fração do tempo e penso e repenso qual deve ser minha vocação. Gosto das artes, como gosto!
Toco violão
Brinco de percussão
Canto mal mas tenho o meu charme
Componho
Na composição escrevo e escrevendo faço poesia e filosofia
Estou longe de escrever bem
Dá pra enganar na cambalhota
Circo, me bota corpo bonito
Só
Por enquanto não vou muito além disso
Sou classe média
Fico no meio
No medíocre
No que é bom mas não é ótimo
No que me dizem ser bonito
Mas será que é autêntico?
Toco uma punheta
Brinco de ser xereta
Canto de sala com seu charme de bordel
Componho
Na transposição inverto e invertendo faço esteria e demagogia
Estou longe de falar bem
Dá pra enganar os idiotas
Circo, me bota um tanque no abdômem
Dó
No entanto, e o Homem, como fica tudo isso?
Pelo pelô pélo o pêlo no pelourinho. Chicotadas nos pormenores da vida, na bunda, na virilha. Nesta terra que tudo planta e tudo dá, só não dá pra ser artista. Numas e noutras penso em ir pra longe, lá pros interiores, viver de natureza, a verdadeira poesia que salta aos olhos, aos ouvidos e à pele. Reescrever Macunaímas e enlouquecer no colo da amada. Fundar comunidades e tentar uma nova sociedade. Plantar para comer, criar para viver e não pensar em sobreviver. Ô utopia! Sumir dessa selva de pedra que é um emaranhado de redes de pesca arrastando as tartarugas.
Não fujas
Não fujas
Fujas
Fujas
Fujas
Gosto das artes, como gosto! Mas aqui, nem assim me sinto bem. Ficam os amigos, fica a família, fica. Fica que eu vou. Se quiserem venham pra Pasárgada comigo. Venham que eu não fico, não fico porque vou. Vou encontrar os modernistas, Mário me espera ansioso. Estou saudoso. Lá não precisamos de dinheiro que aqui compra até felicidade. Lá está tudo mais ameno e aceitam bem as artes. Assim como aceitam os padeiros. Temos emprego e todos nos adoram. Nos têm como sociais. Em Pasárgada todos são amigos do rei. Lá o tempo pára pra romaria passar. O amor é mais amor, o sonho é mais sonho, o tesão é mais tesão. O choro é mais choro e a dor é mais dor. Não existe maquiagem, as máscaras caem e todo mundo fica nú! Vamos para lá encontrar Godot ao lado de Becket rindo das nossas caras que chegam com pavor. Cumprimentar São Jorge com seu cavalo de pau. E cuspir fogo no rabo do Rei. Lá todos são amigos do Rei. Lá todos podem ser autênticos gays. E os heteros serem caretas felizes, livres dos rótulos do modismo. Tudo é livre de qualquer machismo, feminismo, vanguardismo, cismos de ismos, rótulos e categorias que levam ao preconceito. Lá seremos perfeitos! Posso ficar debaixo da árvore, no pé da cachoeira, escrevendo Cartas aos Corpos e beijando a Ângela a vida inetira. Entender o que é intuição, distração e criação artística. Entender o que é tempo, espaço e metafísica. Entender o que é afeto, amor e tesão. Entender a morte e a vida. Os dualismos e os poliedros, polifaces, policorpos e políticas. Entender a dialética, o épico e a loucura. Entender a estrutura, a matéria, a base, o chão, o meio e céu. Entender a música e a emoção, o teatro e o pensamento, a poesia e a lírica humana. Entender a tentação do inferno e a religião. Entender o sagrado e o profano. Entender o milagre e encontrar Jesus Cristo Pop Star. Entender o que é e como funciona tudo isso. Como se dá no meu corpo. Entender os micropoderes e o sorriso da Monalisa. Entender a pulsão em Nietszche e a pulsão em mim. E desejar que tudo seja Eterno Retorno! Vou me embora pra Pasárgada porque lá posso viver o caminho, o processo, o fluxo do rio e o fluxo do tempo, os instantes presentes. Posso plantar pra nascer, a semente perfeita pra árvore perfeita de frutos perfeitos de sementes perfeitas. O ciclo, o círculo, o circo. O circo... o circo...
E eu num sonho
Não me acordem
Não me acordem
Me sacodem só quando terminar a viajem
Paiê, falta muito?
Meu pai? Já deve estar lá conversando com o Mário...
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sábado, janeiro 14, 2006
Um Corpo Só
Só de corpo vivo em meu mundo torto. Um corpo só de só um corpo. Um mundo torto que quer ser reto, ser letrado, ser esperto por ter estudado. Mas certo, certo, mesmo só de corpo faz-se a sabedoria. Experimentar o que vale a via, pra conhecer o que há de excesso. Em minha sabedoria colho do sentimento o fluido de um só corpo. Intuo o pró-corpo em processo de pró-ternura. Estar eterno e tenro e perceber o elo, o fluxo, o rio corrente em frente, o que liga o meu policorpo na unidade não federativa, mas livre, de prazeres, poderes e afazeres sociais, biológicos e testimoniais. Ao fim disso tudo serei só corpo, talvez erguido em jabuticabeira, com jabuticabas pingadas do pé. Mas por ser tão poli num só homem talvez encontre goiabas, laranjas, romãs e pitangas. Todos os pólens saindo de todas as flores, semeando em todos os frutos, a odorificar todos amores. Raízes de todas as árvores e terra de todas as nações. Sigo meu rumo nessa internet livre e que meus direitos autorais estejam por respeito num só corpo endireitado e que, por pró-consciencia, meu projeto de corpo seja uma tentativa letrada de dizer aos meus pelos e peles, sacos e pensamentos, estômagos e cardiovasculações a carta que os escrevo, a Carta ao Corpo em corpo(r)ações.
Obs: tudo que é "pró" lê-se a favor da correnteza do rio. O rio pode estar pro bem ou pro mal; também pode estar além do bem e do mal, o importante é que ele está indo a algum lugar. O fim? A mim interessa o caminho...
Obs: tudo que é "pró" lê-se a favor da correnteza do rio. O rio pode estar pro bem ou pro mal; também pode estar além do bem e do mal, o importante é que ele está indo a algum lugar. O fim? A mim interessa o caminho...
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Corpo do anjo.
Anjo,
Me anja
Me açucare com o seu manjar.
Meu anjo,
Me ângela
Me pele, me gele, me mostre como
desp
enc
ca
r
no seu arranjo de nuvem
Te levo, meu anjo, cachos de uvas
litros de vinho e licores do diabo
Pra sempre angelicar
Os pecados oferecidos como sacríficio
Da alma
E viva o corpo!
E viva o corpo!
E viva o corpo de anjo!
E viva os arranjos dos corpos
Os corpos sempre se arranjam
Viva o corpo de ângela?
Anja viva o seu corpo...
Criar Nova Postagem. Um novo corpo que se cria.
Crio minha nova cara
Minha nova era
Com minha antiga Eva
Que quero até a maçã ficar velha e enrugada;
Crio minha nova cara
Com felicidade de dentes
Brancos de neve e adormecidos
Belos ares de primavera batida atrasada no peito;
Com pressa deito pra sonhar
Com calma durmo pra não acordar
Num susto brando
Momento sensacional
Sensitório
Sensível
Fracionário susto no tempo do ronco
Um bú que me tirasse do tronco a percepção;
E perdesse tudo denovo
A eva, a velha, a cara nova de nova era
E visse então o amargo corpo de outrora sem as auroras
Da mudança de estação.
Minha nova era
Com minha antiga Eva
Que quero até a maçã ficar velha e enrugada;
Crio minha nova cara
Com felicidade de dentes
Brancos de neve e adormecidos
Belos ares de primavera batida atrasada no peito;
Com pressa deito pra sonhar
Com calma durmo pra não acordar
Num susto brando
Momento sensacional
Sensitório
Sensível
Fracionário susto no tempo do ronco
Um bú que me tirasse do tronco a percepção;
E perdesse tudo denovo
A eva, a velha, a cara nova de nova era
E visse então o amargo corpo de outrora sem as auroras
Da mudança de estação.
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