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quinta-feira, março 08, 2007

Reação Criativa

Nem sei qual a razão exata de escrever pro nada. Será um virtuosismo feito pra vangloriar a minha pele no virtual? O meu corpo na rede não é o meu corpo no mundo. Nem meu corpo no tempo. Nem meu corpo não há. Não há sem a matéria memória de Bergson, do corpo enquanto balaio receptivo de imagens e produtor de ações. Meu corpo é como o dele, como o de todos talvez, um centro de respostas a imagens, um centro de ação e não de representação. Querer colocar a minha ação nesse espaço de imagens é querer transferir para ela o caminho que seria o contrário. O corpo é parte do mundo material e não o mundo material é parte do corpo (lembrando que matéria e energia são indissociáveis, portanto quando falo de matéria existe alí a energia inerente a ela), ao mesmo tempo que as imagens existem nesse mesmo mundo, o fato delas existirem na gente não passa de pura semelhança entre fatores: imagem e corpo existem no mundo independentemente, se um morre o outro continua vivo, se separam e se juntam como matéria, como se juntam os átomos de dois elementos químicos compatíveis um ao outro. O ponto que deve ser visto, então, não está na simples existência de um ou de outro, por conseguinte, mas na intersecção entre eles, no momento do cruzamento entre canais perceptivos do corpo e estímulos externos, as imagens (considerando o pressuposto de Bergson de que imagem é um conjunto de matérias). Nesse momento de faísca entre a matéria externa e a matéria corporal dotada de esponjas de imagens, os sentidos, acontece o que chamo de reação criativa, ou seja, o corpo percebe aquela imagem e a recria de acordo com seus aspectos físicos (formas, cor, volume, temperatura, cheiro) e culturais (o julgamento moral, o despertar de lembranças, o despertar de emoções presentes na memória histórica do ser). Sendo assim há o momento de identificação material da imagem/objeto e de reflexão psicológica. Não separadamente, mas de maneira cruzada, cheio de intersecções e sobrepassos entre ambas reações criativas, que podem ou não corresponder a realidade, mas sempre a põe em dúvida, a partir do conceito de que o que é real já parte dessa percepção duvidosa do mundo, a realidade é sempre um ponto de vista da reação, que já é um ponto de vista intuitivo do homem a respeito do mundo em que vive. Por isso critico a perfeição da ciência e os dogmas da religião, e os dogmas artísticos de vanguarda. Por isso não gosto dos denominamentos acompanhados da palvra "novo". Por isso não gosto das supremacias de grupos propondo estéticas ao mundo condizentes à verdade absoluta. Essa verdade parte do pressuposto da sua reação criativa ao seu própio mundo, cheio de intersecções do tocável calculável e do psicológico subjetivo. Portanto, voltando à questão inicial e negando a afirmação em sequência, não escrevo para o nada, escrevo para o mundo, para o cosmo. O mundo me enche de imagens e eu as troco com o mundo, a partir das minhas reações criativas, produtoras de ação. Transfiro, ou até mesmo transcrevo, essas reações às palavras organizadas em texto, numa dramaturgia verbal ou não verbal, cênica ou literária, ou seja, crio memória fora de mim. Pra quem? Não importa, pra algo que é real, que é o virtual. O virtual também é algo do mundo, também é matéria e energia atravessando entre si. Também é imagem. A produção de conhecimento hoje em dia parece estar em crise de conceito de publico, que fica cada vez mais restrito às especificidades da área, uma vez que cada vez mais artistas estão produzindo para artistas, cientistas para cientistas e religiosos para religiosos em suas quase, ou totalmente, seitas. O conceito de massa, de povo, acaba abarganhando um grande grau de entretenimento vazio, de jornalismo sensaciolnalista vazio, de imagens divinas vazias e generalizadoras do bem e do mal. Enquanto o meu alcance for o do espaço virtual específico, acessado através do endereço eletrônico, esperando que algum corpo transfira sua curiosidade para sinais binários em busca de uma Carta ao Corpo, escrevo ao virtual como possibilidade reduzida, mas útil, de comunicação. O meu intuito de artista é poder que minhas reações criativas causem outras em outros e para isso ela precisa estar jogada ao mundo, transformada em imagem. Já é o começo da mais babaca fórmula de comunicação: existe o emissor, a informação, falta o receptor. Esse texto é matéria, energia e movimento E=mc(ao quadrado), são diretamente proporcionais entre si, são imagem. Porque então estaria inversamente proporcional ao mundo? Pra estar de acordo ao cosmos escrevo pra ninguém, que já um alguém: eu mesmo.

segunda-feira, março 05, 2007

Escrita Sensorial - Exp. II - Pé frio

Experiência de escrita sensorial 2 - tatopode (na sola do pé)
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos táteis provocados por duas bolsas térmicas Termo Gel, de tamanho médio, recém retiradas do congelador, localizadas uma em cada sola do meu pé.

Observação 1: Calço 43. A bolsa não pega o pé todo uniformemente, os dedos ficam pra fora.
Observação 2: Como não existe silêncio absoluto no mundo, os sons predominantes são as vozes, ora altas, ora baixas, oraexaltadas, ora tranquilas, dos vizinhos arrumando o quintal.

Segunda. Semana. do mês, qual mês? Dramaturgia de Saramago. Dramaturgia é a liturgia do drama ou o drama é a reza... ou é ora, ora se é hora nem sempre dá pé no alicerce do tempo. Mas tempo é música e dança é espaço e teatro é palavra. Não é nada disso. Não tem nada haver. Não existe é. E pronto. Surgiu um dia, na casa da tia de São Tomé, na vila de leopoldina, no alto sape da periferia. Importa não, o que importa é o pé. O pé da lógica e não se a lógica dá pé. É o início da cabeça quente. Cachaça também da aquela fervura, mas de quentura mesmo, não de imaginação que sai do dedão do pé e segue em corpo ambulante transeunte errante por aí. Quero falar de início. O céu do chapadão, ou o xampu de ponta-cabeça, ou índio pelado, ou a cobra comprida, ou o cumprimento apertado, ou o acerto de contas, a calculadora, ou a justiça de justiceiro com armas. O início da guerra, da festa, da laia, da praia, da vaia, da saia, da raia, do nadador. Do moço, do fosso, da frestra, do trosso, da lasca, do sono, da bosta, do presidente, do brasil de brasa, do brasil de gente. Da vida, da seresta, da música sertaneja, do luar do sertão, do Dominguinhos, do Domingão, de quem pariu o Faustão. Da ditadura, do globo, da rede, do torto, da letra, da barba, do véu, da cachoeira, da noiva, dos deuses, dos rebeldes, do Deleuze. Da política, da prosa e da poesia e da poesia e da poesia. Da filosofia, da arte de contar mentira, da seca, de Amelie Poulein Du Soleil. Do palhaço, do porta-retrato, dos cachorros, dos aniversários de cachorros, do ridículo, do violão. Queria falar de fim... mas fica pra outro dia. De mim fica assim mesmo de nós. De dois meus pés em fria relaxa e relaxa nessa dramaturgia do sangue que sobe e que desce e que bate no centro e que desce e que sobe e pisca meu olhos, arroxeia meus lábios, me nutre e me dá fome e por fim esquenta a minha pele. Queria falar desse fim só: quente.

sexta-feira, março 02, 2007

Pra fora

O ator e o acrobata são da mesma espécie de extraterrenos. O ator voa nas imagens do palco e o acrobata voa com as pernas pra perto da lona, pra longe do picadeiro. Pro ar vão ambos. Pra terra se afastam pra mais nela estar, na platéia. O ator, o acrobata e o ar são as pontes básicas da minha arte coletiva, de músculos firmes e imaginação de criança, um ar leve que iça da lona pra dentro do corpo de quem está no lugar-de-onde-se-vê theatrum. Di circolo... então vai e voa pra fora do planeta.

domingo, fevereiro 18, 2007

Escrita Sensorial - Exp. I

Experiência de escrita sensorial 1 - musical
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos musicais com as composições de Philip Glass

Uma caixa de retalhos de imagens, um progresso de meias metades e quartos inteiros de mínima música. Entrar num espaço sonoro com notas flutuando pelos campos minados de compassos aveludados e um tapete de três-por-quatro afiados em pontas de faca navalhando os músculos da mente. O meu corpo treme e só o que um se pensa. Os músculos da mente são o pensamento da cerne. Essa é a imagem que tenho em meu dedão do pé. olha para o seu lado oposto E aquela caixinha de música girando com a bailarina triste em cima... tempo Quer dançar? tempo Está tão calada. sorri Você é danada, me deixa aqui falando sozinho com minhas partes. tempo. baixa os olhos. sorri Não, não choro não. A vida é muito solitária mas não carece de pingar lágrimas. olha em volta Isso te inspira? Essas coisas em volta, essa foto de praia deserta na parede, esse livro do Deleuze na cabeceira, essa caixinha de música que você não pára de abrir e fechar só pra ver se um dia a menininha cai de tonta. Isso te cansa? Ficar aqui falando das minhas impressões enquanto você nem se mexe. tempo tempo É, não deve mesmo ser muito agradável. muito tempo Vou embora então. levanta, gira pelos cantos. diz Sabe qual a imagem que tenho no meu dedão do pé agora? É de uma bailarina, pode ser Isadora Duncan, girando numa praia, o vento batendo um perfume suave vindo de algum barco no mar. Lá eu te espero com um punhado de flores cheirosas, de cores vivas, sem espinhos, aveludadas como as notas musicais de uma minúscula música. Um minimalismo alí, o barco eu e as rosas. Você a areia e o mar. O Deleuze embala nossas teorias só. Talvez ele seja o mar que nos distancia. espera uma reação Que te faz girar com o vento e me faz ficar aqui ao alento e esperar. tempo Meu barco tá sem remo. Na verdade o barco tá sem mar e você é só um boneco de areia que se desmancha com o movimento do ventoar. não espera mais É engraçado como te vejo: um parado em movimento. sorri com um pingo de lágrima Já pensou em se mudar? pensa "talvez" Eu já, mas não sozinho. Essa vida mesmo com gente é muito solitária. Sem gente ela fica sem opção de solitude. A velha regra dos contrários. Um precisa do outro pra existir enquanto tal. Qualquer criança sabe disso, não preciso te convencer... percebe e não quer falar como o Deleuze eu aqui falando pra alimentar sua companhia e preencher a minha solidão... e você querendo ficar sozinha... entendi. A tagarelice toda... a praia, o mar, a música e o silêncio. chora com uma pontinha de sorriso A imagem que tenho agora em meu dedão do pé é a de amor constando com raiva, que eu mesmo precisava. tempo entre-dentes. choro pouco assumido Desses contrários Deleuze não disse não é mesmo? Da memória constando com aminésia, e a da vivice constando com a mortandade. volta pro começo. sempre acontece Uma caixa de retalhos de imagens é o que tenho em cada poro. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou grito esse tempo todo pra mim mesmo? olha embaçado Porque você não me responde? E essa música alta? E esse livro do Deleuze? Porque você não abre e procura alguma coisa relacionada a vida que levamos? Larga o travesseiro! Larga de se remexer pro umbigo. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou tudo isso eu falo pra mim mesmo? Você está aí? Quem está aqui? Bate no peito A moça... a moça... a sala com notas aveludadas voando e voando em compassos. Isso é música, esse espaço sonoro... isso é. Uma janela de sonhos balançando numa cortina leve. Logo eles se soltam! Me ajude a segurar! Sai daí! Pára de se remexer pro umbigo! desarruma uma cama vazia, só lençõis Cadê você? Cadê? Estava aqui agora mesmo... estava! estava! chora assumido. pega o livro do Deleuze e joga pela janela como um sonho que voa em páginas abertas lançando suas palavras para alguém perto ou longe pegar. deixa escapar da sala as notas musicais aveludadas transformando aquele espaço sonoro num súbito silêncio. enche as nunvens de compassos que pesam em chuva derramando as notas líquidas preenchendo os rios, os vales, as vias, os mares o solo e os cabelos molhados de mínima música. encostado num canto olha firme o seu dedão do pé e vê que ali, agora, estava apagado.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Era

Liso, os Sonossonoros, de cair de ponto em faca de cima da pedra. Susto! Os Sonossauros, os Dinoroncos das ondas sonoras adormecidas. Que fiaca que fica e fica e fica. Os Pterosonhos enchergam o longe e voam por dentro. E sou só passados dos que vêm por em frente. E tudo é só o caminho das coisas. Tudo é só e só é o caminho. Parada: cabana feita de troncos e palha no meio da trilha deserta na encosta do país tropicália, rebelália, pretelália, petelálias vermelhas e muitas frutas azedas e doces e amarrantes de beijos de moça. Parada pra sempre: o mesmo mais o beijo amarrado de moça sem soltar, cem vezes mangaba verde nos lábios. Muito nexo esvazia o turbilhão do caos. Cacos, cosca, se miúdas, cosquinhas, que me fazem rir. Assim, assim, quero assim aos poucos. Cacos me preenchendo às gotas. Parada: a trilha continua e o vento rebate pro sul. Parada pra sempre: o mesmo mais o vento volta mais tarde pra oeste trazendo o cheiro da moça. Se enrosca, bate em sempre um louvado suspiro de amém. Sonossonoros são aqueles que nos enchem de imagens e de minúscula música. Minimalismo nos sonhos animalismo nas rebarbas de textos. Caminho: de pedras. Recaminho: na boléia do caminhão. O circo lá longe está fora de mim. E rivalidade acaba com aproximação, acaba? Um bocejo alto e um "ao longe vês o horizonte?" me perguntou aquele amigo próximo. Vejo ele só... e a estrada. As coisas são outras de outras passagens históricas, momentos de outros tempos felizes. Primeiros primários e depois segundos secundários, mas que já viram terciários e quaternários em ordem de importância, porque o que vale a mesma pena é a pena das coisas levianas e o grau de amplitude das viscerais passagens de tempo, marcadas em passos do passo, longe do ponteiro. A cada entrepernas um segundo, ou vários, ou muitos infinitos na duração do passo. O resto é só o passado de um passo pra trás e o futuro do passo adiante. Repasso: o resto é só o passado de um passo pra trás e o futuro do passo adiante. Reprocesso: O vento volta do oeste trazendo a moça em nú branco e tudo é só um passado fantasma. Vibrações de Roncossauros no Parque das Velhas-Árvores, de longas raízes e alguns becos d'água d'onde se bebe a sede. Alguma vida, sim, alguma há intocável. Caminho: entre-vales. Recaminho: correndo-montanhas. Recaminho de volta: boleia de caminhão-de-circo, meio-caminhão-de-mudança. O Mané ascenou um tchau-oi ao longe de meus olhos... ao longe vejo o horizonte? O horizonte é infinito, não se vê ele, só a cor de sua linha, um assim efeito azulóptico. De longe, muito longe, tudo fica azul. De perto, muito perto tudo fica breu e não se vê a luz. Nem longe nem perto eu quero ver. Fiquem-me sempre a meia-distância. Assim, isso, assim há de haver ... uma boa fotografia. O sol na nunca arde as orelhas e esquenta o pulmão. O sol no sempre arde no ventre e esquenta o umbigo. Centro do mundo, centro do nosso, centro re-centro em si mesmo, se enfiando, ao avesso do avesso, se revoltando ao infinito ao íntimo. Sempre, prende-se em ti mesmo e não verás o fundo, só o rebulisso. O horizonte agora mais perto. O Pterosonho vem voando de um passado jurássico e a vida é só o passado do que vem adiante. E o adiante é só o passado do que vem depois. E o depois é só o futuro que vai ser passado do que vem lá pelo ano final. E o final é o único que não tem passado. Encerra alí, alí é o ponto do presente eterno. As coisas param de ir pra frente e começam a ir pra cima. O movimento vertical do fim se encerra. E sem parágrafo encerro o fim. Parada? caminhão quebrado: lona furada. O tempo não passa e tudo é só o presente dele mesmo, se esticando pro céu e o horizonte fica nas estrelas e depois delas ainda mais estrelas e o universo inteiro pra gente: um feixo de luz do cometa, um sonho sem tempo é o sonho do tempo sem mim e eu sem o tempo.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Acalanto para Jorge

De longe, longe. Por certo, perto. Caminha reto, de esperto torto, se dá correto. Por essas destas plenitudes, Deus assim se faz armado. Com armadura de Jorge, espada calibre 38. Sem mais Cosme, Damião ou aqueles infantis erêzinhos de Exú. Só o Dragão? Que veste algo à carater de merecer respeito. Algo adulto, sempre sério. Esticadinho, engomado liso. No lugar certo, na vida certa, sem dar passo ao lado e sair da risca. Porque Deus escreve certo por linhas trópicas. No calor do calor, quente no ventre da Virgem - lua nova, no escuro do céu? Lua cheia de quem pariu as regras... necessárias e exageradas. Jorge excomungado por ter matado o Dragão. Jorge excomungado por abrir caminhos em face de Ogum. Jorge são, não é doente. Vive no mundo da lua, olhando aqui pra gente. Salve Jorge da Capadócia, doce homem de espadas. O dragão é maior hojem dia. Comeu, cresceu, cobre o céu, sufoca a humanidade. Dorme ocê agora, num acalanto tranquilo:

Dorme, dorme Jorge
Que o Dragão doura as faces da Terra
Em guerra, descansas tu
Merece
Deixe os homens
Em ímpar assonância
Deflorarem os seios da mãe
Virem ruir seus reinos de fé.

Ficas aí no mundo da Lua
Assista do alto
O banquete
Não chores, fizeste o que fez, ó Ogun
Toque os tambores em trovões cá chegar
Há de um dia tudo criar festa.

Deixe na mão de Deus e dos homens. Eles arrumaram essa increnca.

terça-feira, outubro 03, 2006

Expectativa é uma merda de se ter. Mas o ser-humano precisa sonhar. Deixe-me com ela...

domingo, setembro 24, 2006

Na contramão das coisas ficam voando os desgarrados de fé: acredito logo insisto.
Só não rezo ajoelhado, vou andando orando a pé. Quem quiser-me que-me acompanhe, porque não; pare se não me acompanha; não sou não; esperar só se for a hora do corte, da poda, da roda, do descanço; mas ainda assim baixo num e mando ver. Na gira ainda corre meu organismo. Na vida quero ficar; eterno eternizar as coisas pra quê vivo: a arte, a sorte e o amor. O resto vem na rasteira - levo nas costas, burro de carga que de burro não tem nada.

terça-feira, setembro 19, 2006

Correção de antemão atrasada:

A sova era de fio - de ferro - de cobre. A bunda devia arder mais que a chapa que passava a roupa.

Memória de irmã que atira certeira... correção feita;
Mais poético... família moderna. Vara, mesmo, vem de outros tempos, tempo de cutucar onça com birra curta. Quando ainda tinha onça. Se já tinha o fio do ferro, pouco em pouquinho sumiu o lago, o mato, a várzea... os fios ficaram... e vão sumindo pra dar lugar ao infra-vermelho, à fibra-óptica...

Os lagos devem estar em algum lugar, a gente que não descobriu ainda.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Periferia Nordeste Paulistano - Ou o Corpo Retirante

Ali. Olhe na lista telefônica ou procure num maplink. Divisa com Guarulhos, pela Trabalhadores-Ayrton Sena, com um parque sujo, porém chamado Ecológico, cheio de Quatis e Macacos sacanas. Passa ali a linha do trem Calmon Viana, a famosa podreira sobre trilhos que vaga de extra-São Paulo a centro abandonado reduto de bolivianos costureiros e camelôs. A Estação Roosevelt, antiga e grande útero concebedor de nordestinos do Brasil e ruralistas da europa, interliga o Brás, do metrô; liga a classe-longe a classe-média, gratuitamente, com catraca liberada - que beleza! - faz a ponte ferroviária entre periferia nordeste paulistana e centro, espalhando às veredas corpos retirantes diários que abandonam em viagens suas casas e logo, mais a noite, retornam aos lares fazendo jornada de retorno ao seu meio-ambiente. Começa na Penha, mas ninguém assume direito. Ali ainda é meio centro, bairro histórico distante, mas com um falo gigante chamado Celso Garcia: caminho de comerciantes da São Paulo de chapéu, hoje abandonada pelo efeito Febem, no Tatuapé (centro-leste), bairro nobre do outro lado do trem e zona de guerra com moleques rebelados no telhado do orfanato, aquelas crianças sem pai e sem mãe fazem da antiga via um corredor de ônibus e reduto de putas entre Carrão e Brás. Nossa Senhora da Penha parece que olha pro outro lado. O sino bate pra Radial Leste, o padre no altar fica de costas pro nordeste onde começa mesmo, de maneira assumida, na ladeira de Cangaíba. Morro alto com vista linda, o Parque Ecologico, bem lá em baixo, fica lindo. O lago nem é imundo, é pintado de dourado, com o pôr do sol do outro lado da cidade, assistido em bairro nobre entre Vila Madelena e Pinheiros, na Praça do Pôr do Sol. Carro largado por desmanche é a cada esquina. O Correio-São Miguel Pta/ 1178, passa voando, faz da curva do "S" montanha russa da melhor qualidade. Nem se importam os passageiros: os sentados dormem, os de pé já estão acostumados. Até desenvolveram musculatura específica para curvas da Avenida Cangaíba. Ali há de um baixo-lado o Tiquatira e do outro a linha do trem, seguida pela Avenida Assis Ribeiro, antiga várzea, formadora de lagoas de atrair garça e moleque pra banhar em dia de sol; depois levar varetada na bunda e ficar de castigo, nadar era proibido, mãe não deixa. Era riscar a unha na perna, se ficasse marca de barro seco entrava na sova e não ia jogar bola. A várzea assentou. Passa carro agora. E trem também. Tem campo de treinamento do Corinthians e do Palmeiras, um do lado do outro. Faculdade publica e siderúrgica multinacional. Favela e favela, muita favela, fora do morro, no baixo, escondida. É o tal do Keralux, habitat dos antigos ribeirinhos, abandonados pelo Estado. Aquilo é terra de ninguém. Governo do Estado, prefeitura, Deus? Até hoje ninguém se pronunciou. A esquerda do Queroa lux! tem o São Francisco, quem conhece entra, quem não conhece, fica de preconceito. À direita segue até Ermelino, encontrando os Matarazzo e seu legado falido, terminando num grande Pantanal, de Ermelino Matarazzo, Guaianazes e São Miguel Paulista, terra de Ninguém Ninguém, mas que muitos Alguém resolveram por morar lá: - Mãe, eles moram em casa de madeira, e pisam na graminha. Quero morar lá também! - Filho, lé é a favela, olha o esgoto! Nesse caminho, passou Caixa D'água, Vila Cisper e Jd Danfer. Praça Onze e o futebol moleque dos Onze Meninos, sempre competindo em final de Primeiro de Maio com Jardim Verônia, vem na beirada. Parque Buturussu e Vila Paranaguá. A vila dos operários fica na Avenida Paranaguá, seguida pela praça sem nome, conhecida por Jd Matarazzo, por começar de frente pra fábrica e terminar no Largo Primeiro de Maio - terra de trabalho; avante São Paulo! Meu avô veio de Pirituba pra cá - corinthiano roxo. Paranguá, em Tupi Guarani, curiosamente quer dizer enseada, caminho para o mar. Sem saber disso ficava em casa, quando criança, esperando onda em pensamento, no final da avenida e começo dos meus sonhos. Achava que um dia alí no semáforo ia ter praia pra brincar. Nessa época pegava ônibus e ia estudar em São Miguel Paulista, seguia na Av. São Miguel, caminho de Dom Pedro pro Rio de Janeiro, passando por Itaquá, Atibaia e Santa Isabel. Avenida Imperador ou ainda Estrada Mogi das Cruzes, tão longe, mas tão perto, deixam no Arthur Alvim quem quer ir de metrô pro centro. Perto tem o só aterrado centro de treinamento do Corinthians, que, por isso, batizou por Corinthians Itaquera a mais lestiana estação, levando ao Palestra Itália quem corra a linha toda, descendo na Palmeiras-Barra Funda, pros verde-e-brancos chorões por quererem nome de estação - tão opostas futebolísticasocialmente falando. Cidade Tiradentes já é extremo-leste, nem é mais tanto essa periferia nordeste, onde o sol nasce primeiro sempre. Todo mundo acorda pra ver o trem correr, do lado de fora da porta, olhando pro chão e levando vento-frio-que-o-sol-ainda-não-esquentou. Esse corpo retirante que vai e reretira de volta de onde partiu, pra depois seguir novamente onde chegou, errante entre rios - Tietêquatiraricanduva - na saída da ponte do Imigrante Nordestino, a ultima (ou primeira) da marginal do Tietê de Margens Cinzas, ou na catraca da Roosevelt pro metrô do Quércia. Seguir pra qualquer outro destino seja pra metrô do Covas ou do Alckmin, pro minhocão do Maluf, ou túneis da Marta - há de dizer que a sexóloga parece entender de túnel. Esse rumo de retirante nordestino sigo toda santa hora em todo Dia de Maria. Com o corpo de quem não se acostuma direito à rotina, mas segue indo, em andamento, no pulso da cidade, no pico da psicologia frenética de metrópole que um dia te tem, um dia sempre. Te pega.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Chove mesmo chove. Lava essa cidade em fluidas águas, molhadas de suor do trabalho. Paulistano arde, paulistanos da Bahia, de Sergipe, Paraíba, todos cabem nesse Brasil metrópole, brasil de economia. É só olhar o quê desce o morro. Barro, lixo, na enxurrada vem gente rústica, vem nessa acústica onda de certezas, de certas pobrezas com cara limpa, lindo aspecto e glórias incabidas. O recheio é oco e oco também é a barriga e a cabeça e a cabeça e a barriga, vento e saudade. Saúde? Nem tento, nem arrisco, se é saúde atestado médico e viver assim a sono e hora todo Dia de Maria. Brincadeira de escola é o qu'eu queria. A agonia é sem volta. Casa e romaria na favela, o cruza-cruza é todo beirando a rodovia. Métodos de vida. Ninguém escuta não, vive-se apenas. Nem se aprende, nem se ensina. Só recebe nas solas o fio da roca que nervosamente se fia. O ônibus vai gastando óleo diesel e estou certo de que essa é a minha anatomia, esse é o meu corpo, é o corpo que arrependia. Mas na volta não tem volta, a estrada é sempre outra a cada vez que se olha para trás. Os caminhos são tantos que das escolhas não fazemos conta, escolhemos e seguimos sempre, sem nem se ver nelas desenhado, nem em previsão de cores e formas. Quando me olho já me vejo vestido com roupa feita medida, cabível no corpo, grudada que não sai nem a ferro e fogo, tesoura e navalha. Feito roupa molhada de chuva lavada em cola sem saída. Ando e me grudo, me prendo sem nem ver, em esquinas, casas, praças, igrejas, prédios, ruas, viadutos, avenidas, lojas, árvores, postes, cães, gatos, trens, calçadas, rios, poluídas fachadas, pontos de ônibus, guardirreios, nem freia, nem pára, carrega a cidade inteira intalada na garganta, amarrada nas costas. Não importa pro lado que vire, pro rumo que siga ela vive ali sobre, fazendo careta por detras, zombando postera, querendo ir na contramão. Não me deixo assim por defeito com corcunda de chaminés e carros, soltando gases e sirenes a torto e a direita. Sigo indo carregando e indo enquanto sirvo de matéria prima pra metrópole, sou combustível rico em carbono, duradouro até a aposentadoria em cinzas fáceis de voar por esses ares carregados de maio-branco-meio-preto, sou carvão pra esse brasil de economia, vermelho de fé, de tanto andar a pé e de raiva.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Atrás

Dizem que atrás da porta dos sonhos existe aquele serzinho de quem a gente sempre leva um susto. Quando tudo acorda no clarão do meio-dia e já passou almoço, hora e sobra a apatia. Dá aquela preguiça de tarde vazia, com vento vazio, luz do sol vazia, sorrisos vazios, horas vazias, horas e mais horas, sobras de sustos, meias-delongas e delongas inteiras vazias, televisão sem energia e livro sem palavreado algum na escrita. Fica tudo assim à cegueira de não querer enxergar nem preto nem branco, só de ver tudo transparente, através dos outros e da ida: e da volta vida. Nesses dias de sonho, sonhados em plena luz do dia, com cachorros e crianças na rua, pipa e correria no céu, aos poucos um sustinho sempre revela aquilo que sem sempre a gente quer ter - porque fica assim sem chão - o céu é de lilás, alilás, a rua só tem curva e o prédio te dá uma piscadela: e não é reto, é em rodela. Um homem de cuecas que passa voando e outro de gravata macaqueando pelos viadutos de cipó raiz e galhos. Passam os carros sem freio e sem matéria, não batem nunca, seguem toda vida lânguidos em ares e em mares de esgoto limpo e terra fria no lugar do asfalto quente. O sol toca macio com pontinhos de fervura pra cosquinha na gente dar. A chuva despeja mel e a abelha te convida para um chá. Dinheiro vem a granel, mas pra quê dinheiro se a troca se dá no buraco mais em baixo, onde eu canto uma canção e recebo um belo sapato? As roupas são de tecido fino e fresco, só para manter a higiene, e os pés... é os pés preferem estar descalços: "moço, poço trocar o sapato por um buquê de flores pra minha linda morena?" Existem trapézios de vôos em toda praça; e o circo do sol se apresenta de graça! Que maravilha de orquestração de passarinhos e risadas, e vozes, e poesias faladas, além das cantadas: alaúdes, tambores de pele de carneiro e flautas de bambus e madeiras esculpidas com detalhamento, todos acompanham o casamento. Fúnebre irônico e colorido, o palhaço faz o enterro final, o da própria morte, porque agora todos somos senhores de vida etéria... e sorrisos de olhos cansados, sonosos, soneiros, bocejeiros, uaaah...! Um espreguiçamento sem vez! Ufh! Mas o sustinho vem travêis: aquela porta não tinha visto mais, será que é de fazenda, de hospital ou de casa de oferenda? É tudo um grande transe ou levei pancada na cabeça? Reconheço e me reconheço. É local conhecido, de noites e de dias. É só manhã e da porta, saída do quarto, começa o corredor, que dá no banheiro, que dá na privada, aí dou aquela cagada e vou enfrentar a greve do metrô.

domingo, julho 23, 2006

Assim, tento assim, deixar adormecido... impossível. Mesmo porque sei que traz no peito uma saudadezinha que vem de longe, de janeiro, de rios, de praia e funk. Não sei se te completo. Mas sei o que me esforço e me peço pra ser mais diferente. Acontecer a maneira que me pede, num esforço físico capaz de mover montanhas mas que não é suficiente pra segurar o que me faz insuficientemente não seu. Mais, preciso de mais e não tenho mais. Sei que traz no peito uma saudadezinha que vem de longe, principalmente nesses momentos. Aí me rasgo inteiro e não entendo e do não entender fico quieto. Abandono as vozes de cumplicidade. Me arrependo da intimidade. Sumo presente por querer sumir de vergonha de vez. Mesmo porque sei que sempres vezes o janeiro bate volta nesse rio corrente, forte, cheio de carne, corpo, tempo, tempo, tempo, duradouro tempo, aproveitado tempo, tempo de liberdade ao som de muito funk e caraokê. E só a rede... nem só a rede. Queria te fazer tremer. Não abro mão de ti, mas me pego no apuros sempre, sempre nesse tempo curto de mal me perceber, te perceber, nos envolver. Não abro mão de ti, mas sempre me pego no apuros de não saber mais o pé das coisas e desesperar-se ao ver que frustra. Mesmo porque sei que traz no peito uma saudadezinha danada... queria te fazer tremer. Também queria ser mais violento. Me pego sempre no apuros de não saber fechar o punho quando é hora, de fechar o cú na hora certa, acirrar o ponta-pé e de fazer voltar a porra que sempre faz doer. Violento pra dar o murro na minha própria cara e ficar de olho roxo, cego, sem dente, de nariz quebrado. Me esmurrar por dentro, viver na cerne, acostumar na dor do sentimento... acostumar na dor pra dar prazer.

sábado, julho 22, 2006

Viver de pão e circo

Ai que dor nas costas dessa vida de levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. E aí só sobram as pernas pra correr no chão a pressa de chegar n'otra praça e voar pro próxim número, se desdobrar em três, fazer outra vez e outra vez e outra vez. Colocar o pé nas avessas, dobrar ao dobro as dobras. E lá vamos nós outra vez, levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. Ai que dor nas costas. Aí só sobram as pernas pra contar um, dois, três e fazer tudo outra vez. Fazer a troça, abrir a trouxa e apresentar o drama. O malabarismo, o trapézio, o vôo, o equilíbrio, o sorriso do palhaço, o avesso, o avesso contorcido, o avesso e o monociclo, fica na dor nas costas dessa vida de levar o circo fora da carroça, erguido no braço, equilibrado na cabeça. Fica nessa mania de montar e desmontar a lona, de mudar de rumo toda vez que algum parece estar perdido. Fica pra outra praça porque nessa o publico ficou na validade vencido. E o circo teatro chegou com a Paixão de Cristo! E fico nesse sacrifício de ver assim, viver de dor nas costas, sem carroça, sem braço, sem perna, mas também sem dia perdido. Ah, ganhei meu dia desfazendo a troça, abrindo a trouxa pro rufar de tambores: o galã entrou pro drama! E a platéia chora, e o circo volta pro meu sonho adormecido. Levanto da cama fazendo meia-hora, vou pra rotina seis-horas-meia-noite com dor nas costas, dessa vida de levar tudo fora da carroça, erguida nos braços e arrastada na consciência. O que eu queria mesmo era viver de pão e circo, no melhor dos seus sentidos.

sexta-feira, julho 07, 2006

O Nome Que Quiser

Com, compre dom, mesmo, o que ais de ser as vidas de eu mesmo... mesmos... sempre sem. Caiu a mofeza das aquelas partes pares doentes das mesmas, som que ais de ser as cidras de eu mesmo... menos... sente e vem. Pus a menos, fundo de hora, me doa, trevo, bem. Berne de bezerro em pasto queimado. Só tem carcará e grito n'alto morro seco e cinza de fogo abafado, vermelho quente apaziguado pelo aboio dos ventos contrários, é acalanto.. tuuuu boi de um lado tuuu boi de outro. O fogo se queima e se mata. Rente rente passa perto frente sempre rente vente vente vente vente ventre cobra ventre cubra rente perto frente reto certo deserto morro... boi carcará e morro, morro de morte e de terra, de gases e de Deuses semi-homens. Morro de pedras. Passava ali rapaz de boa perna, corredeiro, andador de passos largos e olhar adiante. Seguindo as vozes de desfiladeiro de boi fugido, morrido da fuga, caído em penhasco. Homem perdido, bicho varrido, disfarçado em roupante de gente: já é outra coisa que não mais de banho, de unhas cortadas e de bom falar e sorriso cheio de dentes. É de um olhar que nem se entende, o olho daquela gente fala outra lingua que não mais essa comum de sentimentos cantados nas modas, nas festas, nos pagodes. Nem música tem mais não, tem só solidão de nota só nota de agarrar pra sobrevivência. Lá no pico, bem lá no pico. N'alto da serra misturava em cinza. Podia ser aquela relva queimada sem longe desfigurança, reconheceria, sim senhor, que aquilo era semelhança: o pó e a pessoa eram quase a mesma coisa, se não fosse por ter aquele um coração batente e uma cabeça de nosso modo demente, mas em modo de ser aquela espécie de ser coerente ao que necessitava pra se reconhecer. Fuçava nos bolsões de casulo, tôco e qualquer buraco escondido, atraz de bicho morto ou ainda semi-vivo. Boi não via mesmo não, só em saudade, com imagem na cabeça. Era rapaz de boa perna, corredeiro, andador de passos largos e olhar adiante. Era rapaz? Era rapaz. Por um repuxo de tiro de senhor pra acertar bucho de urubu roubador de área afetada, pra espantar aproveitador de terreno sem dono porque passou a dona queimada, faz fugir o cinza homem de medos d'antes de morrer, agora de viver assim a ferro, fogo e bala. Corre adiante, pula morro, rebola tôco desvia de armadilhas da sua própria mãe natureza que em seus causos vive pregando peças na gente. Modesto de calma pensa e repensa a sua valia. Valia a pena, valia. Seguiu pro próximo morro, pra próxima ponte, pra próxima angústia em canto de apartamento vazio. Cortou pé de cana, pediu sua esmola e ligou pro seu pscanalista. Desses homens iguais de sopro, pr'esses homens iguais de sopro, canto meu aboio, prece, sacro. Hum... que as vezes dessa santicidade os pilares caem, as cinzas choram e o mundo acaba em dó maior. Tudo é festa, tudo é o que resta e o que resta também não é tudo o que falta, por isso vamos acabar em seresta e descobrir a viola de acompanhamento - são dez cordas e não dez mandamentos.

Fico assim dê a isso o nome que quiser...

sábado, junho 24, 2006

Corpo Jaburiticabeira

Buriti Jabuticaba Jaburiticabeira
Leio Sou Construo

Saio no escuroinhozinho sem saber do Pinhém, do São Paulo, do Urubu qua quá, me bem. Sei sempres vezes que sente as sedes da saúdadezinhainha de quem vem de longe. Te amo mesmo assim, saudosamente afim.

O Buriti de Guimarães é alto a Jabuticaba sou eu Jaburiticabeira é que peço, espere ser, pra me entender, nesse processo.

quinta-feira, junho 15, 2006

Mostrar tudo

É o que eu quero.

E que venham as deixas de texto

Porque chegou a hora do meu monólogo.

terça-feira, junho 13, 2006

Sala das Mistas

Quero assim essa sala em vistas das minhas manhãs e tardes da noite e tardes depois do meio-dia. Quero assim sempre mista com habitantes de demoras senhoras e senhores no tempo largo de copa roda do mundo e a hora sempre volta a hora inteira anterior interior. E um trapézio pra balançar no meio com o trampolim pra saltar no seio das nuvens. Porque a sala é aberta mas não chove só respinga o sufciente pra refrescar a gente de dia e acolher no orvalho na noite o sono dormido de senhores e senhoras discutindo filosofia pelos sonhos. Valsas nos entretempos em contratempo no compasso três por quatro por cinco vezes ao mesmo volta-e-meia belo bonito lindo amável surpreendente pôr-do-sol-das-seis-da-tarde. Arde aquele beijo demorado sem hora de ser nem ter nem ver nem saber o quanto é o que vale o que parte o que cabe o que desacabe por fim de terminar. Perceber o círculo reinventar a roda sempre reinventar o circo sempre reinventar reinventar reinventar.