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domingo, janeiro 08, 2006

Chatterton


Serge Gainsburg



Chatterton

Original de Serge Gainsburg + Adaptação de Seu Jorge

Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Kurt Cobain, suicidou Hannibal suicidé
Vargas, suicidou Démosthène suicidé
Nietzsche Nietzsche
Enloqueceu Fou à lier
E eu, não vou nada bem Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien

Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Cléopatra, suicidou Cléopâtre suicidé
Sócrates, suicidou Isocrate suicidé
Goya Goya
Enloqueceu Fou à lier
E eu, não vou nada bem Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien

Chatterton, suicidou Chatterton suicidé
Marc-Antoine, suicidou Marc-Antoine suicidé
Van Gogh, suicidou Van Gogh suicidé
Schumann Schumann
Enloqueceu Fou à lier

E eu, puta que pariu, não vou nada nada bem

Quant à moi...
Quant à moi
Ça ne va plus très bien

sábado, janeiro 07, 2006

Sigo meu rumo dois zero zero meia

Voltei de viajem. E voltei diferente. Voltei com saudade.
Voltei com ilusões de mais, talvez. Mas seja o que Deus quiser. Porque eu já não sei o que quero. Não sei o que espero se o que quero nem sempre é o que espero ver. "Pretinha, faço tudo pelo nosso amor, faço tudo pelo nosso bem, meu bem." São Jorge que anuncie minha sentença. Largo na mão do cosmos pra tentar viver na intuição... Bergson... porque controle das coisas racionais e lógicas parece ser ilógico pra mim.

Sabe tudo aquilo que combinamos? Que vá tudo à merda!

Ano novo e muita merda! Com cartão no topo do limite. Com o limite fora dos dez dias sem juros. E as juras, ah as juras, de amor longe de estarem por perto.

Voltar pra PUC em crise!

Por favor Brasil, seja hexa!

Porque o diabo, o capeta, o sem moral e sem vergonha daquele vendedor de colchões vai conseguir fazer de um inocente um ser ainda mais fudido frente aos cofres publicos... deixa pra lá, só quem sabe da história é que entende.

Voltei de viajem. Voltei diferente. Quero ter um cuidado pra isso não virar diário. No desespero é que vejo o quanto ainda falta pra eu ser artista. Escrevo tanta merda, falo tanta merda, componho tanta merda... e tanta merda! Merda, pelo menos é sorte no teatro. Quem sabe não seja um ano de merda nesses palcos, ruas, qualquer espaço, já que se faz em qualquer um hoje em dia?

Desejo a mim mesmo um ano amoral. Quem quiser-me que me queira. Jogo aos cosmos e que São Jorge me proteja.

Fico com
Nietzsche
Bergson
e Sade

Guimarães me acompanhe
Mario de Andrade vem chuva vai sol vem sol vai chuva está sempre grudado em meus calcanhares
Leminski tenho agora em meus espaços
e na cabeça Lenine canta enquanto encanto pelo ares

Sigo meu rumo dois zero zero meia

e os corpos de outrora se diluirão em temas de agora

Arre São Jorge que a viagem começa! O boi já sai encabeçado tirando vanguardeiros da frente. Corre mundo porque eu vôo enquanto tento ser poeta.

Sigo meu rumo dois zero zero meia. Quem quiser-me que me queira
Arre São Jorge! O boi tá encabeçado!
Corre mundo porque eu vou voando nas rédias de um cometa.

Meu convite tá feito. Os fatos, queimaram no crematório, consumados.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Corpos que me vêem

Par em par mar em mar lar em lar dar por dar par em lar mar em par lar em dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar
ã? dar andar andar andar andar andar de lar em lar de par em par de mar em mar nunca dantes navegados

Sou angústia
Nunca sou suuuu(entoar sílaba para o agudo)ssegado
Sou fado

Não me enxerguem assim por estas vias do clichê.

sábado, dezembro 17, 2005

Corpo que me queiras

1962 - Monica Vitti e Alain Delon

Vivia a te buscar no além mar
Ora pois Camões não me trouxe
Ora cá me pões a traçar
Caminhos de jabuticabeiras
E jabuticabas engruvinhadas no caule do meu corpo
Sou suco
E sou morto
Sou parte
E sou todo
Sou memória, só memória
Por isso não me lembro das coisas
Sou a própria

Vivia a te buscar nas terras do Araçá
Real
Romã vermelho é certeiro amor
Sete sementes no reveillon
E sete suspiros debaixo dos lenções
Sou Hanói-Hanói
Por isso não me atenho mais nas coisas
Sou a própria

Vivia a te buscar nas terras dos sem fim
Nunca nas do Nunca
Te queria madura
Engruvinhada de jabuticabas no corpo
Que se fizesse suco e derramasse aos caminhos
Não sou tão menino
Vontade vã querer estar hoje Peter Pan
Você Sininho
Monica Vitti e Alain Delon
É mais a minha ansiedade
Sou imagem, só imagem
Por isso não me fixo no que vejo
Sou a própria.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Corpo da Ponta do Dedão



Segue o círculo em sua aventura redonda, pelo mundo redondo, que nos circunda. Segue o eixo que nos ergue; giramos em sua cabeça ou é a sua cabeça que nos gira? Segue o círculo em sua alegoria de eterno retorno, de começo no fim e fim como recomeço. Segue o caminho que o meu olhar traça, transa do olhar sobre o seu jeito de me aceitar. Sigo enganando que sou de dança, que sou de circo, que sou músico, que sou performer, sigo enganando que sou multi. E por seguir enganando sou um bom ator. O que vale é ser bom artista. Também engano que sou poeta e que sou bom de cama. Engano que sou humano e que sou normal. Tenho minha digital no dedão, na íris e na arte. Ninguém faz da minha e não faço da de ninguém. Só me inspiro, tenho referências. Mas imprimo a minha identidade, o que me deixa estar bonito. Assim o círculo se amplia e se fecha em si mesmo.

Texto escrito na folha sacanneada acima a algumas angústias atrás...

Corpo Margarida

Margaridas
Que flor será que você é? Adoro flores. Quer ganhar um sorriso besta, fácil fácil? Me dê uma flor. Não importa qual, gosto de todas. Pequenas, grandes, coloridas, classudas ou descontraídas, solitárias ou Marias-sem-vergonha. Todas, dêem-me qualquer uma que devolvo um abraço apertado e um sorriso gostoso. Que flor será que você é? Já ouvi dizer que sou um Gira-sol. Gostei... é grande, imponente, amarelo ouro, e gira (quer mais qualidade que girar com inteligência?) e sempre se renova, morre e renasce, como os grandes artistas. Sua semente dá bom oleo e suas pétalas são de veludo. Não tem cheiro, a não ser de quando úmido... mas é cheiro comum, sem grandes aromas de rosa, dama-da-noite e outras rainhas do bom odor. Porém também não encomoda. Fica mucho fácil, é verdade. Precisa de água com frequência e nunca, nunca, aceita bem uma sombra fresca. Se magoa com facilidade, precisa sempre de energia. Não faz questão de boa terra, se vira sempre com o que dá pra recolher de nutriente, tem o tronco forte e boa base de raiz, parece sempre sorrir e quando mucha é impossível ficar olhando e não fazer nada... é, parece que gira-sol combina mesmo comigo... que flor será que você é? As orquídeas são de fácil identificação. As damas-da-noite e as marias-sem-vergonha em companhia das marias-vão-com-as-outras tmabém. Tem os Lírios que são misteriosos e as violetas que são inocentes (salvo as escuras que tem um ar de segredo). As Brincos-de-princesa são preciosidades frágeis. E as flores de Ipê são símbolo nacional. Que flor será que você é? As rosas só existem no passado romântico, hoje são apenas símbolos de uma época que já passou. As tulipas me lembram sempre uma vagina, é uma flor sexual pra mim que, junto com as flores de lótus, talvez sejam as únicas espécies que pra mim o link com o corpo seja direto. A flor-de-lis é mágica. Na maioria das vezes solitária, mas com repercussão simbólica em diferentes culturas... deve nos dizer algo, não? Que flor será que você é? Flor do campo? Hibisco? Rododendros? Olho pessoas e vejo flores o tempo todo... mas o mais curioso é como brotam margaridas na minha terra. De miolo amarelo, pétalas brancas, delicadas, de ingenuidade tênue, mas com uma força de rainha do campo, domina os pastos e conquista a quem passa por perto. Margaridas, as minhas preferidas(andando lado-a-lado com as tulipas e os brincos-de-princesa). É na aparente simplicidade que elas me facinam, mas é na dualidade que elas me viciam:

Berro no alto do prédio, no meio fio, no penhasco e me jogo a céu aberto. Me jogo em mar aberto. Me jogo. Me atiro de cabeça até morrer de traumatismo. Me afogo nos ares, nos bares, mesmo que não beba, não sinta, não se entristessa pros outros. Só pra mim mesmo... sopra o vento das flores. O perfume das margaridas, tão belas e fedidas, me atraem e me repelem. Essas pessoas-margaridas que sempre brotaram em minha terra. Grito por passagem, corro pelos campos com amargas-feridas, há margaridas plantadas por todos os lados. Berro por liberdade e que se danem as pétalas caídas...

Há margaridas. Amarga ri das minhas pétalas caídas. Já era, caí com sede ao pote. Agora fico estirado no meio do nada encoberto pelas rainhas do campo.
O que tenho a fazer senão deixar-me ser gira-sol solitário girando pro sol e rezando pras nuvens não sombrearem meu corpo?

Que flor será que é você?

quarta-feira, dezembro 14, 2005

O Corpo que Acorda; O Corpo que Sonhava - Contraponto da minha vida e Acordei que Sonhava do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos


Um dia acordei que sonhava. E sonhando segui acordando de um sono bom. Se durmo ou se sonho com sono de recém partido é porque sumo pro meu bem... pro nosso bem... por sumir assim não deixando que se realizem as vontades que pra você é um pesadelo ruim. Andar no meio fio, ver de cara a posição da escolha... sendo assim, escolho seguir sonhando que acordo, mesmo que durma sobre as saudades das poucas vezes dormidas ao teu lado nos quatro anos de sonho acordado. Te amo e não sei se devo te amar. Acordo e preferia continuar dormindo num sono profundo e sem hora de ser. Um dia acordei que sonhava, tá na hora de acordar de verdade... um dia...

Corpo Hai Kai - 2

O que me deixa
Deixa-me
Aos olhos de gueixa.

Pelas flores sigo cor-de-rosa.
Aos amores
Pinto cores negras.

Degenera; o ser habita
O vale valioso.
Chumbo e ouro num mesmo balaio de gato

Miau!

Meus olhos de lince.
Chegam em vigia
Meus traços tristes. Pelas noites vagueio.

Corpo Hai Kai
Cai cai
Sobre os campos poéticos.

Cai cai balão cai não
Na minha mão
Ainda guardo os meus segredos.

Quais segredos?
Adeus a Deus
Adeus Papaia e Seu Cassis.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Corpo... o corpo que se foda.

É só aqui que me acalmo. Tem razão Jú, as pessoas criam essa imagem em mim de que sou muito tranquilo mas na realidade eu grito a todo momento, elas que não me escutam... e berrando por tranquilidade volto antes do começo do ano que vem. Mesmo exausto escrevo, já que é assim que me sinto bem... como não estou bem:

Sobre um "estar legal" da vida, amigos, nada, afinal, que estar por perto, desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: De sem sempre ninguém, mais que alguém desperto e incondicional. Um ser aberto para idéias e ideais de um só, e só um, ideal: de estar bem, se estiver bem perto de mim.

Sei lá, vou sarapantar. Vou sarapantar, vou me embora. Partindo da palavra adeus, adeus a Deus. Andando aos passos... aos passos lentos. Pareço volto para um lugar que eu nunca saí de lá. Viajando em pensamentos, ora sou macaco, sou peixe, pinguim, dinossauro, ora sou cavalheiro, ora sou prisioneiro. Saídas existem várias e muitas dessas entradas começam aonde termina a outra saída. Vai e volta, vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Mesmo que não se lembre mais, mesmo que saia pra nunca mais, mesmo que cante a despedida e bote fé nessa saída vai e volta vem e vai. Sai e entra e entra no que sai. Ir também é voltar mesmo que não se olhe pra trás para aprender o caminho. Adeus a Deus.

Dois textos... duas músicas. Não sei se tô mais tranquilo. Não, não tô mais tranquilo. Adeus a Deus.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Corpo Fim de Ano


Enquanto o tempo atravessa os meus ossos eu recebo facadas. Feridas que se abrem e não se fecham, sangram em direção à história dos amores perdidos, pela ignorância dos que não sabem amar. Fiquei muito tempo sem escrever neste espaço. Abandonei essa virtualidade porque o abandono é o que me é mais recorrente. E não consegui mais escrever, não consegui mais comentar (desculpa Jú), larguei mão das coisas pra tentar não largar mão do que precisava resolver de urgente. Mas cá estou de volta. Reocupo aquilo que pra mim é valioso, que não se perde assim como se perde quatro anos de namoro... por causa da ignorância dos que não sabem amar. Reocupo o meu espaço com a minha expressão. Com as palavras destreinadas de um certo tempo de feridas abertas sem oportunidade para aparecerem em palavras, em Corpo Aberto. Tantos corpos me passaram pela cabeça, tantos conceitos, tantas análises e tão pouca discussão. Ficaram presos estes corpos num Corpo Magoado. O Corpo Abandono, o Corpo Multiplicado, O Corpo Multi, o Corpo Aberto, O Corpo Expandido, O Corpo Intuição, o Corpo Distraído, estão todos em algum canto de caderno rascunhados, mas acho que aparecerão aos poucos por aqui. Mas também tem o Corpo Tempo que sempre quer retornar no seu eterno Eterno Retorno, o Corpo Eterno Retorno, o Corpo Âmago, o Corpo Fada e o Corpo Circo. O Corpo Incerto, o Corpo Revolta, o Corpo Militante e o Corpo Social. Quantos corpos nesse meu caderno de corpos desenhados para serem um dia discutidos nesse nível publico de comunicação. Mas o ano acaba e eu estou exausto. Cansado de segurar rojão com os dentes e ter que levar tudo numa boa. De aceitar situações e não ter de volta o mesmo nível de compreensão. De saber que a omissão foi usada tantas vezes como estratégia de batalha. E que porra de batalha impossível de compreender. Por isso não escrevo mais por esse ano, porque estou exausto. Preciso processar tudo isso de outra forma. Fazer repouso, cicatrizar as feridas pra conseguir abrir caminhos de compreensão. Meditar, dançar, tocar muito violão e não fazer nada que me faça pensar nas minhas angústias. Porque estou exausto. e prefiro ficar assim, sem falar nesses corpos, ficar no meu Corpo Fim de Ano e deixar tudo pro ano que vem.

domingo, novembro 27, 2005

Corpo Sem Querer II

Deixo mais um texto, como diria Chiquinho Francisco Medeiros, só pra provocar...


"Na realidade a magia é uma ciência divina.
Na verdadeira acepção da palavra, ela é o conhecimento de todos os conhecimentos, pois nos ensina como conhecer e utilizar as leis universais. Não há diferença entre magia e misticismo, ou qualquer outro conceito com esse nome, quando se trata da verdadeira iniciação. Sem se considerar o nome que essa ou aquela visão de mundo lhe dá, ela deve ser realizada seguindo as mesmas bases, as mesmas leis universais. Levando em conta as leis universais da polaridade entre o bem e o mal, ativo e passivo, luz e sombra, toda ciência pode ser aplicada para objetivos maléficos ou benéficos. Como por exemplo uma faca que normalmente só deve ser utilizada para cortar o pão, nas mãos de um assassino pode se transformar numa arma perigosa. As determinantes são sempre as particularidades do caráter de cada indivíduo. Essa afirmação vale também para todos os âmbitos do conhecimento secreto."

FRANZ BARDON

Sou secreto? Sou aberto? Sou o que sou, e o que não sou, não conta? Meu caráter característico é ser místico? Intuo, logo existo? Entôo a minha confusão...

Corpo e alma... eu digo calma alma minha calminha. Alma e corpo, não entendo a dicotomia... calminha, você tem muito que aprender.

Corpo Sem Querer

Hoje deixo que digam por mim... estou assim sem querer.


Alma Nova
Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro e Fernando Abreu

Sempre que te vejo assim
linda nua e um pouco nervosa
minha velha alma
cria alma nova
quer voar pela boca
quer sair por aí

Refrão
e eu digo
calma alma minha
calminha
ainda não é hora de partir

então ficamos
minha alma e eu
olhando o corpo teu
sem entender
como é que a alma entra nessa história
afinal o amor é tão carnal
eu bem que tento
tento entender
mas a minha alma não quer nem saber
só quer entrar em você
como tantas vezes já me viu fazer

Refrão
e eu digo
calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender

quarta-feira, novembro 23, 2005

O Corpo que Quer Ser

Experiências são tiros no escuro... tiros são tiros, sempre tiros. E o que não é, não importa? Experiência não é certeza de certeza. É na incerteza que ela se faz sedutora. É no acaso que pinta o seu corpo experiência. Tiros são tiros e sempre estiveram prsentes na minha vida. Os que me conhecem sabem bem das minhas experiências balísticas. Essa minha tranquilidade me deixa sempre na distração e na distração permaneço inconsciente nas minhas ações. Pensando coisa... no Pico do Jaraguá, no guaraná, no desejo da perversão. Minhas vaidades guardadas. Tenho mil experiências esperando vasão para acontecer. Queria ter a medida pra saber quando a vasão tem que ser dada por mim mesmo. As vezes sinto que desenho corpos em mim que não são meus, que parecem não fazer parte de mim. Ao mesmo tempo pareço que exagero tanto outros desenhos de corpos que acabam fugindo de minha percepção. Qual a medida da experiência? O que Artaud me diria? Quanto ainda falta pro chumbo virar ouro? Será melhor continuar sendo um chumbo vaidoso? Arrumar o penteado e sair a rua desfilando o cinza escuro... Meu corpo ainda não é, mas quer ser experiência. Talvez essa seja a medida, do corpo que é e do que ainda quer ser. Ter a humildade de perceber os processos em construção. Não tenho pinto suficiente pra experimentar as experiências que me proponho. Portanto sigo no imaginário, amadurecendo as idéias de escancarar essas minhas vaidades guardadas e extravasar na amoralidade de minhas pulsões nietzschanas. Talvez por não querer enlouquecer na incompreensão do outro, na inaceitação deste ser que cheira primitividade, que parece não caber no social e no religioso pelo seus parâmetros morais. Sigo tentando ser artista...

quarta-feira, novembro 09, 2005

Meu Corpo Oposto

Pode, pode cantar em meu corpo. Pode cantar em minhas víceras vermelhas de raiva. Pode dançar na minha pele esfolada pelo tempo. Pode atuar em meus ouvidos, falando mentiras, me enganando com a rádio novela e suas promessas e desculpas, mil desculpas. Não se preocupa com o que corróe e não aparece? Esse meu corpo Lê dos mil sorrisos, dos carinhos e abraços pra todas as horas, também cansa. Me ver assim forte, andando sem camisa, desfilando o físico, escondendo o corpo cansado, exausto, mole por dentro. Sou um detento dessa vontade de estar bem o tempo inteiro, de seguir viagem com o step furado e acelerar pro penhasco. Esse jogo cansa. Meu corpo não nasceu pra levar porrada de quem eu amo. Murro no estômago, chute na canela e cotovelada no fígado, vermelho de raiva. Eu não mereço isso. Mereço? É o preço dessa sina de se doar sempre? Será que acabaram as jabuticabas e chacoalham o meu tronco pra sempre cair mais e mais? O tronco da jabuticabeira é frágil, frágil. Se apaixona fácil fácil, seduz até sem querer e aí tem mil trepadeiras usurpando da sua seiva. Mas tristeza me dá, me enfraquece de verdade, quando essa trepadeira é quem você depositou todas as suas energias por simplismente amá-la. O Corpo Lê é nessa madrugada um corpo frouxo, melancólico, triste, magoado. E nessa alteração de estado descubro mais um aspecto em Corpo Lê, meu Corpo Oposto, meu estado vazio, tão contrário as cores que costumo irradiar, descobri que também sou incolor. Agora tenho em mim a noção de Meu Corpo Oposto, porque aquilo que não define, que não é, também conta... não conta?

sábado, novembro 05, 2005

O Corpo Ponto de Referência

E essa noção centro-periferia? Quero criar a noçcão de ponto de referência do próprio corpo. Eu estou aqui...

Se algum aspecto esse meu corpo Lê quer romper logo de cara é essa relação que, julgo mesmo, foi criada por um asno e seguida por outros tantos. Pra que falar tão em dicotomia? Centro e Periferia... porque não se divide em milhares de partes ou considera-se tudo uma unidade? Pra que essa briga favela e Pacaembú. Se nessa estrada Perdizes da vida eu tô nos dois. Todo santo dia! Trem Calmon Viana estação de Comendador Ermelino; Brás - metrô Barra Funda. Subo a ladeira e chego na PUC. Ver gente bonita, saudável, inteligente. E mal sabem elas que cruzei com gente lendo Nietzsche no vagão... concentrado. Ou então quando pego meu fusca 73 e vou pela Avenida Assis Ribeiro, divisa com Guarulhos. Heita fim de mundo! Sou um privilegiado. Sou um dos poucos que sabe que viver no centro ou na periferia é só uma questão de olhar geográfico. E a diferença pára aí. Ou pararia se não fossem os asnos seguidores da teoria do que é longe não é interessante. Sem contar na violência! Nossa, quanto tiro! Quanto mano! Quanta maloca! Saudosa maloca, maloca querida... e a cultura? Parece que só existe até a Mooca... mas eu tento, tento apresentar uma maloca lá de Cangaíba (divisa com Guarulhos, pra quem quiser se localizar. Perto da Penha também, esse "centro da periferia") mas ninguém se interessa em ver. Pegar o trem e dar de cara com uma realidade longe da "em dez minutos eu chego, no máximo meia-hora" ver gente acabada de cansada mas mesmo assim gritando, esguelando, no truco dentro do vagão... não é pra qualquer um não. Tem que ter estômago. Vagão cheirando mofo, com goteira entrando pela ventilação e chão de madeira como remendo para os buracos no assoalho. Sem contar o aperto. Ser sardinha no trem... impossível evitar o contato com esses corpos "periferia". Categorias, categorias, categorias... pois eu nasci e cresci sabendo que sou colocado à margem. E a margem permaneço. Desenvolvo esse corpo dilatado pra atingir também o meio. Quero ser corpo Lê inteiro preenchido. Transitar livremente pelas categorias criadas para serem separatistas. Achar as brechas e atar os nós. Misturar as linhas, criar as malhas de comunicação. Perceber um todo com milhares de partes com particularidades infinitas. Perceber que cada fatia tem seu centro e sua periferia que tem seu centro e sua periferia, seu centro e sua periferia e assim por diante. Como coisas complementares e que não exsitem sem o seu conceito oposto-complementar. Esse meu corpo que se desmembra e se concentra em cada movimento de centro-periferia, periferia-centro, centro, periferia, periferia, periferia, perifer, perif, peri, perímetro, silhueta, corpo. Tenho meu corpo como referência, onde eu estiver existirá um ponto. Pra minha localização, pra minha conceituação de ponto de referência e não mais de centro-periferia, porque assim o ponto só pode estar em um dos dois aspectos... e a arte é mais do que isso, o corpo está além das dicotomias.
Sou da cidade
Sou caminho que une
Sou pescador dos nós entre as ambiguidades superficiais
Sou mergulhador das questões de minha gente
Sou pedestre da margem Tietê
Ligo a Zona Oeste e a Zona Leste pra discutir a arte em seu valor universal, dilatado
Mas cada vez que mais sou percebo que só tento ser
Tento ser caminho que une
Tento ser pescador dos nós
Tento ser

Até quando teremos que esperar as ações pontuais surtirem resultado? Destruir os micropoderes... tudo isso me consome, minha energia some e cada sono não é suficiente pra me acordar de novo pra esse mundo mudo... surdo... de quem não quer falar, de quem não quer ouvir.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Corpo Resposta

Corpo Resposta ao comentário de Corpo s.C.

Te Lêio e te aceito assim como é. Danço com o corpo c.C porque não tenho preconceito com os corpos. Sou corpo s.C porque sou, não porque quero ou porque nego. Nitzsche é anti-cristo, só sou sem. Não tenho referência, no meu corpo não há a.C nem d.C, não tenho referência. Não quero desconverter ninguém, só narro um aspecto do meu corpo Lê. E concordo quando diz que está presente em mim este Corpo c.C. Assim como todos os outros tipos de corpos que me constroem. Porque sou uma esponja e absorvo tudo que a mim chega. Te absorvo a cada instante, Jú. Absorvo cada artista, cada herói e cada anti-herói. E me construo nessas constradições. Ser corpo s.C ao mesmo tempo que me dizem ter um corpo c.C. E acredito! Sei que sou assim mesmo.

quinta-feira, novembro 03, 2005

O Corpo s.C (sem Cristo)

Tanta parafernália
Tantra
Tanta parafina
Manta
Esquenta o mantra
Lê vanta, anda
Lê lê vanta lelé
Saia comigo e pinte o corpo como eu pinto
Vamos fazer um tantra?
Se jogar no abismo
De cara pro chão sem colchão, só tara
Enquanto o mantra esquenta
De baixo da manta
Pra falar de Deus, do seu, do meu
Orgasmo?

Organize o orgasmo
Multiplique o caos e desorganize o estado
Esperado no gemido repetido
Repetido
Repetido
Meu Deus é um ser orgástico
Biônico
Biológico corpológico biotônico, par em dois
Meu Deus é não divino
É contracultura, é devassidão, subventura
Particula, microcosmo, micropoder, sistema
Meu Deus, sistema contrário
No orgasmo transcende. Do corpo sinto
Sinto
Estou um corpo transparente
E essa flecha espiral que me circunda
Não vai do inferno ao céu nem dos anjos ao Diabo
Corre de um lado ao outro desenhando esse meu espaço
Perna, braços, ombros, pés, xulés, suores, escarros
Anus, pênis, pelos, nariz, língua, catarro
Boca, dente, saliva, peito, pescoço
Dedos no anus, na vagina, nos olhos
Sangue, porra
Mijo, bosta
Corpo
Meu Deus! Te achei, não tenho dúvidas
Conversar contigo... basta ouvir meu Corpo s.C