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quinta-feira, abril 03, 2008

Receitas Contemporânias Para Manter o Corpo Saudável -1


Vá até o supermercado e compre um pacote de bolacha Passa-tempo, da astronômica Nestlé. Vá para casa, ligue a TV e abra o pacote. Retire 6 pares de bolachas com o delicioso recheio de chocolate alpino e coloque de lado. Pegue par por par, abra as bolachas e desgrude o recheio delas. Coma as bolachas mas não os recheios, que devem ser empilhados um a um no dedo indicador da mão esquerda, caso seja destro, ou no dedo indicador da mão direita, caso seja canhoto. Ao final da degustação de doze bolachas Passa-Tempo, você terá em seu dedo indicador seis recheios de chocolate alpino empilhados, abra bem a boca e coloque a montanha doce marrom sobre a lingua e deixe derreter vagarosamente pela ação da saliva.

Dica: após comer as bolachas, beba meio copo d'água para lavar as papilas gustativas, para que o chocolate venha com mais sabor.

Depois deite de barriga para cima para assistir ao fantástico show da vida... não deixe de mudar de canal nos intervalos, pois assim é evitado a tentação do consumo desenfreado e também há queima de calorias com o apertar de botões e readaptação nervosa à mudança de imagens.

sexta-feira, março 28, 2008

Abertura do Balaio

Brincadeira
Pé com pé de moleque
Menina
Uma pilha duracel
Dura cem
Dura mil horas a farra
A farça
A dança... as gargalhadas
Se anima, entra na roda
Girar mais que o céu...
Porque depois cresce.
Mas se já cresceu, recomece hoje
A viver da lembrança dos tempos em que era...
- Piá! Ei Piá, o dia tá só começando, vamo que o tempo tá sem chuva e amanhã só chega depois que der o ultimo suspiro da noite. Vamos entrar você, mais eu... eu e ti. Vamo!
Jabuti.

Ciranda do Balaio

Cirandar de dia, bom dia
Cirandar de tarde, boa tarde
Cirandar de noite, boa noite.

Na casa da tia, café da tarde
Na praça vazia, beijo a noite
Ao girar ciranda, bom dia.

Abra a roda, forma o balaio
Abra a roda, forma o balaio
Abra roda, aqui, tudo vai acontecer.

quarta-feira, março 05, 2008

Entrecorpo de sol e lua

Uma noite com sol
Madrugada ensolarada

A lua pegou pelo anzol esses raios violetas
Que vez em quando entram pela minha janela para invadir meu sono em preto e branco
Imagem parada, eu alí deitado. Me vendo por fora me reconheço.

Ultramarelentas as fotografias antigas
Um sephia assim de memória, mesmo se de outro dia bater a história.
Risadas ascendem, lágrimas molham
As duas juntas abrem o prisma do arco-íris.

A lua pescou o dia pra fazer companhia, um amanhecer mais cedo encerrando a boemia e compartilhando outros olhares. Meu olho fecha um pouco quando vem o sol e solta de volta um raio ofuscante pedindo pra enviar ao mundo.

Escrevo pro mundo e ninguém há de mudar minha ânsia de artista.
Tendo em vista que a globalização não é o meu negócio, não faço questão que entendam minha lingua, mas que minhas palavras lambam os corpos de continentes, povos, fronteiras. Que ultrapasse então minha saliva pra digerir os carboidratos da prepotência humana.

Mas não importa isso agora. Importar é trazer de fora, exportar é vomitar o de dentro. Quero flutuantes as minhas auroras.

O arco-íris vai se acabando em seu leque de cores. Pintei uma aquarela em meus olhos, bem encharcada, ensanguentada de vermelho guache, com leves tons de azul oceânico do meu mar sem fim. Vou dormir... e com viajem longa, esperando acordar no horizonte navegando num navio que flutua entre o sol e a lua, numa tarde fresca de luz amena. Apenas...


terça-feira, março 04, 2008

Visto o Corpo

Como falar da minha vida sem falar dela ao certo? Metáforas... me responderiam os poetas. Performances... me diriam os interpretes. Mentiras... me diriam os amigos. Ilusões me diriam os esquizofrênicos. Como não transparecer assim, barato? Como confeccionar a roupa do rei que só os inteligentes podem ver? (visto o corpo como vestiria minha bandeira.) Tais Inteligências são de outra ordem... mais cabíveis ao todo do todo e não ao todo das partes. Essa é minha voyage solitária.

A coletiva é a celebração. Bons os momentos de alegria conjunta. Depois recolho no canto minha soledade melancólica, séria por ser serena e não por ser careta. Muito estranha uma felicidade do sozinho, do estar alí somente com motivos de memória para rir sem parar. É possível, mas não é a minha. Só é estar comigo sem meus botões. Só eu e eu somente pensando enquanto existo, existindo e sendo enquanto estou pensando e agindo... tudo junto, assim. A alegria é pra dividir, não combina com sorrisos solitários, gargalhadas malucas sem ninguém em volta... é triste. A alegria sozinha fica triste.

Minha tristeza é inteligente. Eu sou inteligente e posso ver roupas infindáveis, das mais coloridas, dos mais gerais cortes, das mais variadas origens de todo canto do mundo, gente e bicho, cada qual com sua cara, cada um com sua marca... veste, porém, todos com sua veste. Ninguém nú, ninguém de corpo em pêlo. Vejo roupas feitas sob medida, que cobrem, encobertam, escondem os suores, os odores, as cicatrizes, os desejos proibidos, o primitivo e o instinto, o intuitivo e o espiritual... ritual. Prendem o corpo e por isso também prendem o espírito.

A celebração deve ser despida. A soledade deve ser despida. As roupas são artifícios de forjamento social.

Não sou naturalista, tampouco pervertido. Observo nessa moda ver nos outros o que me mostram, além mar, além terra, além céu, além fatos, além tramas. Tirá-los a roupa é tirar seu repertório... e isso lhes tira o chão. O poço é fundo, acabou-se, e tudo será diferente então...

Disso tudo o engraçado é que a minha eu não vejo. O espelho não me mostra nem no mais privativo silêncio de horas de sozinho. Deve ser porque de algum canto sou assistido, de algum olho me pegam no vão. Minha roupa é minha pele. Não sei se porque já não tenho sobre mim os panos ou se ela própria, a roupa, não quer que a enxergue.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Sô Nô

Sô No sense

Sô Circense

Mas não sou herói

Não me destrói porque dói

Faça o censo

Quem não diz da altura que despenca,

O arremesso,

Quem não meça o verbo que dispara... Porra!

Viva em cada tempo

Na literatura o sadomasoquismo fez suas vestes

Há quem não confesse

Chicoteia a merda no ventilador e arremessa o cavalo pra fazer vento

Sô No sense

Sô Circense

Mas não sou herói

Não me destrói porque dói

Abafa o caso

Senão pega mal pra cacete

Dizer que anda rolando porrete pra todo lado

E ao lado

Toda vida se diz perfeita até abrir a geladeira

E achar o que está fedendo

A borra do café me disse que seria assim mesmo

Tudo superaquecendo e o mundo declinando, que tudo mina

Mas isso é desculpa de precoce

Que não sente que tudo acaba só quando termina

Sô No sense

Sô Circense

Mas não sou herói

Não me destrói porque dói

Cantar de galo

Acordar desafinado

Despertador João Gilberto pra mostrar um dia incerto

Será que vale a pena?

Há mais muito do que tudo que a gente imagina

Macunaíma,

Quem diria que existiria?

Agora o anti-herói será você, improvisa...

terça-feira, fevereiro 12, 2008

O Pulso Ainda... despulsa, varia... varia, expulsa

As horas podem bater num pulso diferente. Quem disse que o tic tac é sempre equivalente? Minha música não precisa de tempo, dou a ela e dão a ela qual quiserem... As notas podem bater num pulso diferente. Assim a melodia de horas no meu dia ficam prum sentimento que me envolva, na velocidade de segundos, mesmo que os segundos durem horas. Tranportar pro tédio a vagarosidade... porque não pro prazer do brisa? Mas se tão boa também é a ventania transmitir pro ócio a pressa produtiva. Tudo é válido se for validado. Tudo é validável se tiver um olhar livre. No caso o olho fica virado pra dentro e falo do meu ouvido e dos meus dedos sem pulso musical, porque neles correm um sangue em velocidade desigual. Faço do despulso minha linguagem, expulso o que me cabe ocidental, também não me cabe oriental. Deste tictac bipolar do mundo o cosmo é que pulsa sua caocidade transcendental.

Vale citar aqui Willy Correa e John Cage

Tempo

Contra Tempo

Contra o tempo

A tempo

De dizer ao tempo

Seja diferente

Atonal

A tempo atemporal

sábado, fevereiro 09, 2008

Abril

Abriu
Janelas, portas, portões, fendas, veredas
Entrou, chorou, partiu, rachou, cortou, trilhou, ou...
Será que vai? Será que dá? Mais um abril despedaçado
Um samba assim assado
Até...
Sou um pouco de favela na maré
Revolto nas águas de março
Adiantado em fevereiro...
Abriu?
O cadeado, o fosso, o céu, o horizonte
Pisei na poça até a canela e afundei o pé na lama
Reclama, reclama... estou sozinho em casa denovo e te escrevo por telepatia
Proclama, proclama... a independência é uma questão de grito, rio e espada em riste
Pau na mão Ipiranga.
Qual meu córrego? Me encha março, pra derramar abril nas margens e abrir em maio algo maior que Juno
Em junho: vamos dançar quadrilha...

sábado, janeiro 26, 2008

Encorpar

Um certo momento de ar. Um respiro fundo, pro fundo, lá em baixo, d'onde brota os nutrientes da terra. Suspender o tédio e sustentar a euforia, precisa de sustança, precisa. E quem avisa amigo é: coma brócolis e durma bem, pra ver o dia nascer diferente.

Uma nau veio me buscar, voar pra longe do labirinto. Um certo Ícaros sem a fatalidade da morte. Vôo de trapézio com lonja no lugar certo. O risco é o que sustenta o circo e o circo o que sustenta... me sustenta.

Não ter medo do vôo não ter medo
Cedo
Acorda só de meio olho, deixar o outro
Sonho. Ando e não acaba a areia. Suspender o quente e sustentar o deserto, pra trazer o novo perto, fresco, com muito ar. Encorpar a sede pra ir fundo na vontade, continuar.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Não deu samba

Um bamba correto, quadrado, singelo, quatro tempos no bumbo, dobrado na caixa, desclaço o reco-reco, cuíca de sapato sem sola, guardada. Sexta-feira sem festa, sem parte alguma que presta, capenga, de cabeça cheia. Eu não bebo, não saio pra jogar bola, não sei da galera do bairro, de vez em quando pego na viola e já cansa. Descanso e rodo na varanda, abro a geladeira só por abrir sem saber se quero nada ou alguma coisa gelada que molhe a garganta, congele o cérebro, derreta em meus pés algo maior que a piscina de Ramos, a poça da chuva de hoje ou a chuva da próxima temporada. Lua chata que fica escondida sem pressa e nem vê que o sol já adianta o dia e o despertador - as horas da noite passam mais depressa. As do recreio também. O difícil é vencer o tédio, vender a fossa e alugar a poesia num mundo onde só querem prosa. E o enredo é sempre igual... Não deu samba, a mulata torceu o pé e caiu do salto, o Rei Mômo ficou magro e na avenida, pedágio. Vou ver se entro na bateria e agito o chocalho pra melhorar o programa de índio. Mestre da harmonia, é disso que a escola precisa...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

estético Corpo ético

No meu texto, em
plural
, aural, neural-físico, entorpe e sente o início de outra necessidade
singular
No meio do meu texto, pouco
namoro entre as palavras
o amor também enrouquece a fala
Agora muda tudo
Claro, fica claro, e a composição falará um pouco mais sobre a natureza, a estética e a ética sob a copa de árvores e seivas de bares.
Minha vida aqui, só
Sem personificações ou referências
Há coisas mais importantes do que as adolescências pueris de um qualquer escritor de páginas binárias de um sistema intermundial.
Quem disse que quero falar pro mundo?
Falarei pra sorte
pro tempo, pro peito
O mundo é estar somente.

Detalhes, falarei de detalhes
Ignorantes
Mas que em minhas mãos se farão belos
Estéticamente éticos
Éticamente estéticos
Neuróticos enquanto sílabas ácidas
Esquizofrênicos enquanto imagens plácidas.
Esse sonho que nunca chega e fica paralizada outra realidade
Menos direta, mais cheia de charme.

Não quero desse espaço confidência,
Fique aqui com meu olhar-te como olham os olhos da frase: sujeito e predicado
Que não se saia então ninguém, por bem,
prejudicado

H

OHO
MEM

ou um hai cai apenas...
...menino.

domingo, janeiro 06, 2008

Corpos

Minha vida alí, deitada ao contrário, pegando a coberta de lado, emburrada, madrugada, nem se meche. Um bruços fechado sem papo nem toque, sem baque ou ibope, nem truque, nem saque um carinho que não adianta. Nem cheiro de bom humor... minha vida alí, uma juventude de arrastão, inquieta, arredia ao mesmo tempo que seresteira. Uma discussão besta, uma noite perdida de um dia esquisito. Madruga emburrada a dentro e só um daqueles momentos em que o sono não vem. Fugir um tapa... dá vontade de tomar loucura pra ter porre de liberdade. Minha vida alí bufando a agonia e resmungando a má educação, só geme se tiver alforria e só goza se achar que vale o disperdício de energia, pena
não ter um travesseiro pra cobrir o desgosto, apagar o rosto e tampar a respiração. Durmo sem, prefiro a coluna reta no colchão de mola, lançando sonhos em saltos ao alto, lá batem no teto e matam pernilongos. Voltam me dando um sono tranquilo. Minha vida alí e minha noite em algum outro lugar lá fora. Minha vida alí na cama, deixando com o peso a forma, com o suor o cheiro, com a baba a digestão destes tempos sem sono.
Minha morte... distante. Tenho o prazer da sorte.
Me vale seus olhos, não me deixe dormir sem seus olhos, não durma, não suma, não voe sem que me olhes com estes olhos que por enquanto...
Minha vida alí a sete braços cruzados, coração fechado, deitada de costas, pernas no peito, guardada em caramujo, "não me toque, não me alcance, não me acorde". Assisto de fora no escuro, madrugada emburrada. Que amanheça o dia, que chegue outra espera
esperança...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Corparto

Criar assim é parir um filho, solitário, nas virtudes e virtualidades que me enchem a cara de luz, da tela, do quarto, da janela. Me enche essa lua lá fora com chuva. Meu fusca na garagem e minha moça na rua. Me ofusca uma solidão assim internética. Voltei da praia, voltei de férias. Depois de um tempo largo, a vida continua nessa cidade veloz, tão, tão, tão menos rápida quanto a minha voltade de partir pra qualquer buraco de mato novamente. Parto, corpo, corparto, parindo e fugindo. Crio em mim essa semelhança imagem sombra que vem com o sol nascendo e vai no poente, permance só se há luz ambiente. Na escuridão me anulo sombra e permaneço só calor. Há nesses momentos quem me beije. Ar-dor.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Sonho com um corpo

Sonho com um colégio
Sonho com um grupo
De gente
Colégio com sonho, um grupo
Corpo
Gente,
Com um sonho, um colégio com gente!
Grupo de sonhos
Corpo de sonhos com órgãos
Um corpo sem órgãos
Artaud crú!
Sonho crú com um corpo de Artauds
Gente crua e uma antropofágica pantomima
Sonho com um cabaré de palhaços
Um corpo de palha! Colégio de espantalhos.
Corpalhaços
Saltos
Cambalhotas
Bravo, bravo!
Felizmente
Meu corpo é o que tenho de mais...

Sonho um corpo

Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez

...

Um sonho é um sonho, não deve acabar nunca
Senão a sobremesa acaba por virar um qualquer
Mamão-com-açúcar

quarta-feira, novembro 21, 2007

Corpo Feriado
















Algumas tantas toneladas de areia deixadas para trás
Fofas
Duras
Finas
Com conchas
Alguns muitos litros de água salgada
Do mar
Do rio - vermelho iodo, salobra gelada vinda do mangue
Do céu, um sol violeta
Ultravessado na pele
No fim do dia o pouso alegre em cama esquentada em horas
Tragávamos o corpo, um ao outro.
Depois, acabava em sono,
Acordar cedo e recomeçar de novo.
Há o mesmo sol esperando lá fora
E o mesmo ímpeto cá dentro.
Foram estes alguns dias de todo tempo
Do mundo.
Sinto que amei, ali, me achei
Em ti.

domingo, novembro 04, 2007

Em vista de
Bom
Por observar que
Bem
Veja bem
Por enquanto é
Quem sabe
Olhe
Pois então
Assim
Isso

Não dá
Quiçá
Sendo assim
Isso
Não dá

Talvez melhor que fique
Talvez
Se
E se
Não, e se
Calma
Vou recomeçar
Parágrafo, dois dedos
E um gole
Vírgula
Vou partir com vírgula
O sujeito fugiu
O verbo fingiu estar
Melancolia
Pré-di-cá
Do
De lá
Sí, Dó ré mi
Faça a luz e a chame de dia
Faça a hora do café e a chame de tarde
A noite é o nome do que é há de mais íntimo
Se dorme, se sonha...
Estrelas cadentes polvilham minha face e nasce
A poesia
Bem
Assim
Fim.

sábado, novembro 03, 2007