Um bandido, que é uma pessoa, mata um PM, que também é uma pessoa. Então a PM, que é uma instituição, mata 5 suspeitos, que são pessoas. Pode ser então que 5 bandidos, pessoas que são, matem 5 PMs, também pessoas. E então, talvez, a PM, que é uma instituição, mate 25 suspeitos, que são pessoas. Quiçá 25 bandidos matem 25 policiais, gente matando gente, e a PM, que é uma instituição resolve matar 225 suspeitos. E então 225 pessoas, que talvez nem fossem bandidos, resolvem matar 225 PMs. Então toda uma corporação, feita de pessoas submetidas a uma instituição-estado, se organiza para matar 1125 suspeitos, pessoas que ironicamente também são o Estado em sua constituição de direitos deveres. Ou seja, são pessoas matando pessoas, no patamar humanitário, e Estado matando Estado, no patamar político-social.
A questão é... no nível pessoal: uma pessoa, que poderia ser policial ou bandido, matou meu pai, uma pessoa também, para roubar o carro da empresa em que trabalhava - pessoa jurídica do corporativismo multinacional, criada para lucrar com a exploração do trabalhador e dos recursos naturais controlados pelo Estado. A instituição polícia não fez nada, arquivou o processo e o caso é uma incógnita. A instituição empresa multinacional perdeu o bem carro e o bem funcionário, que alugava mediante salário razoável, e ajudou a familía nesse momento difícil com o enterro. O vizinho que viu tudo também não fez nada, cidadão de direitos e deveres, preferiu calar por medo ou comodidade mesmo.
Eu, ser-humano que sou, que ouvi tudo acontecer e vi cruamente de perto o desfecho, com sede incontrolável de vingança, colocaria a polícia, o bandido, o vizinho e o patrão multinacionalista de mãos dadas. Me armaria de armamento pesado até os dentes. Engatilhava a sanfona e dispararia acordes maiores, menores e dissonantes no peito de todos. Puxaria um Si menor na sanfona e convidaria a todos para dançar uma ciranda, dança de roda para as crianças que, como pessoas, todos um dia foram... O militar, o civil, o Estado e a indústria.
A isso daria o nome de Roleta Brazuca ou O Dia em Que eu Fiquei Zica... Depois colocaria as fotos no facebook pra vcs curtirem de seu confortável sofá ou cadeira de escritório.