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sábado, setembro 08, 2012

quinta-feira, agosto 30, 2012

Pseudo-sociedade

Porra de sociedade acomodada do caralho.
Acomodada com seus pseudo-empregos
Acomodada com seus pseudo-casamentos felizes
Acomodada com sua pseudo saúde
Acomodada pela sua pseudo-cidade.
Acomodada.

Porra de sociedade frígida do caralho
Frigida com seu pseudo-status
Frigida com seu pseudo-delírio
Frigida com sua pseudo-utopia
Frigida pela sua pseudo-fé.
Frígida.

Porra de sociedade carente do caralho
Carente de atenção de seu pseudo-patrão
Carente de alegria de seu pseudo-time-de-futebol
Carente de emoção de sua pseudo dramaturgia televisiva.
Carente.

Porra de sociedade careta do caralho
Careta com sua pseudo-consciência drogada
Careta pelo seu nerdismo de pseudo-avanço-tecnológico
Careta pelas suas pseudo-filosofias de autoajuda
Careta por suas reais mascaras sociais.
Careta.

Porra de sociedade vazia do caralho
Vazia pela sua pseudo-religião
Vazia pela sua pseudo-educação
Vazia pela real falta de poesia
Vazia pelos pseudo-corpos que andam por aí robotizados.
Vazia.

Porra de sociedade autoritária do caralho
Autoritária pelo pseudo-carinho familiar
Autoritária com sua pseudo-verdade das frases prontas
Autoritária pelo pseudo-senso-coletivo da democracia representativa
Autoritária pela pseudo-ignorância, disfarçada de pseudo-humildade
Autoritária pela falta de real noção altruísta.
Autoritária.

Porra de sociedade insensível do caralho
Insensível com suas pseudo-músicas de sucesso
Insensível com seus pseudo-orgasmos e suas pseudo-mentiras disfarçadas de pseudo-verdades
Insensível por sua pseudo-fidelidade
Insensível pela real ganância inescrupulosa provocadora de pseudos e insaciáveis buracos negros.
Insensível.

Porra de sociedade covarde do caralho
E seus preconceitos.
Porra de sociedade.

Porra de sociedade egoísta do caralho.
Egoísta por seu pseudo-voto
Egoísta com sua pseudo-propriedade
Egoísta com seu pseudo-conhecimento-pós-doutorado
Egoísta com sua constante retórica
Egoísta com seu pseudo-ouvido
De si para o outro, oferecer somente pseudos-sentidos.
Egoísta.

Sociedade de pseudo-gramática
Sociedade que me pariu,
Puta que pariu,
Paremos, descemos do mundo e que, portanto, pariremo-nos de volta.
Embora sociedade histérica, não somos ainda, no limite da corda bamba, uma sociedade estéril.

?

Porra de sociedade estéril do caralho
Porra de pseudo-sociedade...

sexta-feira, julho 27, 2012

O Corpo da Curva


O que é uma curva?
O caminho mais longo entre dois pontos; ou seria a mais curta poesia do destino?
A curva é bela. Sinuoso instante, lascivo declive curva de serra
Encerra a história ou reinicia a breve passagem dos seres na terra?
Porque nem a linha do trem é reta
Nem a seta, nem a meta, nem o papo, nem o som
Tem curva na onda
É curva a vibração
O que não pode é seguir direto nela, sem escorregar por seus envolvimentos tortos
A lança reta desvela a fúria dos rodeios
E a íris confunde-se com as cores dos arcos.
Um volteio manso pode ser desvio mortal.
Não há o que esperar da curva
De bala reta, resvala, se for a curva animal.

terça-feira, julho 03, 2012

Rapidinha com Marília Gabi Gabriela da minha imaginação

Quem te pariu?
Talvez as vozes...

Quem te criou?
Talvez as vozes...

Quem te matou?
Talvez as vozes...

As vozes de quem?
Talvez as de Deus...

As vozes de amém?
Talvez as do Estado...

As vozes da lei?
Talvez as da sociedade...

Quem dormiu com você?
Talvez as ditas preocupações para com a moral, o trabalho e a boa vizinhança.

O que se passa na sua cabeça?
O gozo
E na minha Clareza as idéias.

O que se passa?
Vidraça

O que se reza?
A ladainha e o berro do gado

O que se preza?
As vidas possíveis...

O que acomoda?
Nada. O peixe nada por não estar acomodado.

O que embola?
Baque virado.

Salta?
Açúcar!

Canta?
Arranco

Representa?
Crio.

Tormenta?
No cio!

Rebate?
Quem te pariu?

Talvez as vozes...

Eu que pergunto agora...

O que te desenvolve?

quarta-feira, junho 13, 2012

Corpo Na Moral

Então,
Não é que agiste mesmo
Na moral...
Igual, se essa quebrada se concerta
Deixa de ser errada e segue a seta.
Correto?
Mas e aí,
Quem diz qual o rumo que temos que seguir por certo?
Certo pra quem, seta de quem,
Hein?
Então,
Não é que agiste mesmo
Na moral e nem se deu conta...
Porque sou eu que presto contas
Eu, você, você e você.

terça-feira, maio 29, 2012

Coração é do corpo

Coração
Coração
Coração não é símbolo de amor
O coração não é símbolo
Coração é órgão, é pulso
É carne.

Coração rompido
Coração rompido não é símbolo de desamor
O coração não é símbolo
É infarto, disritmia,
Tecido adiposo, traído pelas gorduras do prazer, moral e anemia.

Arranco meu coração rock and roll
Entrego pro mundo dançar
E pisoteiam
Pisoteiam

Arranco meu coração Roberto Carlos
Entrego para o mundo amar
E chicoteiam
Chicoteiam

Lúpus silencioso
Parada cardíaca em câmera lenta
Gosto de sangue na boca
Gosma grossa correndo na veia.

Sangue de barata, raiva que não passa
E todo o resto
Todo o resto
É lama sutra, cama surda, decoro e modos.

Coração
Coração
Coração não é símbolo de amor
Coração não é símbolo
É corpo vil
Vital mecânica, funcional, objetivo mecanismo.

Coração
Coração partido não é símbolo de desamor
Coração partido não é símbolo
Partido é aquilo que foi embora.
Embora o que parta seja sinônimo de rompido.

Arranco meu coração bossa nova
Playboy carioca
E canto as belezas de Ipanema
Mas só da gangrena
Só da gangrena

Arranco meu coração em versos repentes
Solo meu sol nordestino
E o tiro é repentino
É repentino

Coração
Coração
Coração não é símbolo de amor
Coração não é símbolo.
É fio. O mundo hoje está por um triz
E no coração de todos as marcas da cicatriz.

segunda-feira, maio 14, 2012

Corpo para cima

Quais são as opções? Qualquer que seja a encruzilhada, sempre haverá os caminhos possíveis. Bem como a possibilidade de permanecer parado. Mas se busco o movimento, me parece o permanecer uma não opção. A não ser que tomasse meu olhar e verdade num sobressalto e investigasse se a partir de minha imobilidade pudesse, então, levitar e subverter a idéia de que todas as minhas escolhas de prosseguimento e procedimento estão pré-traçadas. Talvez assim fosse instaurado um jogo de pega-pega do qual não só a horizontalidade fosse meu chão da fuga, do drible e também da caça, mas também verticalidades e obliquoidades das quais não temos ainda alcance. Portanto, fico questionado em como acessar uma possibilidade da qual me parece de impossível realização. Meu corpo levitar? Isso sem considerar inconcebíveis atos como o teletransportar-se ou a transmutação. São outras relações de tempo e espaço a serem visitadas, aliás são outros ser e estar no mundo. Como? O campo da idéia hoje parece não bastar frente à velocidade com que o caminho da concepção ideal e sua materializacao é percorrido e cumprido. Portanto me parece sempre sofrível, hoje, quando um desejo, facilmente deixado apenas como um desejo em outrora, não for concretizado enquanto matéria palpável, em um hardware útil ao nosso cotidiano. O problema é que talvez não mais nos sobre desejos úteis, uma vez que inovações pensadas no passado, como carros voadores e autômatos realisticamente perfeitos, soam bregas e ultrapassados sem nem mesmo serem postos a venda. Esgotaram-se as verossimilhanças tecnologicas, qualquer criação ao nível do automóvel de Ford ou do computador da Apple deverão ser literalmente de outro mundo, pois o que vemos hoje são apenas desdobramentos de desdobramentos de desdobramentos. Tanto que a conectividade entre aparelhos de diferentes utilidades é o que tem salvado este tipo de indústria. Agregar valor sobre o já criado. Complemento e releitura. Criação sim, mas em que nível? Ou melhor, de qual natureza criativa? Há de fato espaço para descoberta?A questão é que o mercado não mais da conta de nossos desejos e, talvez por isso, tenta plantá-los em nós. Levitar não é um desejo de mercado, nem mesmo tem utilidade prática, nem mesmo aos ilusionistas - dá trabalho levitar! Assim como desaparecer e reaparecer exige um esforço pirotécnico, uma produção caríssima! Pois são estes os desejos que perpassam meu corpo. E agora tudo se mistura na paranormalidade de qualquer subjeto. Se passo a diluir a materialidade de meu corpo, idéia e ação não mais se apresentam como dicotomias em nossa concepção cartesiana de mundo. Se o nada levantar matéria e se a matéria se tornar um nada, tudo e nada poderão ser, então, verdades coexistentes, paradoxais verdades dúbias. E então a própria noção de verdade terá de ser reinventada, pois quando o impossível passa a ser 'possíveis' outras descobertas serão necessárias. E ao descobrir como descobrir, uma outra relação entre experiência de mundo concebida e possivelmente concebivel torna-se una no sentido de que tudo é possibilidade.

quarta-feira, maio 09, 2012

Corpo Frase

Toco tudo ao mesmo tempo
Tempo toca mesmo tudo ao
Mesmo tempo ao tudo toca
Tudo toco mesmo ao tempo
Mesmo tudo toca ao tempo
Todo tempo toca ao mesmo
Toque de todo tempo do mundo.
Molha a língua
Mingua a lua,
Sua, morena, sal!
Suor sereno
Veneno
Remo na úmida vaidade de seu ser
Certo é que todo me molho ao te ver.

domingo, abril 29, 2012

Sinceros Votos

Esse foi escrito há exatamente dez anos, para minha primeira oficina de teatro no projeto Amigos da Multidão... Sessão nostalgia. Obrigado Ângela por tantas vezes ser minha memória. Lamenta-se o Blues:

Meus sinceros votos de alegria
Às tristezas presentes na vida
São dados com a ira da ironia
Solta aos ventos da Cidade Prometida

Ao caos impera o "no time"
Solidão impera no tempo
O discurso de uma só voz
Cadê os meus companheiros?!

Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso

A emoção me rasga o peito
O sangue que jorra vermelho
Em vão cantei por perdão:
Condenado por perversão, seu cuzão

As cinzas, o caos
Os incêndios, normal
O olho que vê e não enxerga
Aceita as fatalidades

Por Deus eu imploro
Tio Sam, permissão
Pra rezar pelas almas penadas
Das crianças já condenadas

A dor da ilusão,
O futuro da nação
Aspirar o vazio, o nada
Rebelar-se de mãos atadas

Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso

Olho pra você
Zumbi da TV
No zap! A obsessão
Controle remoto da sua razão

Caminhe, faça, morra, coma,
Transe, cague e ande
Não, não vou chorar
Hipocrisia de pensamento

Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso

Piso na Cidade Prometida
Megalópole terceiro mundista,
O blues, a lamentação,
O caos, a população

"Superiores" estou aqui,
Não, não quero partir
A minha voz solitária
Vai cortar-vos feito navalha

Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso

Leandro Hoehne - 2002

terça-feira, abril 24, 2012

Eu não to ficando louco

- Mina, a gente tá perdendo o bonde!
-Podemos ser mais, logo,
Na maré que não é nossa,
Nosso barco só pode navegar fora.
O leme quer a contramão
Irmão
-Porque a minha infância foi no morro do CDM e minha juventude o não chorar de um pai morto
-Teme?
Treme... treme memo porque cada ruína é a sua própria história
-E a amizade não consegue saber o que quer porque é refém da própria introjeção da condição que quiseram pra ela.
-Os outros quiseram e querem sempre por você entende?
-Supera isso aí fiii
A gente não pode ter medo do dinheiro, ele é que tem que respeitar a gente.
-Podes crê amizade, podes crê.
-A roda não vai parar,
O bonde tá no trilho
E nossa sintonia se perdendo no ar.
Cê não vê que pode ser diferente?
Chega uma hora que a gente já aceita a miséria como nossa
A violência como nossa
A falta de dignidade como nossa
E a de liberdade também.
Ficar berrando aí, parado, berrando calado na tua vibe própria?
Ficar na fossa?
-Mina, a vida é nossa. Não interessa que você me traiu.
Amizade, a vida é bossa de ritmo falado. Não interessa que você me feriu.
Patrão, a vida é minha e temos o nosso trato. Não interessa o filé mignon no seu prato.
-Não?
-Meu rumo não ta feito. Nenhum bandeirante abriu minha trilha e se precisar subir, não vou de elevador.
-Cada cagada tem seu cheiro,
Cada apreço o seu preço,
Cada destino sua margem de erro
E cada erro tem seu troco.
-Aguarde. Eu não to ficando louco.



sexta-feira, abril 20, 2012

A larga medida entre o meu olhar e o seu beijo sem desejo explica o curta-metragem de nossa vida.

sexta-feira, abril 13, 2012

iPhone de Pandora - o poema

iPhone de Pandora
Pandora's mobile apps
Notes, remotes, facebook, iCloud
What's up
in New York?
E na Vila Nova Iorque
Tudo na mesma.
Everything is possible
on Pandora's iPhone...
Guarda infinitas surpresas.
Surprise!
E lá se vai
Também
The connection between our eyes?
Tantas besteiras poderiam ser evitadas
Enviadas
Via os bluetooths de nossa confiança, não é mesmo?
Mas os segredos, guardados na caixinha eletrônica, são como heras venenosas no prato que comeu.
Hoje é dia de selva bebê
E na selva eu te amo
E te respeito
Sou leão de juba raspada,
Nesse coliseum sou guerreiro.
E da caixinha de pandora tecnológica
Não tenho medo
Não tenho medo
iPhone de Pandora
Modern eletronic simulacrum of greek mythology.
iPhoda.

Jesus,
Desce cruz
Menino!

quarta-feira, abril 11, 2012

Em sua maioria
Minha família: mulheres
Meu trabalho: mulheres
Meus amigos: amigas
Vida boa essa minha

terça-feira, abril 10, 2012

Cada qual, cada um

Cada qual com sua reza
Cada um com sua pressa
Cada voz, seu palavrão
Cada limbo com sua escuridão

Cada mano com sua mina
Cada dor com sua penicilina
Cada amor com seu varal
Cada morada com o seu quintal

Cada mês com seu salário... Talvez
Cada escolha com sua altivez
Cada parcela, suas Casas Bahia
Cada baiana com sua mátria minha

Cada pai com sua morte
E cada arma com seu porte
Cada vida com seu norte
Cada tropeço com o seu capote

Cada rua, sua encruzilhada
Cada Oxossi, sua caçada
Cada filho sua pernada
Cada rumo sua calçada

Cada contexto, uma situação
Cada pretexto, algo malicioso
Cada lábia tem seu sexo
Cada homem tem o seu complexo

Cada perna tem sua sedução
Cada hormônio, lugar no tesão
Se for de corpo, cada alma conflito
Se for de cristo, pecado tá dito

Cada mulher, uma beleza própria
Cada razão com sua razão própria
Cada casal com sua fidelidade
Cada moral com sua idoneidade

Cada vontade, o mel da sua boca
A cada mel, uma vontade louca
Na poesia mais uma solidão
Em cada noite um gole de ilusão

Pra cada amor, uma dose a mais
Cada fulgor, abandonado ao cais
Mas a verdade é que a realidade volta
E por dinheiro, a luta é sem escolta

Cada playboy tem o seu nice boot
Cada perfil tem o seu facebook
Cada criança tem seu choro de fome
Seja feijão, ou do que não consome

Cada peão tem o seu trabalho
Cada patrão, à casa do caralho
Eu só não sei se cada qual tem vez
Em ser na vida o ser humano do mês

O ser humano do mês
O ser humano do mês
O ser humano do mês

--

Cada Grécia com sua Tróia
Cada favela tem a nossa nóia.

sábado, abril 07, 2012

quinta-feira, abril 05, 2012

Corpomano

Hoje em dia
É bonito dizer que veio de baixo
É bonito
É bonito
É bonito quando o discurso é operário
É bonito
É bonito
É bonito circular pela periferia
É bonito
É bonito
Bancar de mano e falar na gíria
Se liga
Se liga
Que tem gente querendo saltar no bonde da quebrada nossa
Embassa
Amassa
A massa
A
Massa
Inda vai comprar com a grana o lugar da janelinha
Alinha
A linha
Cerol e rabiola
Bola, embola, embolada
Que nada
Que nada
Roubada
Roubam nosso ouro
E escondem na toca
Se toca
Se toca
No túnel da moral que vem do capital
Assoite
A noite
Fumam nosso verbo
Cheiram nosso senso
Astral
Neural
Brutal
Brisam em nossa cara e gozam no nosso quintal.

Eu tinha que falar
Foi mal

Vendem-se ao político da situação
Resolvem com o Diabo como ficar bem na fita,
Porque em seus caminhos faltam atitudes
Em nossa encruzilhada exu abre caminho e manda bem na rima.

Então passa pra lá e vê se toma jeito
Que é feio
É feio
É feio
Mamãe não te ensinou a ter vida própria
Se importa?
Se importa
De assistir de fora e esperar o apito?

Porque aqui só joga bola quem circula nas vielas convicto.