Diga:
Ema
Ema
Ema
"Ema
Ema
Ema"
Qual o nome da clara do ovo?
Ai!
Aaaaiiii!!
Aaaaaaiiiiii!!!
Das mudanças do corpo cabem as circunstâncias da vida. Cresço e, ao que amadureço, me escancaro. Aqui há minha porta aberta, onde parte o prolongamento de meus braços e pernas além do meu ego de ator e força circense. Partem minhas palavras em corpo, em carta, em viva poesia, mesmo se em prosa vier a narrativa. Sei que espiam e não deixam pistas, mas, se puderem, comentem... e deixem um pouco da sua carne poética em minha cerne criativa. Experimentem...
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terça-feira, abril 24, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
Corpo Mudo, mudando quieto.
O tempo muda
Fica quieto o tempo
Não fala nada e age certeiro
Na virada que nos espera quieta
Muda
Mudamos com o tempo
Reescrevo as linhas que escrevemos
E as músicas que cantamos
Soam notas dissonantes
Aos ouvidos de quem chega
Aos ouvidos de quem vai
Os vindos se acostumam até reouvirem torto
E tudo se desarruma
A cama
A trama
A chama
Muda tudo de novo
O momento em que tudo flutua
Bóia num tempo largo em que nada se resolve e tudo vira espera
Passa boi, passa boiada, passa trem
Passa criança, passa trepada, passa alvorada
E volta nóis traveis
Que coisa engraçada essa graça
Que coisa engraçada rir das desgraças
É necessário
Um dia me disseram que ainda ia ver o tempo passar tão rápido que nem ia ver; o tempo passa tarde demais, tarde demais, tarde demais...
Tarde demais
Em frente, nunca pra trás. Se voltar é porque é velho futuro e não saudoso retrocesso
Me despeço assim tranquilo
Fiz o que fiz
Passo o que faço
E continuo fazendo
Tropeço, acerto, gozo, choro
Rio tropeçando, acertando, gozando dou risada
Rio chorando um fluxo d'água
Rio de água salgada
Rio baldio
O tempo sempre me acerta
E me despenca
Retomando meus textos
Cento e poucos
Nesses anos todos
Dois
Ví no que fui certo
Percorri o meu caminho
Construí o meu corpo
O fluxo é interminável
Robusto me arrasta na correnteza sem palavras
Mudo, quieto
Mudo, mudando
Corpo silencioso
Alarma o que quero
E o que não deixo de não querer
Corpo mudo
Corpo mudando
Corpo Lê o que escrevo
Corpo sendo
Mancebo
Corpo quieto aconchega pra sorte
Recorte o meu corpo e junte-se ao pedaço. Verá que de mim o que fica é uma parte. Escolhida a dedo pra compor seu desejo de ter em você algo de diferente. Me leia pra me ter assim recortado, por inteiro não fico nem a mim mesmo. Pro mundo e pra arte talvez completo me recebam. Dssas causas não pessoais e cosmogônicas, filosóficas em sua ontologia. Pras coisas fico íntegro e me dou. Não mais pras juras, pros aconchegos. Pulo virando no ar cambalhotas e disperso meu cheiro. Capte-o e me venha se quiser comigo atrás seguir a maravilha descoberta dessa nova melodia.
Fica quieto o tempo
Não fala nada e age certeiro
Na virada que nos espera quieta
Muda
Mudamos com o tempo
Reescrevo as linhas que escrevemos
E as músicas que cantamos
Soam notas dissonantes
Aos ouvidos de quem chega
Aos ouvidos de quem vai
Os vindos se acostumam até reouvirem torto
E tudo se desarruma
A cama
A trama
A chama
Muda tudo de novo
O momento em que tudo flutua
Bóia num tempo largo em que nada se resolve e tudo vira espera
Passa boi, passa boiada, passa trem
Passa criança, passa trepada, passa alvorada
E volta nóis traveis
Que coisa engraçada essa graça
Que coisa engraçada rir das desgraças
É necessário
Um dia me disseram que ainda ia ver o tempo passar tão rápido que nem ia ver; o tempo passa tarde demais, tarde demais, tarde demais...
Tarde demais
Em frente, nunca pra trás. Se voltar é porque é velho futuro e não saudoso retrocesso
Me despeço assim tranquilo
Fiz o que fiz
Passo o que faço
E continuo fazendo
Tropeço, acerto, gozo, choro
Rio tropeçando, acertando, gozando dou risada
Rio chorando um fluxo d'água
Rio de água salgada
Rio baldio
O tempo sempre me acerta
E me despenca
Retomando meus textos
Cento e poucos
Nesses anos todos
Dois
Ví no que fui certo
Percorri o meu caminho
Construí o meu corpo
O fluxo é interminável
Robusto me arrasta na correnteza sem palavras
Mudo, quieto
Mudo, mudando
Corpo silencioso
Alarma o que quero
E o que não deixo de não querer
Corpo mudo
Corpo mudando
Corpo Lê o que escrevo
Corpo sendo
Mancebo
Corpo quieto aconchega pra sorte
Recorte o meu corpo e junte-se ao pedaço. Verá que de mim o que fica é uma parte. Escolhida a dedo pra compor seu desejo de ter em você algo de diferente. Me leia pra me ter assim recortado, por inteiro não fico nem a mim mesmo. Pro mundo e pra arte talvez completo me recebam. Dssas causas não pessoais e cosmogônicas, filosóficas em sua ontologia. Pras coisas fico íntegro e me dou. Não mais pras juras, pros aconchegos. Pulo virando no ar cambalhotas e disperso meu cheiro. Capte-o e me venha se quiser comigo atrás seguir a maravilha descoberta dessa nova melodia.
domingo, abril 22, 2007
Corpo que me queira
Quero quem me queira
Você me quer?
Rabisco a vida inteira
Também quer?
Corto trepadeira
E saio andando
Vem me amando?
Fico na geladeira
enquanto você esquenta a frigideira
Posso continuar falando?
Salto do prédio
Você cai do trapézio
Alguém ficou paraplégico?
Procuro na agenda um consolo
Quem me consola?
Gasto sola e gasto o choro
Quem me acompanha?
Apanha
Apanha
Ligo e fico sem resposta
Pra onde vai o esporro?
Esporra
Esporra
Chamo pra um amaço
E recebo o abraço
Pra onde vai o ventre?
Fica afastado
Eu falo que o Falo não fala, se manifesta mudo
Mas você sente.
Quero quem me experimente
Quem me dismistifica?
Corpo que me queira me faça contente
Solto, solto
Solteiro
Agora posso ser Ribeiro, Pinheiro, Oliveira, Silva, Pereira, Silveira, Siqueira, Garcia
Podia
Sou do mundo vagabundo
Vaga
Anda
Corre
Socorre
Me
Alguém?
Salada de frutas proibidas
É o que me ocorre
Sacode e me mostre o charme
Entusiasta
Agito o que me comove
Prove?
Tem jabuticaba madura no pé
Livre de dono
Cheia de abandono
Quero quem me queira
Quer me levar pra casa?
Vamos morar em Paranapiacaba?
Quem me consome?
A vida
A maravilha
A sapatilha de bailarina
A simpatia feminina
A inteligência sem apatia
Ou um belo par de peitos
??????
Um belo par de bundas
Quem me quer?
Aceito duas
Precavio o precário
Sou mais inteligente
Só aceito bom papo
E bom cheiro
E bom recheio
E bom amaço
E bom bocado de tempero
Doce e delicado
Quero quem me respeite
Quem pode ser essa maravilha?
Quem me quer?
Quem me quer?
Quem quer?
Rasgar a seda
Gastar a sede
Ceder na rede
Prender na parede
Emendar no chão
E subir na cama
Dizer que me ama
Gemendo me chama
Rasga a seda
Gasta a sede
Cede na rede
Prender na parede
Se jogar no colchão
Rasgar a seda
Beber a sede
Cantar na rede
Desnuda o corpo
Violão no chão
Violar o corpo
Ponto de fusão
E tudo evapora no fogo
Logo, transformação
Rogo
Quero quem me queira
Você me quer?
Pau pra toda obra
Prova pra todo aluno da vida
Recuperação
Pego a professora
Pego a cdf
Pego a redentora
Pego a mequetrefe
Pego a cantora
Pego a dançarina
Pego a pobrinha
Pego a mordomia
Pego a apatia
Pego a solidão
Pego a alegria
Volta a saudade
Pego por brincadeira
Volta seriedade
Pego por pegar
Solto por não suportar
Pego porque agarro
Machuco porque forço
Porque pego sem querer pegar
Me engano
Pego por ter-me sentido querido
Vacilo
Não nego
E tudo vira bossa depois da fossa
Para tanto me preservo e digo a Deus
Adeus
A quem me dispensa
Digo sabe o que perdes
A quem me convença eternidade
Digo não digas o que não sabes
A quem me prometa devoção
Digo não abras mão da sinceridade
A quem me detém companheirismo
Arrisco não dizer nada e pago a primeira lágrima
Derramada por saber que não existe
Avoar
Avoo
Sinto o ar nos meus cabelos
Da minha pele exala o cheiro
Atrai
Com meus olhos aproveito a paisagem
Escolho
Meus ouvidos são todo ouvido
Pra qualquer tipo de barbaridade
Plano nas nuvens acima da humanidade perto dos Deuses perto dos mortos
Desço na terra e ando
Andando sinto o mundo no tato dos pés
Revés moribundo
Com flores pra entregar
Quem as quer? São rosas, orquídeas, tulipas
As minhas preferidas
Não quero mais andar com margaridas
Quem as quer?
Quero quem me queira
Você me quer?
Você me quer?
Você me quer?
Você
Me quer?
Você me quer?
Rabisco a vida inteira
Também quer?
Corto trepadeira
E saio andando
Vem me amando?
Fico na geladeira
enquanto você esquenta a frigideira
Posso continuar falando?
Salto do prédio
Você cai do trapézio
Alguém ficou paraplégico?
Procuro na agenda um consolo
Quem me consola?
Gasto sola e gasto o choro
Quem me acompanha?
Apanha
Apanha
Ligo e fico sem resposta
Pra onde vai o esporro?
Esporra
Esporra
Chamo pra um amaço
E recebo o abraço
Pra onde vai o ventre?
Fica afastado
Eu falo que o Falo não fala, se manifesta mudo
Mas você sente.
Quero quem me experimente
Quem me dismistifica?
Corpo que me queira me faça contente
Solto, solto
Solteiro
Agora posso ser Ribeiro, Pinheiro, Oliveira, Silva, Pereira, Silveira, Siqueira, Garcia
Podia
Sou do mundo vagabundo
Vaga
Anda
Corre
Socorre
Me
Alguém?
Salada de frutas proibidas
É o que me ocorre
Sacode e me mostre o charme
Entusiasta
Agito o que me comove
Prove?
Tem jabuticaba madura no pé
Livre de dono
Cheia de abandono
Quero quem me queira
Quer me levar pra casa?
Vamos morar em Paranapiacaba?
Quem me consome?
A vida
A maravilha
A sapatilha de bailarina
A simpatia feminina
A inteligência sem apatia
Ou um belo par de peitos
??????
Um belo par de bundas
Quem me quer?
Aceito duas
Precavio o precário
Sou mais inteligente
Só aceito bom papo
E bom cheiro
E bom recheio
E bom amaço
E bom bocado de tempero
Doce e delicado
Quero quem me respeite
Quem pode ser essa maravilha?
Quem me quer?
Quem me quer?
Quem quer?
Rasgar a seda
Gastar a sede
Ceder na rede
Prender na parede
Emendar no chão
E subir na cama
Dizer que me ama
Gemendo me chama
Rasga a seda
Gasta a sede
Cede na rede
Prender na parede
Se jogar no colchão
Rasgar a seda
Beber a sede
Cantar na rede
Desnuda o corpo
Violão no chão
Violar o corpo
Ponto de fusão
E tudo evapora no fogo
Logo, transformação
Rogo
Quero quem me queira
Você me quer?
Pau pra toda obra
Prova pra todo aluno da vida
Recuperação
Pego a professora
Pego a cdf
Pego a redentora
Pego a mequetrefe
Pego a cantora
Pego a dançarina
Pego a pobrinha
Pego a mordomia
Pego a apatia
Pego a solidão
Pego a alegria
Volta a saudade
Pego por brincadeira
Volta seriedade
Pego por pegar
Solto por não suportar
Pego porque agarro
Machuco porque forço
Porque pego sem querer pegar
Me engano
Pego por ter-me sentido querido
Vacilo
Não nego
E tudo vira bossa depois da fossa
Para tanto me preservo e digo a Deus
Adeus
A quem me dispensa
Digo sabe o que perdes
A quem me convença eternidade
Digo não digas o que não sabes
A quem me prometa devoção
Digo não abras mão da sinceridade
A quem me detém companheirismo
Arrisco não dizer nada e pago a primeira lágrima
Derramada por saber que não existe
Avoar
Avoo
Sinto o ar nos meus cabelos
Da minha pele exala o cheiro
Atrai
Com meus olhos aproveito a paisagem
Escolho
Meus ouvidos são todo ouvido
Pra qualquer tipo de barbaridade
Plano nas nuvens acima da humanidade perto dos Deuses perto dos mortos
Desço na terra e ando
Andando sinto o mundo no tato dos pés
Revés moribundo
Com flores pra entregar
Quem as quer? São rosas, orquídeas, tulipas
As minhas preferidas
Não quero mais andar com margaridas
Quem as quer?
Quero quem me queira
Você me quer?
Você me quer?
Você me quer?
Você
Me quer?
terça-feira, abril 17, 2007
Corpo Vinte e Poucos
Pelas minhas jovens pernas que caminham pelas estradas cantadas, atuadas, escritas em poesias e em saltos soltos de acrobacia percorrida
Reconheço meu território além do corpo
O espaço que fabrica meus calos de pé e de coração
O campo que acelera o embrutecimento e nos torna mais adultos.
Ana é criança
E tem na vida a ciranda. Se sempre Ana for colorida
Verei no brilho da sua retina a alegria de Aninha
Cheia de graça. Eterna cunhada. Passaremos a passear.
Sofia é criança
Das mais ainda pequeninas
Que nem sabe se dança, se canta, mas alí sempre brinca
Sem querer cria à sua semelhança a vida de esperança.
Sabe de nascença o que é sabedoria.
Maria Júlia é criança
Mesmo sendo Júlia, a frente sempre é Maria. Como todo dia é dia de Maria
Júlia embirra mas logo faz graça e engrossa a maravilha
Simpatia
Sincera, por ser sincera simpatia.
Mariana é criança.
Tem em sí Maria e Ana embutidas
No tamanho esbanja amor e delicadeza de menina moça
Mas mais ainda é uma menina
Chora junto quando choro
Lava junto sua agonia.
Pelas minhas jovens pernas o caminho se faz rápido e curto
Corro
E quase não vejo passar o tempo.
Vagueio
E quase não vejo passar o passado
Amo
E quase não percebo o suave passeio pelas histórias a quem me proponho
Um livro de mil palavras e mil abraços
Rasgando em versos que viram músicas se misturados ao vento
Som sibilante de pássaros e gotas-de-chuva
Mínima música, mínimos os gestos
No cabelo uma luva de aguadas notas musicais que grudam nos emaranhados cachos uniformente tecidos pra prender amor.
Cabelo liso, agarro firme
E perco a força, seguro
Amor de artista pela luta, seguro
E nem te percebo. Ou te percebo se me larga
Te percebo porque me esculacho
Percebo-te em rabiscos fortes
Riacho de sorte ou luta de uma só dor
Pareço o que sou?
Pareço o que pareço e sou o que me vêem
Soou ao vento notas molhadas na chuva musical
Apareceu na janela
Recebeu minha serenata
O que canto não vela
A morte.
Espera
Una ultima suspirata
De morango com chocolates
E muita festa e muita festa
E muita festa, tão pouco choro
Por dias inteiros o sol
varanda e quintal
Nenhum futebol
Una sonata
Só esperava ela. Caminhando ao tempo largo.
Pelas minhas jovens pernas começa a me olhar de baixo pra cima
Vê as coxas, o sexo e a barriga
Vê o peito, os braços, o pescoço e minhas narinas
Não vê meus olhos
Minha janela esconderijo
Onde a criança perdura.
Corpo Lê aprendendo a andar com suas próprias pernas
Onde a criança perdura.
Corpo Anjo aprendendo a voar com suas próprias asas
Onde a criança perdura.
Olha pra mim
Sou o que era?
Espia pela janela
E me faz um arrepio.
Olha pra mim
Meu corpo espirra de frio.
Reconheço meu território além do corpo
O espaço que fabrica meus calos de pé e de coração
O campo que acelera o embrutecimento e nos torna mais adultos.
Ana é criança
E tem na vida a ciranda. Se sempre Ana for colorida
Verei no brilho da sua retina a alegria de Aninha
Cheia de graça. Eterna cunhada. Passaremos a passear.
Sofia é criança
Das mais ainda pequeninas
Que nem sabe se dança, se canta, mas alí sempre brinca
Sem querer cria à sua semelhança a vida de esperança.
Sabe de nascença o que é sabedoria.
Maria Júlia é criança
Mesmo sendo Júlia, a frente sempre é Maria. Como todo dia é dia de Maria
Júlia embirra mas logo faz graça e engrossa a maravilha
Simpatia
Sincera, por ser sincera simpatia.
Mariana é criança.
Tem em sí Maria e Ana embutidas
No tamanho esbanja amor e delicadeza de menina moça
Mas mais ainda é uma menina
Chora junto quando choro
Lava junto sua agonia.
Pelas minhas jovens pernas o caminho se faz rápido e curto
Corro
E quase não vejo passar o tempo.
Vagueio
E quase não vejo passar o passado
Amo
E quase não percebo o suave passeio pelas histórias a quem me proponho
Um livro de mil palavras e mil abraços
Rasgando em versos que viram músicas se misturados ao vento
Som sibilante de pássaros e gotas-de-chuva
Mínima música, mínimos os gestos
No cabelo uma luva de aguadas notas musicais que grudam nos emaranhados cachos uniformente tecidos pra prender amor.
Cabelo liso, agarro firme
E perco a força, seguro
Amor de artista pela luta, seguro
E nem te percebo. Ou te percebo se me larga
Te percebo porque me esculacho
Percebo-te em rabiscos fortes
Riacho de sorte ou luta de uma só dor
Pareço o que sou?
Pareço o que pareço e sou o que me vêem
Soou ao vento notas molhadas na chuva musical
Apareceu na janela
Recebeu minha serenata
O que canto não vela
A morte.
Espera
Una ultima suspirata
De morango com chocolates
E muita festa e muita festa
E muita festa, tão pouco choro
Por dias inteiros o sol
varanda e quintal
Nenhum futebol
Una sonata
Só esperava ela. Caminhando ao tempo largo.
Pelas minhas jovens pernas começa a me olhar de baixo pra cima
Vê as coxas, o sexo e a barriga
Vê o peito, os braços, o pescoço e minhas narinas
Não vê meus olhos
Minha janela esconderijo
Onde a criança perdura.
Corpo Lê aprendendo a andar com suas próprias pernas
Onde a criança perdura.
Corpo Anjo aprendendo a voar com suas próprias asas
Onde a criança perdura.
Olha pra mim
Sou o que era?
Espia pela janela
E me faz um arrepio.
Olha pra mim
Meu corpo espirra de frio.
terça-feira, abril 10, 2007
Rebostagem
Posto novamente um texto adolescente
Branco do branco
Me disseram que um dia ainda ia ver o tempo passar tão rápido que não ia ver. Me disseram que um dia ainda ia prever o futuro de segundos pra acontecer. Um novo mundo logo de tão logo louco submundo mundo de tão mundocão de dia tarde demais tarde demais tarde demais. Tempo tempo tempo do tempo tempero amargo do tempo que passa além do tempo de tempero amargo. Um repente de repentino fim. Fim. Ah meu fim, ó meu fim. Frente trás lado vem dançando a valsa do amor. Um do tre. Hum. Menos que hum... milésimos de hum passando por aí. Me disseram pra um dia ainda eu cuidar de descuidar de cuidar da vida o tempo passa tarde demais tarde demais tarde demais. Um olhar não consegue mais provar qualé nuance, qualé a sentença. As cores passam rápido e tudo vira branco. Qual é a nuance? Qual é a sentença? Tudo fica branco, tudo fica sem. Tudo está mais morto. Me disseram que um dia ainda ia prever o futuro de segundos pra acontecer um dia aconteceu de tudo ficar brando, de tudo ficar branco, de tudo tudo sem nada só tudo ficar só branco do branco.
Branco do branco
Me disseram que um dia ainda ia ver o tempo passar tão rápido que não ia ver. Me disseram que um dia ainda ia prever o futuro de segundos pra acontecer. Um novo mundo logo de tão logo louco submundo mundo de tão mundocão de dia tarde demais tarde demais tarde demais. Tempo tempo tempo do tempo tempero amargo do tempo que passa além do tempo de tempero amargo. Um repente de repentino fim. Fim. Ah meu fim, ó meu fim. Frente trás lado vem dançando a valsa do amor. Um do tre. Hum. Menos que hum... milésimos de hum passando por aí. Me disseram pra um dia ainda eu cuidar de descuidar de cuidar da vida o tempo passa tarde demais tarde demais tarde demais. Um olhar não consegue mais provar qualé nuance, qualé a sentença. As cores passam rápido e tudo vira branco. Qual é a nuance? Qual é a sentença? Tudo fica branco, tudo fica sem. Tudo está mais morto. Me disseram que um dia ainda ia prever o futuro de segundos pra acontecer um dia aconteceu de tudo ficar brando, de tudo ficar branco, de tudo tudo sem nada só tudo ficar só branco do branco.
Corpo Nó
Aquela moça
Encerra
O que não despedaço
A hora é dela e não mais giramos no mesmo relógio.
Meu corpo é posto em vazio de abraço e permeia a busca de um novo campo
Sideral
Vácuo
Saudade fátua
Me leve a mal pra ver se te reconheço
Antes eramos um moço de peitos e uma senhorita de barba
Misturávamos nos nossos anseios de jovens
Nossas visões de identidade
Tudo, como mas, um dia foi.
Ao de ser "nosso" prevaleceu a necessidade do "meu"
Eu, eu, eu, há de ser ego
Cego
Ao corpo un-ido só resta agora em dividendos indivíduos.
Corpo nó, vira laço solto
Sou só
Na feliz cidade encerrada em tristeza catártica.
Encerra
O que não despedaço
A hora é dela e não mais giramos no mesmo relógio.
Meu corpo é posto em vazio de abraço e permeia a busca de um novo campo
Sideral
Vácuo
Saudade fátua
Me leve a mal pra ver se te reconheço
Antes eramos um moço de peitos e uma senhorita de barba
Misturávamos nos nossos anseios de jovens
Nossas visões de identidade
Tudo, como mas, um dia foi.
Ao de ser "nosso" prevaleceu a necessidade do "meu"
Eu, eu, eu, há de ser ego
Cego
Ao corpo un-ido só resta agora em dividendos indivíduos.
Corpo nó, vira laço solto
Sou só
Na feliz cidade encerrada em tristeza catártica.
segunda-feira, abril 02, 2007
Corpo que fica
Sentado em frente ao quadro o homem velho fumava seu charuto e observava num sono acordado aquela janela flutuante. A fumaça cobria a vista de uma névoa cinza fedida, transformando as cores num pastel padrão de cidade, podrão ar de subúrbio de megalópole, megalomaníaca e não tão menos megapsicótica. O homem era um cosmopólita consumidor assíduo do que as galerias vendiam como boa arte. O som era de silêncio de uma vitrola quebrada. Antes tocava algum jazz típico dos holywoodianos cinquentões ou quem sabe um clássico rotulado como clássico dos clássicos. Havia alí o que de bom se dizia nas bocas dos outros. A poltrona era feito um gato inflado com espinhos nas costas, ou um porco-espinho caduco, calvo, de espinhos moles. Nem oito nem oitenta, um meio-termo tedioso, acadêmico, político, sobre muro. Foram horas. O charuto queimava em ponta, dedo, punho, braço e cotovelos, aos minutos que se seguiam o homem se fumava e se fedia a fumaça de sua própria carcaça, duma fumaça que reproduzia e invadia a casa. O quadro permaneceu flutuando em arte abstrata de mínima tinta. Um vazio nem muito amarelo, nem muito vermelho, um alaranjado parecendo suco de laranja aguado ou um ovo de pinto mal chocado. A casa talvez fosse a galinha. Em outros tempos um bom vinho seria tragado como se tragam os fumos. O homem velho era só um velho homem com seus vícios de homem velho. Pensava. Imóvel. Reconhecia no quadro a distancia entre ambos. Trajava um bom terno da época que se vestia o verão à caráter da neve européia, com um chique conjunto de significados sociais em cada dobra , abotoamento, e direção do chapéu. Uma época em que os gestos traziam os sinais da gentileza e finura necessários pra se conquistar uma linda mulher. Aquele quadro era um autêntico mister contemporâneo disforme abstrato, descompromissado com a forma, feio e deselegante. Limpo ao ponto de ser clean, mínimo em suas palavras de linhas e manchas, metricamente menor que o Hai Kai e simbólicamente maior que o oceano. Aquelas gerações de obra e espectador permaneciam sendo fumadas alí naquela sala intoxicada de fumaça humana. O homem velho ia sublimando ao ponto que só existia da cabeça pra cima que, arregaladamente, continuava observando, espremendo a tinta entre as molduras. A tinta derretia e escorria pela parede cinza escura, criando formas no incêndio, além de sombras e fumaça. Ia embora a casa, tomada pelo charuto. O telhado e as paredes iam pra outro plano, em gases iam olhar de cima a cabeça e a tinta, intactas feito bruxaria. A cabeça do homem velho rolou, a tinta escorreu, e se encontraram na linha do assoalho onde ficava a porta. E alí ficaram se namorando, nunca tão supreendentemente próximas.
sábado, março 31, 2007
Corpo orelha de burro cabeça de ET
A burrice é síntese. Sim. Simbiose da ignorância. Burrice não é ignorância? Pareço ter orelhas de burro... parece que sim. Idiotisse é síntese? Por tudo que fazemos, ao todo do ser, e do tempo, podemos, talvez, por assim dizer, em resposta a uma ação, ou a uma não-ação, por distração, ou por desespero de chegar logo, atender ao choro, concertar o erro, saio vivendo e vivo correndo, sem pé no freio do fusca, ofusca a vista e chego sem gasolina, nem pega no tranco, se pega sai em solavanco e morre afinal, posso assim ser chamado de burro? Preciso de tranco? Arranco, dou marcha-ré e apresso. Tudo nessa vida está errado. Essa ordem do acerto é que é. Certo e errado. Burro e inteligente. Certeiro e inconveniente. Sonhador... posso viver assim dos contrários? Viver um e n'outro de repente. Irritar os outros de inocente e brilhar aos olhos n'outr'hora quase sem-querer? Qual a minha intenção nas coisas? Quais as minhas escolhas? Pra que sirvo afinal? Pro circo ou pro teatro? Pra literatura ou pra música? Pra feirante ou pra banqueiro? Pra pai-de-santo ou pra acadêmico? Pra todo mundo ou pra mim mesmo? Essa idéia de lutar pelo coletivo ande me cansando. Já é muito difícil se aguentar sozinho. Queria começar a pensar pequeno porque assim realmente somos. Já viu o tamanho do mundo? Não dá pra voltear com um tanque cheio de gasolina. Dá no máximo até a esquina. Tenho que sacar até onde posso ir. Até onde sou capaz... Avançar um passo por vez e sempre com muito cuidado. Ou se jogar de vez do penhasco e na queda viver tudo de uma só vez. Burrice é fato?
sexta-feira, março 23, 2007
Só digo que sei
Já vi esse papo outras vezes. Já ouvi esse filme outras tantas. É uma impressão do que é, e não é bem no fundo. Do que se fala mas não se mostra do que não fala. Da sombra preferir deixar assim à falta de luz. Dizer meias-verdades e dar meios-suspiros achando que o outro é sempre um meio-entendido, meio-cego, meio-besta, meio-bosta, meio-sabido. Mas é sabido se fazer de meio, no manso dos miúdos captar o captável além do aparente notável. Entrar no inverso, nas meias-palavras, nos meios-versos, nas palavras de costume ditas pela metade, nas ausências do inteiro se percebe a ponta do trágico. O canto do bode chega com a gota, é fruto da falta de espaço causado pela chegada do insuportável. O meio não se sustenta, o ser quer ser completo, sempre. E na explosão da completude rompem-se as estruturas da carcaça e a tragédia se instaura na magnitude do acontecimento. Nada mais pode ser escondido ao bolso para ser acessado ao deleite da necessidade casual, no conforto da escolha da hora, na loucura do desligar de enterruptores dos valores éticos que beiram a liberdade de um lado e a mágoa do outro, o prazer de um lado e a dolorida indiferença para o outro, a vida em um aspecto no momento um e a outra vida no momento dois. O bolso fura, a moeda cai virada com a cara pra cima, te olhando, te dizendo que não há mais jeito de esconder nada porque já se sabe faz tempo: os outros olhos enxergam por inteiro, se fazem de caolho mas são duas retinas que brilham à luz da vida. Os fatores se alinham ao acaso certeiro, confirmam a intuição treinada por uma observação não convencional, longe de ser científica, muito mais melodramática, mas nunca menos inteligente. A verdade deve então ser revelada: a tragédia é a síntese do surto reprimido da verdade explodindo em revelações que não eram vistas, mas sabidas. A gente sempre sabe da tragédia. Vem nos poros arrepiados a imagem que dá sentido a tudo, que traz à tona na memória um passado que não gostaria que fosse futuro e agora é presente contínuo. Uma onda de gerúndios aflitivos, determinados em ser infinito presente. Como um trapézio em balanço, uma lonja que te segura firme e você não cai, somente, cai ao infinito presente segurado à eternidade. E o buraco não tem fim no fundo porque volta pelo céu a queda em rodamundo. Talvez haja assim uma diferença de vontades. Fixo meus pés no chão e o balanço é um vai e vem da batida do pulso, um tum-tum que me tira dos eixos das pernas, coluna, pescoço e me faz girar alí parado, de olhos fechados sem a noção de largura. O mundo é o escuro da gente, brilhando imagens ora aqui, ora acolá. É o suficiente. Miúdo, sozinho, eu. Com a vontade do coletivo, que é mais que o coletivo conglomerado de gente em si. Minha turma é todo mundo e ninguém. Eu, meio-eu, eu e meio quero sim. Acontecendo por aí do meu jeito. Só não quero engano empurrado pela garganta, à força, mudando a percepção do mundo do meu olhar viajante, confuso de idéias, inexpressivo na lógica, rico no caos, inteiro, sobretudo. As meias-coisas já não cabem no meu pé. O que sei é o que sei. O que não sei é só o que não atentei ainda. Pesco a volta e a volta em mim quem dá é a órbita de tudo. Só digo que sei.
terça-feira, março 13, 2007
Ao Fomento
I-
Se fala de periferia
Se cala na casa da tia
A tia avó do teatro
II-
Se voga o verbo correto
Entorta a fibra do belo
Tudo vira hipercrisia
III-
Faz uma lipo na crise
Verá que de volta
O que fala
É a fala do que põe em crise
Se fala de periferia
Se cala na casa da tia
A tia avó do teatro
II-
Se voga o verbo correto
Entorta a fibra do belo
Tudo vira hipercrisia
III-
Faz uma lipo na crise
Verá que de volta
O que fala
É a fala do que põe em crise
quinta-feira, março 08, 2007
Reação Criativa
Nem sei qual a razão exata de escrever pro nada. Será um virtuosismo feito pra vangloriar a minha pele no virtual? O meu corpo na rede não é o meu corpo no mundo. Nem meu corpo no tempo. Nem meu corpo não há. Não há sem a matéria memória de Bergson, do corpo enquanto balaio receptivo de imagens e produtor de ações. Meu corpo é como o dele, como o de todos talvez, um centro de respostas a imagens, um centro de ação e não de representação. Querer colocar a minha ação nesse espaço de imagens é querer transferir para ela o caminho que seria o contrário. O corpo é parte do mundo material e não o mundo material é parte do corpo (lembrando que matéria e energia são indissociáveis, portanto quando falo de matéria existe alí a energia inerente a ela), ao mesmo tempo que as imagens existem nesse mesmo mundo, o fato delas existirem na gente não passa de pura semelhança entre fatores: imagem e corpo existem no mundo independentemente, se um morre o outro continua vivo, se separam e se juntam como matéria, como se juntam os átomos de dois elementos químicos compatíveis um ao outro. O ponto que deve ser visto, então, não está na simples existência de um ou de outro, por conseguinte, mas na intersecção entre eles, no momento do cruzamento entre canais perceptivos do corpo e estímulos externos, as imagens (considerando o pressuposto de Bergson de que imagem é um conjunto de matérias). Nesse momento de faísca entre a matéria externa e a matéria corporal dotada de esponjas de imagens, os sentidos, acontece o que chamo de reação criativa, ou seja, o corpo percebe aquela imagem e a recria de acordo com seus aspectos físicos (formas, cor, volume, temperatura, cheiro) e culturais (o julgamento moral, o despertar de lembranças, o despertar de emoções presentes na memória histórica do ser). Sendo assim há o momento de identificação material da imagem/objeto e de reflexão psicológica. Não separadamente, mas de maneira cruzada, cheio de intersecções e sobrepassos entre ambas reações criativas, que podem ou não corresponder a realidade, mas sempre a põe em dúvida, a partir do conceito de que o que é real já parte dessa percepção duvidosa do mundo, a realidade é sempre um ponto de vista da reação, que já é um ponto de vista intuitivo do homem a respeito do mundo em que vive. Por isso critico a perfeição da ciência e os dogmas da religião, e os dogmas artísticos de vanguarda. Por isso não gosto dos denominamentos acompanhados da palvra "novo". Por isso não gosto das supremacias de grupos propondo estéticas ao mundo condizentes à verdade absoluta. Essa verdade parte do pressuposto da sua reação criativa ao seu própio mundo, cheio de intersecções do tocável calculável e do psicológico subjetivo. Portanto, voltando à questão inicial e negando a afirmação em sequência, não escrevo para o nada, escrevo para o mundo, para o cosmo. O mundo me enche de imagens e eu as troco com o mundo, a partir das minhas reações criativas, produtoras de ação. Transfiro, ou até mesmo transcrevo, essas reações às palavras organizadas em texto, numa dramaturgia verbal ou não verbal, cênica ou literária, ou seja, crio memória fora de mim. Pra quem? Não importa, pra algo que é real, que é o virtual. O virtual também é algo do mundo, também é matéria e energia atravessando entre si. Também é imagem. A produção de conhecimento hoje em dia parece estar em crise de conceito de publico, que fica cada vez mais restrito às especificidades da área, uma vez que cada vez mais artistas estão produzindo para artistas, cientistas para cientistas e religiosos para religiosos em suas quase, ou totalmente, seitas. O conceito de massa, de povo, acaba abarganhando um grande grau de entretenimento vazio, de jornalismo sensaciolnalista vazio, de imagens divinas vazias e generalizadoras do bem e do mal. Enquanto o meu alcance for o do espaço virtual específico, acessado através do endereço eletrônico, esperando que algum corpo transfira sua curiosidade para sinais binários em busca de uma Carta ao Corpo, escrevo ao virtual como possibilidade reduzida, mas útil, de comunicação. O meu intuito de artista é poder que minhas reações criativas causem outras em outros e para isso ela precisa estar jogada ao mundo, transformada em imagem. Já é o começo da mais babaca fórmula de comunicação: existe o emissor, a informação, falta o receptor. Esse texto é matéria, energia e movimento E=mc(ao quadrado), são diretamente proporcionais entre si, são imagem. Porque então estaria inversamente proporcional ao mundo? Pra estar de acordo ao cosmos escrevo pra ninguém, que já um alguém: eu mesmo.
segunda-feira, março 05, 2007
Escrita Sensorial - Exp. II - Pé frio
Experiência de escrita sensorial 2 - tatopode (na sola do pé)
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos táteis provocados por duas bolsas térmicas Termo Gel, de tamanho médio, recém retiradas do congelador, localizadas uma em cada sola do meu pé.
Observação 1: Calço 43. A bolsa não pega o pé todo uniformemente, os dedos ficam pra fora.
Observação 2: Como não existe silêncio absoluto no mundo, os sons predominantes são as vozes, ora altas, ora baixas, oraexaltadas, ora tranquilas, dos vizinhos arrumando o quintal.
Segunda. Semana. do mês, qual mês? Dramaturgia de Saramago. Dramaturgia é a liturgia do drama ou o drama é a reza... ou é ora, ora se é hora nem sempre dá pé no alicerce do tempo. Mas tempo é música e dança é espaço e teatro é palavra. Não é nada disso. Não tem nada haver. Não existe é. E pronto. Surgiu um dia, na casa da tia de São Tomé, na vila de leopoldina, no alto sape da periferia. Importa não, o que importa é o pé. O pé da lógica e não se a lógica dá pé. É o início da cabeça quente. Cachaça também da aquela fervura, mas de quentura mesmo, não de imaginação que sai do dedão do pé e segue em corpo ambulante transeunte errante por aí. Quero falar de início. O céu do chapadão, ou o xampu de ponta-cabeça, ou índio pelado, ou a cobra comprida, ou o cumprimento apertado, ou o acerto de contas, a calculadora, ou a justiça de justiceiro com armas. O início da guerra, da festa, da laia, da praia, da vaia, da saia, da raia, do nadador. Do moço, do fosso, da frestra, do trosso, da lasca, do sono, da bosta, do presidente, do brasil de brasa, do brasil de gente. Da vida, da seresta, da música sertaneja, do luar do sertão, do Dominguinhos, do Domingão, de quem pariu o Faustão. Da ditadura, do globo, da rede, do torto, da letra, da barba, do véu, da cachoeira, da noiva, dos deuses, dos rebeldes, do Deleuze. Da política, da prosa e da poesia e da poesia e da poesia. Da filosofia, da arte de contar mentira, da seca, de Amelie Poulein Du Soleil. Do palhaço, do porta-retrato, dos cachorros, dos aniversários de cachorros, do ridículo, do violão. Queria falar de fim... mas fica pra outro dia. De mim fica assim mesmo de nós. De dois meus pés em fria relaxa e relaxa nessa dramaturgia do sangue que sobe e que desce e que bate no centro e que desce e que sobe e pisca meu olhos, arroxeia meus lábios, me nutre e me dá fome e por fim esquenta a minha pele. Queria falar desse fim só: quente.
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos táteis provocados por duas bolsas térmicas Termo Gel, de tamanho médio, recém retiradas do congelador, localizadas uma em cada sola do meu pé.
Observação 1: Calço 43. A bolsa não pega o pé todo uniformemente, os dedos ficam pra fora.
Observação 2: Como não existe silêncio absoluto no mundo, os sons predominantes são as vozes, ora altas, ora baixas, oraexaltadas, ora tranquilas, dos vizinhos arrumando o quintal.
Segunda. Semana. do mês, qual mês? Dramaturgia de Saramago. Dramaturgia é a liturgia do drama ou o drama é a reza... ou é ora, ora se é hora nem sempre dá pé no alicerce do tempo. Mas tempo é música e dança é espaço e teatro é palavra. Não é nada disso. Não tem nada haver. Não existe é. E pronto. Surgiu um dia, na casa da tia de São Tomé, na vila de leopoldina, no alto sape da periferia. Importa não, o que importa é o pé. O pé da lógica e não se a lógica dá pé. É o início da cabeça quente. Cachaça também da aquela fervura, mas de quentura mesmo, não de imaginação que sai do dedão do pé e segue em corpo ambulante transeunte errante por aí. Quero falar de início. O céu do chapadão, ou o xampu de ponta-cabeça, ou índio pelado, ou a cobra comprida, ou o cumprimento apertado, ou o acerto de contas, a calculadora, ou a justiça de justiceiro com armas. O início da guerra, da festa, da laia, da praia, da vaia, da saia, da raia, do nadador. Do moço, do fosso, da frestra, do trosso, da lasca, do sono, da bosta, do presidente, do brasil de brasa, do brasil de gente. Da vida, da seresta, da música sertaneja, do luar do sertão, do Dominguinhos, do Domingão, de quem pariu o Faustão. Da ditadura, do globo, da rede, do torto, da letra, da barba, do véu, da cachoeira, da noiva, dos deuses, dos rebeldes, do Deleuze. Da política, da prosa e da poesia e da poesia e da poesia. Da filosofia, da arte de contar mentira, da seca, de Amelie Poulein Du Soleil. Do palhaço, do porta-retrato, dos cachorros, dos aniversários de cachorros, do ridículo, do violão. Queria falar de fim... mas fica pra outro dia. De mim fica assim mesmo de nós. De dois meus pés em fria relaxa e relaxa nessa dramaturgia do sangue que sobe e que desce e que bate no centro e que desce e que sobe e pisca meu olhos, arroxeia meus lábios, me nutre e me dá fome e por fim esquenta a minha pele. Queria falar desse fim só: quente.
sexta-feira, março 02, 2007
Pra fora
O ator e o acrobata são da mesma espécie de extraterrenos. O ator voa nas imagens do palco e o acrobata voa com as pernas pra perto da lona, pra longe do picadeiro. Pro ar vão ambos. Pra terra se afastam pra mais nela estar, na platéia. O ator, o acrobata e o ar são as pontes básicas da minha arte coletiva, de músculos firmes e imaginação de criança, um ar leve que iça da lona pra dentro do corpo de quem está no lugar-de-onde-se-vê theatrum. Di circolo... então vai e voa pra fora do planeta.
domingo, fevereiro 18, 2007
Escrita Sensorial - Exp. I
Experiência de escrita sensorial 1 - musical
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos musicais com as composições de Philip Glass
Uma caixa de retalhos de imagens, um progresso de meias metades e quartos inteiros de mínima música. Entrar num espaço sonoro com notas flutuando pelos campos minados de compassos aveludados e um tapete de três-por-quatro afiados em pontas de faca navalhando os músculos da mente. O meu corpo treme e só o que um se pensa. Os músculos da mente são o pensamento da cerne. Essa é a imagem que tenho em meu dedão do pé. olha para o seu lado oposto E aquela caixinha de música girando com a bailarina triste em cima... tempo Quer dançar? tempo Está tão calada. sorri Você é danada, me deixa aqui falando sozinho com minhas partes. tempo. baixa os olhos. sorri Não, não choro não. A vida é muito solitária mas não carece de pingar lágrimas. olha em volta Isso te inspira? Essas coisas em volta, essa foto de praia deserta na parede, esse livro do Deleuze na cabeceira, essa caixinha de música que você não pára de abrir e fechar só pra ver se um dia a menininha cai de tonta. Isso te cansa? Ficar aqui falando das minhas impressões enquanto você nem se mexe. tempo tempo É, não deve mesmo ser muito agradável. muito tempo Vou embora então. levanta, gira pelos cantos. diz Sabe qual a imagem que tenho no meu dedão do pé agora? É de uma bailarina, pode ser Isadora Duncan, girando numa praia, o vento batendo um perfume suave vindo de algum barco no mar. Lá eu te espero com um punhado de flores cheirosas, de cores vivas, sem espinhos, aveludadas como as notas musicais de uma minúscula música. Um minimalismo alí, o barco eu e as rosas. Você a areia e o mar. O Deleuze embala nossas teorias só. Talvez ele seja o mar que nos distancia. espera uma reação Que te faz girar com o vento e me faz ficar aqui ao alento e esperar. tempo Meu barco tá sem remo. Na verdade o barco tá sem mar e você é só um boneco de areia que se desmancha com o movimento do ventoar. não espera mais É engraçado como te vejo: um parado em movimento. sorri com um pingo de lágrima Já pensou em se mudar? pensa "talvez" Eu já, mas não sozinho. Essa vida mesmo com gente é muito solitária. Sem gente ela fica sem opção de solitude. A velha regra dos contrários. Um precisa do outro pra existir enquanto tal. Qualquer criança sabe disso, não preciso te convencer... percebe e não quer falar como o Deleuze eu aqui falando pra alimentar sua companhia e preencher a minha solidão... e você querendo ficar sozinha... entendi. A tagarelice toda... a praia, o mar, a música e o silêncio. chora com uma pontinha de sorriso A imagem que tenho agora em meu dedão do pé é a de amor constando com raiva, que eu mesmo precisava. tempo entre-dentes. choro pouco assumido Desses contrários Deleuze não disse não é mesmo? Da memória constando com aminésia, e a da vivice constando com a mortandade. volta pro começo. sempre acontece Uma caixa de retalhos de imagens é o que tenho em cada poro. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou grito esse tempo todo pra mim mesmo? olha embaçado Porque você não me responde? E essa música alta? E esse livro do Deleuze? Porque você não abre e procura alguma coisa relacionada a vida que levamos? Larga o travesseiro! Larga de se remexer pro umbigo. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou tudo isso eu falo pra mim mesmo? Você está aí? Quem está aqui? Bate no peito A moça... a moça... a sala com notas aveludadas voando e voando em compassos. Isso é música, esse espaço sonoro... isso é. Uma janela de sonhos balançando numa cortina leve. Logo eles se soltam! Me ajude a segurar! Sai daí! Pára de se remexer pro umbigo! desarruma uma cama vazia, só lençõis Cadê você? Cadê? Estava aqui agora mesmo... estava! estava! chora assumido. pega o livro do Deleuze e joga pela janela como um sonho que voa em páginas abertas lançando suas palavras para alguém perto ou longe pegar. deixa escapar da sala as notas musicais aveludadas transformando aquele espaço sonoro num súbito silêncio. enche as nunvens de compassos que pesam em chuva derramando as notas líquidas preenchendo os rios, os vales, as vias, os mares o solo e os cabelos molhados de mínima música. encostado num canto olha firme o seu dedão do pé e vê que ali, agora, estava apagado.
Escrito enquanto meu corpo reage aos estímulos musicais com as composições de Philip Glass
Uma caixa de retalhos de imagens, um progresso de meias metades e quartos inteiros de mínima música. Entrar num espaço sonoro com notas flutuando pelos campos minados de compassos aveludados e um tapete de três-por-quatro afiados em pontas de faca navalhando os músculos da mente. O meu corpo treme e só o que um se pensa. Os músculos da mente são o pensamento da cerne. Essa é a imagem que tenho em meu dedão do pé. olha para o seu lado oposto E aquela caixinha de música girando com a bailarina triste em cima... tempo Quer dançar? tempo Está tão calada. sorri Você é danada, me deixa aqui falando sozinho com minhas partes. tempo. baixa os olhos. sorri Não, não choro não. A vida é muito solitária mas não carece de pingar lágrimas. olha em volta Isso te inspira? Essas coisas em volta, essa foto de praia deserta na parede, esse livro do Deleuze na cabeceira, essa caixinha de música que você não pára de abrir e fechar só pra ver se um dia a menininha cai de tonta. Isso te cansa? Ficar aqui falando das minhas impressões enquanto você nem se mexe. tempo tempo É, não deve mesmo ser muito agradável. muito tempo Vou embora então. levanta, gira pelos cantos. diz Sabe qual a imagem que tenho no meu dedão do pé agora? É de uma bailarina, pode ser Isadora Duncan, girando numa praia, o vento batendo um perfume suave vindo de algum barco no mar. Lá eu te espero com um punhado de flores cheirosas, de cores vivas, sem espinhos, aveludadas como as notas musicais de uma minúscula música. Um minimalismo alí, o barco eu e as rosas. Você a areia e o mar. O Deleuze embala nossas teorias só. Talvez ele seja o mar que nos distancia. espera uma reação Que te faz girar com o vento e me faz ficar aqui ao alento e esperar. tempo Meu barco tá sem remo. Na verdade o barco tá sem mar e você é só um boneco de areia que se desmancha com o movimento do ventoar. não espera mais É engraçado como te vejo: um parado em movimento. sorri com um pingo de lágrima Já pensou em se mudar? pensa "talvez" Eu já, mas não sozinho. Essa vida mesmo com gente é muito solitária. Sem gente ela fica sem opção de solitude. A velha regra dos contrários. Um precisa do outro pra existir enquanto tal. Qualquer criança sabe disso, não preciso te convencer... percebe e não quer falar como o Deleuze eu aqui falando pra alimentar sua companhia e preencher a minha solidão... e você querendo ficar sozinha... entendi. A tagarelice toda... a praia, o mar, a música e o silêncio. chora com uma pontinha de sorriso A imagem que tenho agora em meu dedão do pé é a de amor constando com raiva, que eu mesmo precisava. tempo entre-dentes. choro pouco assumido Desses contrários Deleuze não disse não é mesmo? Da memória constando com aminésia, e a da vivice constando com a mortandade. volta pro começo. sempre acontece Uma caixa de retalhos de imagens é o que tenho em cada poro. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou grito esse tempo todo pra mim mesmo? olha embaçado Porque você não me responde? E essa música alta? E esse livro do Deleuze? Porque você não abre e procura alguma coisa relacionada a vida que levamos? Larga o travesseiro! Larga de se remexer pro umbigo. Você me escuta? Você me escuta? Você me escuta ou tudo isso eu falo pra mim mesmo? Você está aí? Quem está aqui? Bate no peito A moça... a moça... a sala com notas aveludadas voando e voando em compassos. Isso é música, esse espaço sonoro... isso é. Uma janela de sonhos balançando numa cortina leve. Logo eles se soltam! Me ajude a segurar! Sai daí! Pára de se remexer pro umbigo! desarruma uma cama vazia, só lençõis Cadê você? Cadê? Estava aqui agora mesmo... estava! estava! chora assumido. pega o livro do Deleuze e joga pela janela como um sonho que voa em páginas abertas lançando suas palavras para alguém perto ou longe pegar. deixa escapar da sala as notas musicais aveludadas transformando aquele espaço sonoro num súbito silêncio. enche as nunvens de compassos que pesam em chuva derramando as notas líquidas preenchendo os rios, os vales, as vias, os mares o solo e os cabelos molhados de mínima música. encostado num canto olha firme o seu dedão do pé e vê que ali, agora, estava apagado.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Era
Liso, os Sonossonoros, de cair de ponto em faca de cima da pedra. Susto! Os Sonossauros, os Dinoroncos das ondas sonoras adormecidas. Que fiaca que fica e fica e fica. Os Pterosonhos enchergam o longe e voam por dentro. E sou só passados dos que vêm por em frente. E tudo é só o caminho das coisas. Tudo é só e só é o caminho. Parada: cabana feita de troncos e palha no meio da trilha deserta na encosta do país tropicália, rebelália, pretelália, petelálias vermelhas e muitas frutas azedas e doces e amarrantes de beijos de moça. Parada pra sempre: o mesmo mais o beijo amarrado de moça sem soltar, cem vezes mangaba verde nos lábios. Muito nexo esvazia o turbilhão do caos. Cacos, cosca, se miúdas, cosquinhas, que me fazem rir. Assim, assim, quero assim aos poucos. Cacos me preenchendo às gotas. Parada: a trilha continua e o vento rebate pro sul. Parada pra sempre: o mesmo mais o vento volta mais tarde pra oeste trazendo o cheiro da moça. Se enrosca, bate em sempre um louvado suspiro de amém. Sonossonoros são aqueles que nos enchem de imagens e de minúscula música. Minimalismo nos sonhos animalismo nas rebarbas de textos. Caminho: de pedras. Recaminho: na boléia do caminhão. O circo lá longe está fora de mim. E rivalidade acaba com aproximação, acaba? Um bocejo alto e um "ao longe vês o horizonte?" me perguntou aquele amigo próximo. Vejo ele só... e a estrada. As coisas são outras de outras passagens históricas, momentos de outros tempos felizes. Primeiros primários e depois segundos secundários, mas que já viram terciários e quaternários em ordem de importância, porque o que vale a mesma pena é a pena das coisas levianas e o grau de amplitude das viscerais passagens de tempo, marcadas em passos do passo, longe do ponteiro. A cada entrepernas um segundo, ou vários, ou muitos infinitos na duração do passo. O resto é só o passado de um passo pra trás e o futuro do passo adiante. Repasso: o resto é só o passado de um passo pra trás e o futuro do passo adiante. Reprocesso: O vento volta do oeste trazendo a moça em nú branco e tudo é só um passado fantasma. Vibrações de Roncossauros no Parque das Velhas-Árvores, de longas raízes e alguns becos d'água d'onde se bebe a sede. Alguma vida, sim, alguma há intocável. Caminho: entre-vales. Recaminho: correndo-montanhas. Recaminho de volta: boleia de caminhão-de-circo, meio-caminhão-de-mudança. O Mané ascenou um tchau-oi ao longe de meus olhos... ao longe vejo o horizonte? O horizonte é infinito, não se vê ele, só a cor de sua linha, um assim efeito azulóptico. De longe, muito longe, tudo fica azul. De perto, muito perto tudo fica breu e não se vê a luz. Nem longe nem perto eu quero ver. Fiquem-me sempre a meia-distância. Assim, isso, assim há de haver ... uma boa fotografia. O sol na nunca arde as orelhas e esquenta o pulmão. O sol no sempre arde no ventre e esquenta o umbigo. Centro do mundo, centro do nosso, centro re-centro em si mesmo, se enfiando, ao avesso do avesso, se revoltando ao infinito ao íntimo. Sempre, prende-se em ti mesmo e não verás o fundo, só o rebulisso. O horizonte agora mais perto. O Pterosonho vem voando de um passado jurássico e a vida é só o passado do que vem adiante. E o adiante é só o passado do que vem depois. E o depois é só o futuro que vai ser passado do que vem lá pelo ano final. E o final é o único que não tem passado. Encerra alí, alí é o ponto do presente eterno. As coisas param de ir pra frente e começam a ir pra cima. O movimento vertical do fim se encerra. E sem parágrafo encerro o fim. Parada? caminhão quebrado: lona furada. O tempo não passa e tudo é só o presente dele mesmo, se esticando pro céu e o horizonte fica nas estrelas e depois delas ainda mais estrelas e o universo inteiro pra gente: um feixo de luz do cometa, um sonho sem tempo é o sonho do tempo sem mim e eu sem o tempo.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Acalanto para Jorge
De longe, longe. Por certo, perto. Caminha reto, de esperto torto, se dá correto. Por essas destas plenitudes, Deus assim se faz armado. Com armadura de Jorge, espada calibre 38. Sem mais Cosme, Damião ou aqueles infantis erêzinhos de Exú. Só o Dragão? Que veste algo à carater de merecer respeito. Algo adulto, sempre sério. Esticadinho, engomado liso. No lugar certo, na vida certa, sem dar passo ao lado e sair da risca. Porque Deus escreve certo por linhas trópicas. No calor do calor, quente no ventre da Virgem - lua nova, no escuro do céu? Lua cheia de quem pariu as regras... necessárias e exageradas. Jorge excomungado por ter matado o Dragão. Jorge excomungado por abrir caminhos em face de Ogum. Jorge são, não é doente. Vive no mundo da lua, olhando aqui pra gente. Salve Jorge da Capadócia, doce homem de espadas. O dragão é maior hojem dia. Comeu, cresceu, cobre o céu, sufoca a humanidade. Dorme ocê agora, num acalanto tranquilo:
Dorme, dorme Jorge
Que o Dragão doura as faces da Terra
Em guerra, descansas tu
Merece
Deixe os homens
Em ímpar assonância
Deflorarem os seios da mãe
Virem ruir seus reinos de fé.
Ficas aí no mundo da Lua
Assista do alto
O banquete
Não chores, fizeste o que fez, ó Ogun
Toque os tambores em trovões cá chegar
Há de um dia tudo criar festa.
Deixe na mão de Deus e dos homens. Eles arrumaram essa increnca.
Dorme, dorme Jorge
Que o Dragão doura as faces da Terra
Em guerra, descansas tu
Merece
Deixe os homens
Em ímpar assonância
Deflorarem os seios da mãe
Virem ruir seus reinos de fé.
Ficas aí no mundo da Lua
Assista do alto
O banquete
Não chores, fizeste o que fez, ó Ogun
Toque os tambores em trovões cá chegar
Há de um dia tudo criar festa.
Deixe na mão de Deus e dos homens. Eles arrumaram essa increnca.
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