Das mudanças do corpo cabem as circunstâncias da vida. Cresço e, ao que amadureço, me escancaro. Aqui há minha porta aberta, onde parte o prolongamento de meus braços e pernas além do meu ego de ator e força circense. Partem minhas palavras em corpo, em carta, em viva poesia, mesmo se em prosa vier a narrativa. Sei que espiam e não deixam pistas, mas, se puderem, comentem... e deixem um pouco da sua carne poética em minha cerne criativa. Experimentem...
Pesquisar este blog
quinta-feira, agosto 01, 2013
Corpo Mix
quarta-feira, junho 26, 2013
Corpo Perdido
quinta-feira, junho 20, 2013
Corpo Gigante
quinta-feira, junho 13, 2013
A Falência
quarta-feira, maio 01, 2013
Corpo Previsível
Se percebo o que percebo
Se percevejo é percevejo
Ou se o invisível é o que prevejo
Resolvo não me perguntar
Tão pouco visualizar
Deixo o visível como está:
Na rota do possível
E persevero o invisível como um leite derramado que ainda nem esteve no copo.
quinta-feira, janeiro 10, 2013
Me defino como que nada me define
redbiancoenero.wordpress.com/2010/01/25/porrajmos-lo-sterminio-dimenticato-dei-rom-2010/
quinta-feira, outubro 25, 2012
Corpo Melado
Pernas abertas virilhas ciumentas
Úmido cheiro toque abraço beijo
Entre pernas abertas toque
Cheiro laço úmido virilha aberta costas lisas beijo
Ciumento abraço toque pernas abertas virilhas abertas abraços abertos apertos laços abertos mais perto penetro
Corpo fechado
Cheiro de mel.
quarta-feira, outubro 24, 2012
Corpo Bem Zen Mal
Não me peça espetáculo quando estou todo ensaio
Não me peça preparo quando estou todo acontecimento
Não me peça ordem quando estou todo confusão
Não me peça caminho quando estou bifurcação.
Meu zen
Me peça barulho se estou na nua carne do ser
Me peça enxoval se perceber um algo mais
Me peça uma reza para sua missa dominical
Me peça pecado quando estiver baixo astral
Meu mal
Me perca no umbigo e me ache
Me ache nas veias e se mostre
Se mostre centelha e me encharque
Me encharque de sangue, xeque-mate
quarta-feira, outubro 10, 2012
Corpo Vingança
A questão é... no nível pessoal: uma pessoa, que poderia ser policial ou bandido, matou meu pai, uma pessoa também, para roubar o carro da empresa em que trabalhava - pessoa jurídica do corporativismo multinacional, criada para lucrar com a exploração do trabalhador e dos recursos naturais controlados pelo Estado. A instituição polícia não fez nada, arquivou o processo e o caso é uma incógnita. A instituição empresa multinacional perdeu o bem carro e o bem funcionário, que alugava mediante salário razoável, e ajudou a familía nesse momento difícil com o enterro. O vizinho que viu tudo também não fez nada, cidadão de direitos e deveres, preferiu calar por medo ou comodidade mesmo.
Eu, ser-humano que sou, que ouvi tudo acontecer e vi cruamente de perto o desfecho, com sede incontrolável de vingança, colocaria a polícia, o bandido, o vizinho e o patrão multinacionalista de mãos dadas. Me armaria de armamento pesado até os dentes. Engatilhava a sanfona e dispararia acordes maiores, menores e dissonantes no peito de todos. Puxaria um Si menor na sanfona e convidaria a todos para dançar uma ciranda, dança de roda para as crianças que, como pessoas, todos um dia foram... O militar, o civil, o Estado e a indústria.
A isso daria o nome de Roleta Brazuca ou O Dia em Que eu Fiquei Zica... Depois colocaria as fotos no facebook pra vcs curtirem de seu confortável sofá ou cadeira de escritório.
terça-feira, outubro 09, 2012
quinta-feira, outubro 04, 2012
quarta-feira, outubro 03, 2012
Corpo Esquema
De poesia e de prosa
E só querer ter carrão
Tipo uma Kombi pra levar a galera
O esquema é ter costas largas...
De tanto tocar sanfona e voar no trapézio
Ser influente
Influenciar pro bem a molecada
O esquema é só ter esquema com magrela...
Dar carona na garupa da bicicleta
E correr tocando campainha dos outros
Pra dizer que no bairro vai ter teatro de graça
O esquema é tentar a sorte no jogo...
De fim de semana, no futebolzinho que a gente tanto ama
E não faltar com amor na cama
Na mesa e no olhar mesmo pra quem desanda, se arma e desama
O esquema é ferrar com tudo...
Ferrar com tudo que põe ferradura em sonho
E partir pra guerra
A guerra contra os valores que encabrestam todos
Ora, então ponho
Ponho mesmo
Ponho meu verbo no mundo.
Deponho meu esquema vadio,
Ofereço meu corpo.
Ponho
Ponho emoção no pensamento e penso que desisto de criar caso só pra ver se crio outro
Outro
Outro
Os outros
Outras possibilidades do impossível. Talvez a periferia não seja invisível
Então o esquema é ir pra cima...
Fazer amor
Por cima e por baixo
Ir pra praça e pra rima
Depois que começa...
Nunca termina
quinta-feira, agosto 30, 2012
Pseudo-sociedade
Acomodada com seus pseudo-empregos
Acomodada com seus pseudo-casamentos felizes
Acomodada com sua pseudo saúde
Acomodada pela sua pseudo-cidade.
Acomodada.
Porra de sociedade frígida do caralho
Frigida com seu pseudo-status
Frigida com seu pseudo-delírio
Frigida com sua pseudo-utopia
Frigida pela sua pseudo-fé.
Frígida.
Porra de sociedade carente do caralho
Carente de atenção de seu pseudo-patrão
Carente de alegria de seu pseudo-time-de-futebol
Carente de emoção de sua pseudo dramaturgia televisiva.
Carente.
Porra de sociedade careta do caralho
Careta com sua pseudo-consciência drogada
Careta pelo seu nerdismo de pseudo-avanço-tecnológico
Careta pelas suas pseudo-filosofias de autoajuda
Careta por suas reais mascaras sociais.
Careta.
Porra de sociedade vazia do caralho
Vazia pela sua pseudo-religião
Vazia pela sua pseudo-educação
Vazia pela real falta de poesia
Vazia pelos pseudo-corpos que andam por aí robotizados.
Vazia.
Porra de sociedade autoritária do caralho
Autoritária pelo pseudo-carinho familiar
Autoritária com sua pseudo-verdade das frases prontas
Autoritária pelo pseudo-senso-coletivo da democracia representativa
Autoritária pela pseudo-ignorância, disfarçada de pseudo-humildade
Autoritária pela falta de real noção altruísta.
Autoritária.
Porra de sociedade insensível do caralho
Insensível com suas pseudo-músicas de sucesso
Insensível com seus pseudo-orgasmos e suas pseudo-mentiras disfarçadas de pseudo-verdades
Insensível por sua pseudo-fidelidade
Insensível pela real ganância inescrupulosa provocadora de pseudos e insaciáveis buracos negros.
Insensível.
Porra de sociedade covarde do caralho
E seus preconceitos.
Porra de sociedade.
Porra de sociedade egoísta do caralho.
Egoísta por seu pseudo-voto
Egoísta com sua pseudo-propriedade
Egoísta com seu pseudo-conhecimento-pós-doutorado
Egoísta com sua constante retórica
Egoísta com seu pseudo-ouvido
De si para o outro, oferecer somente pseudos-sentidos.
Egoísta.
Sociedade de pseudo-gramática
Sociedade que me pariu,
Puta que pariu,
Paremos, descemos do mundo e que, portanto, pariremo-nos de volta.
Embora sociedade histérica, não somos ainda, no limite da corda bamba, uma sociedade estéril.
?
Porra de sociedade estéril do caralho
Porra de pseudo-sociedade...
sexta-feira, julho 27, 2012
O Corpo da Curva
O que é uma curva?
O caminho mais longo entre dois pontos; ou seria a mais curta poesia do destino?
A curva é bela. Sinuoso instante, lascivo declive curva de serra
Encerra a história ou reinicia a breve passagem dos seres na terra?
Porque nem a linha do trem é reta
Nem a seta, nem a meta, nem o papo, nem o som
Tem curva na onda
É curva a vibração
O que não pode é seguir direto nela, sem escorregar por seus envolvimentos tortos
A lança reta desvela a fúria dos rodeios
E a íris confunde-se com as cores dos arcos.
Um volteio manso pode ser desvio mortal.
Não há o que esperar da curva
De bala reta, resvala, se for a curva animal.
terça-feira, julho 03, 2012
Rapidinha com Marília Gabi Gabriela da minha imaginação
Talvez as vozes...
Quem te criou?
Talvez as vozes...
Quem te matou?
Talvez as vozes...
As vozes de quem?
Talvez as de Deus...
As vozes de amém?
Talvez as do Estado...
As vozes da lei?
Talvez as da sociedade...
Quem dormiu com você?
Talvez as ditas preocupações para com a moral, o trabalho e a boa vizinhança.
O que se passa na sua cabeça?
O gozo
E na minha Clareza as idéias.
O que se passa?
Vidraça
O que se reza?
A ladainha e o berro do gado
O que se preza?
As vidas possíveis...
O que acomoda?
Nada. O peixe nada por não estar acomodado.
O que embola?
Baque virado.
Salta?
Açúcar!
Canta?
Arranco
Representa?
Crio.
Tormenta?
No cio!
Rebate?
Quem te pariu?
Talvez as vozes...
Eu que pergunto agora...
O que te desenvolve?
quarta-feira, junho 13, 2012
Corpo Na Moral
Não é que agiste mesmo
Na moral...
Igual, se essa quebrada se concerta
Deixa de ser errada e segue a seta.
Correto?
Mas e aí,
Quem diz qual o rumo que temos que seguir por certo?
Certo pra quem, seta de quem,
Hein?
Então,
Não é que agiste mesmo
Na moral e nem se deu conta...
Porque sou eu que presto contas
Eu, você, você e você.
terça-feira, maio 29, 2012
Coração é do corpo
Coração
Coração não é símbolo de amor
O coração não é símbolo
Coração é órgão, é pulso
É carne.
Coração rompido
Coração rompido não é símbolo de desamor
O coração não é símbolo
É infarto, disritmia,
Tecido adiposo, traído pelas gorduras do prazer, moral e anemia.
Arranco meu coração rock and roll
Entrego pro mundo dançar
E pisoteiam
Pisoteiam
Arranco meu coração Roberto Carlos
Entrego para o mundo amar
E chicoteiam
Chicoteiam
Lúpus silencioso
Parada cardíaca em câmera lenta
Gosto de sangue na boca
Gosma grossa correndo na veia.
Sangue de barata, raiva que não passa
E todo o resto
Todo o resto
É lama sutra, cama surda, decoro e modos.
Coração
Coração
Coração não é símbolo de amor
Coração não é símbolo
É corpo vil
Vital mecânica, funcional, objetivo mecanismo.
Coração
Coração partido não é símbolo de desamor
Coração partido não é símbolo
Partido é aquilo que foi embora.
Embora o que parta seja sinônimo de rompido.
Arranco meu coração bossa nova
Playboy carioca
E canto as belezas de Ipanema
Mas só da gangrena
Só da gangrena
Arranco meu coração em versos repentes
Solo meu sol nordestino
E o tiro é repentino
É repentino
Coração
Coração
Coração não é símbolo de amor
Coração não é símbolo.
É fio. O mundo hoje está por um triz
E no coração de todos as marcas da cicatriz.
segunda-feira, maio 14, 2012
Corpo para cima
quarta-feira, maio 09, 2012
Corpo Frase
Tempo toca mesmo tudo ao
Mesmo tempo ao tudo toca
Tudo toco mesmo ao tempo
Mesmo tudo toca ao tempo
Todo tempo toca ao mesmo
Toque de todo tempo do mundo.
domingo, abril 29, 2012
Sinceros Votos
Meus sinceros votos de alegria
Às tristezas presentes na vida
São dados com a ira da ironia
Solta aos ventos da Cidade Prometida
Ao caos impera o "no time"
Solidão impera no tempo
O discurso de uma só voz
Cadê os meus companheiros?!
Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso
A emoção me rasga o peito
O sangue que jorra vermelho
Em vão cantei por perdão:
Condenado por perversão, seu cuzão
As cinzas, o caos
Os incêndios, normal
O olho que vê e não enxerga
Aceita as fatalidades
Por Deus eu imploro
Tio Sam, permissão
Pra rezar pelas almas penadas
Das crianças já condenadas
A dor da ilusão,
O futuro da nação
Aspirar o vazio, o nada
Rebelar-se de mãos atadas
Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso
Olho pra você
Zumbi da TV
No zap! A obsessão
Controle remoto da sua razão
Caminhe, faça, morra, coma,
Transe, cague e ande
Não, não vou chorar
Hipocrisia de pensamento
Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso
Piso na Cidade Prometida
Megalópole terceiro mundista,
O blues, a lamentação,
O caos, a população
"Superiores" estou aqui,
Não, não quero partir
A minha voz solitária
Vai cortar-vos feito navalha
Eu grito e a morte espero
Voltar-me a quem não espero
Com uma só voz, manifesto
Andar por aí, tão disperso
Leandro Hoehne - 2002
terça-feira, abril 24, 2012
Eu não to ficando louco
-Podemos ser mais, logo,
Na maré que não é nossa,
Nosso barco só pode navegar fora.
O leme quer a contramão
Irmão
-Porque a minha infância foi no morro do CDM e minha juventude o não chorar de um pai morto
-Teme?
Treme... treme memo porque cada ruína é a sua própria história
-E a amizade não consegue saber o que quer porque é refém da própria introjeção da condição que quiseram pra ela.
-Os outros quiseram e querem sempre por você entende?
-Supera isso aí fiii
A gente não pode ter medo do dinheiro, ele é que tem que respeitar a gente.
-Podes crê amizade, podes crê.
-A roda não vai parar,
O bonde tá no trilho
E nossa sintonia se perdendo no ar.
Cê não vê que pode ser diferente?
Chega uma hora que a gente já aceita a miséria como nossa
A violência como nossa
A falta de dignidade como nossa
E a de liberdade também.
Ficar berrando aí, parado, berrando calado na tua vibe própria?
Ficar na fossa?
-Mina, a vida é nossa. Não interessa que você me traiu.
Amizade, a vida é bossa de ritmo falado. Não interessa que você me feriu.
Patrão, a vida é minha e temos o nosso trato. Não interessa o filé mignon no seu prato.
-Não?
-Meu rumo não ta feito. Nenhum bandeirante abriu minha trilha e se precisar subir, não vou de elevador.
-Cada cagada tem seu cheiro,
Cada apreço o seu preço,
Cada destino sua margem de erro
E cada erro tem seu troco.
-Aguarde. Eu não to ficando louco.
sexta-feira, abril 20, 2012
sexta-feira, abril 13, 2012
iPhone de Pandora - o poema
iPhone de Pandora
Pandora's mobile apps
Notes, remotes, facebook, iCloud
What's up
in New York?
E na Vila Nova Iorque
Tudo na mesma.
Everything is possible
on Pandora's iPhone...
Guarda infinitas surpresas.
Surprise!
E lá se vai
Também
The connection between our eyes?
Tantas besteiras poderiam ser evitadas
Enviadas
Via os bluetooths de nossa confiança, não é mesmo?
Mas os segredos, guardados na caixinha eletrônica, são como heras venenosas no prato que comeu.
Hoje é dia de selva bebê
E na selva eu te amo
E te respeito
Sou leão de juba raspada,
Nesse coliseum sou guerreiro.
E da caixinha de pandora tecnológica
Não tenho medo
Não tenho medo
iPhone de Pandora
Modern eletronic simulacrum of greek mythology.
iPhoda.
quarta-feira, abril 11, 2012
terça-feira, abril 10, 2012
Cada qual, cada um
Cada qual com sua reza
Cada um com sua pressa
Cada voz, seu palavrão
Cada limbo com sua escuridão
Cada mano com sua mina
Cada dor com sua penicilina
Cada amor com seu varal
Cada morada com o seu quintal
Cada mês com seu salário... Talvez
Cada escolha com sua altivez
Cada parcela, suas Casas Bahia
Cada baiana com sua mátria minha
Cada pai com sua morte
E cada arma com seu porte
Cada vida com seu norte
Cada tropeço com o seu capote
Cada rua, sua encruzilhada
Cada Oxossi, sua caçada
Cada filho sua pernada
Cada rumo sua calçada
Cada contexto, uma situação
Cada pretexto, algo malicioso
Cada lábia tem seu sexo
Cada homem tem o seu complexo
Cada perna tem sua sedução
Cada hormônio, lugar no tesão
Se for de corpo, cada alma conflito
Se for de cristo, pecado tá dito
Cada mulher, uma beleza própria
Cada razão com sua razão própria
Cada casal com sua fidelidade
Cada moral com sua idoneidade
Cada vontade, o mel da sua boca
A cada mel, uma vontade louca
Na poesia mais uma solidão
Em cada noite um gole de ilusão
Pra cada amor, uma dose a mais
Cada fulgor, abandonado ao cais
Mas a verdade é que a realidade volta
E por dinheiro, a luta é sem escolta
Cada playboy tem o seu nice boot
Cada perfil tem o seu facebook
Cada criança tem seu choro de fome
Seja feijão, ou do que não consome
Cada peão tem o seu trabalho
Cada patrão, à casa do caralho
Eu só não sei se cada qual tem vez
Em ser na vida o ser humano do mês
O ser humano do mês
O ser humano do mês
O ser humano do mês
--
Cada Grécia com sua Tróia
Cada favela tem a nossa nóia.
quinta-feira, abril 05, 2012
Corpomano
É bonito dizer que veio de baixo
É bonito
É bonito
É bonito quando o discurso é operário
É bonito
É bonito
É bonito circular pela periferia
É bonito
É bonito
Bancar de mano e falar na gíria
Se liga
Se liga
Que tem gente querendo saltar no bonde da quebrada nossa
Embassa
Amassa
A massa
A
Massa
Inda vai comprar com a grana o lugar da janelinha
Alinha
A linha
Cerol e rabiola
Bola, embola, embolada
Que nada
Que nada
Roubada
Roubam nosso ouro
E escondem na toca
Se toca
Se toca
No túnel da moral que vem do capital
Assoite
A noite
Fumam nosso verbo
Cheiram nosso senso
Astral
Neural
Brutal
Brisam em nossa cara e gozam no nosso quintal.
Eu tinha que falar
Foi mal
Vendem-se ao político da situação
Resolvem com o Diabo como ficar bem na fita,
Porque em seus caminhos faltam atitudes
Em nossa encruzilhada exu abre caminho e manda bem na rima.
Então passa pra lá e vê se toma jeito
Que é feio
É feio
É feio
Mamãe não te ensinou a ter vida própria
Se importa?
Se importa
De assistir de fora e esperar o apito?
Porque aqui só joga bola quem circula nas vielas convicto.
terça-feira, abril 03, 2012
Corpo Também
Gosto do também
Abre mais que uma possibilidade
Revela a verdade de que nada pertence exclusivamente a nada
De que ninguém é de ninguém e de que qualquer coisa pode ser daquilo que se tem ou não se tem
Também
Há o que há e o que não há
Tambéns ancestrais, astrológicos, astronômicos, míticos, científicos, analíticos, estatísticos, políticos, módicos, lógicos, agnósticos.
O também desmistifica a ciência,
Serve às poesias do mistério
Reage às estratificações do sentido
Perverte a simbologia, inverte o exclusivismo.
Também, não poderia ser diferente, num universo tão cheio de possibilidades
Qualquer desconsideração de que o correto também pode estar errado
De que o aberto também pode estar cerrado
O concreto, abstrato,
O contemporâneo, ultrapassado
De que morto também vive em outro estado,
Serve ao simples fato de que tudo é múltiplo e sempre poderá ser multiplicado.
O também me tira da zona de conforto
Me lança no abismo da incerteza
Me revela ambientes incomuns, paisagens amorfas.
Fortalece o contexto porque dá poder ao depende.
Assim nada será só branco ou só preto,
Só pulga ou percevejo
Depende
Só soldado ou cangaceiro
Viajante ou hospedeiro.
Depende
Também depende de onde me posiciono
Por qual fechadura espia meu olho
Qual envergadura do meu campo de visão proponho,
A qual distância experimento meu olhar.
E, para além da vista,
Enfim,
Ou seja
Também depende,
Assim,
Se estou afim
De encarar a metafísica.
sábado, março 31, 2012
TNT
Ninguém aqui é pedra
Certo?
Então mexa-se.
Ninguém aqui é ponto de buzão
Certo?
Então mova-se.
Ninguém aqui é poste
Certo?
Então desloque-se.
Agora
Se um branquinho como eu ficar aqui te dando ordem,
Evoque Zumbi
Martin Lutter King
Pule os muros de Berlim
Risque o fósforo da desordem e
Quem sabe
Seja o caso de replantar sua raiz e resistir, resistir, resistir, resistir
Resistir, resistir, resistir, resistir...
E explodir, explodir, explodir, explodir
Explodir, explodir, explodir, explodir
Com tudo isso que tá aí
Poste, ponto, muro, encosto...
Arme-se de um aposto,
Sujeito, objeto, período composto, predicados verbais,
Metáforas
Mas nada de pleonasmo ou eufemismo.
Monte kits com refrões de rebeldia.
Arme o trinitrotolueno e exploda em poesia, poesia, poesia, poesia...
domingo, março 25, 2012
Corpo Paisagem
Vista daqui,
Belas sombras
Belas luzes
Avista belo monte de curvas sem veias centelhas vermelhas aos meios seios as costas a mostra
Pavíos partidos oferecem menos fogo.
E um Domingo assim, morno...? Cabe à reza dominical descarregar o cansaço da semana e já sofrer com as batalhas que virão.
Dessas paragens quero criar vida boa
Vida que é mais vida
Vida que é mais a toa
Toada de um fôlego só!
Parar de ver prazer só quando existir miragem
Então
Deixe-me olhar mais um pouco a paisagem...
terça-feira, março 20, 2012
Fulano Corpo
Fulano refletia no horizonte o pôr do sol,
Nos olhos um mel de saudade
Saudade doce e caldalosa
Que só depura em momentos bons.
Fulano sentia no horizonte um cobre brilhante.
No peito um vício de sol,
Sol que não se sabe se é de fora ou se é de dentro,
Solo de guitarra ou rebento.
Fulano sentia no horizonte uma brisa febril.
No sexo o própolis da abelha rainha,
Fel cicatrizante, curativo sumo, eficaz
Reverso veneno.
Fulano sentia a cabeça pesar
Pender para baixo, sobre as pestanas sombrias de um olhar esquecido, longe.
O horizonte não parece ser mais horizonte
A beleza do infinito, agora púrpura cor, caía abaixo da noite de seus joelhos,
Finas canelas e frágeis tornozelos...
Do corpo
Todo...
Corpo, todo
Fulano corpo,
só não sentia os pés,
Que flutuavam na vasta e intensa
Solidão.
sexta-feira, março 16, 2012
Samba Quadrado
Ando meio mal dos humores
Insatisfeito com os rumores
Descrente dos senhores
E senhoras que me vêem.
Se minha vida fosse mais de boemia
De esculachos, meias lidas,
Meios fios e meias medidas
De uma dose a mais de amor...
Se da metade não entende nem um terço
Podes crer que eu não mereço
O julgamento que me tens.
E na favela o sol nasce atrasado
Nego já tá no trabalho antes do galo cantar
Quem dera eu ter ficado com a morena
Nua, tem pele serena e suspira quando chego.
Alço vôo, sigo em dia, e sem consolo,
Ao patrão mais um esfolo, um pedaço do meu couro, sem acrescer nem um vintém.
Como um canto sem seu coro,
Uma sina sem penar,
Como um santo em oratório sem uma reza a iluminar,
Segue a vida com dois pesos, dois salários e respeitos,
Há mais deveres que direitos
Mais discurso que viver.
Porque é que a vida, delicada como donzela,
Prefere outra aquarela, outra sequência de cores?
Mesmo se cinza, prata, chumbo, é a cor dela
Fica desejando aquela que é mais a cara aos amores.
E colorida menos fica a sequência,
Marcada a cumprir sentença
Por causa de um mal entendido qualquer.
Quem foi que disse que o sofrimento é que é a regra
Pro peão que, aflito, espera
O pagamento do mês?
E o sol desce muito antes do horário,
Nego nem voltou do trabalho
Tanto mais viu a mulher.
Se há partida, tem de haver a despedida,
No boteco ao fim do dia
Samba um choro quadrado.
Quando às cartas vira a mesa
Aposta tudo o sonhador
Se o jogo é com a vida
O destino é o ganhador.
Ando meio mal dos humores
Insatisfeito com os rumores
Descrente dos senhores
E senhoras que me vêem.
Se minha vida fosse mais de boemia,
De esculacho, meias lidas,
Meios fios e meias medidas
De uma dose a mais de amor...
Se da metade não entende nem um terço
Podes crer que eu não mereço
O julgamento que me quer.
domingo, março 11, 2012
Sono em Clara em Neve
Se bato o sono em clara em neve
A cara fica fofa,
Pesa a pestana e o olhar não estabiliza o giro.
Então
Me dou conta que pro sonho só vai gema e
A clara, que pena,
Só gera suspiro.
sexta-feira, março 09, 2012
Magrela
Saí eu e a magrela
Somente eu e ela
Lá no céu a lua cheia
Aqui no chão volta e meia
Pedalo
Na favela, pagode na viela.
Alguns com baseado outros Inconformados guardando suas preces em garagens de amém
Tem também a gostosinha dos mano,
As piriguete rebolando, ô se tem.
Vai e vem
Sobe morro, desce morro
Não sei se morro
Puxo o fôlego
Vem cigarro, vem esgoto, vem cheiro de jasmim do perfume da...
Sei lá, deve se chamar Iasmin.
Subo mais um morro, desço mais um morro.
Já contei onze só até a Praça Onze,
Não sei se pedalo ou se corro.
Calma mano, que isso aqui não é coito.
Respiro a valsa da quebrada... Me sinto completamente em casa.
A lua lá no céu
A luta cá na terra
Jorge me olha curioso e não dou a mínima pro dragão.
Até porque eu sou timão...
A lua hoje é bela, tranquilo sigo pedalando na favela
Vou em frente
Porque sei
Sei que tem também
Por aqui
Gente de bem.
Corpo Móvel
A mobilidade se mede no direito de ir e vir. As idéias vem e vão. Os prazeres também são passageiros, muitas vezes mais do que queremos. Andar por aí fotografando pelas retinas do celular, quase que formado por células humanas. Quase tão inteligente, também quase tão carente. A mobilidade, que tanto tem a ver com liberdade e que por sua vez tanto tem a ver com vida, é hoje fabricada e aprimorada em aplicativos, pads, pods, tablets, smarts, pode? Posso seguir adiante? Esse transitar enquanto estou empacado no trânsito e o comunicar mudo enquanto penso lendo-me em voz alta no pensamento sem saber o que realmente pensa o outro a alguns impulsos elétricos de distância, são mais das belezas paradoxais contemporâneas. Aquele meu nomadismo cigano permanece, porém esta condenado a ser traduzido nas letras deste alfabeto virtual. Um movimento sem movimento, um adiante aqui plantado num banco do metrô. Onde chega esse meu móvel pensamento? De qualquer maneira, são só pensamentos... Permitidos de serem publicados enquanto pago a operadora de celular, ao mesmo tempo em que duram enquanto há bateria de lítio. Defenderei a mobilidade até o fim, mas preciso entender que não depende de mim o tanto que para além do celular quão móvel o resto do mundo deseja a vida.
domingo, agosto 16, 2009
Depois da bela ilha
Sei ser necess�rio esse tr�nsito entre produzir na megal�pole - trabalhar, se sentir preenchido com projetos, j� que fomos criados para ser assim e agora n�o h� mais o que mude isso, porque isso somos n�s, isso sou eu - e respirar ar de montanha e refrescar-se numa quebra de onda. Mas tamb�m gostaria de viajar sem estar viajando e sentir que fa�o parte da natureza, que desse tempo largo � feito meu metabolismo, meu pensamento, minha criatividade. Voltei remexido, e quero juntar as coisas, n�o precisar mais do tr�nsito, ser tudo isso inteiro sempre. Daqui por diante s� quero pensar em projetos que dar�o certo, e o certo agora � considerar que n�o h� mais distin��o entre mim e o mundo.
domingo, março 29, 2009
A Nobreza
sábado, março 14, 2009
Internet
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
O Oco
Se dá preguiça
É pedra no sapato.
Foi não. Ficou mais pra lá do que pra cá, bufou alto, bocejou pra dentro e preferiu ficar em casa lendo a Bíblia. É de mais serventia, é fato. É tato de intuição, coisa rara de se ter, por isso muito valiosa. Mas desse, o contrário é que inverte uma verdade em outra, dela muitos não tem justamente por nela não considerar dar valor. Foi não. Já disse. Tendo outras coisas a pensar, analisar, refletir. Se bem que quem reflete é espelho e ele mesmo não tem lá muita identidade se não a identidade de muitas caras. Por isso que quando muitos param pra ter reflexo achando encontrar alguma eureka, ficam apenas citando ciências e referências acadêmicas, como se tivessem feito um download sócio-economico-filosofico-psiquiátrico-manicômico-punhetal enciclopédico. Parece que não se pode viver da própria experiência. Esquisito né? É, por isso que quando olho pra um espelho é por solidariedade de emprestar meu rosto pra ele. Quase nunca a gente se vê por fora. Foi não. Você não acerta uma mesmo. Não tem nada com isso. Ouvi que o ego é burguês. Desde quando eu sou burguês? Desde quando voltei a falar disso? Desde quando deixei de fazer poesia, acho. Nem lembrava desse tal vício de vocabulário universitário intelectual. Não foi. É que a gente não se percebe mesmo do que tá impregnado. Quase nunca a gente se vê por fora. Fico imaginando que quando isso acontecer irá ser iluminado. Não foi. O que eu penso é que a ignorância as vezes é estratégia de sobrevivência, mas temos de considerar que se é estratégia, então é conhecimento, então é preciso conhecer a ignorância para usá-la estratégicamente. Portanto é preciso o conhecimento da ignorância! Pronto, já estou formulando teorias e não é disso que se trata mais. O mundo saturou de teorias. Não foi. Se se arrasta alguma coisa é porque tem que arrastar. Nunca viu jacaré correr no barro? Se ele cansa de arrastar a pança ele vai nadar. É simples. Coisa estranha é quando se faz disso um gosto de arrastar a pele até sangrar. Mas não conheço dessas patologias, disso só doutor e eu sou somente algum toca-discos de sí mesmo. Aliás faz um tempo que a agulha quebrou e o disco anda tocando meio riscado. Foi não. Foi só uma tensão desnecessária mesmo. Ando preferindo assim, porque sabe como é, agulha quebrada, disco riscado, tudo isso chia né? Toca meia música depois volta e toca a mesma melodia, quando muito pula e, aí, depois do estranhamento, a gente vê que nem era necessário mesmo. A gente nem era necessário mesmo. Foi não. Essa vida é que toca muito vazia. Ou será que é o vazio que toca na gente?
domingo, fevereiro 01, 2009
Morada
Um mel assim doçura
Com leite moça o pudim
Com azedume lima limão
Cai uma noite em cama de rede
Vai buscar cheiro jasmim
Quero o sertão corrido descalço
Me confundir com a areia
Marrom pele morena
segunda-feira, janeiro 26, 2009
quinta-feira, janeiro 15, 2009
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Rio raso, rio manso
Sol nasce
Amanheço o mundo e corrijo o tempo
Quando anoiteço
Vem sono profundo e me entrego ao sempre.
Nessa hora cresço.
Espicho em silêncio nessa hora de paz
Mas ninguém sabe o que passa dentro
Ninguém sabe o que passa dentro.
Rio raso, rio manso
E é o rio que molha o sol ou sol que seca o rio?
Só nasce e só corre.
Não vejo o fundo das águas pra observar seus pés
Água barrenta, água benta. Fico querendo
Mas
Hoje amanheço mais
Amanheço mais
sábado, janeiro 10, 2009
1+1
Nem isso
Nem um passo pro lado
Nem isso
Algum breve recurso
Nem isso
Nem um largo abraço
Nem isso
Algum suspiro curto
Nem isso
Nem um respiro fundo
Nem isso
Algum ousado prato, de culinária oriental, com temperos indianos e requinte de capricho exótico
Quanto mais isso
Tanto quanto suaves pétalas ou macias gotas
Sabão nas costas ou oleosas mãos de moça
Quanto, enquanto, quero.
Ah. A...
lgum dobrar de costas
Nem isso
Nem um quero-quero
Nem isso
Algum gemer na proa
Nem isso
Nem deslizar na boa
Nem isso
Algum mal que se preze
Pecado que se reze
Falo desse, da pele.
Algum murmúrio safado
Recado não falado
Comunicação breve, entre-peles
E já me viro suado de agonia
Nem isso
Reviro desistindo da teimosia
Algum, algo ao menos, algo
Tem disso...
Fogo?
Que vá então pro Alasca
Socorro!
Algum site de pornografia
Nem isso
Nem jogo de amarelinha
Nem isso.
Grafo então na esfinge meu desejo rupestre:
Só penso nisso?
1+1=2, afinal,
É normal.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Em frente
E é exatamente nessa hora que torno a gostar, denovo.
E logo estremeço quando gosto.
Estou vendo, 2009 será um ano de arrepios.
Enfrento.
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Aplico-me
e isso me encomoda
As referências são somente as minhas próprias. Os autores que cito não passam dos desdobramentos de minha própria consciência.
Mas não acho que isso é a ostentação do ego. Talvez apenas antiacadêmico, pseudo-ciêntifico, se constatar-se impossível a ciência de si mesmo, uma vez que a percepção é sempre subjetiva. Mas a contradição é que estou ciente de mim se levarmos em conta o aspecto mais viceral da percepção, porque, afinal de contas, o que é a realidade senão um ponto de vista? Meu mestrado talvez fosse somente a declaração de minha experiência e os pressupostos do que julgaria ser a razão da minha existência. Mesmo que, nestes meus 24 anos, faça juízo de que de muito novo acumulo coisas que nem gostaria que fossem verdade.
Portanto, aplico-me como método.
O fato é que isso não se aceita
e isso me encomoda
O que se aceita é somente aquele gesto do mundo, sem me considerar um crivo do mundo. Já escrevi alguma vez que o tempo atravessa meus ossos nesse percurso, algo fica.
O fato é que me entrego a alguma razão intuitiva de ser o todo e não as partes
e nessa me escapam nomes, momentos, particularidades
As notas de rodapé viram pés e tudo acaba sendo a base de mim mesmo, consciente de que sou, também, o (in)consciente coletivo que me lança à maré.
Não sei falar
e isso me encomoda, porque dizer é fazer ciência e fazer-se ciente é postar-se reconhecido
O fato é que na ação das horas é que me resolvo
e dos meus gestos dou conta e só...
Afinal, não gesticulo pelos outros.
Deixe-me ir
Encher as costelas antes de pressionar os dedos, num mole caminhar por teclas, sem tônus, atonal. Meu corpo acompanha esse estado que vem do meu corpo feito som muscular.
Apita agora um ré oitavado, em intervalos de emergência chamando atenção. Um ré de timbre mestre, que vem trazendo tônus aos poucos, me enchendo de sol. Mas ainda é nublado o céu que me cobre. A escala é menor e me tranca num espaço mínimo de movimento.
Um botão! E um forte som baixo sai do meu lado esquerdo. O tônus me toma e é impossível ficar sentado, simplesmente ouvindo. Os dedos pressionam mais forte e tudo vai clareando. Deixe-me ir numa melodia clara, limpa, parece que tudo se resolve. E mais botões entram e explodem em sons que diminuem seus baixo de meio em meio tom, até retornar num Ré dominante e repousar em meus ouvidos, macio, sem distorção.
Mas e essa necessidade que tenho de me torcer o tempo todo? Todo! Traz em súbito meu dedo mindinho buscando alguma voz que me enlouqueça... só pra que eu possa repousar de novo, ovo macio, ouço um Ré belo de Cartola. Mesmo assim não deixa de ser triste a melodia, não deixa de ser triste meu caminho, não deixa de ser triste a minha trajetória.
E essa tristeza que aumenta intercalando massas sonoras com delírios de solidão, num solo de dedos que correm não mais moles, mas loucos, pressionando, numa lógica que só a beleza da loucura é capaz de proporcionar, até encontrar mais baixos e tudo romper a vastidão sonora de um abismo.
Deixe-me ir, preciso andar nessas teclas, encontrar uma saída pra que as coisas não acabem assim tão esvanecidas numa melodia triste de pé no chão e cartola. E é aí, quando, por fim, meu mindinho reverbera no dedo mediano e do ré menor eu salto pra um amor ensolarado.
É preciso renovar!
E esse acorde que me toma, faz dançar meus dedos de ambas as mãos, trazendo uma melodia que me enche as faces, me torna alegre, sintetiza o tempo, muda a estação! Minhas costelas não mais enchem lentas nem trazem o vigor do alerta, simplesmente pulsam, enchem e esvaziam numa alegria de baião.
Agora é dança, é festa, o mundo mudou, não é mesmo? Está tudo melhorado! Está tudo, assim, renovado! Sorrir!
Mas não sei porque vai me dando um frenesi nervoso. Um teleco-teco fora de compasso. Um encher e esvaziar de costelas que fica curto e não descansa nunca, e não pára nunca, e não repousa nunca! Ai que desespero desses acordes alegres que não me deixam respirar! Sorrir! Sorrir! Preciso sorrir! Sorrir pra não chorar...
Que medo do silêncio! Silêncio. Deixe-me ir baixo, lento. Mas dessa vez é rápido. E não quero mais sons que me encham, algum. Deixo o fole das minhas costelas simplesmente esvaziar, pra se encher num respiro profundo e, por vez, por fim, até, acabar.
quinta-feira, novembro 27, 2008
Inferno Astral
Pois essa atividade publica me deixa as vezes pensando que não há mais espaço pro que talvez seja o coletivo verdadeiro, que parta do indivíduo corajoso, que mostra a identidade e prepara o cerco confiante de que não está sozinho, com mais indivíduos confiantes de sua identidade, corajosos verdadeiros, preparados no coletivo... mas está sozinho. Pensei que não estava. Mas estou. Quem dá a cara a tapa, apanha. E só isso.
Pois é essa a atividade pubica, que me vira o pubis ao avesso e toda hora me pego por dentro e me perco, me cerco, me aperto e volto jogando merda na pólis. Querendo esfregar meu cheiro nas esquinas, pestiar as vistas, imprimir as fezes - a obra.
Não, não há que, se, merece, aceitar o carma que gregos são diferentes de troianos. E não sou tão puta dolor a ponto de estar dentro do cavalo discursando pra ambos.
Pois é essa, a atividade discursiva, que interrompe a ação. E é a ação, por ela própria, que se baseará minha estratégia.
Que me ilumine, então, poesias alienadas, pseudo-míticas, pseudo-críticas, pseudo-éticas, neste purgatório terreno em que resolvo me entregar às serenatas de beira-rio enquanto o mundo explode. Que seja esse meu disfarce e que conversemos mais tarde debaixo da terra ou acima da Lua, em algum próximo inferno astral, para os resultados em que a humanidade se coloca.
Quem que me cruze, que desloque.
Quem desloca, que me cruze.
Se agarrar, não me solte. Não,
não solto se me toca.
Não me toque se não peço.
E não peça pra eu sair da toca.
sexta-feira, novembro 07, 2008
A sina do circo
sábado, novembro 01, 2008
Corpo de Estações
terça-feira, outubro 14, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
Notas Sobre o Corpo
Processos. Respostas daqui pro diante, só com retiscências...
Pergunta: O que é corpo?
... : Corpo é... conexão. Ponte, transversalidade, que enraiza a terra e infinita ao céu. Corpo é soma, mas também é uno, total sem partes, corpo. è processador ao mesmo tempo armazenador. Não como um computador numa ação de armazenar e separar em separado, mas sim uma ação fluida ininterrupta de armazenar o que se processa e processar o que se armazena. Corpo é cérebro e é cú, corpo é membros e é centro, é moral e é vontade... e também é o único capaz de transpor tudo isso...
... Corpo é baba, é unha fedida, é pêlo, cabelo, caralho. Corpo é algo mágico, porém real. O mágico sem mistério, enigma, mágica natural, da natureza que é feiticeira. Corpo também é aquilo que eu permetir que ele seja...
... Corpo é linha pra frente da vida. Não volta, não pára, não deixa de ser movimento. O que te barra, te cruza, não deixa de ser somente uma outra vida que também não pode deixar de ser esse contínuo movimento e, quando assim acontecer, que se dê a volta e descubra outro caminho. Que se atravesse, atravez de, caminhos, esse, longe, até, não sei quando, não sei onde...
... Dia 1, Dia 2 e Dia 3, respectivamente, até que chegue outra vez...
sábado, agosto 23, 2008
.
Petisco de ostras podem trazer vento de pum
(Aqui é tudo muito belo e profundo)
Que se caia então à besteira
e
Viva a poesia do ridículo
e
Que nos valha os palhaçaria brasileira
terça-feira, agosto 12, 2008
Outra
terça-feira, julho 29, 2008
Sem(sen)tido
São as vezes odores. Me confundo nos sentidos... assim como vezes olho pra escutar e enxergo ondas sonoras. Sem novidades à física...
Simples é o tato. É o toque que desvenda o meio
Dos inícios e fins duvidosos. E há de ter recheio essa vida besta.
Se não sabe ainda pra que veio, dê um abraço demorado e espera reverberar...
Só depois do laço é que vem os cheiros... bufares íntimos. Daí pros gostos,
Olhos outros e mais temperos
Bastam mais abraços longos... e, ah! se demorar demais, é quase entregar a alma pra diabo alheio.
Da carne ao pensamento só há diferença de gênero.
Acordo roçando no lençol e descubro um desconforto. Um frio que sobe das canelas pra cima e um quente que só habita meus pés; da pele ao sonho, há de se fazer sonho com pele e pêlos sintonizados em sonâmbula estrada.
O caminho da cidade espera meus pés no dia seguinte e meus olhos esperam saudade...
Me descubro por inteiro que é pra perceber qual a temperatura da imensidão.
Uma camiseta basta. Mochila nas costas, pro trem! Fone de ouvido com RadioHead sem deprimidas razões; tenho a energia do dia. Trabalho pro pão, trabalho... vezes o sabor do pão é o cheiro, mas antes quero a massa, amassa, massagem...
domingo, junho 15, 2008
A vontade
O meu advento é céu lilás.
Pela auto-estrada um fusca atento e o meu novo invento é de paz.
No muro de casa, encantamento, e numa almofada
Babo meus sonhos.
Assim, fico à vontade.
Rezo sem palavras, sem pretexto.
Não repito trechos. Nada mais
É moda e nem modelo
Nem Deus e nem meu pai.
Assim, fico à vontade.
Repaginei e imaginei aquela saudade
Do sonho, do sonho, do sonho
Achei que desencontro fosse o tempo
Em adiamento do encontrar
Risca madrugada e faça assento pra babar meus sonhos
Assim, fico à vontade.
Por enquanto estou meu próprio centro
_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Tenho tido uma vergonha que há tempos não me compunha... mas nunca estive tão cara-de-pau. O que me ocorre é que o processo está querendo alterar a curva. Devo esperar incondicional, pronto, pra próxima candidatura de ator do ano, intelectual do ano, músico do ano, poeta do ano, gostoso do ano, circense do ano, aluno do ano, filho do ano, namorado do ano, modelo do ano, bailarino do ano, distraído do ano, bom menino do ano, maluco do ano. Do que será que me chamarão agora? Qual será minha etiqueta, de algo que ainda não sei que sou, agora? Porque me dizem sempre o que sou, se me sendo eu ainda nem me sei? Só sei que sei que me estou por dentro, morando um pouco no escuro do meu estar. Por enquanto, estou meu próprio centro...
quinta-feira, abril 03, 2008
Receitas Contemporânias Para Manter o Corpo Saudável -1
Vá até o supermercado e compre um pacote de bolacha Passa-tempo, da astronômica Nestlé. Vá para casa, ligue a TV e abra o pacote. Retire 6 pares de bolachas com o delicioso recheio de chocolate alpino e coloque de lado. Pegue par por par, abra as bolachas e desgrude o recheio delas. Coma as bolachas mas não os recheios, que devem ser empilhados um a um no dedo indicador da mão esquerda, caso seja destro, ou no dedo indicador da mão direita, caso seja canhoto. Ao final da degustação de doze bolachas Passa-Tempo, você terá em seu dedo indicador seis recheios de chocolate alpino empilhados, abra bem a boca e coloque a montanha doce marrom sobre a lingua e deixe derreter vagarosamente pela ação da saliva.
Dica: após comer as bolachas, beba meio copo d'água para lavar as papilas gustativas, para que o chocolate venha com mais sabor.
Depois deite de barriga para cima para assistir ao fantástico show da vida... não deixe de mudar de canal nos intervalos, pois assim é evitado a tentação do consumo desenfreado e também há queima de calorias com o apertar de botões e readaptação nervosa à mudança de imagens.
sexta-feira, março 28, 2008
Abertura do Balaio
Pé com pé de moleque
Menina
Uma pilha duracel
Dura cem
Dura mil horas a farra
A farça
A dança... as gargalhadas
Se anima, entra na roda
Girar mais que o céu...
Porque depois cresce.
Mas se já cresceu, recomece hoje
A viver da lembrança dos tempos em que era...
- Piá! Ei Piá, o dia tá só começando, vamo que o tempo tá sem chuva e amanhã só chega depois que der o ultimo suspiro da noite. Vamos entrar você, mais eu... eu e ti. Vamo!
Jabuti.
Ciranda do Balaio
Cirandar de tarde, boa tarde
Cirandar de noite, boa noite.
Na casa da tia, café da tarde
Na praça vazia, beijo a noite
Ao girar ciranda, bom dia.
Abra a roda, forma o balaio
Abra a roda, forma o balaio
Abra roda, aqui, tudo vai acontecer.
quarta-feira, março 05, 2008
Entrecorpo de sol e lua
Madrugada ensolarada
A lua pegou pelo anzol esses raios violetas
Que vez em quando entram pela minha janela para invadir meu sono em preto e branco
Imagem parada, eu alí deitado. Me vendo por fora me reconheço.
Ultramarelentas as fotografias antigas
Um sephia assim de memória, mesmo se de outro dia bater a história.
Risadas ascendem, lágrimas molham
As duas juntas abrem o prisma do arco-íris.
A lua pescou o dia pra fazer companhia, um amanhecer mais cedo encerrando a boemia e compartilhando outros olhares. Meu olho fecha um pouco quando vem o sol e solta de volta um raio ofuscante pedindo pra enviar ao mundo.
Escrevo pro mundo e ninguém há de mudar minha ânsia de artista.
Tendo em vista que a globalização não é o meu negócio, não faço questão que entendam minha lingua, mas que minhas palavras lambam os corpos de continentes, povos, fronteiras. Que ultrapasse então minha saliva pra digerir os carboidratos da prepotência humana.
Mas não importa isso agora. Importar é trazer de fora, exportar é vomitar o de dentro. Quero flutuantes as minhas auroras.
O arco-íris vai se acabando em seu leque de cores. Pintei uma aquarela em meus olhos, bem encharcada, ensanguentada de vermelho guache, com leves tons de azul oceânico do meu mar sem fim. Vou dormir... e com viajem longa, esperando acordar no horizonte navegando num navio que flutua entre o sol e a lua, numa tarde fresca de luz amena. Apenas...
terça-feira, março 04, 2008
Visto o Corpo
A coletiva é a celebração. Bons os momentos de alegria conjunta. Depois recolho no canto minha soledade melancólica, séria por ser serena e não por ser careta. Muito estranha uma felicidade do sozinho, do estar alí somente com motivos de memória para rir sem parar. É possível, mas não é a minha. Só é estar comigo sem meus botões. Só eu e eu somente pensando enquanto existo, existindo e sendo enquanto estou pensando e agindo... tudo junto, assim. A alegria é pra dividir, não combina com sorrisos solitários, gargalhadas malucas sem ninguém em volta... é triste. A alegria sozinha fica triste.
Minha tristeza é inteligente. Eu sou inteligente e posso ver roupas infindáveis, das mais coloridas, dos mais gerais cortes, das mais variadas origens de todo canto do mundo, gente e bicho, cada qual com sua cara, cada um com sua marca... veste, porém, todos com sua veste. Ninguém nú, ninguém de corpo em pêlo. Vejo roupas feitas sob medida, que cobrem, encobertam, escondem os suores, os odores, as cicatrizes, os desejos proibidos, o primitivo e o instinto, o intuitivo e o espiritual... ritual. Prendem o corpo e por isso também prendem o espírito.
A celebração deve ser despida. A soledade deve ser despida. As roupas são artifícios de forjamento social.
Não sou naturalista, tampouco pervertido. Observo nessa moda ver nos outros o que me mostram, além mar, além terra, além céu, além fatos, além tramas. Tirá-los a roupa é tirar seu repertório... e isso lhes tira o chão. O poço é fundo, acabou-se, e tudo será diferente então...
Disso tudo o engraçado é que a minha eu não vejo. O espelho não me mostra nem no mais privativo silêncio de horas de sozinho. Deve ser porque de algum canto sou assistido, de algum olho me pegam no vão. Minha roupa é minha pele. Não sei se porque já não tenho sobre mim os panos ou se ela própria, a roupa, não quer que a enxergue.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Sô Nô
Sô No sense
Sô Circense
Mas não sou herói
Não me destrói porque dói
Faça o censo
Quem não diz da altura que despenca,
O arremesso,
Quem não meça o verbo que dispara... Porra!
Viva em cada tempo
Na literatura o sadomasoquismo fez suas vestes
Há quem não confesse
Chicoteia a merda no ventilador e arremessa o cavalo pra fazer vento
Sô No sense
Sô Circense
Mas não sou herói
Não me destrói porque dói
Abafa o caso
Senão pega mal pra cacete
Dizer que anda rolando porrete pra todo lado
E ao lado
Toda vida se diz perfeita até abrir a geladeira
E achar o que está fedendo
A borra do café me disse que seria assim mesmo
Tudo superaquecendo e o mundo declinando, que tudo mina
Mas isso é desculpa de precoce
Que não sente que tudo acaba só quando termina
Sô No sense
Sô Circense
Mas não sou herói
Não me destrói porque dói
Cantar de galo
Acordar desafinado
Despertador João Gilberto pra mostrar um dia incerto
Será que vale a pena?
Há mais muito do que tudo que a gente imagina
Macunaíma,
Quem diria que existiria?
Agora o anti-herói será você, improvisa...
terça-feira, fevereiro 12, 2008
O Pulso Ainda... despulsa, varia... varia, expulsa
Vale citar aqui Willy Correa e John Cage
Tempo
Contra Tempo
Contra o tempo
A tempo
De dizer ao tempo
Seja diferente
Atonal
A tempo atemporal
sábado, fevereiro 09, 2008
Abril
Janelas, portas, portões, fendas, veredas
Entrou, chorou, partiu, rachou, cortou, trilhou, ou...
Será que vai? Será que dá? Mais um abril despedaçado
Um samba assim assado
Até...
Sou um pouco de favela na maré
Revolto nas águas de março
Adiantado em fevereiro...
Abriu?
O cadeado, o fosso, o céu, o horizonte
Pisei na poça até a canela e afundei o pé na lama
Reclama, reclama... estou sozinho em casa denovo e te escrevo por telepatia
Proclama, proclama... a independência é uma questão de grito, rio e espada em riste
Pau na mão Ipiranga.
Qual meu córrego? Me encha março, pra derramar abril nas margens e abrir em maio algo maior que Juno
Em junho: vamos dançar quadrilha...
sábado, janeiro 26, 2008
Encorpar
Uma nau veio me buscar, voar pra longe do labirinto. Um certo Ícaros sem a fatalidade da morte. Vôo de trapézio com lonja no lugar certo. O risco é o que sustenta o circo e o circo o que sustenta... me sustenta.
Não ter medo do vôo não ter medo
Cedo
Acorda só de meio olho, deixar o outro
Sonho. Ando e não acaba a areia. Suspender o quente e sustentar o deserto, pra trazer o novo perto, fresco, com muito ar. Encorpar a sede pra ir fundo na vontade, continuar.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Não deu samba
quarta-feira, janeiro 16, 2008
estético Corpo ético
plural
, aural, neural-físico, entorpe e sente o início de outra necessidade
singular
No meio do meu texto, pouco
namoro entre as palavras
o amor também enrouquece a fala
Agora muda tudo
Claro, fica claro, e a composição falará um pouco mais sobre a natureza, a estética e a ética sob a copa de árvores e seivas de bares.
Minha vida aqui, só
Sem personificações ou referências
Há coisas mais importantes do que as adolescências pueris de um qualquer escritor de páginas binárias de um sistema intermundial.
Quem disse que quero falar pro mundo?
Falarei pra sorte
pro tempo, pro peito
O mundo é estar somente.
Detalhes, falarei de detalhes
Ignorantes
Mas que em minhas mãos se farão belos
Estéticamente éticos
Éticamente estéticos
Neuróticos enquanto sílabas ácidas
Esquizofrênicos enquanto imagens plácidas.
Esse sonho que nunca chega e fica paralizada outra realidade
Menos direta, mais cheia de charme.
Não quero desse espaço confidência,
Fique aqui com meu olhar-te como olham os olhos da frase: sujeito e predicado
Que não se saia então ninguém, por bem,
prejudicado
domingo, janeiro 06, 2008
Corpos
não ter um travesseiro pra cobrir o desgosto, apagar o rosto e tampar a respiração. Durmo sem, prefiro a coluna reta no colchão de mola, lançando sonhos em saltos ao alto, lá batem no teto e matam pernilongos. Voltam me dando um sono tranquilo. Minha vida alí e minha noite em algum outro lugar lá fora. Minha vida alí na cama, deixando com o peso a forma, com o suor o cheiro, com a baba a digestão destes tempos sem sono.
Minha morte... distante. Tenho o prazer da sorte.
Me vale seus olhos, não me deixe dormir sem seus olhos, não durma, não suma, não voe sem que me olhes com estes olhos que por enquanto...
Minha vida alí a sete braços cruzados, coração fechado, deitada de costas, pernas no peito, guardada em caramujo, "não me toque, não me alcance, não me acorde". Assisto de fora no escuro, madrugada emburrada. Que amanheça o dia, que chegue outra espera
esperança...
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Corparto
terça-feira, dezembro 11, 2007
Sonho com um corpo
Sonho com um grupo
De gente
Colégio com sonho, um grupo
Corpo
Gente,
Com um sonho, um colégio com gente!
Grupo de sonhos
Corpo de sonhos com órgãos
Um corpo sem órgãos
Artaud crú!
Sonho crú com um corpo de Artauds
Gente crua e uma antropofágica pantomima
Sonho com um cabaré de palhaços
Um corpo de palha! Colégio de espantalhos.
Corpalhaços
Saltos
Cambalhotas
Bravo, bravo!
Felizmente
Meu corpo é o que tenho de mais...
Sonho um corpo
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
Os sonhos são engraçados
Aparecem adormecidos sem sabermos d'onde e porquê,
Até que, vez em quando, é preciso niná-los e botá-los a dormir
Outra vez
...
Um sonho é um sonho, não deve acabar nunca
Senão a sobremesa acaba por virar um qualquer
Mamão-com-açúcar
quarta-feira, novembro 21, 2007
Corpo Feriado

Algumas tantas toneladas de areia deixadas para trás
Fofas
Duras
Finas
Com conchas
Alguns muitos litros de água salgada
Do mar
Do rio - vermelho iodo, salobra gelada vinda do mangue
Do céu, um sol violeta
Ultravessado na pele
No fim do dia o pouso alegre em cama esquentada em horas
Tragávamos o corpo, um ao outro.
Depois, acabava em sono,
Acordar cedo e recomeçar de novo.
Há o mesmo sol esperando lá fora
E o mesmo ímpeto cá dentro.
Foram estes alguns dias de todo tempo
Do mundo.
Sinto que amei, ali, me achei
Em ti.
domingo, novembro 04, 2007
Bom
Por observar que
Bem
Veja bem
Por enquanto é
Quem sabe
Olhe
Pois então
Assim
Isso
Dá
Não dá
Quiçá
Sendo assim
Isso
Não dá
Dá
Talvez melhor que fique
Talvez
Se
E se
Não, e se
Calma
Vou recomeçar
Parágrafo, dois dedos
E um gole
Vírgula
Vou partir com vírgula
O sujeito fugiu
O verbo fingiu estar
Melancolia
Pré-di-cá
Do
De lá
Sí, Dó ré mi
Faça a luz e a chame de dia
Faça a hora do café e a chame de tarde
A noite é o nome do que é há de mais íntimo
Se dorme, se sonha...
Estrelas cadentes polvilham minha face e nasce
A poesia
Bem
Assim
Fim.
sábado, novembro 03, 2007
sexta-feira, outubro 26, 2007
Corpo Carteiro
Pode ser de agradecimento
Pode ser de saudades.
Ser de mulher, pode
Pode ser de amizade
Por dias de sóis em postais
Ou de retratos de chuva.
Sozinho ou acompanhado
Os dois, pode.
Pode ser algum dinheiro, carta
Inteira ou pela metade
Suja de lágrima ou suja de beijo
Em batom bem vermelho
Pode
Telegrama ou um texto inteiro
Em francês ou italiano
Peut!
Uma carta me mandaram, resgatada de uma garrafa
Navegante no Atlântico
Dizem vir do poeta.
Neruda me acuda.
Pode ser de amor
De ódio também pode
Pode vir com cheiro, maresia, ou ser de má caligrafia
Mas se for história minha
Entendo.
Pode.
Pode ser de fé, pode vir, até, e voltar pra de onde veio
Quem sabe já não mudei de endereço?
Il postino
Me deixa na espera de receber a resposta que nunca recebo
Agora queria estar no mediterrâneo e enviar uma carta pra mim mesmo.
Quanto tempo demoraria pra chegar ao vento?
Um sopro ou um vácuo...
Ora, vejo que chegou.
Pode ser de perto
Pode ser de longe
Pode ser de agora
Pode ser de antes
Pode ser, somente
Sendo
Um eterno gerúndio da vida
Pode ser boas-vindas
Pode ser de despedida
Não sei,
Não abri ainda.
quinta-feira, outubro 25, 2007
Pra falar da vida.
Hoje conversei da vida com quem morreu,
Apareceu em sonho
Me deu um arrepio
Parecia que ele era eu.
Hoje acordei e me senti meio leso
Deslocado no tempo das coisas
Discordante das minhas escolhas
Repensando tudo.
Hoje me parecia um ontem continuado
Nas horas largas de um segundo alongado...
Tempos,
Cheio de tempos o meu dia.
E uma saudade de tudo que me leva
E uma raiva de tudo que me leva
E uma ansiedade calma
Por tudo que me leva
E atropela.
Quem sou eu nisso tudo?
Vagabundo
Pelo vagar...
Vagaroso.
Vago a luz
Piscando a bunda por aí.
Agora tenho medo de dormir
E evocar meus sonhos
Cair em mais penhascos e encontrar meu pai.
Ai
Mais medo tenho se, arregalados,
Meus olhos sem sono
Encontrarem-no acordados
E num arrepio falo "oi"
Sem saber se foi ele mesmo que apareceu ou
Se dele
O que tiro é a somente imagem d'eu.
sábado, outubro 20, 2007
Corpo de Histórias
terça-feira, outubro 16, 2007
Corpo da Volta
"Deixem o silêncio dos gestos se colocarem perenes. São as peles, e não as cabeças, quem realmente se entendem."
Ah... entender do tato... conversa de luxo.
Luxúria, é o pecado que falta
Permanecer correto.
sábado, outubro 13, 2007
Corpo de Tio
óia titio a "íafa"! É linda... linda titio... linda.
Palavras vindas de quem olha com olhos sábios de criança que descobre algo do mundo. A emoção do novo, do que se torna presente em tamanho real, cheiro, cor e som que não há em livros e em enfeites da sala. Não podia não estar lá pra ver. Não podia não estar lá pra... estar, simplesmente.
Meu corpo de tio dispensa grandes produções.
Fui ao zoológico com Sofia...
quarta-feira, outubro 10, 2007
Chegam de banda em banda,
A avenida assistia,
Toda frente felicidade
E o cortejo que encanta
A chegada do artista
A saída era a praça e o caminho era a rua
Caminhava fanfarra
Cornetas e trambones
Malabarista de facas
Contorcionistas de massas
Sem ossos
É a tristeza que passa
É o pique que fica
Mambembeando
Anda
Apressa
Que o espetáculo começa
Essa
História
Tó, ria
E se entrega
Se entrega e...
Me empresta sua alegria.